quarta-feira, julho 05, 2017


E se não der certo?

E se negarem meu visto?

E se eu não conseguir família?

E se a família não gostar de mim?

E se as kids não gostarem de mim?

E se eu não me adaptar?

E se eu não me (RE) adaptar ao Brasil?

    Já pararam para pensar quantos “e ses” passam pela nossa cabeça quando o assunto é o intercâmbio?

    Olá, meu nome é Júlia, fui au pair em 2009, hoje sou psicóloga e trabalho com orientação psicológica online para pessoas que moram (ou querem) fora no nosso Brasil varonil.
    Se (olha ele aí de novo) você mora, já morou ou até mesmo pensou em morar fora, com certeza essa combinação de palavrinhas já passou pela sua cabeça, né?! “E se”?
    Por mais que a gente tenha certeza, que seja um sonho, tudo que é novo e de certa forma arriscado (por mais planejado que seja) envolve o medo e principalmente a ANSIEDADE, e sobre ela que quero falar um pouquinho hoje.
    Não é “papo de psicóloga”, até porque vou começar o assunto com uma novidade! A ansiedade pode ser positiva, sabiam? Não estou ficando doida, e vou explicar! Nós temos a mania de enxergar alguns sentimentos como negativos (a ansiedade e a tristeza, por exemplo), porém, desde que haja equilíbrio, todos eles podem nos ensinar e ajudar de alguma forma. Quando estamos ansiosos e esta ansiedade nos impulsiona a agir, a fazer alguma coisa, ela é benéfica; já quando os pensamentos negativos (os famosos e se) tomam conta, nos deixando paralisados, nos impedindo de seguir em frente, ou ainda quando não conseguimos tomar decisões e acabamos “metendo os pés pelas mãos”, está na hora de repensar sobre quem está no controle da situação.

    No caso do au pair, vejo tanto pessoas desistindo do sonho de morar fora (e se não der certo), como pessoas que acabam entrando em “famílias perigo” ou em famílias ótimas, mas que não são um bom match, pois ficaram com “pressa” de ir logo, ou ainda “e se eu não achar outra família”?
    Costumo acompanhar grupos de au pairs no facebook, e (infelizmente) vejo muitos rematchs que poderiam ser evitados, se o match não tivesse acontecido por ansiedade.
    Eu sei, eu sei que dá medo de não arrumar outra família, dá medo de não dar tempo, dá medo de tudo! Eu também passei por isso, e passei 3 vezes, e somente da 3ª posso dizer que tomei a decisão pensando com clareza e com coerência (e o rematch aconteceu por outra razão).
    E o que fazer para tomar a decisão correta? Ela é garantia de um match perfeito? Infelizmente não. Eu costumo dizer para as meninas (digo meninas pois por enquanto não orientei rapazes) que já orientei e oriento e já falei aqui também que o au pair/intercâmbio é como um relacionamento: ninguém namora, se envolve afetivamente ou vai morar com alguém sem conhecer pelo menos um pouco da pessoa, saber alguns defeitos, qualidades, sem saber como aquela pessoa “funciona”. Vamos imaginar que você, que está lendo, seja uma pessoa que gosta de tudo limpo, organizado, arrumadinho. Agora se imagine morando com alguém que chega do trabalho, deixa os sapatos na sala, toma água e deixa o copo no chão ao lado do sofá, não cozinha e não ajuda com a louça e quando você abre o guarda roupas, vê uma avalanche de casacos, blusas e calças caindo sobre você. Haja amor, e haja paciência, né?  Claro que se tratando do au pair não temos todo tempo do mundo, mas e é aí que entra (de novo) a importância de se conhecer (como a palma da sua mão), saber quais são os SEUS defeitos, as SUAS qualidades, os SEUS pontos fortes e fracos, o que você suporta e não suporta, e a partir daí, “casar” com os da futura hostfamily. Tendo consciência de tudo isso, e principalmente de seus valores, você terá respostas práticas e racionais para os “e se” que muitas vezes a mente inventa.

    Para finalizar, deixo uma questão para reflexão: E se não der certo? "Traduza" “não der certo”. Eu passei por 3 rematches, podia dizer que meu intercâmbio não deu certo, e confesso que quando voltei para o Brasil, era isso que eu pensava: “não deu certo”. Hoje minha ideia é outra! Deu certo por 9 meses, depois voltei! Tudo é positivo, desde que a gente aprenda a enxergar de forma positiva! E qual está sendo a sua lição positiva de tudo isso (desde o início do processo até hoje)?



    Por hoje é isso, espero que tenham gostado deste texto de reflexão!

    Abraços, e até o próximo mês!!


                                                 
                                                Júlia B. Benedini – Psicóloga (CRP: 08/14965)  

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