sexta-feira, dezembro 01, 2017

"Você vai ser empregada no exterior?" - disse ele. (Sobre contar seus planos à família)


O diálogo começou e a continuação foi mais ou menos essa:
- Você quer largar tudo aqui, sua família, casa e seu bom emprego pra ser empregada no exterior?¹
...

Oi gente linda, tudo bem?

Esse post é para quem (assim como eu) precisa explicar à família a respeito dos planos de Au Pair e talvez encontre alguma dificuldade nisso. Vejo muitas meninas nos grupos pedindo apoio ou dicas em relação a essa situação. No meu caso não foi difícil, mas me exigiu bastante paciência, muita informação em mãos e boa argumentação.

Meus pais são uns amores, e sou muito grata pela educação que eu tive, pela preocupação (às vezes demasiada) que eles têm por mim. Minha família sempre foi muito unida e acho que nenhum pai/mãe quer ver os filhos tão longe, por isso fui compreensiva quando os assustei com a minha decisão.

Já vinha há algum tempo dando "indiretas" sobre minha vontade de morar fora - talvez há uns 7 anos (!!!), mas esse ano com maior frequência. Sabia que não seria fácil comunicá-la oficialmente. Minha mãe é extremamente emocional, sentimental e somos muito apegadas uma à outra. Meu pai faz o tipo durão, de poucas palavras. Mas mesmo em seu jeito "ríspido" de ser, eu sei reconhecer sua preocupação. Por conhecê-los tão bem, suas reações já eram por mim esperadas, e acertei na lata.
Mãezinha querida me perguntou se eu era infeliz em casa e se eu queria "me livrar" da minha família. Paizinho me fez a pergunta descrita aí no início do post. Como podem ver, logo de cara a situação foi tensa. Keep calm! Muita calma nessa hora. Respira, argumentos na ponta da língua e mãos à obra...

O que é mais importante nessa hora, é você conseguir transmitir à sua família a seriedade dos seus planos, a organização deles, a sua responsabilidade e todas as regras do programa. E antes de tudo, esses tópicos precisam estar claros para você mesmo, caso contrário não estará transmitindo credibilidade.
Com muito cuidado e paciência, expliquei a eles que já vinha analisando, pesquisando e me organizando desde dezembro/16 (tivemos essa conversa em abril/17). Tinha todas as regras do programa em mãos, as leis, meus direitos e deveres, depoimentos de quem foi, referências, bem como as minhas motivações. Pontos positivos, negativos, o que iria aprender, e principalmente como esse programa iria me influenciar positivamente e me fazer crescer como pessoa. Seus pais precisam sentir confiança nos seus planos para poderem te apoiar.
Não vou dizer que foi 100% tranquilo. E também não foram nem 1, nem 2 conversas. Foram várias. De início não foi fácil entenderem o porquê de eu querer deixar minha família, dar um pause na minha carreira e sair do meu emprego para morar na casa de uma família estranha, em outro país e cuidar de crianças que possivelmente tem uma educação e cultura diferentes da minha. Entendo que role um certo pré-conceitozinho em relação a isso, principalmente quando já se tem 26 anos e uma carreira iniciada. Quem passou por isso sabe do que estou falando...
Mas, assim como tudo nessa nossa linda vida, tudo depende absolutamente da perspectiva pela qual estamos observando. O que eu fiz, foi mudar a perspectiva deles e sintonizá-los com a minha. 

Não vou dizer que hoje eles estão extremamente felizes com a minha partida. Sei que eles prefeririam me ter por perto, porém sabem que isso será o melhor pra mim. E agora tenho o apoio deles em todos os momentos, troco ideias e peço conselhos e opiniões. Eles pesquisam informações comigo a respeito da Holanda, da cultura e costumes. Querem saber tudo sobre a minha futura Host Family, Kids, meu futuro quarto, cidade, schedule, planos de viagens, etc. Minha mãe principalmente e preocupada como de costume, já pesquisou tudo sobre o clima, quais os casacos devo levar e se minha bota é quente o suficiente. Me manda as regras sobre como andar de bicicleta lá e sai para pedalar todos os dias comigo para eu treinar (thanks mommy!). Meu pai quer saber das minhas economias, se já tenho dinheiro suficiente e se tenho uma reservinha em caso de emergências. Estão vivendo esse intercâmbio comigo desde o início e sei que estarão comigo até o final.

Se meu conselho vale alguma coisa, diria para não saírem de casa brigados com a sua família, com aquele quêzinho de rebeldia. Dê tempo ao tempo, não imponha suas vontades "goela abaixo". Nem que isso atrase um pouco seus planos e te faça embarcar alguns meses depois de o desejado - vai valer a pena. Geralmente a maioria das situações podem ser resolvidas com diálogos, tempo e muita paciência. 

Espero ter contribuído com quem está vivendo esse momento. Existem muito mais detalhes envolvidos nessa minha saga "familiar", muitos dias tensos, conturbados mas felizmente a maioria muito feliz. Então, me coloco à disposição caso alguém queira trocar alguma ideia relacionada a isso, ou se precisar de um help amigo.

¹Nota: queria deixar claro que de forma alguma existe qualquer tipo de preconceito de minha parte ou da minha família quanto ao fato "ser empregada". Foi apenas a forma do meu pai se expressar no sentido de que estaria trocando minha carreira já sólida aqui por este outro estilo de trabalho. Coisa que possivelmente não faria no Brasil a menos que fosse necessário, já que no momento eu trabalho na minha área. Sei que vocês compreendem :)

Vejo vocês em breve, no próximo dia 13. Beijos beijos!

Instagram: daianitobaldini
Blog: Eu + Rahysa temos nosso bloguinho onde além do Au Pair, compartilhamos sobre os preparativos do nosso ano de intercâmbio e (após nossa chegada) sobre viagens, perrengues, rotinas e afins! Confere lá: A Ponte Blog.

Dai ❤

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