Pessoas que largaram tudo para se aventurar nesse mundão de Au Pair!

Inserir ou não o Au Pair no currículo?

O que as empresas precisam ultimamente é de gente inteligente e que aprende rápido. E esse tipo de habilidade nós, au pairs, temos de sobra!

Au Pair na Europa

Você tem mais que 26 anos? Não tem CNH? É casada ou tem filhos? Ou também não tem como comprovar sua experiência com crianças? Talvez fazer o programa de Au Pair na Europa seja uma boa alternativa pra você.

Agências para os Estados Unidos

Tudo sobre diversas agências que fazem o programa de Au Pair para os Estados Unidos.

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20 setembro 2019

Há vida depois do au pair!

Bonjour, les amis !

No dia 20 de julho de 2019, finalmente eu deixei de ser au pair. Foram quase dois anos na França, duas famílias e quatro crianças. O saldo foi muito mais positivo que negativo, eu conheci outros cinco países, aprendi uma nova língua, melhorei um pouco meu inglês, consegui juntar dinheiro e atingi meu objetivo principal no programa, que era a aprovação no mestrado*. 

Essas pequenas conquistas deram um gostinho muito especial ao programa, por isso eu aconselho a cada menina que estiver vindo de refletir a traçar seus objetivos, assim conseguindo extrair o melhor do programa. Nenhum objetivo é melhor que o outro, mas quando você é au pair, dinheiro não é muito e você precisa escolher o que quer pagar. Você pode viajar bem muito (pra isso escolha uma cidade bem localizada e fácil de viajar) ou fazer curso de línguas ou juntar dinheiro. Os 3 fica difícil simultaneamente, mas se você pode se organizar.

No meu intercâmbio, eu tentei me organizar ao máximo para fazer um pouco de cada: eu precisava do nível C1 em francês pro mestrado, então eu precisava fazer curso. Você consegue aprender francês com as crianças e se virar muito bem, mas se você tem intenção de estudar na França, o curso é bem importante pra construir uma base sólida na língua, principalmente em contextos formais. Imaginem alguém aprender português nas ruas do Brasil, este português vai ser muito longe do outro usado na universidade.  Além disso, tentei viajar um pouco para não enlouquecer. É importante se você tem como objetivo juntar dinheiro e/ou aprender francês, também fazer alguma atividade ou viagenzinha vez ou outra, mesmo pra uma cidade vizinha, faz muito bem pra saúde mental e nos ajuda a terminar o programa. Não pense em juntar a integralidade do pocket money e ficar em casa socada no quarto, você vai terminar o programa maluca. 

E por que eu estou falando de traçar objetivos ANTES de ser au pair se o título da postagem é sobre o que fazer DEPOIS dessa experiência? Porque essa decisão tomada, a qualquer hora, você direciona seus esforços e começa a trabalhar neste sentido. E quando você termina o programa e você só sente orgulho dos 15 países que conheceu, ou da sua evolução na língua ou qualquer que seja seu objetivo, o prazer de consquistá-lo no contexto do au pair é maravilhoso. 

Assim que meu contrato acabou, eu sai da casa da família, mas tenho feito babysitting pra eles esporadicamente. Meu mestrado começa logo e agora uma página que vira e outra que começa na minha história aqui na França. E  todo recomeço é difícil, o au pair não foram os anos mais difíceis da nossa vida, a não ser em casos de maus tratos da host family ou de infortúnios da vida. 

Há vida depois do au pair! 


E eu vou te ajudar agora a escolher um passo pra dar ao sair do programa e assim poder direcionar os esforços de cada uma na direção mais apropriada ao objetivo desejado.

Você pretende se estabelecer na França depois do au pair? O visto de estudante é a maneira mais fácil e natural depois do au pair, pense em investir na língua se esse for seu objetivo. 

Você quer um ano sabático? Viaje bem muito! Dê muito rolê e faça todas as doideras. Só o fato de você estar fazendo um intercâmbio e conhecendo novas culturas já agrega ao seu currículo profissional, então pode se divertir sem culpa. 

Quer ficar rica? Eu desaconselho o programa de au pair na França. 


Mas seja qual for o objetivo de vocês, tentem sempre escolher host families que não falam português ou alguma língua que você fale já muito bem. Porque se você tem a oportunidade de aprender uma língua nova de nativos, não desperdice. Independentemente se você quer curtir ou estudar, uma língua estrangeira sempre te abre muitas portas e faz parte da troca entre intercambistas e famílias. 


Espero ter ajudado alguém com esse post. Tendo dúvidas sobre o tema ou sobre o programa de au pair, deixa nos comentários ou manda aquele privado. 

Bisous, 

À la prochaine! 

@MarinaSanri



*Sobre a seleção do mestrado, eu posso fazer um post sobre como é o processo se vocês se interessarem. 
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20 junho 2019

O que as host families querem ler no seu perfil!


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Coucou, les amis!

Desculpem pelo sumiço mês passado. Estou na reta final do meu segundo ano aqui na França e me candidatando para alguns mestrados (1), então ficou complicado guardar um tempinho para pensar num conteudo interessante para vocês. No entanto, nesse tempinho que estive OFF do Blog, eu tive uma experiência com minha host family que pensei poder ajudar muitas meninas que estão vindo para Europa ou procurando familia para extensão. 


