sábado, fevereiro 25, 2017

Minha família veio me visitar!!! – parte 2

Eles chegariam às 07:30h na terça-feira. “07:30h???”, eu pensei, “Que cedo!!!”. E então às 06h eu já estava fora da cama, ansiosa, derretendo no calor de três de janeiro a espera dos meus alemães. Às 07:15h recebo a mensagem “Estamos saindo”. Yay! Yay! Yay! Eu estava nervosa, não vou negar. Então meia hora depois recebo outra mensagem “Estamos parados no congestionamento, vamos demorar...”
Eu já tinha tomado meu café, já estava pronta e agora me esperava no sofá. Mais meia hora e outra mensagem “Ainda estamos parados, faltam 80km...”. Detalhe: Quase dez horas e nada... Liguei para o motorista da van e avisei que meus convidados atrasariam. Continuei sentada no sofá e agoniada, agoniada. Os ponteiros passeavam no relógio e nada de eles chegarem, até que pra lá das 10:30h, quase 11h, eu recebo a mensagem “Estamos chegando”. Tremi inteira, liguei para o motorista da van, gritei pra irmã, pai, mãe, vamos lá galera!!!
A outra ex-Au Pair deles os deixou no hotel e foi lá que eu os busquei, às 11:30h! Van parada na frente do hotel, entrei na recepção com pai e mãe para esperá-los. E então...lá no fim do corredor eu vejo meus pais postiços vindo, já com sorriso no rosto. As crianças vieram logo em seguida, e eu ganhei vários abraços e sorrisos dignos de um reencontro saudoso.


Como aqui é a Cidade da Dança, nada mais justo que uma parada para conhecer onde acontece o Festival de Dança e onde fica a Escola do Teatro Bolshoi no Brasil. A foto tá craquelada porque eu não pedi pra eles se podia publicar haha 
 
O pequeno me abraçou forte como eu gosto e sorriu lindamente, do jeito mais lindo e fofo que existe. Olha a saudade aparecendo! Então começaríamos o passeio: eu mostraria minha cidade para eles! Vejam que coisa mais lindamente inimaginável! Ao sairmos do hotel, eles avistaram a van e a mãe postiça me perguntou surpresa “Nossa, esse é o nosso carro? Para nós isso?”. O dia estava muito quente, e logo quando entramos na van o guri mais velho disse “Nós podíamos ficar aqui dentro o dia todo, né? Está muito quente lá fora!” rsrs Eu ri. As belezuras vieram para o Brasil no verão; é quente, ué! Mas tínhamos uma van com ar-condicionado ao menos.
Primeira parada: nosso super mirante! No caminho conversamos eu e as crianças na parte de trás da van; e os nossos pais na parte da frente. Eu conversava em alemão com as crianças, lá na frente eles se entendiam em inglês. Minha avó foi passear conosco; ela entendia alemão, mas pra falar era só português. Isso às vezes era engraçado.
Depois de subirmos o mirante e vermos a cidade de cima, fomos almoçar em uma churrascaria. Partes curiosas: Os dois guris mais velhos beberam cerveja! O menor achou coração de galinha muito nojento. Eles ADORARAM abacaxi assado com canela. E a banana caramelada.
Nessa hora minha mente fundiu, pois estávamos em uma mesa em dez pessoas – os cinco alemães e minha família brasileira – pais, irmã, vó e eu – e com as crianças eu falava em alemão, com meu pai postiço também, meu pai me pedia para traduzir coisas e minha mãe e irmã conversavam em inglês. É um exercício danado ficar trocando de idioma assim rapidinho... rsrs Às vezes dava confusão e não saía nada. \o/
Todos almoçados, voltamos para a van e fizemos um passeio pela parte rural e industrial da cidade (vamos mostrar tudo! Haha), paramos para um café em uma padaria alemã chamada “Brothaus” com vários produtos alemães e terminamos no centro da cidade, onde tem um museu bonitinho e a Rua das Palmeiras, que tem esse nome porque tem palmeiras reais dos lados. Dali viemos para a minha casa. Meus alemães vieram para a minha casa!!!!
Eu que antes estava nervosa e ansiosa e sem saber o que faria, o que falaria, queria congelar o momento e que durasse por mais três dias, no mínimo. Mas o tempo não para. Tudo o que eu podia fazer era aproveitar.
Os guris me mostraram músicas que eles gostavam; cada um escolhia uma cada vez. Eles mostravam músicas deles e eu mostrava minhas. Depois mostramos um documentário curtinho que o jornal da cidade fez estilo o “Mundo visto de cima” – e mãe e eu fizemos a tradução.
Por fim, jantamos pizza! Pedi salgadas e doces. Cena curiosa: Meu pai ofereceu cerveja para os guris, e o mais velho perguntou “Qual cerveja?” Eu achei o máximo isso! Não sei se tu que tá me lendo consegue entender, mas meus alemães vêm lá da Bavária (o cantinho mais charmoso da Alemanhaaaaa!!!) e eu não sei quais cervejas eles já tinham bebido daqui, mas achei engraçado.

