Pessoas que largaram tudo para se aventurar nesse mundão de Au Pair!

05 dezembro 2017

Como é voltar para casa após morar um tempo fora...

    
    Sentir-se desamparado, perdido, mal adaptado, ter um choque cultural horrível (especialmente nos 3 primeiros meses) e até aquela saudade de “casa” no início do intercambio é perfeitamente normal. Mas e quando percebemos esse mix de sentimentos no momento que voltamos para o Brasil?

  
    Meu nome é Júlia, sou ex intercambista, psicóloga e hoje gostaria de conversar com vocês sobre um assunto bem comum não só para nós, que fomos au pairs, ex intercambistas, mas para (arrisco dizer) todos que já moraram fora, e que me assombrou durante um bom período depois que voltei para cá.

    Dizem que viajar é bom, mas voltar para casa é ainda melhor, porém nem todo mundo, ao retornar, consegue sentir que a “casa” é o Brasil.
    Lembro que quando meus pais me buscaram no aeroporto depois de 9 meses nos Estados Unidos, tudo parecia BEM estranho e diferente. Os parentes que estavam me esperando na casa dos meus tios estavam diferentes, a cidade parecia diferente, meus pais (com quem eu conversava todos os dias nos meses de intercâmbio) estavam diferentes e principalmente EU estava diferente, tinha mudado (e muito).

    Quando eu embarquei, deixei minha irmã grávida, e agora ela tinha um bebêzinho lindo nos braços (e eu era titia)! Meus pais, além de pai e mãe eram o vovô e a vovó, meu irmão estava passando uma temporada fora do Brasil e eu experimentaria a sensação de ser "filha única" pela primeira vez na vida. Foi nessa época também que eu tive que “engolir de vez” a mudança de Marília (onde estudei e morei por 4 anos) para Curitiba, e até meus cachorros Teddy e Bionda estavam diferentes, não tinham tanta energia e já exibiam seus primeiros pelos brancos no rosto. Eu, além de aprender inglês e a dirigir, havia aprendido coisas muito mais profundas, pois o amadurecimento que temos durante o tempo de intercambio (ou quando moramos fora) é enorme, nítido e visível.
   
    A (re) adaptação acaba sendo difícil. Ir para um país novo é diferente pois tudo é novidade, e temos que aprender e nos adaptar a essas novidades. Voltar para o Brasil foi complicado pois nada era tão novidade assim, e ao mesmo tempo, tudo tinha mudado, eu tinha mudado, minhas ideias eram outras. Quando a gente “anexa” uma nova cultura à nossa, a forma de ver o mundo fica diferente, e isso não é “metideza” não (até porque eu fui au poor, né, mores – quem morou fora sabe do que eu estou falando)!

    É gente, tanto não é metideza, que esse sentimento de não pertencer mais ao lugar de origem, de culpa, de querer voltar e ficar ao mesmo tempo tem nome: síndrome do regresso, e segundo Décio Nakagawa, psiquiatra que nomeou a síndrome, pessoas que moraram fora podem levar em média 2 anos para se (re) adaptarem a terra natal, já que a vida no exterior proporcionou experiências até então desconhecidas e que, agora, de volta ao país de origem não poderão ser revividas.  Claro que não é todo mundo que sente ou vive isso, mas além de bem comum, a síndrome do regresso é REAL!

    Para você, que está voltando, ou que voltou e principalmente que se identificou com esse texto gostaria de dizer que tudo isso faz parte de um processo de (re) adaptação, e que você (principalmente agora, depois do intercâmbio) se conhece melhor que ninguém e sabe aonde o seu calo aperta. Mesmo sendo natural, existem profissionais que podem te ajudar a lidar melhor com essa dor e principalmente, e fazer da sua volta para casa algo mais simples, menos doloroso e mais satisfatório!

    Lembrem-se sempre da importância das metas. Assim como é importante ir para o intercâmbio com metas pré definidas, voltar com novos objetivos e desafios faz toda diferença nessa etapa, bem como não abandonar os hábitos que você adquiriu e aprendeu a gostar durante o intercâmbio (como viajar, tomar um café com bolo no final e tarde, por exemplo). E é claro, hoje em dia a tecnologia joga a nosso favor, e podemos manter contato com todos os amigos internacionais que fizemos, e também com a hostfamily!
  

  Finalizo com essa frase, pequena, mas que adoro: Entrego, confio, aceito e agradeço (até bem adequada para essa época de pós thanksgiven, natal e final de ano né)?!

    Agora só vejo vocês no próximo ano! Desejo a todos um natal cheio de luz, paz e esperança e que em 2018 possamos continuar a realizar o que começamos em 2017, e que sejamos nós a mudança que esperamos ver no mundo! Vamos fazer a diferença!


Abraços e beijos para todos,

Júlia B. Benedini – Psicóloga (CRP: 08/14965)
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