sexta-feira, abril 23, 2010

Across the world

É, hoje é a minha vez.

Como na minha nada breve descrição, já disse que ainda não sou au pair e todo aquele blá blá blá, mas bem, vamos aos fatos.

Nesses longos 20 anos de vida, percebi que todo mundo foge de algo, TODO MUNDO MESMO!

E não adianta dizermos que não, fugir é bom. Não que seja bom ter medo, como tudo na vida (sexo e dormir nunca se encaixam nas minhas descrições), o medo moderado é bom. O medo pode nos fazer fugir e fugir não é necessariamente SÓ fugir é correr do que está acontecendo, e isso pode te fazer alcançar algo bom - ou não. Não importa o que eu diga, a moeda sempre vai ter dois lados. E não ficar parado é o que importa.

Eu nunca quis ir embora, meu pai sempre guardou dinheiro para que eu fizesse um intercâmbio decente, eu tinha todas as regalias que uma menina de 10 anos queria; motorista, cartão de crédito, melhores colégios. E eu era feliz, ainda sou na verdade.

Um belo dia meu irmão problemático que usa drogas há milhões de anos decidiu que tínhamos demais e fazer a revolta dentro de casa. O suficiente, a gente começou a se desfazer das coisas para pagar as clinicas de tratamento e principalmente se desfazer das regalias. Aos 11 anos eu já pegava ônibus e morava numa casa totalmente diferente. Gastamos tudo e quando eu fiz 14 anos acordei com ele tentando matar os meus pais. Hoje moramos "escondido" dele, não temos e nem queremos noticias dele, pode parecer cruel, mas só quem passa sabe. Enfim, todo mundo aqui tem uma história né? Essa é resumidamente a minha.

Sempre fui muito apegada aos meus pais e sempre criei dentro de mim uma responsabilidade incrível, eu podia ser a 'única filha que deu certo'. Em meio a lamúrias e muros de lamentações, eu queria mesmo era que meus pais sentissem orgulho de mim. Meu pai veio de uma família muuuito pobre e a minha mãe de uma família com condições melhores, mas ele sempre lutou bastante para conseguir o que temos hoje.

Comecei a faculdade e tinha uma vontadezinha de fazer um intercâmbio, nada de mais. Meu pai sempre me apoiando, mandando eu procurar os melhores lugares e fazer orçamentos, eu via que ele teria que se esforçar muito pra me mandar de uma maneira melhor pra fora do país. Até que eu comecei a não gostar disso e pensar que não queria mais, que meus pais deveriam começar a gastar com eles. Foi aí que terminei o meu namoro depois de quase quatro anos, eu sabia que ia acabar e não acho que foi cedo, demorou até demais para eu tomar uma decisão. Eu estava extremamente perdida e não sabia o que fazer, queria ir embora, dar orgulho para os meus pais, mas ao mesmo tempo decidi que não dava, com tudo que aconteceu na minha vida ficar longe dos meus pais seria uma tortura.

Mas meu pai é aquele tipo de homem que acha que todo ser humano deve evoluir, conversei muito com ele em relação a isso, eu, ele e a minha mãe choramos, e ele deidiu me deixar decidir. NÃO FUI!

Agora as coisas se acalmaram, minha maneira de ver a vida mudou um pouco, e acho que todo mundo deve arriscar algo um dia, eu posso me arrepender, mas voltar 'dos States' pode ser um orgulho pro meu pai, ele está disposto a se esforçar ainda e pagar um intercâmbio decente, mas prefiro que ele me ajude lá em cursos que eu possa fazer. Minha mãe não está muito conformada com o fato que a filhinha linda e fofa vai sair de casa pra ser babá na casa de um desconhecido, mas entende e diz que o que eu achar que vai ser melhor pra mim ela me apoia, mas pede pelo amor de Deus que eu não me apaixone porque tenho que voltar, hahahaha.

Enfim, fugindo eu estou, não mais de um relacionamento que não deu certo, de um irmão drogado ou de uma faculdade que eu já mudei e mesmo assim me desanima às vezes, estou fugindo de algo que não sei o que é, mas fugir foi a melhor maneira que eu encontrei de correr e alcançar algo melhor - ou não. Quero muito deixar as coisas aqui por um tempo, o que estiver no lugar quando eu voltar é porque é verdadeiro.

Muita gente vai discordar com isso de fugir, mas a dor e o medo, pra mim, são sentidos de alerta de um ser humano, e não um motivo para estagnar.

Beeeijos meninas.

10 comentários:

  1. Adorei o post... C sabe que eu gosto muito quando as meninas nos dão dicas e talz, mas saber deste primeido passo, do impeto que trouxe a pessoa a dar o primeiro passo é muito bacana.
    Tô torcedno por vc!

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  2. Concordo que todos precisam fugir às vezes, minha vida sempre foi absolutamente normal, bom quase normal. Claro que tenho problemas, mas o maior deles é não ter ideia do que fazer do resto da minha vida. Admiro muito aqueles que como você superaram tantos desafios na vida.
    Te desejo todas as bênçãos nesse seu ano de Au Pair.

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  3. Que história hein!!!!! [2]

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  4. Nooossa, nunca imaginei que vc tivesse uma história assim. =/
    Na verdade eu acho que TODAS as au pairs querem fugir de alguma coisa, mesmo que sejam bestas, mas a ideia é sempre fugir.

    Deus ilumine a sua família e seu irmão!

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  5. "to fugindo de algo que não sei o que é, mas fugir foi a melhor maneira que eu encontrei de correr e alcançar algo melhor - ou não -." isso resume o q sinto! Tbm estou fugindo de algo q não sei!!

    boa sorte p vc e p/ tds nos :)

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  6. "to fugindo de algo que não sei o que é, mas fugir foi a melhor maneira que eu encontrei de correr e alcançar algo melhor - ou não -."

    Raisa flor eu acho que cada uma de nós sente um pouquinho disso, mas nem todas sabem como explicar. Voce tem uma historia de lutas, e com certeza de vitorias.

    Sorte florzinha (: lindo post

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  7. Amei seu post...eu tbm to fugindo daqui...antes o objetivo não era esse mas agora é...
    Tbm estou confusa por não saber oq eu quero ser 'qdo crescer' mas qdo eu voltar dos states eu decido!
    =D
    Mta sorte pra ti Raíssa...to torcendo por tí! (L)

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  8. Eu acho que ate as coisas negativas sempre nos dão saldos positivos no final e é isso que importa.

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  9. "Enfim, fugindo eu estou, não mais de um relacionamento que não deu certo, de um irmão drogado ou de uma faculdade que eu já mudei e mesmo assim me desanima às vezes, estou fugindo de algo que não sei o que é, mas fugir foi a melhor maneira que eu encontrei de correr e alcançar algo melhor - ou não. Quero muito deixar as coisas aqui por um tempo, o que estiver no lugar quando eu voltar é porque é verdadeiro."


    Chorei.

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