sexta-feira, junho 03, 2016

A eterna sensação de se ter uma vida paralela...

Confesso que esse não era o tema que eu estava planejando vir conversar com vocês esse mês, mas essa semana eu já tive dois momentos onde parei e pensei, "que que eu tô fazendo aqui?", ou "nossa, eu tô muito longe de tudo e todos", ou "caramba, eu estou MESMO vivendo essa experiência?"...
Desde que eu pisei em solo americano costumam rolar esses momentos, geralmente quando estou no banho, ou fazendo algo que costumava fazer no Brasil mas que aqui faço de outro jeito, as vezes antes de dormir, as vezes enquanto sento para fazer xixi... No começo, achava que era por ser tudo novidade, minha ficha ainda estava caindo, entendem? Mas calma lá, já estou em meados do meu décimo sexto mês de intercâmbio, será que não tem algo errado não?
Eis que, depois de alguma reflexão, entendi que a vida que levo aqui é, de certeza forma, paralela, e muitas amigas e conhecidos meus concordaram. Como se fosse um capítulo da minha vida, da minha história, que decidi escrever num outro idioma, e outro país e longe da família e dos amigos.
Talvez as pessoas que venham através do programa de Au Pair mas tem a intenção de ficar por aqui, que encontram parceiros, fazem grandes amigos, se identificam com o lugar e a cultura, bom, talvez essas pessoas não saibam do que eu estou falando, talvez para elas a vida paralela era a que elas tinham antes de chegar aqui, e não essa que elas estão vivendo agora, mas para mim, para mim não tem sido assim não...
A intensidade com que as coisas acontecem nesse período é a maior prova de que isso é um capítulo, fora da rotina, mas um capítulo. Por medo de não termos tempo de fazer tudo que viemos fazer, saímos fazendo tudo. O que não é errado, aliás, se a sua intenção é voltar para o Brasil quando o intercâmbio terminar, você tem mais é que sair atropelando tudo... Viajar o máximo que puder, provar todos os tipos de comida, comprar bastante, fazer mil cursos...
Mas a casa não é sua, o carro não é seu, a cultura é diferente, algumas de nós ainda fazemos questão de nos submetermos a um sentimento enorme por crianças que, na realidade, não são nada nossas também. A eterna sensação de superficialidade, como pode né? Vivermos com tanta intensidade algo tão superficial? Vivermos com tanta pressa um sonho almejado há anos. Deixamos que passe, com viagens sempre programadas, amizades pra vida inteira que vem e vão...
Pular de paraquedas, tirar foto com a Minnie, nadar com golfinho, encher a cara em Vegas... Sonhos, sonhos que, muitas vezes, quando os realizamos, desejamos que estivéssemos em nossas vidas reais, para que eles fossem REALMENTE realizados...
Mas a vida não é tão paralela não, por mais que pareça... E ainda que você me entenda e se sinta como eu, nessa vida paralela também temos que comer, dormir, respirar e todas essas coisas comuns de vida normal...
Normal, distinta, paralela, sua, dos outros... Importante mesmo é que seja vivida, com êxito e carinho. Intensidade e amor. Rapidez e calma. É importante que seja escrita com a sua melhor caneta de gel... Para que um dia, ou sempre, você olhe para ela e diga: era paralela, mas era incrível!

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