sábado, setembro 15, 2012

"Pride and Prejudice"

Hello you all,

espero que esse post encontre todos bem. A primeira coisa que preciso (e quero) fazer é agradecer por todos os comentários, leituras e elogios no dia 15 passado. É extremamente gratificante ler o que vocês têm a dizer. Tudo me impulsionou a tirar um tempo de uma semana que podia bem ter sido pulada no calendário e vir aqui com muito carinho pra rascunhar umas palavrinhas. Obrigada, queridos. 

O assunto de hoje é complicado, porque lida com opinião e é fruto de uma inquietação pessoal ( e não seriam todos os outros posts?!) e eu assumo que eu sou arrogante o suficiente pra tentar mudar as idéias de alguns. Mas só porque eu acho que irá necessariamente beneficiá-los, caros novatos e novatas e prepará-los melhor. Como alguns sabem, já me considero veterana, pois já estou aqui há 5 anos. E antes que me chamem de amarga, frustrada e todos esses adjetivos azedos, eu estou ficando velha e não louca (maybe a bit), sou feliz aqui e faria tudo de novo. Pronto e ponto. Esse assunto não tem nada a ver com o que acontece aqui na minha vida.  E o primeiro ( de muitos, cês vão até enjoar) conselho que eu dou é: SUPERE SEU PRECONCEITO! e faça com que os outros ao seu redor superem também. 

Explico: o primeiro bloqueio que você tem que superar, principalmente você que veio de um mundinho mais burgueso, é a vergonha de ser babá. Como assim? eu não tenho preconceito!!! ah não? então responde pra titia aqui, bebê: Quando você explica o programa, você começa pela grande oportunidade de estudar (oi?) nos EUA? você dá ênfase pra o inglês? fala da maior alegria de morar com uma família americana? das amizades? aí lá no fim do seu discurso você fala que ah, sim, vai ser babá?! 

 

Some nannies are pretty cool. You can also be


Tudo bem se for assim, eu também fiz isso. Porque eu também tinha vergonha de ser babá e sabia que a minha família, por mais orgulhosa que estivesse de mim, não exatamente amava esse 'detalhe' do programa. Exemplo? a minha avó, até hoje, fala que a neta dela estuda e mora em New York. Vó? eu faço o quê? não, não, vózinha, eu sou babá de uma família americana que eu amo de paixão ( e odeio ao mesmo tempo, fine) e sim, curso uma faculdade, mas que não é em NYC, é em Jersey. Eu também já neguei porque tive medo e quis evitar as perguntas que atirariam em mim, sem falar nos olhares. 

Mas sabe o que aconteceu? um dia eu conversei com a minha babá. A pessoa que me criou tão bem que eu poderia chamar de mãe. A pessoa de quem eu sinto tanta falta, mas tanta falta, e que eu penso todo dia em momentos difíceis. A pessoa a quem eu mandei os primeiros dólares que eu ganhei. E que eu mando até hoje. Eu simplesmente entendi, que NÃO INTERESSA A PROFISSÃO que eu tinha no Brasil, isso não me faz mais digna do que ninguém. Essa, aliás, é a pior coisa que eu escuto. As babás são, sim, interligadas à pobreza e falta de instrução no nosso país e a gente, por vezes sem perceber, diz coisas preconceituosas e feias mesmo. Burras. 

Por isso, caros e caras, tenham orgulho de vir aqui ser babá. Nào digo que vocês tem que fazer isso pro resto da vida ( e se for? e se fizer? não há problema, bem). Vocês farão um trabalho importantíssimo na vida de pessoas inocentes ( mesmo que só um ano), que se aprenderem pelo menos uma coisa contigo, já é uma marca que você deixou no mundo. Valorize-se e valorizem a classe, porque tem gente que vive disso, como eu, que não sou pior que ninguém, mas, desculpem, sou melhor só por pensar assim, livre desse preconceito.

Abraços e sorrisos.


7 comentários:

  1. Nadja Paes Leme15/9/12

    Olá! Curti muito o post de hoje!!! Muito verdade e muito divertido de ler também!!!!!

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  2. Awwww, Bee, belo post. Eu mesma, que larguei um emprego "tão intelectual" na Folha de São Paulo (grande bosta) pra limpar bunda de nenê falo até hoje que vou pra estudar. Você tá coberta de razão... por que ter vergonha de algo que eu faço tão bem (cuidar de kids) quanto o que eu fazia no jornal? Ambas marcam e podem modificar positivamente a vida das pessoas. Adorei mesmo esse post.

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  3. Awwww, Bee, belo post. Eu mesma, que larguei um emprego "tão intelectual" na Folha de São Paulo (grande bosta) pra limpar bunda de nenê, falo até hoje que vou pra estudar. Você tá coberta de razão... por que ter vergonha de algo que eu faço tão bem (cuidar de kids) quanto o que eu fazia no jornal? Ambas marcam e podem modificar positivamente a vida das pessoas. Adorei mesmo esse post.

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  4. kamyla23/9/12

    Isso mesmo, eu sempre explico, sobe morar fora, ser baba e por fim dos estudos, mas eu nem ligo, quando falam que vou ser baba, eu digo que serei baba e ganharei mais que fulano, hihihi

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  5. rebeccamaia23/9/12

    Obrigada, Nadja! Fico feliz de ver que tem pessoas que concordam comigo.

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  6. Bee of Jupiter23/9/12

    Que bom Nadja. Obrigada!

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  7. Bee of Jupiter23/9/12

    Pois é Monroe. A gente tem preconceito sem perceber. Eu também sou jornalista, larguei tudo e vim. As vezes ainda deslizo e solto um preconceito. Mas a minha vida é essa e eu gosto...na maior parte das vezes. hahahaha Como qualquer outra profissão. :)

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