domingo, agosto 25, 2013

Alguém quer ir para a Alemanha?




Foi essa pergunta que, em um sábado qualquer, normal de aula de alemão, abalou o coraçãozinho desta que vos escreve. Olá, leitor(a)!! Eu sou a Mel e, a partir de agora, escreverei os textos dos dias 25 ;D
Eu fui Au Pair até abril desse ano no cantinho mais charmoso da Alemanha: a Bavária! Já que esse é um começo, começarei a contar do começo e prometo que tentarei ser breve. =]

Foi em dezembro de 2011, era natal, estávamos na sala da casa da minha tia. A família inteira ao redor da árvore de natal fazendo a revelação do amigo secreto de natal. Minha irmã falava no meio da roda “ela tem dois olhos, tem um nariz, é querida, bla bla bla, e eu vou sentir muita falta dela ano que vem”.
Depois das últimas palavras dela eu vi olhos espantados, tristes, perdidos e emocionados espalhados nos rostos de meus familiares. E foi exatamente assim que eles ficaram sabendo que no próximo ano eu iria morar na Europa. “Mas um ano? Tudo isso?”, “E tu vais aguentar?”, “Tu podes voltar antes se quiser, não é?”, “Tu não precisas de algum tipo de agencia pra fazer esse tipo de coisa?”, “Tu vais cuidar de crianças?”. Meu pai foi o único que fez a pergunta que realmente importava: “É isso o que tu queres?”
Vou dizer que deixei pra contar pra família e amigos depois que já estivesse tudo resolvido e certo. É muita gente invejosa e malvada e querendo que tu se ferre que existe nesse mundo; eu não quis me expor antes que fosse necessário.

“E por que tu escolheste a Alemanha?” foi a segunda pergunta que eu mais ouvi. Eu não escolhi a Alemanha, eu aceitei a Alemanha. Eu fazia aulas de alemão e uma amiga da minha professora procurava alguém para ser Au Pair na casa onde ela já tinha trabalhado. Quando eu pensava em fazer intercâmbio minha ideia era ir para a Inglaterra, Londres e gastar todo o meu dinheiro nos teatros, e também porque lá eles falam inglês e eu sabia inglês melhormente que alemão. Perguntaram-me se eu queria ser Au Pair na Alemanha e eu logo pensei: A Inglaterra tá lá perto, lá eles falam inglês, lá tem Londres e eu posso ver o meu Fantasma da Ópera, ok, tudo certo. No entanto, eu estava do último ano da faculdade, e eu não queria ter que fazer tudo outra vez, então eu demonstrei interesse, mas disse que não iria naquele ano. “Tá bom, a família espera tu te formar na faculdade”, foi a resposta que tive. A ‘negociação” durou quase um ano e eu senti que a minha vez tinha chegado! Eu iria para a Inglaterra, digo, Alemanha!! Pois bem, minha tarefa seria cuidar de três meninos (8, 10 e 13 anos) em uma cidadezinha-inha-bem-inha ao sul da Alemanha, perto de Nürnberg e não tão longe de Munique.

Comecei a conversar com minha futura família postiça por e-mail; em nenhum momento eu conversei com eles por Skype. A minha futura mãe postiça me escrevia contando da família, o que eles faziam e eu espremia meus neurônios para responder alguma coisa num alemão que prestasse. Nos primeiros e-mails eu pedia pra minha professora de alemão corrigir, mas depois eu desisti e mandava do meu jeito (meio errado) mesmo. Senti-me a pessoa mais feliz do mundo por estar conversando com alguém em alemão e este alguém estar me entendendo! Eu não sabia o que perguntar para ela. Eu sabia que tudo seria diferente, eu estava preparada para comer batatas com repolho no café da manhã, no almoço e no jantar (mas nem foi tanto assim ;D). As informações básicas ela me escrevia, já com experiência, pois eu seria a NONA AU PAIR!! Haha Eles só tinham tido oito antes de mim... E com as informações que ela me escrevia eu não tinha dúvida alguma, deduzi que elas surgiriam assim que eu pisasse lá.

