sábado, junho 12, 2010

Are you ready? - por Má


Quando estamos no Brasil, temos uma ideia de como é vir para os US, morar na casa da host family, cuidar das kids, aproveitar as much as we can. Todas nós já cuidamos de crianças antes--ou espera-se que, né? HAHA--, sabemos quanta responsabilidade isso é, e nos julgamos preparadas para enfrentar esse novo desafio.

No entanto, quando a gente chega aqui, a realidade bate à nossa porta. Mesmo que você já tenha cuidado dos filhos da sua amiga, ou das crianças na creche, é diferente. Aqui não tem ninguém pra você pedir ajuda na hora que der branco--ficar importunando os hosts de 5 em 5 minutos, porque você esqueceu o que faz a seguir, não é uma boa, fica a dica!--, como você pode fazer na creche. Aqui, não tem sua amiga pra você ligar e pedir ajuda com os filhos dela, afinal, ela entende que você está se sentindo um pouco perdida--ela é sua amiga e conhece os filhos que tem!

Aqui, tem seus "chefes", que trabalham o dia inteiro--ou não, mas enfim!--e que precisam de alguém pra olhar os filhos, tomar conta direito deles. São pessoas que você nunca viu antes de vir, com as quais você não tem intimidade alguma, e com as quais precisa construir confiança--base do relacionamento de qualquer au pair - host family. Você mora na casa deles, cuida dos filhos deles e ainda está aprendendo como é ser au pair.

Digo aprendendo porque, por mais informação que a gente tenha antes de vir, a prática é muito mais intensa do que a teoria. Tem meninas que travam na hora de falar com os hosts, outras que falam mais do que a boca--eu! HAHA--, menina com vergonha de abrir a geladeira, de comer na frente dos hosts... Muita menina que achava isso absurdo quando ainda estava no Brasil o faz quando chega aqui...

Minha visão do "mundo de au pair" mudou depois que eu cheguei. Coisas que antes achava absurdas deixaram de ser. Coisas que antes eu nem ligava, começaram a pesar muito pra mim. Fora, claro, o choque de realidade que dá, na hora em que você se vê sozinha com as kids, sem saber o que fazer. Hoje, entendo por que o índice de meninas voltando pra casa tão cedo é tão alto--algo que a agência não divulga, é claro!--, pois muitas chegam aqui despreparadas, com um conto de fadas em mente, e não têm estrutura física e/ou psicológica pra enfrentar a realidade na hora que bate à sua porta. Vi algumas assim na minha semana de orientação, e não é à toa que mais de 10% das meninas que chegaram aqui na mesma semana que eu já voltaram pra casa.

Fora, claro, as meninas que caem em rematch logo que chegam. Sempre achei isso absurdo, mas em alguns casos, simplesmente não dá pra sustentar a situação por mais tempo e é melhor que o rematch seja feito antes que tudo piore. Hoje vejo que algumas meninas escolhem mal quando ainda estão no Brasil, ficam tão desesperadas com a demora no processo ou com a falta de contatos que acabam aceitando qualquer coisa, só pra vir, achando que vão conseguir lidar com os pontos negativos aqui, que não atrapalharão tanto. Infelizmente, a grande maioria não consegue. Como já comentei, aqui é tudo muito mais intenso, e a grande maioria das meninas não para pra pensar a respeito, ou simplesmente não faz ideia disso.

No entanto, há meninas que escolhem bem, que não aceitam a primeira coisa que aparece e, mesmo assim, não dá certo, acontece, é a vida. Acompanhei o rematch de uma amiga de perto e, ainda assim, não consigo imaginar o que é passar por rematch. Quero dizer, eu sei toda a teoria, mas a prática é algo totalmente fora da minha realidade, porque sempre tive um ótimo relacionamento com a minha host family, e eles já deixaram claro, mais de uma vez, que estão felizes comigo aqui, que essa possibilidade não existe, pelo menos não até agora.

Não, eu não tenho um relacionamento perfeito com a minha host family, porque isso não existe. Eu erro, eles erram, and life goes on, porque somos adultos. Não concordo com tudo o que eles resolvem, mas não estou aqui pra concordar ou discordar. Só dou minha opinião quando me pedem, porque não é meu papel decidir a maneira como a baby deve ser educada. Claro, eles me perguntam muita coisa, pois são pais de primeira viagem, e como acompanhei o crescimento de 2 crianças, é legal pra eles ter como base esse conhecimento, mas eu jamais digo "acho melhor desse jeito".

Não sou tratada como filha--afinal, a filha deles tem 1 ano e eu 24 HAHA--, e nunca quis ser tratada dessa forma. Eu e minha host temos uma relação mais de irmã do que qualquer outra coisa, pois ela é só alguns anos mais velha que eu. Me sinto parte da família, por conta das pequenas coisas... Faço coisas que não são obrigação de au pair e eles fazem coisas por mim que não são obrigação de host family. E eu sei que eu sou parte do 0,001% das au pairs que deu sorte, que pegou uma família boa, num lugar legal. Se tem dias que eu fico p*** com algumas coisas? Claro! Assim como já levei esporro por coisas que eu fiz e eles não gostaram--e eu estava errada, então tive que ouvir tudo sem abrir a boca e ponto.

Algumas meninas vieram conversar comigo, disseram que eu conversava mais quando eu estava no Brasil... E, de fato, eu concordo. O que acontece é que aqui a realidade é totalmente diferente, e a gente fica meio sem paciência pra algumas coisas... Eu sempre achei feio as meninas que já estavam aqui dando patada nas novatas, mas hoje, de certa forma, entendo. Não concordo, não acho justificável dar patada porque a menina não sabe, mas entendo de certa forma. E, pra não fazer o mesmo, eu prefiro ficar quieta... Só abro minha boca quando sei que posso ajudar e quando estou de bom humor HAHA Não me importo de tirar dúvidas, mas é aquela coisa, tudo tem sua hora. Tem dia que a gente não tem saco de ficar falando de au pair, mesmo...

3 comentários:

  1. é, como antes de tudo eu estava no seu orkut e tinha acesso ao seu blog, haha.
    Bom, só sei que acho que encontrei a MINHA Host Family. E que, eu sei bem que tudo pode mudar quando eu chegar aí - se bem que acho que não, sempre. Otimismo e uma pitada de bom senso me fazem acreditar que toda a felicidade na vida 'auperiana' é um conjunto de ações, tanto da nosso parte como au pairs, como da família, óbvio! E vamos que vamos.
    Sorte a maturidade à todas nós para enfrentar o ano mais delicioso e difícil de nossas vidas!

    beijos e sorte à todas!
    11/07 NY lol

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  2. To atrasada nas leituras...
    AMEI teu POST!!

    Espero que continue tudo bem ai!

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  3. Oie!!

    Vc ainda tem o seu blog??
    Eu acho q ele esta bloqueado ou vc cancelou?
    Era muito enformativo, sera q vc pode aceitar o meu e-mail para eu ter acesso, acho q cheguei ateh a perguntar algumas coisas de Boston pra ti, pq pretendo ir passear ai!!

    Meu e-mail e osmitis@gmail.com, eu sou a Paula e sou au pair em DC a 11 meses, e tambem sou de SP!!

    Mais sorte pra gente neh rsrsr com esse saga de au pairs!!!

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