Ha um mês, minha host mother veio me pedir um favor que eu não estava esperando muito: ela queria que eu a ajudasse a encontrar a proxima au pair da familia! Me achando muito, afinal oferecer sua familia no Grupão é muito chique, praticamente um atestado de sucesso no intercâmbio, eu fiz um post quase tão longo quanto o amor pelas crianças que eu cuido e, felizmente, MUITAS meninas, e alguns meninos, me contataram e enviaram seus textos de apresentação. Depois que mostrei tudo à mãe, ela me pediu o ainda menos esperado: para eu ajudar a ESCOLHER a proxima au pair. 


Então, baseada nas conversas que tive com ela analisando os perfis dos candidatos, resolvi dar dicas de como dar uma boa impressão às familias:

FUJA DO CLICHE! Esta primeira dica por si so pode parecer um cliché, mas de tudo que eu leio de texto de apresentação das au pairs em grupos de Facebook, Au Pair World e os que me enviaram, é importante relembrar. Sério, evite ao maximo dizer "eu amo crianças" ou "eu quero conhecer novas culturas", pelo menos não com essas palavras. Seja mais especifico e mostre mais do porquê você acredita que seria uma boa au pair pras crianças deles e como essa imersão em outra cultura pode ser interessante para sua carreira ou para sua vida. 

Gostar de crianças não é um plus! Se você esta se candidatando para ser baba, a familia não espera menos que isso, então não precisa enfatizar tanto que AMA crianças, elas são sua vida e você pagaria pra ser au pair so para ter a oportunidade de cuidar de criança (risos). Foque em citar situações e historias reais que mostrem a essa familia que você não caiu no programa de paraquedas e que cuidar de crianças foi um decisão consciente. E como eu transmito isso, Marina? Ah, você pode contar que têm irmãos mais novos ou priminhos, que têm alguma experiência cuidando de crianças. Se você for filho unico ou não tiver nunca trabalhado ou cruzado com uma criança na vida. Primeiro, repense se ser uma boa escolha pra você. Segundo, não dê ênfase a isso, afinal, você esta querendo vender o seu peixe, o que quer dizer enfatizar os pontos positivos do seu perfil. 


Essa dica também vale para o caso de você não cumprir com os requisitos da familia. Eu peço de antemão desculpa às host families por esta dica: mesmo se você não cumprir os requisitos da familia, mas acha que seria um bom match mesmo assim, envie mensagem! Eu recebi muitas mensagens de gente que não preenchia os requisitos que minha host mom estipulou, mas salvei todas e apresentei todas a ela. Tinha uma menina que mesmo assim interessou à minha familia e foi chamada para entrevista por Skype. Receber mensagens assim são muito chatas para quem esta selecionando, mas se seu perfil for bom, você às vezes têm chances de brilhar, mas seu brilho vai ter que ser muito forte pra ofuscar o fato de que você não esta cumprindo com o "minimo" que eles exigiram.

Deixe claro seus objetivos ou que você tem algum! Talvez este seja algo especifico da MINHA  host family, mas acredito que ha muitas que pensam nesta mesma direção e este ponto sera sempre visto com bons olhos. Por que você esta fazendo este intercâmbio? Seja sincera e madura na sua resposta, aproveite esta oportunidade também para refletir sobre esta escolha e como ela vai acrescentar na sua vida. Você quer aprender a lingua com que finalidade? Você tem intenções de estudar no pais? Você quer viajar o maximo possivel? Deixar claro seus objetivos pode te salvar até mesmo de um match errado. 

Seja a pessoa que os pais querem que seus filhos se tornem. Pesado, né? Parece muita responsabilidade, e é. Os pais procuram no/a au pair o modelo que querem que seus filhos sigam, como um irmão mais velho. Mostre que você é maduro e entende seu papel na formação dessa criança e mostre a pessoa que você se tornou ao longo dos anos da sua existência. Au pairs, como as familias que as acolhem, são plurais, você precisa procurar não so uma boa familia, mas um bom match. Deixar claro coisas que são importantes para você podem significar um negative reply em uma familia, mas o perfeito match com outra. E é este ultimo que interessa. 

Quais habilidades interessam às familias? Todas. Se você souber encaixar isso no seu texto, todas as habilidades podem ser apreciadas, mas cuidado para não perder o sentido. Se você sabe nadar, pode ser interessante para familias com piscina ou que moram proximo às praias, mas no geral é uma habilidade dispensavel. Agora se você fazia parte de algum clube ou competia em um esporte, isso vai ser apreciado por qualquer familia. Qualquer atividade que você se engajou durante a vida tem importância, isso não mostra diretamente sua habilidade com crianças, mas te apresenta como pessoa à familia e é isso o que diferencia um perfil que eles vão esquecer depois de ler ou um "ah, aquela menina que foi campeã em xadrez?". Uma habilidade-chave é a proficiência em linguas estrangeiras, quanto mais linguas melhor, mas seja sincero sobre seu nivel para evitar desapontamentos. 

Repito o mesmo sobre hobbies. Eles querem saber o tipo de pessoa que estão deixando os filhos. Eu sei que a maioria de nos tem como hobby Netflix, dormir e fugir das vistas de host family, mas não é o que você vai enfatizar nesse momento. Se você ama pintar, desenhar, ler, tocar algum instrumento, consertar relogios ou acampar, o momento de dizer é este. As familias  vão escolher também baseadas em afinidade e quanto mais preciso você for em descrever sua personalidade, mais apreciado sera seu perfil pela familia certa.

