quarta-feira, julho 02, 2014

American Dream

Há mais de um ano eu compartilho com vocês as minhas histórias, meu ponto de vista e as minhas críticas. Já estão cansadas de saber da minha paixão por NYC, do meu coração partido, das coisas estranhas que eu observei. O que nunca contei para vocês, é que, além de ser uma realista cruel , eu também sou uma garota comum, que tem aquela visão completamente romântica e sonhadora sobre este intercâmbio.
Eu nunca fui com a intenção de ficar, sempre soube que retornaria, e que voltar iria doer mil vezes mais do que deixar o meu país de origem. Eu queria sentir aquela dor, eu queria saber como era cada pedacinho de possibilidades que o Au Pair iria me dar. E foi exatamente o que aconteceu.


A garota que embarcou há quase dois anos atrás, era alegre, sorridente, sonhadora e o mais importante de tudo, ela não tinha medo de nada. Escrevo sobre "ela", porque aquela garota não é a mesma que vos escreve hoje. De 25 de Setembro de 2011 à 25 de Setembro de 2012 , eu me transformei, mudei assim, sem perceber. Eu queria abraçar o mundo, falar todos os idiomas, ser amiga de pessoas de todas as nacionalidades. Eu queria sair de casa e ir para longe. Fui para fugir, fui para ser quem eu sempre quis. O Au Pair era para mim um ponto iluminado na escuridão, a minha única chance de conseguir logo, aquilo que eu tanto queria desde criança. Claro que antes de ser au pair, eu já tinha feito um intercâmbio de estudo, morei por dois meses no Alabama. Foi incrível , mas eu ainda queria mais, eu precisava de mais. Eu ouvia as pessoas falando sobre o melhor ano de suas vidas, e eu sentia que estava perdendo aquilo, e precisava ir logo antes que fosse tarde. Então eu me decidi e fui. Me joguei no trabalho voluntário em uma pré escola, fui aprender a dirigir (coisa que eu nunca tive vontade). Quando eu tinha todos os pré requisitos em mãos, preenchi meu app e gravei meu video em menos de uma semana, em alguns dias eu já estava online. Minha vida então era passar madrugadas lendo sobre tudo isso, meus dias se resumiam a andar com o celular na mão checando meu email de cinco em cinco minutos, chegar em casa e dar F5 umas 30 vezes no meu profile da Cultural Care. Um dia a minha vez chegou ! Um mês e 20 dias depois o telefone tocou, skypes foram marcados. Um dia eu fui ansiosa para o consulado tirar o meu visto. Um dia eu acordei e faltava uma semana para o meu embarque. O sonho estava começando, pela primeira vez na minha vida eu me senti livre de verdade. Me senti livre correndo pelo aeroporto quando trocaram o portão de embarque. Me senti livre quando o avião decolou e pela primeira vez eu não abri os olhos para olhar para trás, não chorei, não temi, apenas sorri e fui, e desejei e continuei sonhando. Eu nunca mais vou ser tão jovem e tão livre quanto fui naquele dia.
O que acontece depois disso, vocês já sabem, morei com duas famílias, passei por um rematch, sofri, bati a cabeça, deixei de falar muitas coisas, eu era tímida e me sentia tão pequena e frágil, e houve momentos em que eu não tinha para onde correr. Eu tive que aprender a suportar, tive que aprender a não ter medo de dizer o que penso. Me ensinei a levantar a cabeça e não chorar. Fiz uma reeducação de comportamento. Se eu não falasse, quem iria falar por mim? Se eu não me levantasse, quem iria me levantar? Dias cruéis existem, e eles te engolem como se você fosse menor do que um grão de areia voando no deserto. Mas a tempestade sempre passa, quando você abre os olhos, é como se ela nunca tivesse acontecido. Dias bons existem, e eles te elevam a um estado de espírito tão magnífico como se você fosse a razão pela qual o sol brilha, e quando você fecha os olhos, o sentimento continua e tudo é pleno e completo.
Os momentos inesquecíveis que fazem com que tudo isso tenha valido a pena, são incontáveis. Dirigir sozinha pela primeira vez em solo americano, o vento lambendo a sua pele e os seus cabelos, sua música favorita tocando, o sol nos olhos, e você ali, milhares de kilômetros de casa. Inatingível, longe de todos os problemas que um dia foram seus. Quantas vezes eu vi o pôr do sol e me senti completa, estar longe era o que me fazia estar mais perto de mim , como eu nunca estive antes. E foi quando eu me encontrei e estive no ápice do estado destemido da minha alma que eu me apaixonei. Nunca vou me esquecer, de ver aqueles olhos, do toque daquelas mãos nas minhas pela primeira vez, e me levou para casa como se já me conhecesse há tempos. Foi como eu sempre sonhei, como eu sempre vi nos filmes e desejei que acontecesse igual comigo. Ouvir as mesmas músicas centenas de vezes, se trancar no quarto por horas e horas e jamais querer ir embora,  ligar e receber ligações pedindo para se ver. Ir de bicicleta para a casa dele no meio da noite. Se sentir a garota mais sortuda do mundo por um período breve porém inesquecível. Não me esqueço das viagens, por quantas estradas eu passei sozinha, viajava sem pressa, aproveitando cada minuto daquele sonho americano. Quantos amigos, beijos, abraços, ônibus, aviões, crianças, garrafas quebradas, quantos shows, quantos momentos inesquecíveis, quanta vida vivida em um ano ! Fui o herói e o vilão da minha própria história, vivi na pele um sonho antigo, uma história que passei várias noites escrevendo. Lembrar é um exercício nostálgico que pode causar lágrimas e sorrisos, misturados com saudades, vontade de voltar, vontade de ficar. Vontade de viver de novo e saber que nunca mais será a mesma coisa, porque eu não sou mais a mesma, nunca mais serei. Hoje só resta a certeza, de que vivi, de fato, o melhor ano de minha vida, e que NY sempre será a minha segunda casa, o abrigo para a metade do meu coração que eu deixei para trás. 

