domingo, dezembro 12, 2010

Se conselho fosse bom...

Já dizia o velho ditado: “Se conselho fosse bom, a gente não dava, vendia”, porém quando se trata de au pairs veteranas ou ex-au pairs, elas dão conselhos para as “novatas” porque não querem que outras garotas passem pelos mesmos apuros que elas passaram (apesar de 90% dos casos as novatas ignorarem estes conselhos). Graças a Deus eu escutei os bons conselhos que me deram, posso dizer que facilitaram muito a minha vida e adaptação por aqui, e agora estou fazendo a minha parte, passando algumas lições aprendidas...

Escute a voz da experiência: como disse lá em cima, escute o que as au pairs mais experientes tem a dizer. Infelizmente com as decepções ao longo do programa, algumas au pairs tornanam-se completamente sem paciência ou um pouco “ácidas” com as novatas. Releve a acidez destas, mas aprenda com os erros e com os acertos de quem já está ou esteve por aqui. A visão que temos dos EUA e de americanos em geral é muito diferente daquela que temos quando estamos no aconchego do lar brasileiro, por isto informações que são passadas pelas au pairs mais experientes são muito válidas, principalmente aquelas que são repetidas duzentas milhões de vezes em 300 milhões de blogs diferentes.

Você não é e não será parte da família: sabe aquela história que as agências contam no Brasil dizendo que você será parte de uma família americana? Eles só dizem isto pra dar paz ao coração da sua mãe. Você pode ser bem tratada, respeitada ou tratada simplesmente como a empregada que mora na casa, mas nunca será parte da família. E você vai perceber isto, mesmo que eles não te destratem, quando por exemplo você não se sentem à vontade (ou em alguns casos não é permitida) comer o que tiver na geladeira ou nos armários. Durante os 6 anos que estou no meio auperiano eu posso contar nos dedos de 1 mão e ainda sobrarão dedos as meninas que conheci que foram realmente tratadas como “a filha mais velha” da família, adotadas ou “apadrinhadas”. Eu, lógico, não fui uma destas.

Saiba lidar com a existência da ex: assim como a ex do seu namorado pode ser apenas a ex ou uma grande pedra no sapato do seu relacionamento, a mesma coisa acontece com a ex au pair da sua hostfamily. Talvez você tenha que lidar com as comparações ou até mesmo com a constante presença da ex, já que ela pode estar morando perto, ou venha para visitar. O importante sempre é você cortar as comparações e deixar bem claro desde o início que você é uma pessoa diferente e que assim como a outra tinha pontos positivos e negativos, você também tem os seus.. Na fase de adaptação, as crianças podem te chamar pelo nome da outra ou então podem dizer: “Mas a fulana fazia isto ou aquilo” ou dizer: “Eu quero a fulana, eu não gosto de você”. Mantenha calma e respire fundo, esta fase passa mais cedo do que você imagina, e quando perceber já terá conquistado o seu espaço e a ex será apenas coisa do passado. Agora quando a comparação vem dos host parents a coisa é um pouco mais embaixo. Talvez eles esperem que você faça as mesmas coisas ou do mesmo modo que a outra fazia. Converse com eles em relação às expectativas que eles tem do trabalho da au pair e dê o seu melhor.

Quando os problemas surgirem... sejam eles bem pequenos, ou algo apenas que te incomode, não deixe acumular e converse com eles assim que surgirem, porque com o tempo as coisas podem se agravar e você não vai saber como lidar com eles. Por mais que seja difícil, converse pessoalmente com os host parents ou com o host que você tem mais afinidade ou contato. Sei que é mais fácil falar de sentimentos e problemas por email ou por bilhete, mas como isto pode ser facilmente mal interpretado, melhor usar a boa e velha sincera conversa. Uma coisa que me deixou espantada quando cheguei é que os americanos são muito diretos. Eles não vão ficar fazendo rodeios para dizer que você fez algo errado só para não magoar os seus sentimentos. Então seja breve e direta, eles NÃO ENTENDEM INDIRETAS. Vá direto ao ponto sempre e espere a mesma coisa deles.

E o pequeno favor virou a sua obrigação...: no início é muito comum as meninas chegarem na hostfamily e ficar fazendo pequenos agrados como serviços extras na casa, olhar as crianças mesmo quando estão no seu horário off, preparar o jantar, jantar com eles e limpar a cozinha inteira só para mostrar o quão grata e feliz se está. É muito importante cultivar um bom relacionamento com a hostfamily no início, o problema é que tudo o que você fizer no começo, eles vão ter como modelo e esperar que você continue no decorrer do ano... então aquele simples favor que você fez vai virar a sua obrigação e por mais que eles saibam que não é a sua obrigação, quando você não o fizer, eles vão cobrar e dizer que : “mas você sempre fez isto desde o início!”. Por isto, fique atenta aos agrados, pois eles ficam mal acostumados e abusam de quem se deixa ser abusada.

