terça-feira, outubro 30, 2012

E qual o maior medo de uma Au Pair?


 Oi gente!


 Bom, creio que todas as leitoras do nosso blog sabem qual é o maior medo das Au Pairs, certo? Se você pensou na palavrinha 'Rematch', você acertou! E é exatamente desse assunto que iremos falar hoje!



 No meu post anterior, eu disse que morava em Miami Area e cuidava de 2 kids, lembra?! Pois é, não mais.. Agora moro em Coronado - San Diego e cuido de 4 kids! Sim, QUATRO meninas! Uma rotina completamente diferente e maluca, mas isso será assunto pro meu próximo post. ;)



 Bom, vários motivos podem levar uma Au Pair ao rematch e, geralmente, são as Au Pairs que pedem pra saírem dessas host families malucas. E foi isso que aconteceu comigo, não podia suportar mais e resolvi chutar o balde.



 A parte burocrática do rematch todas vocês sabem, creio eu. A família pode te chutar de casa no primeiro momento em que te conhecem, mas a Au Pair precisa esperar entre 1 - 3 meses para pedir o rematch, dependendo da situação, é claro! Eu só consegui a aprovação do meu rematch no meu terceiro mês. E sim, foi uma das decisões mais difíceis que já tomei no meu processo como Au Pair.

 Hoje, eu não vim falar pra vocês da parte burocrática da coisa, mas sim do que eu vivi. A versão da guria que deixou metade de seu coração na Flórida, com aquelas duas kids que eu tanto amei e ainda amo! Hoje eu vim dar a minha versão da história pra que muitas gurias que estão passando pelo que passei, façam o mesmo.


 Todas as Au Pairs tem a chamada honeymoon em suas primeiras semanas na casa da host family, mas eu não tive. Mesmo depois de trocar milhares de emails com a antiga Au Pair e ela me dizer maravilhas deles, a decepção chegou juntamente quando eu cheguei na casa. A antiga Au Pair chegou me falando coisas completamente opostas do que havia me dito nos emails, e quando perguntei o porquê de sua mentira, me respondeu apenas que queria ir embora logo de lá e que após me conhecer havia até sentido pena de mim. Bom, enfim.. eu fui levando, levando, levando a situação e fui me apegando e me apaixonando por aquelas kids e, quanto mais eu me apaixonava pelas minhas kids, mais eu levava, levava e levava a situação.

 Mas, qual situação, Bela? Bom, a minha menina de 5 anos tinha sérios problemas comportamentais, meu host era grosso, eu não tinha vida social devido ao meu schedule, eles não respeitavam meus horários, eu estava trabalhando quase 70 horas por semana e, por fim, o meu querido fofo gritou comigo. Ponto final. Pela milésima vez eu implorei pra que minha LCC me desse o rematch e, finalmente, após 3 longos meses, ela e a APC concederam o meu rematch.


 Mas não foi fácil deixar aquela casa. Durante os três meses naquela casa, eu fui Au Pair, dona de casa, psicóloga, dog walker, palhaça de circo, professora, amiga e mãe daquelas crianças. Sim, mãe! Eu ficava com as crianças TODOS os dias de segunda a sábado, da hora em que elas acordavam até o momento em que iam dormir. Eu os levava ao médico, eu os alimentava, eu brincava com eles, eu dava amor e os acalmava nos momentos conturbados. Eu segurava as mãos do meu baby todos os dias até que ele pegasse no sono, eu deitava na cama com a minha menina até que ela conseguisse dormir. Eu era tudo para as minhas crianças, elas eram tudo para mim.

 Mas, um dia, o amor próprio falou mais alto juntamente com os gritos do meu fofo. E, foi nesse dia, em que eu pedi o rematch.


 Eu decidi pedir o rematch em uma quarta-feira pela manhã, ao meio dia minha LCC já estava em casa para fazermos a exit interview e, no sábado logo cedo eu os deixei. Eu os deixei aos prantos, chorando tanto que eu soluçava e não conseguia ao menos respirar. Ao me despedir de todos eles, eu me agarrei no meu baby e não queria soltá-lo nunca mais, como se eu fosse uma criança agarrada no seu bichinho de pelúcia com o qual ela dorme todas as noites. Quando a minha menina começou a chorar e dizer que me amava, eu me desesperei e, por um momento, pensei em ficar. Mas, logo após um segundo de razão, eu deixei o coração de lado. Minha host mom me levou ao encontro da minha LCC, pois eu havia decidido esperar pelas 2 semanas de rematch em sua casa e, fomos por todo o caminho chorando. Minha fofa chorava tanto que eu fiquei com medo de deixá-la voltar pra casa dirigindo sozinha e, por outro momento, pensei em ficar.



 Quando entrei no carro da minha LCC eu chorava tanto, só conseguia pensar que jamais iria vê-los novamente, que tudo havia acabado, só queria ir embora pra minha casa.

Depois daquele final de semana, acabei me acalmando e comecei a responder as host families com um pouco mais de interesse e educação. Eu tive todo o suporte da minha LCC, que foi um mãezona pra mim naqueles dias, sou muito grata a ela pelo apoio que me deu naquelas duas semanas.
 No total, conversei com 10 famílias e, no fim, acabei fechando com a família que tinha quatro meninas. Irônico pensar que, eu nunca quis cuidar de meninas, sempre preferi cuidar de meninos e, hoje, quase dois meses depois vejo que me dou tão bem com essas quatro pentelhas aqui.




Deixando a Flórida.



 O meu início na nova casa foi bem conturbado, muito difícil. Quer saber o que aconteceu? See u next month! ;p



 Meu conselho de amiga para todas as meninas que querem pedir rematch, porém sentem muito medo é: Tente e, caso não dê certo, tente novamente! Acredito que, já que estamos aqui, devemos nos arriscar até encontrarmos nosso ponto de equilíbrio. Quer dizer, ponto de equilíbrio e porto seguro somente encontraremos na nossa casa mas, com toda certeza, podemos tentar tornar nosso ano aqui algo bem mais fácil de levar. :)





Coronado Island - San Diego.
Califa.




Xoxo,

Bela.

3 comentários:

  1. vc é muito fofa , parabéns pela atitude viu , continue perceverante converse muito com Deus e tenha certeza que mal nenhum chegara para entristecer seu coração tah . boa sorte grande menina.

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  2. Pelo menos CREIO que esse rematch veio para algo melhor! Ai que saudade de San Diego! Como gostaria que o destino me desse uma familia dai para ser o au pair deles.

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  3. Quer saber Bela... eu também vou vazar da boca!

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