segunda-feira, junho 14, 2010

Untitled - Mari Guterman

Muito boa noite, queridas e queridos do meu Brasil (ok, e dos Sazunidos também). Sou a Mari, dona do blog Au Pair Expectations, e começo confessando que sempre quis postar aqui. Quando fui ver, o blog já estava tomado, mas há quem diga que talvez eu venha a ter uma data permanente, então bora escrever!

Comecei a correr atrás da ideia de ser Au Pair em Julho de 2009, e de lá pra cá muita água passou por debaixo da ponte até que as coisas se concretizassem. Estou há três semanas nos Estados Unidos, sendo uma de treinamento na Flórida pela Expert Au Pair e duas em Silver Spring, MD, na casa da família.

Não vou escrever sobre o que me levou a querer passar um ano fora de casa limpando bunda de neném (oi?), mas sim sobre as impressões que tive até agora. E a primeira e absoluta de todas é: NÃO É FÁCIL.

Não que eu esperasse que fosse ser. Não que não tivessem me avisado. Mas você só entende quando está aqui, fato.

Tive uma professora de história na faculdade que, em algum contexto do qual não me lembro, disse algo sobre o porque crescemos quando fazemos viagens de intercâmbio. A ideia é que, ao nos encontrarmos totalmente por nossa conta e, olhando à nossa volta, não vermos nada familiar, acabamos olhando para dentro, para nós mesmos. Vemos nossas maiores qualidades e nossos maiores defeitos. Crescemos, amadurecemos, viramos gente. Mas vale lembrar que nem sempre isso acontece de maneira suave, muito menos tranquila.

Eu tenho ouvido casos e mais casos de experiências tensas de outras Au Pairs. Brigas, gritos, tapas, baixarias e rematchs sempre acontecem, às vezes por culpa da host family, e às vezes por culpa da Au Pair. Eu posso jogar as mãos pro céu e agradecer pela minha família aqui, pelo tanto que são preocupados comigo e me tratam bem. Sei que sou uma exceção. Sei de meninas que vieram com as melhores intenções pra cá, mas se depararam com host monsters e famílias despreparadas. E sei de meninas que não deveriam sequer ter saído do Brasil.

Porque estou falando tudo isso? Porque o que você menos quer, minha querida menininha criada numa caixinha de algodão, é ter problemas com a sua host family. Você já terá problemas suficientes de adaptação se a sua família for boa, e falo por experiência própria. Meus hosts são uns amores, minhas crianças são tranquilas como crianças podem ser, eu moro num put* lugar fod*, e ainda assim a homesick bate forrrte quando vou dormir e quando acordo.

Mas e ai, comofas? Começa com a escolha da host family. Nunca, jamais, sob hipótese alguma, aceite uma família só pela pressa de sair do Brasil e de não sobrar pra titia no mundo auperiano.

Saiba as suas prioridades. Você cresceu em cidade grande, acostumada a ter tudo por perto? Será que vai se adaptar a uma cidade do interior? Você não dirigia na sua cidade? Pois é, aqui tem que ter carro pra tudo. Mesmo eu morando ao lado do metrô passei um medinho voltando pra casa sozinha à noite um dia desses. Sem carro, no way!

Você nunca cuidou de newborn e tá achando que se acostuma? Não tem experiência com crianças e quer vir mesmo assim? Pode começar a repensar que tipo de intercâmbio você quer fazer. A gente vem pra cá pra trabalhar. Você vai passar 85% do seu tempo cuidando das crianças, e vai ter que encaixar as compras, os passeios e a pegação nos outros 15%. Se você ainda não tem isso claro na cabeça, comece a repetir como um mantra, porque a chance de ter problemas é grande.

Ah, legal, achei uma família numa cidade boa, sem curfew, com kids em idades que eu me dou bem, serei feliz? Ó bem, ai eu ainda não posso dizer. Porque você vai chegar cansada do trabalho e ao invés de ver a sua família, vai ver o seu quarto, que é...dentro do seu trabalho. Vai chegar o final de semana, e ao invés de encontrar aquela sua amiga do peito que sempre te recebia com o martini e a roupa da balada, você vai marcar quatro ligações diferentes no Skype, até arrumar a sua amiga de balada aqui (e ai as duas da manhã, quando vc tava chegando na balada no Brasil, vc estará saindo da balada dos States, ficadica também). E você vai dormir e acordar pensando "que foi mesmo que eu vim fazer aqui?"

Estou certa de que cada Au Pair vive um ano totalmente seu. Cada uma lida com as coisas de maneira diferente. Se somarmos isso aos mil tipos de host families, às mil cidades, aos mil problemas e às mil maravilhas, é experiência que não acaba mais. Toda au pair conhece alguém que veio e terminou o ano feliz. Algumas pegam extensão, outras acabam casando, outras ainda ficam pra estudar... as possibilidades são muitas, vai do rumo que cada uma decide dar à própria vida.

O que pouca gente se dá conta é de que é preciso coragem, e muita, pra sair de casa e se aventurar por ai. Uma coragem que, se você encontrou, é melhor não desperdiçar. Arrisque uma inscrição na agência, uma briguinha em casa, uma matrícula trancada na faculdade. Arrisque uma paixão, seja ela grande ou pequena, velha ou nova. Take a chance, make a risck and break away*. Aposto que é impossível se arrepender depois.

4 comentários:

  1. Aew gataa...ahasa! uhuuul! hehehehehehe

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  2. Ótimo post Mari :) Você falou e disse!
    Eu, como uma aspirante a au pair, já tenho uma bela noção do perigo e das dificuldades mas também já criei a coragem necessária a muito tempo.
    Só que a cada dia que passa, e o processo vai evoluindo, parece que o meu maior medo cresce. E é aquele que eu menos tenho controle: o de não encontrar uma hostfamily genuinamente boa.
    Eu sei que tem os métodos do bom senso para escolher a família, preferências e tudo o mais. Só que essa coisa de "feeling", de saber que aquela é a certa, não faz muito sentido pra mim, eu precisarei mais de "provas concretas" hahaha só não faço idéia de como vou fazer isso ainda.
    Anyway, eu voto pra que vc tenha postagens permanentes aqui hehe :)

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  3. Espero mesmo que seja impossível se arrepender depois... achei muito legal seu ponto de vista... Bjos

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  4. Amei o post ! : )
    Espero que tudo continue correndo maravilhosamente bem na sua host family , e que a minha futuramente também seja boa !
    Beijos

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