domingo, julho 06, 2014

E você? Quer ter filhos...?


Quer? Não? Sempre quis, e agora nem morta?

É mais ou menos isso que eu ouço de muita au pair e ex-au pair: que a experiência só serviu para abrirem os olhos e terem a certeza de que não-não-NÃO querem nunca ter filhos.

Pois, veja bem. Era essa a minha opinião, desde sempre, a vida toda. Eu nunca quis ser mãe, nunca imaginei como seria maravilhoso amamentar. Nunca planejei quantos, quais os nomes, e etc. Confesso, que eu morro de medo de imaginar-me grávida, ter um ser vivo dentro de mim, tipo... um verminho! No, thanks. Eu dizia, nos tempos rebeldes de antigamente "Eu nunca vou ter filho!"

Nunca, (que eu me lembre) disse que odiava crianças. Mas, também, sempre disse pras minhas host families em época de procurar au pair nova "Cuidado com quem diz que quer ser au pair porque ama criança!" Gente, na boa... não né? Não é por isso que a gente quer ser au pair!

Então, nunca odiei, nunca adorei. Criança boa era a comportada e limpinha. Delícia era segurar um neném cheirosinho e devolver para a mãe quando ele chorasse. Eu estava ok sendo tia, madrinha, professora e au pair.

Mas, um dia, no meu primeiro ano de au pair, na Holanda, eu deixei a monstrinha (que era uma fofa!) ter um sleepover no meu quarto. Horas depois de adormecer, a bichinha, tava é caindo do colchão, penso se devo deixar ela rolar e acabar a noite embaixo da minha cama ou se eu a ajeitava. O que fazer?  Não queria que ela acordasse! Mas, deixá-la lá, era maldade. Segurei-a e naqueles segundos nos meus braços só passou pela minha cabeça "Ahh... eu queria que ela fosse minha!"



No ano nos States, eu tive umas das piores-melhores experiências. Pensa num muleque endiabrado, encapatado, com o coisa ruim no corpo. Multiplica por muito! Era ele. Só para você visualizar melhor, ele me disse "Eu estou torcendo para você capotar o carro. Ou então eu vou prender você e toda sua família e tacar fogo em vocês."

Sério, gente, triste! Eu aguentei firme e forte, não pedi rematch. Porque eu acreditava que não era por acaso que eu estava ali. Ou eu ia aprender algo importante, pagar alguns pecados, ou, o que eu muito esperava, eu ia fazer algo ou ensinar aquele peste filho-de-Deus algo bom. 

Eu comi o pão que o diabo amassou. Mas, não apenas por causa dele, mas porque a mãe dele (ótima pessoa e boa host, por sinal) ... a mãe dele era uma pamonha!!!! Daquelas, que a gente pega e cai no chão na hora, e lambuza pamonha em tudo. Ôô mulher, mole gente! Eu vi a praga dizer "Stupid mommy, I hate you!" e ela sem graça me dizer "Ahhh... às vezes, é melhor ignorar, né?"

Eu horrorizada!

O resumo disso, depois de quando eu achava que não iria nunca mais ser responsável por uma crioncinha (de cri-onça, mesmo!), eu cheguei a desejar que aquela criatura fosse meu filho (só que não exatamente!). Porque, por mais praga que ele fosse, eu ia fazer o possível para desentortá-lo, aliás... talvez ele não fosse nem tão mau assim, e a culpa era do bad parenting.



Na minha última experiência de au pair, 9 meses, porque eu já estava cansando... e só mudei pra lá por causa de um objetivo maior. Claro, que eu não queria estar lá porque eu amava crianças, ainda mais depois da praga da agreste.

Mas, eu fui recompensada, e tive o que eu queria (ou a única coisa que eu achava que sobreviveria sem matar ninguém), eu cuidei de uma recém nascida. Quando eu cheguei lá, a verminha tinha 1 semana de vida. Depois que a mãe voltou para o trabalho, eu passava das 7am as 6pm com ela, as pessoas me perguntavam se ela era minha primeira filha, e eu, passava o óleo de peroba na cara e dizia que sim, e agradecia os elogios.

Se eu desejei que a holandesinha fosse minha, eu cheguei a planejar o sequestro daquela coisa fofa e boazinha, que dormia o dia inteiro, e quando acordava, olhava pra mim, sorria e não chorava. 

A carreira de au pair me ensinou muito. Aprendi muito sobre o que não fazer com seus filhos (ou filhos de ninguém), aprendi exemplos de família e organização familiar que me foram muito úteis. Valores, cuidados e etapas importantes. Tive a chance de fazer um estágio para a vida. 

E, surpreendentemente, eu comecei a acreditar que eu quero sim ter filhos. Especialmente quando decidi que não iria cuidar de nenhuma criança de novo, peloamordedeus! ... que de agora em diante, eu só cuido dos meus filhos.