Seja objetivo! Um texto longo e muito floreado talvez não seja uma boa estratégia, porque quem esta selecionando vai ter mil textos iguais para ler, tente ser o mais conciso e objetivo que puder sem deixar de fora informações importantes sobre o seu perfil. Não peque por falta e nem por excesso. 

Com essas dicas, eu estou certa que seu perfil vai bombar! 

Se precisarem tirar alguma duvida sobre o programa na França ou sobre como estudar francês, podem deixar comentario ou me mandar direct no @marinasanri

à la prochaine! 


(1) Se você têm interesse no processo de candidatura nas universidades francesas, comenta ou manda direct que eu conto tudo! 
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20 abril 2019

Dicas de leitura em francês (do A1 ao C2)

Coucou!

Quem aprendeu uma língua estrangeira durante uma experiência de intercâmbio sabe muito bem como o progresso é louco, mas os que aprenderam ainda no Brasil e pretendem aperfeiçoar o idioma sabe quão dura é a caminhada. No entanto, algo que une esses dois tipos de pessoas é a felicidade de conseguir cumprir pequenas tarefas que antes pareciam distantes, como pedir/dar informações, assistir TV, fazer um pedido num restaurante e, claro, ler um livro.

Pensando nisso, nesse mês vamos falar sobre literatura em francês para quem está aprendendo esse idioma tão maravilhoso. Vou dividir pela dificuldade e dando preferência a livros escritos originalmente em francês.

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O primeiro livro que li em francês foi Le Petit Prince (O Pequeno Principe), porque clássicos são chamados assim por alguma razão. Quando eu li esse livro, eu tinha terminado o A2 no curso de francês e estava na França há 3 ou 4 meses, mas eu não indicaria este como primeiro contato com a literatura francesa, mesmo que eu já conhecesse a história, houve páginas inteiras que eu não entendia nada, mesmo que os capítulos, em geral, eu conseguisse acompanhar por também já conhecer a história. Talvez se eu tivesse começado a ler antes de me aventurar no romance de Saint-Exupéry, eu pudesse ter aproveitado mais do vocabulário novo que ele trazia e poderia aproveitar mais a experiência de leitura.

Vencido este primeiro desafio, até porque não é um livro muito logo e tem ilustrações no decorrer das páginas, mas decidi recuar um pouco e tentar fazer da leitura em francês algo prazeroso a ponto de incluir isso na minha rotina e transformar textos em francês um hábito - algo que eu recomendo enormemente pras au pairs, já que nosso aprendizado vem muito da comunicação com as crianças no dia a dia e muitas terminam o ano sem saber ler ou escrever em francês, mesmo falando muito bem.

Pensando na leveza que a leitura deveria ter para que eu pudesse inclui-la na minha rotina, eu comecei a procurar por história em quadrinhos, as famosas bandes dessinés. Ao contrário do Brasil, onde só temos acesso aos gibis da Mônica e da Disney, a França tem uma variada gigante de quadrinhos  franceses, belgas, japoneses, estadunidenses... e as bibliotecas públicas estão cheias de opções. Encontrando algo que você gosta, estão garantidos alguns volumes de leitura.

Eu, particularmente, comecei a ler Death Note, um manga muito conhecido que deu origem ao anime e, em seguida, ao filme original Netflix. São 13 volumes, mas é uma leitura muito rápida, e esta é a parte que eu mais gosto dos quadrinhos: tudo acontece muito rápido e geralmente as histórias não são monótonas. Mesmo agora, eu continuo lendo quadrinhos, é muito bom quando você não quer quebrar muito a cabeça e o vocabulário é riquíssimo.

Depois de certo tempo, eu fui cansando de ler e me desinteressando, mas achava que ainda não era capaz de ler um "livro de verdade". Então, comecei a procurar sobre temas que me interessavam na seção infantil da biblioteca, foi quando descobri "La politique expliquée aux enfants", que foi bem raso como conteúdo, mas me apresentou com leveza a política francesa, mas quase não adquiri vocabulário novo, foi quando decidi que eu ja poderia me arriscar a ler obras para leitores mais experientes.

Ja no B2, eu comecei "O mundo de Sofia", foi bem difícil e cansativo, mas valeu a pena no final aquele gostinho de missão cumprida. Enquanto que no C1, eu comecei a finalmente ter confiança de escolher livros de gente grande da biblioteca, muitas obras de sociologia e filosofia - temas que eu gosto. Atualmente, no meu criado-mudo eu tenho uma mistura de todas essas fases: 2 mangas de Yu-gi-oh!, os quadrinhos do livro "O estrangeiro", de Albert Camus, e "Violences et insecurités: fantasmes et realités dans le débat français". 

Para quem esta começando agora: tenha calma! Vá lendo, descobrindo seu nivel de leitura, descobrindo-se como leitor e trabalhando no seu nivel de francês. Não comece por um Tratado, mas não subestime seu francês. Não entender vocabulário é natural e saudável, quer dizer que você está aprendendo. Se você conhece tudo, é porque talvez você devesse procurar uma leitura mais aprofundada sobre o assunto, ou não, às vezes queremos só um passatempo e não é um problema ler algo bobinho para relaxar e desestressar.


Vá na fé que vai dar tudo certo!

Vocês sabem que estou sempre disponível pra tirar dúvidas e ouvir sugestões.

