sábado, janeiro 17, 2015

a homesickness bateu e eu abri

2015 chegou! UAU! Primeiro post do ano e já começando com o pé direito no tema, hein?! E senta que lá vem história por que no post de hoje estou compensando minha negligência com o blog nos últimos meses. 
Vamos falar de: H O M E S I C K N E S S a.k.a. aquela sensaçãozinha maravilhosa de saudade de casa incontrolável.

Muita gente passa por isso e chega até a ser considerada uma das "fases" obrigatórias de qualquer intercâmbio. Porém, isso não acontece com todos... 
Pra quem me acompanha aqui ou no meu blog pessoal desde quando fui pra Holanda sabe que enquanto lá eu não tive sequer UM MINUTO de homesickness. Eu senti saudades da comida, do calor humano, de algumas pessoas... Mas nada que em momento algum me desse vontade de voltar pra casa. Eu gostava muito da vida que levava lá, e mesmo nos piores momentos a idéia de ir pra casa nunca me veio a cabeça. Muito pelo contrário, sofri pra ir embora. Não queria de jeito nenhum abandonar esse novo lugar que eu estava chamando de "lar" há um ano. 

E aí eu voltei pro Brasil. 
E como foi terrível.
Meus 6 meses de Brasil foram sofridos. Salvo por alguns momentos, a minha homesickness de Holanda era constante e intensa. Como eu sentia falta daquele lugar e faria qualquer coisa pra voltar. 
Mas aí decidi que precisava superar isso e vir pros Estados Unidos. E bem... Aqui as coisas tem sido estranhas. 

Não vou dizer que estou LOUCAMENTE homesick. Mas também não consigo dizer que estou feliz alegre e confortável aqui. Porém as saudades da Holanda diminuíram. E as saudades de Brasil só existem por conta da minha família. É como se eu estivesse homesick de algum lugar que não sei qual é ainda. Clichê: amo/sou. 


Conversando com algumas outras meninas aqui do blog, muitas disseram que passaram por homesickness principalmente quando chegaram ou quando foram/receberam a família de férias.
O inicio já tende a ser uma fase complicada. É bastante coisa pra digerir, uma nova rotina, nova cultura, nova língua... é overwhelming e natural que se sinta saudades de tudo que se conhecia antes. 
Outro momento em que eu já vi muita menina sofrer, é a marca próxima aos 2, 3 meses. É quando a lua de mel acaba. Dirigir aquele carro grande que come gasolina como se fosse água já não tem mais tanta graça. E aquela casa linda e maravilhosa dá muito trabalho pra ser assim. A host family que nos skypes sempre se mostrou querida começa a colocar as asinhas de fora. E todo aquele luxo da vida no estrangeiro na verdade não cabe no salário da au pair. 
E um terceiro momento em que já vi MUITA gente sofrendo é o inverno! Por mais engraçado que seja falar assim, o inverno severo mexe muito com o humor da gente, principalmente pra quem é de país tropical que nunca passou por isso antes. Ter que ficar mais em casa, usar roupas mais pesadas e de cores mais sóbrias, não ver tanta gente pelas ruas e principalmente a falta de luz do sol podem verdadeiramente devastar alguém. 



Mas como nem tudo é tristeza, aqui vão algumas dicas pras meninas que tem se sentido homesick e não sabem muito bem o que fazer: 

-Se mantenha ocupada. Já ouviu aquele ditado que diz que "cabeça vazia é oficina do diabo"? Nesse caso ele é bem verdade. Quando você se mantem ocupada, ao mesmo tempo em que cansa o corpo, não deixa a mente com muito tempo de sobra pra pensar em todas as coisas de casa. Leia livros, comece a fazer estudar, encontre um novo show na tv que te agrade, faça faxina... Nessa hora vale tudo! 

- Faça exercício físico! Além dos benefícios gerais pra saúde, quando você se exercita você libera hormônios no seu cérebro que afastam o sentimento de tristeza e te deixam com uma sensação de leve felicidade. E não precisa obrigatoriamente entrar na academia e começar a puxar ferro... Você pode começar a fazer caminhadas no seu bairro. Procurar vídeos de coreografias no youtube e tentar imitar no seu quarto. Subir e descer as escadas de casa sem parar por uma meia hora. Eu sou das que não gostam de academia, mas encontrei, por exemplo, aulas de ice skating num ginásio aqui perto. Custa mais ou menos 10 doláres por aula, é divertido e já cumpre a cota de exercício. 