Pense SEMPRE em você em primeiro lugar. Pode parecer o conselho mais bobo de todos, mas é o mais importante. Lembre-se o motivo que a trouxe até aqui e que você está sozinha. Às vezes nós pensamos primeiro na hostfamily ou nas crianças para poder tomarmos uma decisão, ou agendar férias ou ir estudar... embora a gente tenha consideração por eles, para eles, a prioridade são eles mesmos. Por isto faça valer os seus direitos e num caso de conflito de interesses, mantenha você prioridade número 1, pois tenha certeza de que num caso de conflito ou de uma decisão a ser tomada em família, eles vão pensar no bem estar deles e você será apenas a descartável au pair, que vai embora e amanhã chega outra.

Tenha metas a serem atingidas durante o seu ano como au pair. Não importa em qual setor da vida, ou em que fase da vida você esteja, ter uma meta te mantem forte para vencer obstáculos, tomar decisões difíceis. É muito fácil viver neste país como au pair, com um salário semanal que será gasto somente com você, sem precisar pagar contas, se preocupar com emprego, etc... Muitas experimentam pela primeira vez o sabor da liberdade num lugar totalmente novo, onde ninguém te conhece, onde você é dona do seu próprio nariz e faz o que bem entender. Porém, quem está aqui sabe que os dias passam muito rápido e é infelizmente muito comum ver meninas no final do programa lamentando que não souberam aproveitar direito a oportunidade, o tempo, o dinheiro. É preciso sim, deixar a vida fluir, estar com a cabeça e o coração abertos para novas possibilidades, horizontes, mas quando você tem em mente um plano, mesmo que seja algo pequeno e bobo para outros, algo que seja importante para você vai te ajudar muito nesta jornada de au pair, aguentar a saudade e as dificuldades. Estabeleça metas pessoais e reais! Talvez seja fazer a viagem dos seus sonhos, um curso que irá te ajudar muito profissionalmente ou apenas adquirir algo que seria financeiramente impossível no Brasil. Tenha metas nos diferentes aspectos da sua vida, longo, curto, médio prazo... você terá uma satisfação pessoal imensa quando ver que conquistou algo que planejou, almejou e esta satisfação ninguém poderá tirar de você. =)

Há muitos outros conselhos que poderia colocar aqui, já falados, assuntos não tocados, mas eu ficaria a noite inteira escrevendo sobre isto... por isto é importante manter-se informada do que anda acontecendo, participar de grupos de au pair em sites de relacionamento, ler blogs de atuais au pairs, pois estes são fontes de informações riquíssimas sobre cultura, rotina, dificuldades, alegrias, decepções e etc durante o decorrer do programa nos EUA. Leia com atenção, filtre informações que possam ser relevantes para você durante o seu trajeto como au pair. Não leia as histórias achando que exatamente o que lê irá acontecer contigo ou então que nunca irá acontecer... como disse anteriormente, quando se está no aconchego do lar brasileiro não se dá para ter a mínima idéia do que te espera no lado de cá. Por isto mantenha os pés no chão e o coração aberto para novas experiências que podem ser boas ou ruins, mas que com certeza fará de você uma pessoa mais madura e com uma visão melhor do mundo, das pessoas e principalmente de si mesma e só por isto, o programa de au pair é uma boa experiência de vida!


10 comentários:

  1. Ótimo post! Realmente, há muitas meninas que mesmo na ansiedade de embarcar logo, não se atentam a alguns detalhes, não pesquisam ou procuram saber sobre o programa (algo que deve ser esmiuçado), talvez não tenham maturidade pra encarar pequenos problemas e transformam um ano que poderia ser maravilhoso por falta de informação e inteligência emocional.

    Muito obrigada, Lia, por compartilhar seus conselhos com a gente!!

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  2. eu NÃO ouvi qd vim p ca, td mundo disso: Não vai!
    E o que eu fiz...Eu vim...E me fudi ashuuhsahusauhsa
    eu devia ter escutado...

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  3. kkkkkkkkkkk
    se conselho fosse bom agente vendia
    hahahahaha
    ótimo post
    continuem assim flores
    Beijão

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  4. Tuuuudo verdade! hehe
    Cheguei aqui nao faz muito tempo e agora passei da fase de querer agradar a host family e comecei a pensar mais em mim!
    Valeu pelas dicas!

    Beijos...

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  5. Adorei sua postagem !
    Devemos encarar como seu fosse um trabalho como outro qualquer, porém em um país diferente.
    Bjs

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  6. Nossa muito bom suas dicas. É muito importante para nós que ainda estamos no Brasil saber mais sobre essa vida de au pair. Ótimo post. Bjos!

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  7. concordo, concordo e concordo!
    meninas que ainda não vieram, imprimam e colem na porta do banheiro!

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  8. Ótimo post,
    vivo lendo blogs, comunidade... Já tenho a minha listinha de como lidar com tal situação, ou o como escolher a família... Enfim, saiu catando todas as informações possíveis..

    Em relação ao favor.. Tava lendo um log, não lembro de quem. Mas a menina sempre ajudava com uma coisinha e outra, até que um dia ela se viu limpando a CASA TODA, e era uma mansão.. imagina.. rematch na hora... Favor é favor, abusar não né...

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  9. Tão simples e genial teu post. É daqueles que dá vontade de imprimir e levar na bolsa de mão pra reler de vez em quando pra não sair dos trilhos, não se iludir e nem deixar-se ser feita de boba...

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