Precisando, deixa um comentário ou vai la no insta @marinasanri

A la prochaine!

bisous
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20 março 2019

Como me tornei C1 em francês e o meu desenvolvimento desigual


Coucou,

Que eu gosto de falar do aprendizado de idiomas, isso não é novidade desde o primeiro post no blog, afinal, tem meninas que fazem o au pair para se descobrir, para descobrir o mundo ou como parte de um projeto profissional. Bem, meu caso é o último e eu explico a vocês como foi meu processo de aprendizagem do francês até agora e vocês verão que não é nada de outro mundo essa evolução rápida no idoma.

Quem me acompanha desde o primeiro post sobre as dicas para aprender francês sabe que eu não sou nenhuma prodígio do idioma que aprende até comendo pão francês, muito pelo contrário, eu tenho dificuldades e nesse um ano não foram todas as competências que evoluíram para o avançado. 

Hã? Competências? Sim, ao estudarmos uma língua estrangeira, nos deparamos com 4 competências à desenvolver: compreensão oral (ouvir), compreensão escrita (ler), produção oral (falar) e produção escrita (escrever). As competências que mais desenvolvi foram as de compreensão e entre as de produção, a oral é meu ponto fraco. 



Mas o que isso quer dizer? 

Ora, esse tipo de desfecho é reflexo da minha imersão desigual na língua. Mesmo na nossa língua materna nós preferimos escrever que falar, ou vice-versa. Para exemplicar, eu conto minha história de au pair na França:

Eu comecei a aprender francês quando eu cheguei na minha segunda família (a primeira era inglesa e eu só falava e escutava inglês). Como eu não falava algum francês, eu acabei escolhendo uma família francesa/sul-africana em que as crianças não falavam bem o inglês, mas eram capazes de me entender perfeitamente em inglês. Então, bem confortável e escorada nesse fato, eu passei meus primeiros 6 meses ouvindo francês e falando inglês, eu treinava a produção oral? Apenas no curso, mas claro que isso não é suficiente. 

No meu sétimo mês nessa família, eu já era B1 (intermediário) no curso, eu comecei a falar francês com as crianças. Esse processo foi gradativo, mas no sétimo mês a porcentagem virou e eu comecei a me expressar mais em francês, mas eu já tinha uma decalagem de meses em relação a compreensão oral e escrita, e isso reflete no meu nível de francês hoje. 

Então, como você sabe que você tem o francês avançado?

Há 1 mês, eu fiz um teste de proficiência e o resultado é uma média de todas as competências. Meu resultado foi C1 (avançado), mas não quer dizer que é homogêneo, minha produção oral é ainda B2 (intermediário-avançado), mas eu tive C2 em outras competências, como compreensão oral, que no final compensaram na média geral. 

E qual a competência mais importante?

Todas são importantes, mas "a mais importante" depende de qual seu objetivo com a língua. O melhor é evitar as grandes decalagens e tentar nivelar o máximo as competências pra uma evolução mais homogênea possível. Para fazer isso você precisa estar sempre atenta e fazer autoavaliações, tentando sempre compensar aquilo que tem mais dificuldades.

Está com problemas pra escutar? Assiste filme, jornal, desenho animado.  Não consegue escrever? Lê o máximo e tenta escrever tudo na língua que está aprendendo. Mas meus problemas são pra falar, eu vou falar sozinha? É uma boa, fazer uns discursos olhando no espelho, mas também você pode aprender músicas e cantar pra trabalhar a pronúncia e o ritmo da língua ou ler em voz alta. 

O processo será tão rápido e tão eficaz quanto imerso você está na língua. Então pense: se você estiver fazendo alguma coisa, você poderia estar fazendo isso em francês? Se sim, faça e assista seu próprio progresso. 



À bientôt! 

Se precisarem trocar ideia sobre o programa ou o aprendizado de francês, podem sempre mandar ideia pro @marina.sanri no Insta. 

Bisous <3



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20 janeiro 2019

Como é ser gorda no país da moda?

Bonjour, mes amis. 

O tema de hoje é o mais pessoal que postei desde que comecei a escrever pro blog. Apesar de não ser diretamente relacionado à vida au pairiana, o assunto pode interessar a muitas de vocês, que como eu não sabia o que esperar dos franceses quanto à minha aparência. 



Para quem está se perguntando a relevância dessa discussão, vou tentar explicar brevemente a questão:

A França é conhecida pela magreza, o número de obesos é bem baixo, mesmo que tenha aumentado nos últimos anos. Além de ser o país da moda, alta costura e tudo mais que é sinônimo de beleza magra. Antes de vir, então, comecei a me perguntar se eu sofreria mais com preconceito por parte dos franceses tendo em vista o histórico do país e no Brasil quem é gordo já sofre, mesmo nossa amada pátria figurando entre os campeões de obesidade. 

O que de fato aconteceu é que eu sinto muito menos o peso do preconceito na França do que sentia no Brasil. E eu descobri quão problemático nosso país é quanto à estética. A dificuldade pra encontrar roupas (bonitas) do tamanho que me serve, os comentários de pessoas - conhecidas ou não - no dia-a-dia, às respostas dos homens ao meu corpo... enfim, todos os problemas que no Brasil minavam minha autoestima praticamente são invisíveis aqui. Repito: praticamente.

Ainda há muito a ser melhorado, mas a diferença comparando ao Brasil é sensível. Não é por menos que o Brasil é medalha de prata no número de cirurgias plásticas, perdendo só para os Estados Unidos, onde a obesidade é ainda maior. Mas o que faz com que as pessoas no Brasil se sintam menos felizes com a própria aparência que resulte em dados como este? 