- Faça amigas! Essa é a hora de deixar os preconceitos e frescuras de lado. Procure au pairs na sua área, faça contato, chame pra fazer coisas contigo, criem grupo no whatsapp pra reclamar da host family... Qualquer tipo de interação com outras pessoas, principalmente aquelas que passam pelas mesmas coisas que você vão te ajudar a ver que nem tudo é tão ruim quanto parece, e as vezes até te dar perspectiva ao encontrar aquelas amigas que tem as piores famílias e mesmo assim seguem firmes e fortes! 

- Saia de casa. Se force a sair de casa e ver gente. Vá ao cinema e shopping sozinha se for preciso. Chame todas as pessoas que moram por perto que você conhece e se jogue. Na Holanda eu tinha o hábito de sair pra andar de bike sozinha, sem rumo, e geralmente acabava encontrando umas paisagens maravilhosas que já valiam a pena por si só. 

- Entre em contato com pessoas que TE APOIAM. Eu vou evitar o uso da palavra família aqui, pois ao mesmo tempo em que algumas dão todo o apoio do mundo e te dão forças pra continuar... Outras são daquelas que nunca quiseram que você saísse de casa e ficam pedindo pra você voltar e dizendo que tudo que acontece é sinal de que você não devia ter saído de casa pra começar. Ou seja, procure pessoas que te apoiam, seja família ou não. Mas que te entendam, que saibam o quanto esse intercâmbio é importante pra você e que irão te lembrar de todas as coisas que você sempre quis fazer durante o seu ano. Apoio de pessoas que a gente ama e que se importam conosco é fundamental. E se você não consegue encontrar isso nas pessoas do Brasil, procure nas suas novas amigas daqui. O importante é se cercar de pessoas que te fazem bem e te ajudam a ir pra frente.

- Faça uma lista de todas as coisas que você sempre quis fazer e comece a planeja-las. Lembre-se de por que você quis embarcar nessa pra começar. Quais eram seus objetivos? O que você planejava conquistar nesse ano? Tente voltar o seu foco pra essas coisas ao invés das coisas que você sente falta. Quando se tem foco e objetivos claros, fica muito mais fácil aguentar uma coisa ou outra em prol do benefício maior.

Claro que cada ser humano é diferente e nem sempre o que funciona pra um vai funcionar pra outro. Quando o desespero bater, respire fundo e tenha uma conversa com você mesma: além de voltar pra casa, o que mais poderia te fazer bem naquele momento? Sorvete de chocolate? Sair pra dançar? Pense nas coisas que te fazem bem e foque nelas. 

E gente, não é derrota nenhuma querer voltar pra casa. Cada um sabe o que é melhor pra si, e se no seu momento você estiver sentindo que precisa sim ir embora por que está em um ambiente que não está te fazendo bem e não acha que algumas semanas ou meses poderão mudar isso, seja honesta consigo mesmo e vá embora. Não tem por que passar um ano sofrendo e odiando cada minuto. O que importa é você estar de coração tranquilo e feliz com a sua decisão. 



Ainda está no Brasil e morre de medo de sofrer com homesick e quer saber o que poderia fazer pra evitar? Aqui seguem algumas dicas pra vocês também: 

- Pense bem antes de tomar a decisão de ser au pair. Por fora parece um programa maravilhoso e divertido, mas o dia a dia não é nada disso. Amadureça bem a idéia antes de se comprometer a isso e saiba que qualquer experiência na vida vai ter altos e baixos e não seria diferente nisso. Saiba pesar e avaliar bem se é pra você mesmo. Cuidar de crianças pode parecer algo fácil, mas é MUITO hard work constante. 

