sábado, agosto 07, 2010

Tempo de rasgar, tempo de costurar. Por: Monick Vasconcelos.

Primeiro gostaria de agradecer. Recebi vários e-mails de meninas interessadas nas vagas do blog, uma vaga já foi preenchida, mas a outra ainda estou tentando decidir. Desde já fiquem sabendo que todos os e-mails estão salvos e quando precisar, vou chamando. Fiz esse blog com o maior carinho do mundo, tentando ajudar pessoas que querem compartilhar da mesma experiência e que passam por dúvidas que um dia, todas já passamos.

Agradecimento especial à Raisa, por ter insistido em mudar o layout do blog, e que fez um ótimo trabalho, e também à Marielen por ter aceitado trocar o dia com a Mari Guterman, evitando assim, ficar um vazio no blog.

O meu post de hoje será sobre: conversando com a host family quando as coisas não estão dando certo.

Eu sou uma pamonha. Você pode me gritar, xingar... O máximo que faço é chorar e depois ficar pensando: poxa, eu deveria ter respondido isso ou aquilo! Mas mesmo as pessoas assim, um dia explodem. Foi o que aconteceu comigo. Depois de a host gritar comigo várias vezes, criticar meu inglês, proibir de atender o telefone da casa porque ninguém me entende, falar que nunca conheceu um brasileiro inteligente, me acusar de ter dado uma festa porque limpei o chão da cozinha e coloquei os lençóis das kids pra lavar... Eles viajaram, foram pra casa do lago, mas um dia antes tinha sido o aniversário do mais novo. Deixaram vários presentes abertos em cima da mesa, até que um dia veio a corretora (a casa estava pra vender) e perguntou se eu podia guardar, porque alguém ia olhar a casa. Na maior boa intenção, guardei tudo em seu devido canto. O tempo passou, eles chegam, eu estou na casa de amigos, ela me manda mensagem perguntando onde estãos os presentes. Digo que guardei porque a corretora pediu e blábláblá. Ela disse que os presentes não tinham sido abertos, (abriram na minha frente) que ninguém me deu autorização pra mexer, que agora não sabiam quem deu o quê e que destruí os sonhos e o prazer do filho dela, pois ele não teve a chance de abrir os presentes. Óbvio que isso faz muito sentido, eu sinto um prazer imenso em abrir os presentes alheios. Mesmo assim pedi desculpas, falei que só queria ajudar, mas ela continuou insistindo. Fui pegando uma raiva, uma raaaiva! Coincidentemente era o dia do meu meeting, mandei mensagem dizendo que eu não estava feliz com ela, ela não estava comigo, iria falar com a LCC. Num cinismo que só ela possui, disse que entendi errado, que não era bem assim... (Geralmente as famílias ficam com mais medo de nos perder, do que nós à eles). Enfim, chego em casa, ela vem me perguntar se está tudo bem. Não sei de onde tirei tanta coragem (e tanto inglês) pra dizer que não, não estava tudo bem. Ela perguntou porquê, eu disse que ela estava sempre me julgando, não sabe conversar nem perguntar. É mal educada, grossa, não sabe tratar bem as pessoas. E complementei: você acha mesmo que eu preciso desse emprego? Acha que eu preciso desse dinheiro? Acha que eu preciso passar por isso? Eu posso ir embora agora se eu quiser! Tentou se justificar, se explicar e ficou por aquilo, até então. Desço pro meu quarto R-E-N-O-V-A-D-A, não acreditava que logo eu, tão pateta, tinha conseguido falar aquilo. Quase meia noite, ela vem bater no meu quarto. Pede desculpas, diz que tem sido uma bitch comigo todo esse tempo. Diz que não mereço passar por isso e que ninguém nunca tinha dito algo do tipo pra ela, mas que isso era uma coisa positiva, estávamos crescendo. Desde esse dia nunca mais tive um problema com ela. Não a amo, nem ao menos gosto, mas passamos a conviver melhor. E agora eu sei que até mesmo ela, confia mais em mim. Dia desses me deu um cheque de U$$56250, cartão do banco e senha pra depositar. Eles estão no lago, eu estou sozinha em casa com o cartão dela e de vez em quando ela me pede pra tirar dinheiro pra pagar uma coisa ou outra. Em compensação, parece uma coisa. Duas das quatro crianças andam dando um trabaaaalho. A menina gosta de humilhar, por exemplo, ela me viu usando a bolsa da Cultural Care e falou que se fosse eu, teria vergonha de usar uma bolsa que diz que sou Au Pair, porque todos vão saber que sou pobre. Na hora dá raiva, depois acho até graça. O menino chora por tudo e me rejeita o tempo todo, às vezes vejo a cena de eu o esganando, por sorte, é só imaginação.