Não estamos aqui pra achar  uma resposta, mas podemos refletir sobre algo: quem é gorda no Brasil não esquece disso nenhum minuto, ninguém deixa. As colegas estão sempre engajadas em dietas malucas e dizendo que estão ENORMES, quando 70% de você, os médicos o tempo todo (mesmo se for dentista ou oftalmologista) vão dizer "emagreça" com sua família fazendo coro, as lojas só vendem até 44, mais que isso você só encontra roupa pra se se cobrir por completo, porque claro que quem é gordo tem que esconder essa vergonha. Tudo isso faz de ser gordo no Brasil um processo diário de perda da autoconfiança.

Ser gorda na França tem sido uma ótima experiência e jamais me senti tão bem com meu corpo como se sinto aqui, mesmo cercada de magras. 

Espero ter iluminado alguém que tenha a mesma paranóia que eu tinha antes de vir. 

Bisous, les filles/les garçons!

Até a próxima e se quiser mandar dúvida ou sugerir tema pros próximos posts, meu insta será livre pra recebê-los: @marina.sanri

Marina Sanri


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20 dezembro 2018

Você já pensou em ser au pair na França?

Coucou, ça vá? 

Esse mês vou mudar um pouco a natureza do post, porque tem algumas pessoas vindo me procurar com dúvidas sobre o Au Pair na França, ou na Europa em geral, que pensava que só existia as opções EUA ou Holanda, então queria falar mais sobre as diferenças entre os programas a partir da minha experiência na França.

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E aí, vamos trocar uma ideia? 

Se você que não tem habilitação,  tem inglês muito básico e  passou a vida cuidando do priminho, mas tem um total de 0 (zero) experiência formal com crianças e muita pressa em viver a experiência do au pair, já considerou alternativas à vida de LCCs e dos video applications? Pois bem, eu te apresento o programa de Au Pair na França.

Diferente do que muitos pensam, o programa na França não é essa bagunça e insegurança toda pela falta do suporte das agências*. O governo regulamenta tudo e a burocracia é tão grande tanto para as famílias, quanto para as futuras au pairs que você tem aporte real, mesmo sem agência. 

Ao fim, acaba que o fator que deixa muitas futuras au pairs com o pé atrás em relação à Europa é (talvez) o que lhes dá mais autonomia sobre seu próprio intercâmbio. 

Nos Estados Unidos, o governo tem mil requisitos e exigências e a agência pode criar seus próprios em cima dos  já existentes, enquanto que pra França, se você quiser começar a procurar família agora, basta fazer o cadastro no AuPairWorld, o principal site de buscas de família para Europa, sem pagar um tostão e sem prazo para ter o match, só bastando ficar atenta aos requisitos do governo. 

Então, se você é mulher ou homem entre 18 e 30 anos, ensino médio completo, solteira/o e sem filhos, que não tenha francês como língua oficial no país onde nasceu (não é o caso do Brasil) e aprovado/cursando/formado em alguma faculdade**, sinta-se encorajada/o para ser au pair na terra do croissaint.

Outro diferencial é que as condições do programa na França também são diversas as dos Estados Unidos, por causa de como é encarado o programa aqui, você será realmente estudante, é isto que estará escrito no seu visa, que é o mesmo que os universitários estrangeiros têm.

Trabalhando "apenas" 30h por semana, mas ganhando menos: 300€-340€ em média, embora as famílias de Paris costumem pagar um pouco mais que isso. O mais legal é que a regra diz que temos 10h semanais de aulas de francês, que devem ser comprovadas caso você vá renovar para um segundo ano (duração máxima do programa). 

E não para por aí! Na França, há certa facilidade em ficar no país após o programa como estudante, já que o visto é o mesmo do au pair e a França oferece ótimas condições para estudantes, mesmo os estrangeiros.

Portanto, se você ficou interessado e deseja saber mais sobre o Au Pair na França (processo de visto, rematch, renovação e impressões para além da burocracia francesa), acompanha as postagens que vai ter mais!

Bisous
À tout à l'heure, mes amies!


(*) Há agências que fazem o processo para a França, mas a maioria esmagadora vem por conta própria.
(**) Basta uma declaração que passou no vestibular, pode ser qualquer faculdade, é mais pra comprovar a condição como estudante.
(***) Após o rematch, há um tempo de 2 semanas de "aviso prévio", mas se você tiver um teto, pode procurar família até achar, sem cancelamento de visto.
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20 novembro 2018

Como aprender francês sendo tímido e sem muito dinheiro


Coucou, les filles!

No mês passado, a gente conversou como era ser au pair na França sem falar francês e todo o processo de aprendizado da língua.

Como vocês deram um bom feedback do primeiro texto, resolvi esse mês dar dicas de como estudar, considerando as 4 competências principais no aprendizado de uma língua estrangeira - compreensão e produção escrita e oral. 



As dicas servem pra todo mundo, mas vou me ater mais a quem, como eu, é tímida e tem pouco dinheiro pra investir nisso agora.

Compreensão Escrita

Vamos começar do mais óbvio. Para melhorar esta competência, você deve ler, mas tudo que a gente coloca como obrigação fica chato e o intuito de se aprender uma língua é a imersão, você precisa viver a língua. Siga páginas de notícias, humor ou sobre algum assunto que você goste na língua que está aprendendo. Se você já é au pair, faz cadastro na biblioteca da sua cidade e tenta pegar livros com certa frequência. Eu comecei na seção infantil, depois comecei a ler quadrinhos para adultos e depois vai pegando livros mais densos. O importante é o hábito de ler naquela língua. Quando eu me dei conta, não precisava ficar traduzindo o que estava lendo!