- Esteja preparada pro pior. As pessoas mais otimistas dirão que isso é algo muito negativo de se dizer pra alguém que pensa em iniciar um novo projeto de vida. Mas saiba que nem sempre coisas boas acontecem com pessoas boas e que engolir sapo, ter que seguir ordens com as quais não concorda e passar nervoso vão fazer parte do seu ano. Nunca teve um emprego na vida? Não tem noção do que é ter chefe te dizendo o que fazer o tempo todo e como fazer e sem poder discordar? Não sabe dividir espaço? Imagine morar numa casa que não é sua, com pessoas que não são sua família e que ainda por cima é o seu lugar de trabalho.... Esses são só alguns lados desagradáveis da vida de au pair pros quais você tem que estar mentalmente preparada. 

- Controle o desespero. Não feche com qualquer família só pra vir logo. Avalie com calma. A idade das crianças é de acordo com o que te deixa confortável? O schedule te agrada? Conversou bastante com a família e viu como eles são? Qual a personalidade dos pais, como eles criam os filhos, quais as expectativas? Grande parte das meninas sofre muito de homesick por não se dar bem com a família, e por mais que existam famílias mentirosas e ruins, existem situações que podem ser evitadas apenas com mais conversa e informações. 

- Seja sincera consigo mesma. Você REALMENTE tem paciência pra manha de criança de 5 anos? Ou saco pra ficar o dia todo sentada olhando pra cara de um bebe? Ou alma zen pra aguentar mal criação de adolescente? Você realmente conseguiria viver numa cidade pequena? Carro realmente não é algo importante pra você? Dividir banheiro não vai te levar a loucura depois de 1 mês? Tem certeza de tudo isso? Além de conversar bem com a família e tentar descobrir se eles são bons mesmo ou não, tem que rolar uma conversa consigo mesma pra ver se você ta sendo honesta. Um dos meus sofrimentos aqui, por exemplo, é que vim de rematch sem muita opção pruma cidade na roça. Eu sou de cidade grande e simplesmente surto quase todo santo dia quando penso no quão longe estou da civilização. Eu tentei acreditar que conseguiria me adaptar, mas mesmo tendo carro liberado pra mim o tempo todo, não consigo me conformar e isso está me fazendo muito mal. Então pense BEM antes de aceitar uma situação com a qual você não tem certeza que consegue lidar. No Brasil você tem todo o tempo do mundo pra figure out o seu futuro. 

- Venha de coração e mente aberta. É uma nova cultura e vão haver momentos em que o choque cultural vai ser IMENSO. Abra seu coração e mente pra entender que o mundo é grande demais e que não é por que é diferente que é errado. Isso é uma das peças chave pra adaptação. E é uma mentalidade que você tem que ter desde o início. 

O post de hoje ficou gigante, eu sei... Eu sei! 
Mas é que a realidade da homesickness era algo com o qual nunca tive de lidar até pouco tempo atrás. E ver que isso acontece e que as pessoas sobrevivem e superam me ajudou muito então eu espero que possa ajudar vocês também! 

7 comentários :

  1. Anônimo17/1/15

    ótimo post Isabella, após seu ano de au pair ai nos USA, o que você pretende fazer?

    Boa sorte ai na caminhada!

    Beijos

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    1. Obrigada! :)

      Ainda não sei com certeza, o mundo é grande e as possibilidades são infinitas hahaha Tenho muita vontade de voltar pra Europa e explorar um pouco mais por lá, ao mesmo tempo em que quero muito sair pra conhecer algum outro continente, ou até mesmo outro país da América do Sul! Mas isso só o futuro pode dizer!

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  2. Post maravilhoso como sempre !! Adorei as imagens ! Fazem três meses q estou de volta ao Brasil e só To ima homesick destravada de etar "no mundo " !!! Bjos bia !

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    1. Obrigada Bia!
      Eu sofri MUITO quando voltei pro Brasil! E a pior parte era que nem podia falar pra ninguém pois todo mundo tava "tão feliz" com a minha volta que eu me sentia culpada de não sentir o mesmo! Hahaha
      Hoje vejo que se talvez tivesse me dado a chance de lidar com a homesick lá e processar a mudança ao invés de fugir pros Estados Unidos as coisas teriam sido diferentes

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    2. Mas toda experiência é um aprendizado né!

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