Recebi o contrato por correio e a partir daí eu pude correr para fazer meu passaporte, visto e passagem. A ideia era viajar em abril, depois da minha formatura, e eu havia marcado pra fazer o passaporte em março \o/ Então, em dezembro, quando eu recebi o contrato e o convite da família, eu fui até a Polícia Federal me entender com os caras do passaporte. Vocês sabem que pra fazer o passaporte tem que marcar pelo site e que se já tiver a passagem comprada eles adiantam essa data né? Pois é, eu não tinha comprado passagem ainda, pois eu precisava primeiro do visto e para o visto precisava do passaporte. Então eu fui lá com meu contrato em alemão e expliquei a situação mostrando o contrato, e aí o carinha me olha super rindo e me responde: “O problema é que eu não sei alemão", aí eu mostrei meu sorriso mais lindo (huhuhu) e disse “Bom, se o Sr. Acreditar em mim, aqui tá escrito XYZ...” e fui traduzindo até ele carimbar minha ficha e me dizer pra esperar ali nas cadeirinhas. Em janeiro eu fui buscar meu passaporte pronto! E nesse mesmo mês eu fui para Porto Alegre conversar com o Consul alemão e provar que eu sabia alguma coisa nessa língua estranha.

Antes disso eu me informei no consulado da cidade onde moro sobre os documentos necessários para o visto. Imprimi os formulários do site, e a moça ainda me deu mais dois que eu não encontrei online. Alguns ela me ajudou a preencher. Eu não precisaria ir até Porto Alegre se eu tivesse feito a prova de proficiência nível A1, porém eu não tinha feito essa prova então eu seria entrevistada por algum Consul no Consulado Honorário lá de Porto Alegre. Eu nem fiquei nervosa (cof, cof), e no fim foi a secretária quem me fez as perguntas mais difíceis. O Consul me perguntou de onde eu era no Brasil, se a cidade era grande, quantos habitantes ela tinha, de quantas crianças eu cuidaria na Alemanha e se era a primeira vez que eu estava viajando pra lá. Depois que ele sorri e me agradece, indicando já o fim das perguntas, eu sorrio de volta e falo um “Super! Ich habe es verstehe!”, e aí ele me olha super rindo e diz “verstanden”. No segundo seguinte eu me ligo que errei a conjugação mais banal do verbo entender! Mas tudo certo, meu passaporte ficou lá e quando o visto ficou pronto eu o recebi em casa com o visto \o/

Antes de ir eu não tive medo e não estava preocupada. Eu estava disposta a encontrar lá o que quer que eu fosse encontrar. Eu sempre via o meu ano seguinte ao término da faculdade como um abismo, e porque não ser um abismo alemão? Enquanto eu esperava meu visto (entre janeiro e março de 2012) eu lia o que podia sobre o que era ‘ser au pair’. Eu dava preferencia às coisas boas que encontrava na internet, digo, nos tópicos da comunidade no Orkut. Os tópicos com coisas ruins eu lia por cima, para saber o que poderia acontecer, mas não me aprofundava muito.
Então chegou abril, eu coloquei umas roupas em uma mala e depois da páscoa eu embarquei rumo a Munique, capital da Bavaria, na Alemanha! Depois de 13 horas de voo, da janela do avião, eu avisto o aeroporto e a pista de pouso. Logo o avião vai descendo, descendo, descendo e, então, volta a subir... o medo que eu ainda não tinha chegou em mim nessa hora. Comecei a imaginar! Bah, quando a gente começa a imaginar é perigoso! Logo pensei: deve ter algo errado com o avião, mas por que ele tá subindo? Ou, será que ele errou a cidade? A Torre não autorizou o pouso? Tinha uma vaca na pista? Carros da polícia procurando um foragido? E em meio aos meus devaneios sinto o baque dos trens de pouso no asfalto!

Oi, Munique!!



Cuidado com o que você deseja, pois pode se tornar realidade. Basta acreditar ;D

6 comentários:

  1. Oi, Mel, tudo bem?
    Tenho em mente em pra Europa depois dos states, mas nunca tinha pensado na Alemanha!
    Gostei muito dos seus comentários, deve ser muito interessante. Gostei!

    Seja bem vinda!

    Fer Galera

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  2. Olá Mel, tudo bem? Tens algum email para contato?
    Eu tive o match com uma HF na Alemanha ontem... e eles moram inclusive na Bavaria tb,,, e agora estou correndo atrás de todas as burocracias para visto. Quanto tempo levou para chegar o teu? E no consulado, precisou marcar? E como foi a entrevista? to me tremendo de medo da entrevista porque estou estudando alemão AGORA.

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    1. Ooooi! Caraca, desculpa a demora em responder! Tenho e-mail sim: melss@terra.com.br.
      Meu visto demorou cerca de sete semanas para chegar, e eu não marquei horário não, simplesmente apareci no consulado em Porto Alegre. A entrevista meio que já começou na recepção, pois a recepcionista já me atendeu falando alemão... E depois foi super tranquilo, o consul me fez 3 ou 4 perguntas só.. Fiquei à vontade para me escrever, se precisar. Mel.

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  3. Oi! Quero fazer uma denúncia Au pair, como que faço, aonde vou? Me ajudem por favor! Obrigada

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