sábado, fevereiro 07, 2015

Ser au pair em dois países diferentes é...


Estou aqui prestes a entrar em férias e viajar para Paris (Oui!), e obviamente sou invadida por um turbilhão de pensamentos.Junto com a felicidade vem o medo, já que estou indo viajar sozinha pela primeira vez. Daí lembro que cheguei sozinha na Suécia e cheguei sozinha na Dinamarca também, então porque tanto medo? Cair na zona de conforto é fácil demais, por isso, apesar do medo a gente tem que continuar mudando. Logo quando cheguei na Dinamarca, há 19 meses atrás, escrevi o seguindo texto que queria compartilhar com vocês:

"Quando eu me mudei da Suécia para a Dinamarca, achei que as diferenças não seriam gritantes e que a adaptação seria fácil. Medo eu tinha de voltar pro Brasil, já que rumores dão conta de que se leva até dois anos para se readaptar ao país que você nasceu. E não é por menos, a mudança é drástica. Eu sai da minha cidade no interior para ir morar na capital da Suécia, muito conhecida também como a capital da Escandinávia. Onde todos os pontos de ônibus têm um nome, no ônibus um painel anuncia o nome da parada e no ponto de ônibus um outro painel avisa em quantos minutos o ônibus irá chegar. Se o atraso for mais que um minuto, o consumidor pode pedir reembolso do ticket daquela viagem. Um país onde a empresa de transporte tem um site onde é possível traçar a rota, sabendo exatamente como chegar em determinado local, de que forma e no horário correto. Cito o trânsito porque sabemos que o trânsito no Brasil é caótico e o transporte público é um lixo. E pra mim este foi o ponto alto de morar em Estocolmo. O lugar é de tirar o fôlego, fiz amigos maravilhosos, mas o sistema de transporte público ganhou meu coração e era sempre nele que pensava cada vez que a ideia de voltar ao Brasil vinha a minha cabeça. 
Então resolvi escolher outro país de primeiro mundo pra sentar a bunda um pouquinho e cá estou na Dinamarca. Onde os metrôs fedem, as estações são sujas e têm cheiro de xixi e os motoristas são impacientes, quase iguais os de São Paulo. Fiquei um ano sem ouvir buzina em Estocolmo, no primeiro dia aqui me peguei assustada entre buzinas de carros e bicicletas. Sim, porque além do trânsito ser um caos, ainda dividimos espaço com ciclistas que usam a magrela como possante. Estes ganharão um post especial porque é hilário e perturbador ao mesmo tempo. Um lugar onde as pessoas não esperam as outras descerem do metrô para entrar e que os carros não param quando o sinal está verde porque naquele sentido pode. Foram 3 longos meses até que finalmente eu começasse, veja bem, começasse a me sentir confortável. A não perceber o cheiro do metrô, a não me assustar quando alguém buzina ou não xingar o motorista que está passando quando o sinal está verde pra mim. Embora ainda faça isso quando dá na telha, afinal, qual a vantagem de morar em um país estrangeiro e não poder xingar as pessoas em português?
Achei que mudar pra Dinamarca seria uma mudança sútil, que trocar a Escandinávia por Escandinávia seria como trocar seis por meia dúzia, mas agora percebo que qualquer mudança é válida – e difícil- porque a ironia é que demora-se para se adaptar em média de 3 a 6 meses, mas neste meio tempo, cair na zona de conforto é rapidinho e todos sabemos que não é nela que a mágica acontece. Tô com medo, mas já sinto o pózinho de pirlimpimpim fazendo cócegas no nariz e o coração fazendo as pazes com Copenhagen e com a ideia de que voltar ao Brasil não será fácil, mas não ter visto o mundo, teria sido pior ainda". 

Então é isso, vou lá enfrentar mais uma vez meu medo de voar e de estar em um lugar novo onde as pessoas nem falam a minha língua. Prometo que volto com histórias de Paris! Ah, se quiser acompanhar minha viagem a Paris e também um pouco da minha vida em Copenhagen, me segue no Instragam, por algum motivo não estou conseguindo abrir para colocar o link mas o meu usuário é: jackedaquiar  

Um comentário:

  1. Post maravilhoso, estou aprendendo a sair da zona de conforto desde que decidi ser au pair na Alemanha. Começando por fazer um intercâmbio mal visto por muita gente ao invés de iniciar uma faculdade. Sempre dependi da minha mãe pra tudo e agora ainda nem saí do Brasil e já me vejo fazendo coisas que antes não seria capaz de fazer sozinha, imagina quando eu estiver na Alemanha!!

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