Se você ainda não embarcou, viva isso por mim, e não tema passar por todas as emoções. Vá até o fim do poço e até o topo do mundo. Sinta cada tristeza como se não fosse acabar, cada alegria como se fosse a última. Viva todo o amor que tiver que sentir , e quando sentir saudades de casa , ligue. Quando sentir que não há mais nada ali para o seu novo eu, volte, e sinta todo o furacão de se readaptar a sua casa, e nunca mais ser uma só, nunca mais ter apenas uma nacionalidade. A garota que você era antes de ser Au Pair, morre no portão de embarque.

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30 comentários :

  1. Menina, que texto é esse! Quase chorei aqui... haha brincadeira, mas olha tá de parabéns viu! Amei o modo como vc descreveu todos momentos, feelings... Me identifiquei muito. E essa liberdade, busca por nós mesmos... aiai, sonho de infância :3
    Valew pelo post viu, se eu estava com alguma dúvida sobre ser au pair... não estou mais ;)
    beijão, tudo de bom!

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    1. Rebeca, muito obrigada, fico feliz que tenha se identificado com o post. Espero que o seu ano seja tão bom e inesquecível quanto o meu. E volte depois para nos contar sua experiencia.

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  2. Lindo texto eu chorei hehe eu quero viver tudoo isso e não vejo a hora!!
    NY a como eu amo esse lugar sem mesmo conhecer pessoalmente hehe mt obrigado pelo texto maravilhoso bjs

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    1. Mariane, eu sei bem como é amar uma cidade sem nunca ter estado nela. Mas o dia que vc conhece, toda a ansiedade vale a pena, toda a espera se justifica. Obrigada, significa muito pra mim que vc tenha gostado.

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  3. Anônimo2/7/14

    Oi, Vanessa! Acompanho esse blog há muito tempo, mas nunca havia comentado. Mas tive que fazê-lo depois de ler esse post maravilhoso. Estou sem palavras diante das suas. Me identifiquei bastante com seu texto, ainda não sou au pair, mas pretendo ser em breve, e sua postagem tirou toda e qualquer dúvida que ainda restava em mim. Obrigada e parabéns! Beijo.

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    1. Que bom que vc nao tem mais duvidas. Eu tive muitas antes de ir, mas o momento em que decidi me jogar, eu fui e nao me arrependi. Faça o que vc tem vontade e nao olhe para tras. Boa sorte. E muito obrigada, eu me sinto muito feliz que meu texto possa motivar outra pessoa, faz tudo isso aqui fazer sentido e valer a pena. Brigadao mesmo de coração <3

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  4. Giovanna Panza2/7/14

    Choreii... Muito bommm... Tudo que quero poder sentir....
    Meu amor por NY é sem explicação... Quando pisei la , parecia que eu já morava lá que era uma cidadã...
    E quero poder viver lá e realizar esse sonho... Sei que como Au pair tudo sera perfeito....
    Parabéns pelo textooo
    Bjus

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    1. Giovanna , eu tbm senti a mesma coisa , diversas vezes. NY será para sempre a minha segunda casa. Espero que vc possa sentir tudo isso tbm e viver suas experiencias de forma intensa e unica. Nao se esqueça de voltar e me contar como foi. Obrigada por ter curtido o texto, nao imagina o quanto eu fico feliz por isso, muito obrigada de verdade.