Compreensão Oral


Aqui seu melhor amigo vai ser os aplicativos e sites de streaming (onde dá pra assistir filmes e séries). Numa escala pessoal, eu comecei assistindo animação (que eu amo) com legenda em francês, depois tirei a legenda, passei pra série em francês com legenda em francês e hoje assisto filmes em francês nos cinemas na França, que claramente não vai ter legenda. Sendo sincera, eu não entendo 100% do que é dito, mas um dia eu chego lá. Ah, assistir a TV local ajuda muito!


Muita gente indica ouvir música, mas eu tenho algumas ressalvas quanto a isto. A primeira é que você não vai entender muita coisa e pode se frustrar com isso, eu ainda não entendo algo quando é cantado, quando assisti uma animação musical em francês, eu quase chorei de desgosto (mentira) por não estar entendendo o que eles cantavam, mas isso é normal. Música é legal pra você realmente fazer esta imersão, você está lavando os pratos e ouvindo música em francês, mesmo que não prestando atenção, isso vai estar te ajudando. O que eu gostei de fazer foi criar uma playlist no YouTube com algumas músicas francesas que eu gosto com a letra da música, aí eu vou escutando e lendo, às vezes arrisco a cantar (isso ajuda na pronúncia!), mas não fique triste se achar muito difícil de entender!

Produção Escrita


Como vocês sabem desde a alfabetização, a leitura facilita a escrita, mas como tudo no aprendizado da língua é a imersão, você pode optar por fazer coisas do dia-a-dia em francês. Vai escrever um lembrete? Faz em francês. Vai fazer uma lista de compras ou do que tem pra fazer? Lembra do francês. Claro que redação ajuda, mas a ideia não é separara 2h pro francês, é incluir a língua no seu cotidiano, pra que o aprendizado seja o mais prático e natural possível. Tá assistindo o jornal e alguma coisa te chamou atenção? Pega um pedaço de papel e uma caneta e escreve o que você acha, ou até fala em voz alta sozinha que nem doida, que vai ajudar muito na tua produção oral, que é o próximo ponto.


Produção Oral
Chegou a hora do vilão de todos os tímidos e também a parte que considero mais complicada de treinar sozinho. Falar é a mistura de quase todas as competências anteriores, você precisa entender o que o outro fala (compreensão oral), ter o vocabulário e a gramática pra responder e ainda se preocupar com a pronúncia e entonação. Como treinar isso sem passar tanta vergonha? A boa notícia é que tem como treinar sozinha, a má é que você terá que falar com as pessoas de toda forma um dia e você "passará vergonha" sim, porque não é seu idioma e os erros são naturais, mas você está aprendendo para conseguir se comunicar. 

Para te ajudar, eu vou dar algumas dicas que me ajudam também. A primeira é a mais conhecida que é falar sozinha, tem que ser realmente FALAR, não murmurar. Leia pequenos livros ou textos em voz alta, se puder gravar pra escutar depois, melhor. CANTE! Comece por músicas mais fáceis, até mesmo infantis, e acabe cantando os raps franceses. A última dica pra este ponto é talvez um pouco controvérsia, mas vocês conhecetm a ferramenta do WhatsApp/Facebook em que você fala (como gravar um áudio) e a mensagem é escrita de acordo com o que você disse. Meu celular é em francês, então ele reconhece as palavras que falo em francês. Se você pronunciar uma palavra e ele escrever outra, talvez sua pronúncia praquela palavra não esteja boa. Esta ferramenta é mais eficaz pra palavras isoladas, frases inteiras eu não aconselho. Por exemplo, quando eu falo "requin", ele reconhece às vezes como "croquant" e é realmente uma palavra que eu tenho dificuldade e que franceses já disseram que soa como "croquant".


Então, se vocês ficaram interessadas nas dicas ou querem tirar alguma dúvida dos métodos que descrevi, deixa um comentário ou pode me mandar inbox no insta, respondo todo mundo!

À bientôt,
@marinasanri
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20 outubro 2018

Ser au pair na França sem falar francês?


Salut, les filles/garçons,

Este mês, completou 1 (um) ano que eu cheguei à França e, diferente do programa nos Estados Unidos, para ser au pair na terra do croissant não é obrigatória a comprovação de conhecimento na língua oficial, então, por isso, eu pude vir falando um total de 0 (zero) francês. Como este foi (e está sendo), sem dúvida, o maior desafio do meu intercâmbio, resolvi contar sobre como foi a adaptação, como está sendo aprender um idioma do zero morando no país de origem da língua e algumas noções de quanto se pode evoluir durante o intercâmbio nestas condições.

Aí você me diz "ah, Marina, eu fiz cursinho de inglês desde o berçário e fui au pair nos EUA por dois anos, eu me comunico em qualquer lugar do mundo"

Seu inglês deve ser lindo e vai te ajudar mais que o português, mas a provação não se atenua muito não, gata. A deficiência dos franceses em língua estrangeira é mundialmente conhecida e é uma marca desta nação, tanto quando o queijo, o vinho ou a falta de banho. E os poucos que falam têm um sotaque bem carregado, então para você se integrar e ter o mínimo de autonomia, você PRECISA falar francês. 

"E agora? Preciso fazer 3 anos de francês pra ser au pair na França? Mas eu já não terei mais idade!" 

