domingo, março 05, 2017

A história do meu MATCH (e como os 5 conselhos teriam me ajudado a não entrar em REMATCH)

    Olá pessoal! Como vocês estão? Meu nome é Júlia, fui au pair em 2009 e hoje sou psicóloga, idealizadora da fanpage Doces memórias –sweet memories e divido meu trabalho em consultório com a preparação emocional de pessoas que querem morar fora do nosso Brasil varonil. Eu era “dona” do dia 02, mas agora estarei com vocês todo dia 05, ok?

    Well, em meu último postt, contei os 5 conselhos que eu gostaria de ter ouvido antes de me decidir pelo au pair, e como prometido, vou dar sequência a novela que foi o meu intercâmbio! Por que novela, Julia? Bem, ao longo de 9 meses (como mencione neste post aqui), eu passei por nada mais nada menos que 3 rematches, e não, nem eu e nem as famílias tinham grandes problemas! Hoje vou mostrar para vocês como aqueles conselhos do post do mês passado teriam me ajudado na prática, e diminuído as chances dos meus rematches. Como eu passei por 3, terei que dividir, né? Hoje contarei um pouco, mês que vem outro “cadin” e assim por diante!

    Então vamos lá! Em agosto de 2008 eu terminei minha graduação em psicologia, na cidade de Marília, SP. Como (acho que) todo recém formado, estava perdida, sem saber o que fazer. Algumas conhecidas haviam aderido ao au pair, estavam nos EUA e tinham histórias lindas com a Hostfamily; bem, pelo menos era isso que o (falecido) Orkut estampava! Fui em duas agências, a Cultural care e a representante da au pair care. Na APC eles foram mais realistas, fiz um teste de inglês (sem nenhum preparo, cheguei lá e o dono da escola já fez uma entrevista em inglês) e reprovei. Já na Cultural Care a agente foi super atenciosa, me mostrou lindos catálogos, e falou que eu tinha exatamente o perfil de uma au pair. Já fui embora sonhando com crianças lindas, loiras, de olhos claros, neve “fofinha”, e etc; bem au pair alice mesmo!

    Aqui (e em vários outros pontos deste texto) já entraria aquele primeiro conselho: MANTENHA OS PÉS NO CHÃO! Na primeira foto do catálogo, as nuvens do céu mariliense viraram bonecos de neve, as casas do catálogo eram a minha e eu sonhava com a menininha que fazia a propaganda da Cultural Care me dizendo: Would you be my new au pair?

    Também já posso colocar aqui aquele outro conselho: COLHA O MÁXIMO DE INFORMAÇÕES QUE PUDER. Sem sombra de dúvidas, ter mais informações sobre o programa, sobre as regras, sobre como funcionava teria me ajudado a manter os pés no chão.
Meus pais moravam em outra cidade, na região metropolitana de Curitiba, PR, e acabei voltando para cá assim que terminei os estágios, e dei continuidade ao processo aqui. Obvio que escolhi a Cultural Care como minha agência, né?!

    Enquanto o processo não andava, entrei no famoso GAP. O GAP ou great au pair é um site de busca de au pairs e famílias. Ali, entrei em contato com algumas famílias e, depois de algum tempo conheci a minha hostfamily.

    A família parecia ser muito legal (e era); 3 crianças, meninos, de 6, 4 e 1 ano. A mãe, que era um doce, ficava em casa, e por essa razão, eu não precisaria dirigir (a menos que eu quisesse – e como eu não tinha o hábito de dirigir no Brasil, resolvi não arriscar). Eles moravam em uma cidade afastada de quase tudo, 40 minutos de carro da au pair mais próxima, sem transporte público. Por alguma razão, eu desconsiderei isso tudo, não consigo lembrar o que passou pela minha cabeça! Ansiedade, talvez!
Como disse, a família tinha 3 meninos, a mãe era bem vaidosa, gostava de se cuidar e tinha o sonho de ter uma filha. “Meu quarto” era lindo, rosa e o banheiro também. Recebi um postal da Disney (quando eles foram) e no final eles escreveram “You will be our princess”!

    Não ter informação, família que fala que você será a princesa e uma mente “Alice no país das maravilhas”, não ficou difícil eu “esquecer” que estava indo para trabalhar! Aliás, eu já havia trabalhado com crianças em estágios, clínica escola da faculdade, escolas de educação infantil, ajudando com priminhos e com as crianças da igreja, mas babá era algo totalmente novo para mim e eu não tinha ideia do que era o trabalho (também fruto da falta de informação).

    A FALTA DE PLANEJAMENTO E AUTOCONHECIMENTO entram, fecham e encaixam o 1º quebra cabeças do meu intercâmbio AU PAIR. Quem me conhece, sabe que eu sou uma pessoa extremamente sociável; tenho momentos que gosto de ficar sozinha, claro, mas ali seria praticamente 1 ano sem companhia. Dá para ser “superamiga” da host, amiga das amigas da host? Dá, mas quando você vai para os EUA com um nível básico de inglês tudo fica mais difícil! Autoconhecimento também teria me ajudado a refletir sobre cuidar de 3 meninos e ir no inverno, para um estado que tem neve. Segurar três meninos de idades diferentes (com um poor engish) dentro de casa porque lá fora está fazendo -17 graus não é uma tarefa fácil!

    PLANEJAR o intercâmbio, traçar metas, objetivos, por exemplo: quero ir para estudar, quero fazer duas viagens grandes ou quero voltar com um inglês fluente teria me ajudado a focar na escolha da família, bem como mantido meus pezinhos no chão.

    Enfim, fechei com a família. Lembro que logo quando eles foram me buscar, já foi assustador. O menino mais velho me espiou por debaixo da porta do banheiro do restaurante, e eu mal conseguia pedir minha comida (muito menos comer). Eu nem sequer sabia o que era um schedule (olha a falta de informação aparecendo de novo), e quando vi o meu, chorei copiosamente por 1 semana, pois a flexibilidade do schedule não me dava tempo para fazer nada, a não ser ficar no quarto e não dirigir (combinado desde o início) me privou de muita coisa, até mesmo porque eu trabalharia finais de semana e feriados (outra coisa que podia ter sido combinada com PLANEJAMENTO, antes do match).

    Depois de exatamente 1 mês morando lá, resolvi pedir rematch. Repito, a família não era e não é ruim, mas não houve compatibilidade (aliás, isso é algo que vejo em muito post nos grupos), e sim, eu podia ter evitado!

    Esses conselhos também fizeram falta no meu 2º match; ah, e como fizeram! Mas isso é história para o próximo mês, agora no dia 05! Só uma canjinha: fechei com uma família com 5 crianças! Doideira? Aguardo vocês dia 05/4!


Abraços, 
Júlia B. Benedini - Psicóloga (CRP:08/14965)

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