sexta-feira, março 21, 2014

Impulsividade, drama mexicano e au pair



Eu sempre fui muito impulsiva. Existe uma coisa dentro de mim que eu não consigo controlar. Talvez com o tempo,  alguns anos mais madura e com algumas sessões de psicanálise eu consiga superar essas atitudes tomadas no impulso.
Não vou dizer que eu não penso. Pelo contrário, eu “queimo a mufa”, penso e repenso, faço até lista de prós e contras! Mas na hora H, na hora de tomar a decisão final... Eu jogo tudo pro alto e ligo o botão do f**a-se, e faço exatamente o que eu desejava ardentemente fazer! Isso é tão biológico, tão visceral  que as vezes eu fico pensando que anos e anos na faculdade estudando Freud ainda não está surtindo muito efeito!
Sou assim com relacionamentos,amizades,  em discussões familiares, na hora de voltar atrás e pedir perdão, quando estou insatisfeita com algum emprego, etc. Por que seria diferente com o processo de au pair?
Lembro me como se fosse ontem e não há um ano atrás, quando iniciei essa louca jornada chama “ processo para ser  au pair”.  Há anos eu pensava em morar nos EUA. Estudava numa escola de Inglês no Brasil onde todos os professores tinham histórias maravilhosas para contar (a maioria sobre a Califórnia, diga-se de passagem)  e todos me diziam : “Tu vai adorar! Não vai mais querer voltar!”
Minha empolgação era tanta, e aliada a minha insatisfação momentânea com meu atual relacionamento, plus o meu medo de encarar a vida adulta e deixar de vez de ser recém formada mas ainda estagiária no Brasil, todos esses fatores me levaram a tomar mais uma atitude impulsiva.
Então num certo dia de fevereiro de 2013 eu saquei o dinheiro no banco e paguei a agência! Simples assim! Foram-se 7 longos meses até meu embarque. Os sete meses mais intensos da minha vida, so far! Eu curti muito minha família e meus amigos, viajei, descansei, fiz festas lendárias e aprendi a ser uma das  single ladies, porque conforme minha amiga eu namoro desde que nasci!
Então cheguei aqui nos EUA e descobri que meus professores estavam certos! Eu amo este lugar e se pudesse não voltaria mais para o Brasil! Tirando os obstáculos do caminho que incluem morar no subúrbio de DC sem carro e morar  uma host Family ,eu amo estar aqui!
Mas e quanto a minha vida no Brasil? Aquela que eu resolvi sublimar, guardar dentro de uma gaveta num momento de impulsividade?  Seis meses de EUA cuidando de apenas um cute baby (portanto tendo muito tempo livre para pensar e repensar na vida) me tornaram, talvez... A mesma impulsiva de sempre!

E se eu já me sentir  satisfeita com minha aventura no hemisfério norte? E se eu falar que já viajei o que eu desejava, conheci pessoas do mundo todo e melhorei meu inglês?  E se eu já estiver pronta e com muita vontade de encarar a “vida de adulta” lá fora? E se eu estiver sentindo falta de emprego de verdade e do meu curso de  psicologia? E se eu me der conta que jamais deveria ter ficado tantos meses longe das pessoas que eu amo? E se eu for o tipo de pessoa que apenas  ama viajar e se perder no mundo mas que volta para casa ASAP ? E se morar com uma host family for too much pra mim? E se? E se? Onde está minha impulsividade? Não percam os próximos capítulos desse drama mexicano!

8 comentários:

  1. Me identifiquei com você... Muito bom o texto!

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  2. Eu já pensei tudo isso, pra depois pensar "e se o que eu penso tá tudo errado?"

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    1. Como toda boa impulsiva eu diria q só saberemos se nós jogarmos de cabeça! Para um dia se arrepeder de algo eh preciso viver a experiência , certo?

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  3. Super me identifiquei também! Sou a rainha dos " e se" :D

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    1. "e se" a gente não se questionasse tanto? Talvez nem estariamos aqui vivendo essa aventura! hehe

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  4. Nossaa .. me identifiquei suuper!!! Meo e eu achando que só minha cabeça dava nó e minha impulsividade me fazia parecer louca rsrs

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  5. Acho q eh um dos requisitos para ser uma au pair!! hehehe

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