Claro, que ainda acho que ter filho é pior que fazer uma tatuagem feia na cara, e pior do que ser atropelada por uma cegonheira e ter que sair andando. Mas, todas nós, invés de jurarmos que não teremos filho nunca-nunca-nunca, devemos realmente aproveitar o "estágio" de vida, anotarmos as receitas e aprendermos com os erros dos outros, para criarmos crioncinhas melhores no futuro. Porque é disso que o mundo precisa.


É o que eu acho.


E você? Tem pavor de ter filho também? Desistiu depois de ser au pair?

Alguma doida igual a mim que tem mais esperança na natalidade depois da vida de au pair?
Conta pra gente aí nos comentários!


:)

Até o mês que vem!




9 comentários:

  1. Eu tbm nao curto a ideia de ter filhos, mas isso nao é o empecilho para nao ser au pair (por mais medo que me de), sei que o principal objetivo é melhor o meu ingles e poder conhecer outras culturas... e se eu começar a gostar da ideia( msm eu discordando) só vai ser consequência msm da experiencia.

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    1. Kate,
      Quando eu fui (as três vezes) também nunca acreditei que quereria ser mãe. E nada me impediu de querer faz o "estágio para a vida materna" com total dedicação.
      :)
      Boa sorte pra você!

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  2. Oi Karen. Simplesmente, adorei seu post!
    Eu sempre AMEI crianças e quero ter filhos sim - uns três. Vamos ver se continuarei pensando assim depois de ser Au Pair, hehe.
    Um verminho? Que horror ):
    "Pensa num muleque endiabrado, encapetado, com o coisa ruim no corpo." KKkkkk Sei como é.
    Que bom que tu aprendeu tanto *-* Fico feliz que o intercâmbio tenha te trazido algo de bom - ou nem tanto, rs.
    Beijos <3

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    1. Roberta, se você quer ter filhos, talvez volte querendo tê-los logo... porquê vai voltar um pouco mãe!
      :)
      Sucesso pra você!

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  3. Eu acho que tem sim gente que ama crianças. Eu fui porque amava crianças e também recebo vários apps de meninas que trabalham com crianças no Brasil e querem esta experiência para colocar no currículo, que fizeram pedagogia ou que querem continuar trabalhando com crianças.
    Minhas kids na Holanda eram como meus filhos. E eu me identifiquei MUITO com sua menina caindo da cama. Meu menino dormiu comigo uma vez e caia toda hora e eu o colocava de volta.
    Uma vez li um livro sobre irmãos, que tinham a mesma idades das minhas kids. Era uma tragédia (Sarah's key, já leu?)... e eu chorei chorei e fui lá no quarto do mais novo beijar ele dormindo, para saber que ele estava lá e estava bem!

    (aqui é a Nadja ;) )

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    1. Nadja,

      Sim! Tenho certeza que tem gente que ama crianças, e escolheu uma profissão em que de alguma forma elas estejam presentes (também sou pedagoga!)
      Mas, quis me referir à muita au pair, que assume odiar criança, não é da área, (e, apesar de eu não ver problema nenhum a decisão de ser au pair pelo custo benefício, porque vale sim a pena, e é uma experiência maravilhosa) mas jura de pé junto que só quis ser au pair por ama criança e passa o ano inteiro reclamando!

      Vou procurar o livro, obrigada pela dica!

      :)

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  4. Haha, eu nao sou daquelas que planeja filhos/familia. Ainda nao sou Au Pair mas creio que a experiência vai me ajudar mto na vida, inclusive nesse lado. Vamos viver e ver o que eu vou querer depois...

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    1. Nuara, tenho certeza que vai sim aprender muito com a experiência!
      Boa sorte!
      :)

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  5. Oi Karen, excelente post. Quando comecei, o texto parecia ter sido escrito por mim rs afinal, sempre sempre sempre dizia a todo o mundo q NUNCA seria mae! Porém sempre amei crianças, tb sou pedagoga, antes de ser AP ja havia trab com kids de todas as idades e tal.. mas NAO é a mesma coisa de ser babá, estar em casa com eles. Meus 2 anos de AP foram com a mesma HF, 5 kids. Em nenhum momento me senti a mae deles, mas a older sister mesmo sabe, até pq eles nao eram pequenininhos... mas posso afirmar q depois da experiência, minha cabeça mudou completamente e hoje em dia afirmo q um dia serei mãe. (nunca de 5!!! nem de 3, aliás é comprovado q filhos em qtt impar gera "problemas" disciplinar rs) Enquanto mae, vou fazer exatamente o contrario do q via os hosts fazendo com os filhos deles!!! certeza q dará super certo =P PS. sempre amei kids, mas tb nao escolhi o programa por isso, foi pelo english mesmo rs Bjokas (vc tem blog pessoal?)

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