terça-feira, julho 06, 2010

"Are you dizzy yet?" - por Mari Guterman

Começo o post de hoje pensando que deve ser uma sensação normal a todas as que escrevem aqui: você passa o mês inteiro pensando em algo legal, tem várias ideias, e quando chega a hora de sentar e fazer o post, some tudo e você se vê diante da possibilidade de fazer uma coisa meio mais ou menos.

Pensei em trezentos assuntos pra escrever a respeito, e decidi que este não será um post de dicas ou instruções. Vou pegar um buraco mais embaixo e escrever sobre um assunto difícil, que me dá um tanto de arrepio só de pensar: a saudade.

A gente sabe que existem diversos tipos de saudade. Sentimos falta de uma época, de momentos especiais, de coisas materiais, mas, mais que tudo, sentimos falta de pessoas. (E aqui você pode incluir o seu lindo pet, se você sente falta dele e o considera como pessoa rs)

E dentro da saudade das pessoas ainda existem saudades diferentes. Saudades daqueles que se foram, daqueles que perdemos o contato, dos que brigamos e dos que moram longe.

Claro que a saudade, como qualquer sentimento, é sempre vivenciada de maneira totalmente individual, e isso não poderia ser diferente quando se trata de um intercâmbio. Algumas meninas já moravam fora da casa dos pais, outras nunca tinham nem viajado sem eles. Enquanto eu sinto saudade dos meus irmãos, há quem sinta falta do cachorro, do gato, dos primos, dos vizinhos.

E me veio à cabeça falar sobre isso porque eu virei saudade desde que cheguei aqui. É claro que ninguém morre por causa disso, e eu sei que tudo tende a melhorar conforme o tempo passa (até que eu vou me pegar pensando sobre isso num metrô qualquer de SP).

Mas, por enquanto, eu sinto falta.

Sinto falta dos meus irmãos correndo pela casa, me acordando cedo no final de semana. Sinto falta da minha avó fazendo chá mate e tentando entender comofas pra ligar o computador e acessar um e-mail. Sinto falta das brigas pelo computador e videogame, das viagens longas de carro, das reuniões de família no final de semana, das palavras e da abobrinha da Dona Iraci, da rua do meu prédio e até mesmo do ponto de ônibus de todo dia de manhã! (só do ponto, o ônibus cheio eu passo).

Sinto falta da Avenida Paulista. Por incrível que pareça, sinto falta da Cásper, com tantos rostos conhecidos em todos os andares. Sinto falta dos intervalos, dos almoços corridos antes de trabalhar, dos trabalhos, festinhas sleep-overs na casa das Jus e da Dindi. Sinto falta da Rua Augusta, das baladas de todo final de semana, dos esquentas na casa da Lari, de me maquiar, cortar o cabelo e decidir a roupa com o Gui, de dançar com o Ciro e de pegar ônibus às 5h da manhã de roupa trocada e maquiagem borrada.

Sinto falta de um certo sorriso e um abraço envoltos em barba e cabelos cacheados.

Sinto falta até dos antigos empregos (lol), mas acho que principalmente da companhia e das risadas. Parece que foi tudo ontem, e parece que faz tanto tempo!

E antes que alguém ache que a homesick está me matando (e não está?), não estou escrevendo isso tal qual um muro de lamentações. Escrevo e lembro de tudo isso porque foram momentos absurdamente felizes (mesmo os mais difíceis) que hoje me fazem falta, mas também me dão forças pra continuar essa brincadeira sem pé nem cabeça que a gente chama de au pair. Até porque, já estou pensando no que sentirei falta quando for embora dos Sazunidos. Mas isso é assunto pra um oooooutro post.

See ya (:

Mari Guterman

3 comentários :

  1. É engraçado isso. A gente passa a valorizar mais as coisas e sentir (às vezes) falta de coisas que a gente achava que odiava fazer. Ótimo post, Guterman.

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  2. Adorei :)
    Traduz bem o que eu ando sentindo ultimamente...
    Beijos

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  3. Nossa fiquei ate nostalgica agora...aqui no USA a gente sente falta de tudo...ate do que nao era tao bom assim...rs

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