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  5. Genteeeeeeee, que texto!!
    Super adorei!
    Parabéns por se permitir! ^^

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    1. Grazielle , muuuuuuito obrigada. Escrevi com muito carinho e fico feliz que tenha conseguido passar a emoção que eu senti nos momentos que eu descrevi. Obrigadão de verdade <3

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  6. Este comentário foi removido pelo autor.

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  7. Olá lá vai eu escrever meu texto de novo kkkkk Olha parabéns se eu fosse você investia na carreira de escritora e autora cê leva jeito viu?!( Já tem um tempinho que acompanho o Blog mas o texto tá tão bem escrito que me fez comentar) Enfim Pretendo ser au pair mas estou na mair dúvida entre EUA ou HOLANDA qual que seja a minha escolha espero viver tudo que há pra viver me permitir e Hoje sou um pouco como você foi a menina sonhadora aventureira pouco timida porém de personalidade forte que não tem medo de nada disposta ir até o fim do poço e até o topo do mundo.
    Bjs!! Felicidade!!

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    1. Eu sempre soube que queria EUA. Mas Holanda deve ser maravilhoso também. Ainda me dá vontade de ser au pair lá um dia, quem sabe? Brúh, muito obrigada também, fico feliz que tenha se identificado com o texto. Já pensei sim em investir na carreira de escritora haha, mas é um projeto beeeeem distante ainda, estou dando passos pequenos.

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  8. haha quando terminei de ler seu post já sabia oque ia comentar, e acredite são as mesmas palavras do seu 1° comentario (Menina, que texto é esse!) .. Uol, amei..
    Bjoos

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    1. Angélica Secco hahaha que bom que você gostou. Obrigada por ler e comentar, fico muito feliz <3

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  9. Nosssaaaa!!! Ameii o texto.. tocou bastante e só me incentivou mais!

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    1. Que bom que te incentivou Sabrina, fico feliz de saber. Obrigada por ler e comentar, de coração :)

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  10. Texto liindo! Ainda não começei meu processo, mas espero me jogar nele o quanto antes.

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    1. Isso mesmo Nuara, vai sem medo, boa sorte para você e obrigada por ter gostado do texto, fico feliz .

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  11. Adorei o texto, muito bom mesmo, aliás, adorei todo o blog vocês estão de parabéns! Estão dando um suporte incrível pras meninas que como eu, sonham em ir pra fora do país.

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    1. Obrigada Michelle, que bom que você gosta. Todas nós escrevemos com muito carinho =D

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  12. Vc tem facebook?
    gostaria de conversa pr sabe um pouco mais!

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    1. www.facebook.com/vaanz pode me adicionar lá

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  13. Me adiciona por favor!!!
    Jaq Gomes Guarani Kaiowá(face)

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  14. Uall super me identifiquem com o seu texto!!
    Fico tão feliz de ver que existem pessoas com a mesma gana de ser livre...minha família acha um exagero "essas minhas vontades" haha
    Vou ser aupair assim q terminar a facu...não vejo a hora :)) vou cheia de dúvidas mas com a mesma ctz que vc: vai doer mais a volta do que a ida!
    Adoreei continue escrevendo para inspirar as girls!
    Beijos
    Carol

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    1. Que legal Caroline. Eu escolhi ser au pair antes de faculdade, foi bom também. Eu entendo essa ansiedade, todas nós passamos por isso o tempo todo, mas vale muito a pena. Fico feliz que tenha se identificado.

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  15. Adoreiiiii!!!!! Tomara que meu ano seja assim também, inesquecível e em Nova York... Meu sonho conhecer aquele lugar (:
    Fiquei online ontem, to na espera da minha querida família!!!!! heheh
    beijoss

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  16. andressa pio25/8/14

    Que texto do caral&*##!! Parabéeeeeeeeeens, pelo seu texto, pela sua vivência e pelo seu amadurecimento

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