Calma, amiga, venha simbora que vai dar certo! Esta que vos escreve veio com um inglês intermediário, zero francês e a vontade de vencer. O começo é difícil, o meio e o final também, mas o francês vai sair. Em qualquer intercâmbio, nada ensina mais do que as dificuldades que a gente passa. 

"Por quanto tempo durará esta provação em minha vida?" 

A boa notícia é que não vai demorar muito pra você aprender o francês em um nível funcional, a má é que você será au pair e que provação está nas letras miúdas do contrato. 

Para falar em níveis de línguas na Europa, usa-se o QECR (Quadro Europeu Comum de Referência para Línguas), que é basicamente a referência usada para qualquer língua européia de acordo com o grau de dificuldade e fluência para realizações de atividades práticas. 

Para entender melhor, leia a imagem abaixo:


Para te situar, o nível exigido pelas universidades francesas para estudar a maioria das "graduações" e parte dos mestrados na França é o B2, que seria um intermediário avançado. 

Já situados, agora eu explico como é o processo de aprendizagem estando aqui na França. Não preciso falar que a referência é a minha experiência pessoal, né? E, embora eu não represente todo mundo, não sou prodígio da linguística e te digo mais: sou o contrário de prodígio, sempre tive dificuldades com o inglês no Brasil. 

Antes de tudo, é importante falar que você não aprende só por estar morando na França, há fatores que dificultam o processo ou até mesmo impedem (não é raro encontrar quem mora em Paris há anos e ainda está no salut e merci). Vamos aos fatores:

1. Na busca, dê preferência por famílias que falem só francês e, se você não fala nenhum francês, preze que pelo menos as crianças falem francês, já que é com elas que você passa a maior parte do tempo;

2. Não precisa fugir dos brasileiros da sua cidade, mas sempre coloque um gringuinho no meio, já é o suficiente pra você se sentir obrigado a falar francês nos rolês, pelo menos por educação;

3. Faça curso, sim!  É caro? Muito, mas principalmente no início, você precisa de um direcionamento, a gramática no francês é complexa e existem 200 tempos e modos verbais pra aprender, que são importantes mesmo que seu objetivo seja ter um francês mais funcional. Se seu objetivo é a Universidade, não tem como fugir;

4. Aproveite todos os recursos que você tem disponível: leia em francês, assista TV, ouça a rádio e, principalmente, converse sempre que tiver a oportunidade. No início, é muito difícil e é horrível se sentir burra, mas uma hora vai começar a sair e quando acontecer seu francês se desenrolará muito mais rápido.

Pronto, conhecidos esses fatores, vamos para a evolução durante o primeiro ano como au pair:

1-2 meses: você aprende a entender as necessidades das crianças (depois de muito choro e desespero) e a fazer seu pedido no restaurante, bar, loja...

3-4 meses: agora você consegue pedir informações, entender a ideia geral de uma reportagem, ter conversas realmente funcionais, nada muito aprofundado, mas agora você já tem muito mais autonomia e se comunica mesmo se for "eu perder crianças, você saber onde elas está?", eu diria que é um nível A2 segundo aquele quadro que a gente já conversou sobre. 

5-6 meses: você agora pode dar sua opinião sobre coisas e já pode resolver burocracias, como abrir uma conta, sozinha! Já tem conversas com as crianças (as minhas têm entre 4 e 8 anos) só em francês e não é mais difícil vocês se entenderem, mesmo que vez ou outra tenha uma palavra ou expressão nova (principalmente nas brigas entre irmãos). Você pode começar a ler livros para adolescentes em francês e assistir coisas em francês com legenda em francês não será mais tão cansativo. Você agora é B1!

7-12 meses: depois dos 6 meses, você sente que seu francês se desenvolve muito mais rápido e você poderá tirar a legenda em muitos casos e assistir só em francês, ler livros mais densos e fazer amigos em francês. A comunicação com os host parents, com as crianças e com todos os seus colegas será só em francês e, mesmo que no começo seja difícil construir frases oralmente e pronunciar uma ou outra palavra, com o tempo se torna natural, você deve acabar o primeiro ano B2 ou, dependendo daqueles fatores já citados, C1. 

Bem, o processo é longo e não termina no primeiro ano, mas os resultados vêm e você se sentirá muito orgulhosa no fim do programa quando olhar pra traz e ver que evoluiu em 1 ano o que demoraria pelo menos 3 no Brasil. Espero ter dado a confiança que tava faltando pra você fazer seu cadastro no AuPairWorld e procurar sua família francesa! 

Bisous e até a próxima! 

@marinasanri


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20 setembro 2018

7 desafios que não te pegarão mais de surpresa

Olá!
Tudo bem?

Fazer um intercâmbio é sempre uma experência desafiadora e quando as(os) veteranas(os) falam que ser au pair é sair da zona de conforto, não estamos falando só do desafio que é sair do seu país e ficar longe da sua familia. Você não sai apenas do aconchego do seu lar, é preciso que se esteja todos os dias a todo instante forçando a si mesmo a fazer algo, seja sair da caverna para interagir com a host family no tempo off ou tentando arrumar coragem para sair de casa, e a explicação para esse sentimento pode ser justamente a quebra da sua rotina do Brasil.

Um artigo publicado pela Universidade de Duke em 2006 aponta que 40% tdas ações que as pessoas realizam durante um dia não são decisões de fato, mas hábitos.* O que quer dizer que uma mudança tão brusca como se mudar para um novo pais te obriga a "reprogramar" grande parte do seu dia, já que com a rotina totalmente nova os mesmos hábitos não podem ser todos mantidos e se tornam "decisões" até que novos se construam, mas agora que você sabe disso, que tipos de habitos pretende construir? 