Resumindo outros assuntos, como férias de verão, realmente não tenho o que reclamar. Eles estão passando maior parte do tempo no lago. Quando vou, trabalho sem parar, não tenho schedule, mas quase nunca precisei ir (até agora).

Enfim, o que quero dizer é que é muito fácil dizer que se está com problemas que reclame. Sabemos que não é assim, moramos na casa deles e temos medo da reação. Mas se as coisas estão ficando insuportáveis, somente você conhece seu limite. Não podemos pedir rematch sem conversar, então mesmo que você queira ir embora, precisa falar com eles antes. Se você tem coragem de falar logo na lata, ótimo! Te admiro. Se não, fique o quanto aguentar, mas se vir que as coisas não estão melhorando, é a hora de falar. Se der certo, maravilhoso... Se não, aquela família não merece você e você não merece passar por isso. Você não veio pra cá pra ser mártir.

P.S. Aceito sugestões para o próximo post.

9 comentários :

  1. Muitoo bom o post Monick!
    Gosto sempre de ler seus posts pois mostram situações que para garotas como eu, que estão atras de toda parte burocratica para ainda conseguir ir viajar, não paramos para pensar. Sem contar que muitaa gente não tenta conversar,muitas vezes pensando que não vai adiantar ou pode piorar, e a gente sempre tem que tentaaar um dialogo franco!
    Boa sorteee aiii!
    Beijos

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  2. eu não gosto da sua menina também HAHAHA
    relaxa, seremos ricas e compraremos a VS pra mandar na sua host EOWHEWAH
    pode contar comigo para o que for ;***

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  3. Gostei muito do seu post Monick.
    É muito dificil lidar com este tipo de situação ainda mais quando não estamos no nosso "mundo".
    Mas cada um sabe o seu limite.
    Sempre venho aqui ler, mas nunca comentei, sou uma futura aspirante a ser aupair, mas as vezes vejo o meu sonho desmoronar.
    Bjus

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  4. Oi!
    Sempre estou por aqui, mas nunca comentei.
    Muito legal seu post!
    Preciso confessar que adoraria ter visto a cara da sua host quando você decidiu rodar a sua baiana!
    Fez bem!
    Tomara que a tendência das coisas por aí seja melhorar!
    Beijos!

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  5. Bem falado Monick. Se não gostamos de algo temos que falar mesmo.
    Boa sorte com sua família.
    Bjos
    Daiana

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  6. mew, nao acredito nas coias q eu li, poutz acho q se é cmg, TD mas td q ela fzr eu vou fotografar,filmar e gravar, onde ja se voiu falar dos presentes q mulher mais mal amada heim, parabens por estar aguentando parabens mesmo,eu achava q eu era paciente mas vc? é um poço sem fundo de paciencia.
    beijo
    :)

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  7. perfeito Monick! Nossa me vi no seu post
    eu sou uma matuta, banana, uma pateta nao imponho minhas opinioes e depois do que falou até pensei em rever meus conceitos!

    Parabens pelo post e por sua atitude.

    beijo ;**

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  8. gostei muito do post monick. Acho que não tem nada melhor do que desabafarr. Adorei esse blog agora que descobrir vou tentar ler todo dia.
    :**

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  9. Monick,

    Seu post foi demais! Eu tenho um estilo parecido com o seu, demoro a tomar coragem para explodir, mas qdo faço é pra mudar tudo. Vc disse que ela reclamava do seu inglês, que te proibiu de atender o telefone com essa justificativa, mas como vc se sentia em relação a isso tudo? Nós todas sabemos que um dos motivos de nos propormos a ser au pair e aprimorar nosso inglês, como seus hosts se posicionavam a respeito disso?
    Vamos aguardar seu próximo post, ok?
    Beijossssss!

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