sexta-feira, setembro 25, 2015

Situações desconcertantes



A cozinha está coberta de açucar. No corredor há um caminho de miniaturas de soldados que machucam o pé de algum desavisado. O coelho não foi alimentado (outra veze ninguém quer tomar banho. E agora, o que fazer? Não vale sentar e chorar.
Lembrei dessas situações desesperantes e resolvi contar aqui, pra somar àquelas que eu já contei pra vocês. Aproveitem pra rir um pouco nesta linda sexta-feira quente (aqui no sul do Brasil tá bem quente e eu ainda espero o inverno chegar).

Caso 1: "Posso chamar dois amigos para vir aqui hoje?" "Não. Só um." Ele chamou dois amigos.
Eu tinha uma regra que quando eu estava sozinha com as crianças, cada um poderia chamar apenas um amigo para brincar, o que já me deixaria cuidando de seis. E eu não fazia exceção pra ninguém, por mais que chantageassem dizendo que assistiríamos o próximo filme com legenda em português. Não era não. E tu achas que eles me obedeciam? HAHAHA! O pequeno sim, o que eu dizia pra ela era como se fosse o Peter Fox (um rapper que ele adorava) falando. O mais velho me aturava, mas o do meio não queria saber de mim.
Eu não consegui fazer nada nesse dia aí, mas falei com os pais do guri.

Caso 2: "Quero torrada com nutella"
Era uma quinta-feira à tarde. O menor e eu apenas em casa e lá pelas 16h a fome aparece."Vou fazer um sanduíche", diz o menor. Ok, eu respondo e o sigo até a cozinha. Ele pega o pacote de pão de forma, abre a gaveta, pega a nutella, abre outra gaveta e pega uma faca. Passa nutella no pão, e mais nutella no pão e mais nutella e lá se foi 1/4 do pote em uma fatia de pão de forma. Ele pegou outro pão, e aí eu me meti, dizendo que era pão com nutella e não nutella com pão. O guri me olha, aponta a faca em minha direção e diz que faz como quiser. Minha reação foi arregalar os olhos e dizer que não era bem assim. Ele voltou a atenção para a fatia de pão e lá se foi mais nutella. Pegou as duas fatias e foi para o quintal. Eu o segui. Ele estava em um banco, perto da garagem. Sentei do lado dele e perguntei se o pão tava gostoso. Ele fez um 'uhun' para indicar que sim, e então eu continuei a conversa dizendo que não gostei do que ele tinha feito e que eu não tava lá pra brigar com ele, mas que nutella demais faz mal e que podia acabar. "Quando acaba minha mãe compra mais". Sério, sério, crianças às vezes irritam! Tudo bem, eu disse, mas que mesmo assim não gostei do que ele fez coma faca. "Eu não ia te machucar", ele disse, "mas desculpa". 
À noite, conversei com a mãe dele e ela me disse "quando isso acontecer, você deve dizer pra ele que não gostou e que é errado. Falarei com ele sobre isso". E assim o assunto morreu. Mas na hora eu já me imaginava toda ensanguentada na cozinha e a manchete do jornal no dia seguinte pra toda Bavária ler: "Au Pair assassinada por negar nutella!"

Caso 3: "Ela não quer me ajudar!"
Hora da tarefa!! Yay!!! E nesse dia já começou assim: "Mas é alemão.Eu odeio alemão! É muito difícil!" hahah Como se essa criatura de oito anos estivesse me contando alguma novidade. "Não é não, olha só, até eu tô aprendendo.Tu também consegues, vamos lá, eu te ajudo", eu tentei convencê-lo. "Tu, que fala tudo errado ainda, quer me ajudar?", ele respondeu todo brabo. Eu fiquei quieta por 10 segundos e aí disse "Quer ajuda ou não?". "Quero", ele disse. Sentei na cadeira do lado e começamos pelo primeiro exercício, até ele se irritar de novo (cerca de dois minutos depois) e começar a gritar que não entende, que era complicado. Aí eu também fiquei braba e fui fazer um café. "Que tu ta fazendo?", ele parou de gritar e choramingar e perguntou. Eu disse que resolvi fazer um café até ele terminar de fazer o show, que quanto antes ele terminasse mais tempo teria pra brincar e esse blábláblá todo. Ele parou e fizemos mais um pouco da tarefa, então começou a gritar e choramingar de novo. Eu disse pra ele me chamar quando resolvesse fazer a tarefa, levantei e saí da cozinha. Depois de um tempo voltei e ele disse que não ia fazer nada. Ok. Sentei na cadeira ao lado dele e fiquei esperando algo acontecer. E algo aconteceu: o guri levantou, pegou o telefone e ligou pro pai dele. "A Melina não quer me ajudar a fazer a tarefa!", foi a primeira frase. Eu ri, né. Mas então ele me olhava e ouvia o que o pai falava e concordava. Ao desligar ele me pediu desculpas e sentou à mesa novamente pra fazer a tarefa. Em quinze minutos terminamos tudo! hahaha
À noite, quando os pais estavam em casa, fui falar com eles, né. E o pai do guri me diz "era manha mesmo, eu sabia que ele tava te enrolando".

Agora eu acho bem engraçadinho lembrar disso e pensar na raiva que me deu na hora. Algo que eu achava super interessante era que com a criança menor, de oito anos, existia diálogo e ele entendia o que quer que fosse que falassem pra ele. Com o do guri do meio, de dez anos, já era mais complicado; parecia que ele entendia, mas não queria aceitar, e aí era só o pai quem resolvia.
A solução é tentar pensar como a criança e inventar algo que na mente dela faça sentido. Complicado? Não muito na teoria, mas a prática é outra história. Eu já escrevi em outros posts sobre chantagem, mas não é bem essa a palavra não, o termo certo é troca. Tentar fazer uma troca de favores. No começo é sim mais difícil, pois ninguém se conhece. Se tu ainda tá no começo e tá achando difícil, dê um tempo pra conhecer a(s) criança(s) e ela(s) te conhecer(em).
Depois de um tempo já com a família, numa das tardes em que eu ajudava o menor a fazer a tarefa e na tentativa de apressá-lo eu disse pra ele terminar logo pra poder chamar um amigo. E pra isso ele me responde "Hoje eu não quero nenhum amigo. Quero só brincar contigo!"

E assim eu termino o post de hoje.
Bom final de semana galerinha!
Divirtam-se e não convertam as moedas. Nem olhem a cotação e sejam felizes ;D
Até a próxima!


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