A chance de ser fitness, de perder o medo de socializar com estranhos, de dominar uma nova língua,  ser a rainha/rei do baile e "se pegar" com todos os gringos, de viver seu sonho de princesa/príncipe, de ser blogueirinha/o, de viajar muito, colecionar as melhores experiências ou até de confirmar que o seu "eu"do Brasil é quem você quer ser é agora.

No entanto, o programa não é assim cor-de-rosa e as mudanças não vêm fácil, a gente passa por muitos desafios que nos desanimam e desencorajam a vontade de qualquer um de se reiventar, te colocando em "caixinhas" de preconceito, que você pode internalizar ou até sentimentos de insegurança causados pelo turbilhão de incertezas a que somos expostas. Há desafios de todas as naturezas, os que todo mundo já espera passar pela lógica do próprio intercâmbio e alguns outros que só sentimos quando se está vivendo, mas são sobre esses últimos que você lerá neste post:

7 desafios que não te pegarão mais de surpresa


1) O sentimento de ser desnecessária/o e inconveniente o tempo todo

Que morar na casa dos seus chefes não é nada fácil isso todo mundo sabe, mas já imaginou que você vai se sentir estranha durante todo o tempo que você estiver sob o teto da host family, não importa se off ou não? Que você vai ficar sem saber seu lugar, se deve interagir ou deixar a família com alguma privacidade, se deve participar ou ficar na sua, que você pode estar incomodando a paz deles apenas existindo no mesmo imóvel e se sentir muito mal por isso.

Além do convívio com a família, quem não é fluente na língua do país onde é au pair, ainda pode se sentir incomodando os nativos porque não vai entender nada ou, se arrumar um boy, todo mundo vai ter que se adaptar ao fato de você não conseguir se expressar.


2) Você VAI se sentir muito burra

O tempo todo. A língua é a maior razão, mas sabe as coisas mais simples da vida cotidiana, como usar o chuveiro, abrir uma janela, ligar o fogão, cozinhar, dirigir, usar o transporte público ou até abrir uma embalagem? Você não saberá como fazer. E se estenderá a questões mais sérias, como burocracias estatais, banco, plano de telefonia móvel, você saberá como fazer nada e isso é desesperador no início.

3) Não dá pra escolher os amigos

Não, seus amigos não serão pessoas com o mesmo estilo que você. Primeiramente, porque é a geografia que escolhe de quem você será amigo e também porque é muito difícil fazer amizade com quem não é au pair e está na mesma situação que você, o que acaba juntando gente com quem você jamais se meteria em balada ou que nunca pensaria em ter algo em comum, mas a necesidade de sair e conversar com pessoas fora da host family te trará os mais improváveis amigos e isso pode ser ruim e desanimador no começo, mas serão essas pessoas que te farão se sentir à vontade.

4) Surgirão medos que você nunca imaginou sentir no Brasil

Já passou pela sua cabeça, no Brasil, o medo de fazer alguma coisa errada, mesmo sem querer e ser colocada na rua sem ter pra onde ir? Ou de ficar com medo disso acontecer só porque um dos hosts pareceu estar chateado, mesmo que fosse com o trabalho, você pensará "eu fiz algo errado? Vão pedir rematch?", esse medo faz muitas au pairs suportarem os mais terríveis abusos com medo de não encontrar uma nova família ou acabar indo para uma família pior.

5) Muitas vezes você será só "a brasileira"

Nós, brasileiros, não temos maturidade pra ter um amigo gringo entre nós e rapidamente ele fica conhecido como "o francês", "o alemão" etc. Eles não têm essa maturidade também e na primeira oportunidade vão jogar todos os estereótipos do Brasil em cima de você. Muitos, querendo ser simpáticos, perguntam coisas como "que tipo de música os brasileiros escutam?" e muitas vezes não se dão conta que você também tem uma vida no Brasil, que estudou e que tem amigos, teve vitórias e derrotas como qualquer um, pra eles você é a representante do seu país. É difícil tentar se reinventar quando se é bombardeado de rótulos.

6) É exaustivo viver 1 ou 2 anos assim

Acho que o título fala por si só, a boa notícia é que as coisas melhoram muito, depois pioram de novo, mas aí você se acostuma, mas depois a criança se queima com o ferro de passar e você fica desesperada, mas aí  você tem um date legal e tudo parece bom...


7) A crise existencial do pós-au pair começa bem antes do progama terminar


Você vai pra encontrar respostas pra sua vida, mas aí aparecem novas perguntas e você não resolve nenhuma delas e ainda pode duvidar de algumas certezas que tinha, mas o Instagram fica lindo.

—X—

A decisão de se recriar não é tão facil, os desafios do programa fogem do nosso controle e é preciso muita, mas MUITA força interior para se manter firme nesta jornada, o que realmente determina sua experiência no au pair é sua postura diante dessas e todas as outras dificuldades que o programa nos impõe e a consolidação de bons hábitos podem contribuir muito para obter um sentimento de realização no final do seu ano.

A bad foi instalada com sucesso? Vamos nos abraçar que o barco é o mesmo.

Bisous, les filles et les garçons!

@marina.sanri

*Duhigg, Charles. O poder do hábito [recurso eletrônico] : por que fazemos o que fazemos na vida e nos negócios. p. 15 - Rio de Janeiro : Objetiva, 2012.
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