Então minha irmã buscou a pizza de chocolate, colocou na mesa, tirou a tampa e começou a cortar. Fez-se silêncio e parecia um momento sagrado. Vagarosamente as crianças começaram a falar: “Vocês sentem o cheiro do chocolate?”, “Olha só como derrete enquanto ela corta”, “Isso é uma maravilha”, “Parece delicioso”. Isso tudo sem tirar os olhos da pizza, enquanto minha irmã a cortava. Foi um momento de adoração!
Quando tomamos café à tarde, o pequeno queria brigadeiros, mas lá não tinha. À noite, então, enquanto esperávamos a pizza, meu pai foi em uma doceria buscar alguns. Depois da janta então, eu perguntei pro pequeno se ele queria sobremesa. Ele me olhou desconfiado e perguntou o que era. Eu disse que era uma pergunta de sim ou não, e perguntei se ele queria ou não haha Mel malvada! Então ele disse que sim. Meu pai trouxe quatro bandejas de brigadeiro!!! E eu entreguei todas pra criança! Ele arregalou os olhos ao abrir a sacola e em seguida me olhou “Pra mim?”. Então ele abriu uma para dividir com todo mundo, pegou um brigadeiro e disse “Eles são perfeitos e maravilhosos” (olha nova definição de brigadeiro aí \o/ - quero créditos pro meu alemão favorito rsrs). E aquele sorriso me ganhou de novo.
Ficamos ainda um tempo na mesa conversando, eu entreguei presentinhos para eles e passava das 22:30h quando os levei para o hotel. Agora de carro, a van já tinha ido embora. Fiz duas viagens, levei as crianças primeiro e depois meus pais postiços. Ao chegar no hotel pela segunda vez com meus pais postiços, as crianças estavam na calçada com uma bolsa CHEIA DE COISINHAS PRA MIM! Era chocolate, linguiça, vinho e um livro!


Eles agradeceram o dia e eu voltei sorrindo para casa. Não consegui dormir outra vez; estava em êxtase! No outro dia a van veio de novo para nós os levarmos ao aeroporto. Aí foi a despedida de verdade. E eu chorei – de alegria, de tristeza, de saudade, de calor, do azul do céu, de alegria, de saudade, de graça, de gratidão. Eles vieram me ver. E foi lindo.
O texto ficou gigante, mas não consegui resumir minha alegria e amor em tê-los aqui comigo mesmo que por um dia apenas. Eu que imaginava que tinha apenas sido e não era mais. Que era passado e não mais presente e não caberia em planos futuros. Me enganei. E adorei que me enganei. Eles vieram me ver. E eu me derreti toda!
Bom março para vocês!
Você que leu até aqui é um guerreiro(a)! haha Deixe seu nome nos comentários para entrar na minha Lista de Luz \o/
Até a próxima o/

Um comentário :

  1. Li tudinhooooo hahah
    Uau, dá para perceber toda animação e amor envolvido, muito legal sua família brasileira se dispor a passar um tempo com a família alemã. Me pareceu que foi bem especial ein! Qual a sua cidade msm?

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