sábado, março 05, 2016


Não adianta, não sei escrever se não for pra ser uma coisa tirada de algum cantinho que me inspira aqui dentro. Acho que a simplicidade das palavras cumpre com maestria o papel de encontrar os olhos do leitor e o fazer sorrir. Por isso hoje, resolvi falar sobre a vocação que me trouxe ao mundo auperiano e como eu a descobri. "Mas pera lá Beatriz, tu tá dizendo que pra ser Au Pair a gente tem que ter vocação?" Exatamente e não exatamente monamour! Calma que você já vai entender.
Eu descobri minha vocação para ser Au Pair justamente por não ter essa vocação. Alguns talentos na vida já nascem junto com a gente; enquanto outros, que no caso significa a maioria das habilidades adquiridas para algum propósito, precisamos aprender. No caso de ser Au Pair, nem preciso dizer que foi o segundo. Antes de embarcar para essa experiência, é preciso entender que nem só de Selfies na estátua da liberdade, Golden Gate Bridge ou na Disney vivem uma Au Pair. Na verdade, posso afirmar que a gente trabalha quase trezentos dias no ano pra viver o restinho deles turistando por aí. Não que isso não valha a pena, mas é preciso MESMO estar disposta a trabalhar pesado, limpar bunda de neném, ouvir reclamação de host parent, xingo de adolescente e saudade da comida do Brasil. É preciso entender que esse programa de intercâmbio significa deixar sua referência de amigos do Brasil, pai, mãe e namorado para tentar não se sentir tão sozinha fazendo umas amizades em um grupo de desconhecidos no Facebook que estão no mesmo barco que você. Eu descobri que tinha vocação para ser Au Pair quando tudo o que eu mais queria era ir embora daqui para rever as pessoas mas decidi por amor a mim mesma que se eu aguentasse firme o baque, sairia daqui renovada, sabendo quem eu sempre fui de verdade. Quando a gente quer ter vocação para algo e sabe que não nasceu com isso, a gente luta e corre atrás do que quer como um leão corre atrás de sua presa. E por mais difícil que seja, hoje eu posso dizer que vocação tem muito mais a ver com uma decisão pessoal do que com predileção divina. Queria que você soubesse disso. 

Beijos,

Beatriz Bigarello

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