segunda-feira, junho 13, 2011

O tal do -ser parte da família-...

E depois de um longo silêncio, cá estou eu de novo. Numa nova cidade, numa nova família e num novo astral pra seguir feliz os meses que me restam no programa. A última vez que postei aqui, se ainda me lembro bem, foi quando fechei com a minha família em Fairfax e apesar de toda a empolgação por eles parecerem perfeitos pra mim, eu já admiti que podia dar errado de tão bom que parecia. Foi dito e feito.

Claro que no começo tudo foi flores, a começar pela temida recepção no aeroporto na qual todos me abraçaram, inclusive as crianças. Depois foram aquelas semanas onde todo mundo tenta se adaptar ao novo membro de convivência, e isto serve inclusive para a au pair tem que aprender a abrir os armários e geladeira, que pode sentar na sala e ver TV no seu tempo livre e até pode sair no tal carro que a família disse que te emprestaria. Acho que esse começo é complicado pra todo mundo, por mais espontânea que seja a família e a/o garota/o.
Minha família vivia de dizer que me queriam como parte da família e eu [que nunca acreditei nisso] achava até bonitinho, mas sempre desconfiando um pouco. Até que tudo foi ficando complicado, cobranças demais, trabalho e stress demais e eu sentindo que aquilo tava errado e não tava sendo certo para o que eu esperava do meu ano.
Foi mais ou menos por aí que eu cansei, tivemos uma conversa e eu falei que queria o rematch. Enfim, mas essa é a minha história [que não foi tão simples assim] e depois eu coloco no meu blog pessoal.

O ponto onde eu quero chegar é na diferença entre a relação "família" que eu tinha na primeira família e do que eu tenho agora com a segunda. Aqui eu me sinto menos "família" do que lá ou, pelo menos, eles afirmam bem menos isso. Minhas crianças são grandes, então não cuido de ninguém, eu dirijo, ofereço snack e uma noite ou outra fico com eles até a hora de desligar o videogame e mandar pra cama. Aqui eles já tiveram mil au pairs, então acho que perderam a prática de paparicar ou ficar preocupadinhos, entretanto, é aqui onde eu me sinto muito mais respeitada e feliz.

Por que? Porque algumas famílias não entendem que esse parte da família não quer dizer acordar a au pair no meio da noite pra olhar criança quando os pair precisam se ausentar por 2 horas e não é urgência, mesmo quando esta está trabalhando as 45h semanais e ainda precisa acordar as 5 da manhã do dia seguinte; também não quer dizer pedir pra menina continuar cuidando das crianças antes e durante o jantar, mesmo se o horário dela terminou às 4 da tarde; menos ainda é mandá-la limpar a casa inteira porque eles não podem pagar uma empregada e não tem tempo pra fazer isso.
Há que se ter um bom senso.

Da mesma forma, muitas meninas têm me perguntado como fazer com que a família fria e distante as trate de forma mais próxima e como "família". A primeira coisa que eu pergunto é "O que você faz no seu tempo livre?". Normalmente, a resposta é "Ah, eu vou pro meu quarto ver TV/email ou saio pra casa de amiga/shopping/bar.". O que eu posso dizer é que isso também não ajuda. O fato de você ficar com os filhos deles durante as 9 horas por dia não é nada além do trabalho que eles te pagam pra fazer. Infelizmente. E eu entendo demais se depois de todas essas horas você não aguente mais olhar pra cara dos pirralhos, mas é meio complicado querer ter alguma relação com a família se quando você pode escolher, eles nunca são a sua opção.
Há que se ter bom senso.

Enfim, apesar de longo, provavelmente esse post não foi muito elucidativo, mas acho que de alguma forma ajuda um pouco a pensar nos dois lados da moeda. O que faz com que a relação au pair-família falhe, na minha opinião, é a falta de bom senso. Acho que as famílias confundem muito essa coisa de "membro da família" com "alguém pra me fazer favorzinhos o tempo inteiro" e as meninas acham que por dividirem o mesmo teto e chamarem de "host family" isso automaticamente as aproxima daquelas pessoas. Tem que existir um esforço, às vezes até uma leve forçada de intimidade porque os americanos não são muito bons na arte de se sentirem próximos de você. Aqui eu faço aloka, conto gratuitamente de alguma coisa engraçada ou esquisita que me aconteceu, tiro dúvida de termo em inglês, conto do que aconteceu com algum dos meninos e ofereço ajuda quando acho que eles precisam. Bom, ao menos educados eles serão e te ouvirão, então pouco a pouco isso pode ir causando a idéia e que é natural pra eles fazerem isso também. Aqui acontece... espero que na casa de vocês também. ;)


Belle

ps: Às meninas que seguem meu blog, sim, abandonei mesmo desde que cheguei aqui, mas agora que tenho uma vida muito linda e com absurdo tempo livre, vou voltar a atualizar e contar todo o meu drama até o rematch e como a vida vai seguindo agora. Aguentem só mais um pouquinho! ;*

5 comentários:

  1. Acheei o seu post muito educativo!
    rsrs.. com muitas informações importantes e que as pessoas "as vezes" esquecem de citar!!!
    Simplesmente ameeeeei e gostaria de seguir o seu blog pessoal, mas não consigo =/ Acho que ta bloqueado para novos seguidores!!!
    Beijooooooss!

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  2. a familia pode ser a mais receptiva possivel, tu nunca vai fazer realmente parte dela, isso e' fato! eu to aqui ha 10 meses e ate hoje fico constrangida em abrir a geladeira na frente deles, em me sentar no sofa da sala e assistir televisao... janto com eles todos os dias, inclusive nos finais de semana, vou viajar com eles nas ferias, e mesmo assim, nao me sinto realmente `da familia`.

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  3. Ha tipos e tipos de familia, e tipos e tipod de aupair. Antes de eu vir pra ca, conversava com uma aupair que morava em NY, e ela soh reclamava da familia, qndo o ano dela terminou, ela voltou pra Brasil, e uma amiga dela ficou no lugar dela. E ela amou a familia, amou tanto que ficou ate o segundo ano. Por isso que digo, o matching tem que ser feito com calma. Nao adianta por a "carroca na frente dos burros" hahahaha Eu sempre me senti super a vontade com minha familia, e depois que meu host saiu de casa, entao, ateh tirar nap no sofa da sala eu tiro. hahahahaha

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  4. Adoro muito esse blog, adorei o post...Parabéns!!
    Ai gente, preciso falar, to mega feliz!!! Acabei de receber email da Cultural Care dizendo que estou online!!! Que felicidadeeeeeee... só falta fazer o vídeo agora! Rs

    Se vcs quiserem visitar meu blog, olha: http://tatatroleze.blogspot.com/

    beijobeijo

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  5. Adorei o post! Eu sou super descrente com essa história de ser da familia. Na verdade, eu nem quero isso pra mim, nunca quis, não me imagino sentindo a vontade com isso. Sei lá, não dá pra saber o que nos esperar lá fora. Mas eu me imagino bem assim... longe dos meus hosts nos meus momentos offs, bem esse tipo de au pair que na primeira oportunidade, prefere sair com os amigos ou ficar no quarto conversando com a familia ou amigos do brasil. xD

    Mas é isso.
    Há que ter bom senso, é verdade.

    Belle, vê se volta a postar no seu blog, adorava acompanhar ele! Queria saber melhor sobre o rematch e afins!

    Beijo beijo!

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