Pessoas que largaram tudo para se aventurar nesse mundão de Au Pair!

Inserir ou não o Au Pair no currículo?

O que as empresas precisam ultimamente é de gente inteligente e que aprende rápido. E esse tipo de habilidade nós, au pairs, temos de sobra!

Au Pair na Europa

Você tem mais que 26 anos? Não tem CNH? É casada ou tem filhos? Ou também não tem como comprovar sua experiência com crianças? Talvez fazer o programa de Au Pair na Europa seja uma boa alternativa pra você.

Agências para os Estados Unidos

Tudo sobre diversas agências que fazem o programa de Au Pair para os Estados Unidos.

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26 outubro 2013

Mas quem vai dizer tchau?




Muito antes de ser au pair, lá trás quando eu tinha apenas descoberto o programa e ficava em casa sonhando com o dia que eu teria pessoas pra chamar de host family e poderia comprar sanduíche no McDonalds por um dolar(!), um dos meus passatempos favoritos era ler de blog de au pair. Eu mal sabia, 2008 foi o ano dourado para ler blogs de au pairs. 

Por algum motivo, pelo menos pra mim, todas as meninas que eu lia tinham vidas interessantíssimas, não rolava moleza com a convivência em casa, mas ninguém nem falava de rematch. Tinham dias tristes, tinha homesick, tinha aventuras para ir em outra cidade ver coisa tal, tinha surpresas com a HF e tinha a parte de ir embora, que era doída como é hoje, mas elas pareciam aceitar melhor o fato de ir embora. Não quero dizer que todas as donas de blog do passado voltaram para o Brasil porque não, tem um bocado aqui, muitas delas eu acabei até conhecendo pessoalmente (e foi muito estranho sentir aquela coisa de fã e ídolo, ao mesmo tempo saber que elas são pessoas comuns como eu e você, mas que eu conhecia cada detalhe da vida delas, cada sentimento, cada idéia que foi registrada nos seus respectivos blogs).

Mas os tempos são outros (~nostalgia~), agora tem grupo no facebook para tudo e qualquer assunto que se relacione a au pair, tem um mundo de meninas que tem resposta para qualquer duvida que te ocorra, voce pode conhecer alguem da cidade para onde você vai num estalar de dedos, se duvidar, voce acha até gente que conhece sua futura host family... quem sabe até a atual au pair está no mesmo grupo que você?

O fato é que, de uns tempos pra cá, tem surgido o fenômeno de meninas que vem para o intercâmbio já com planos de ficar para sempre. Eu não vou ser hipócrita e dizer que não pensei nisso quando vim. Quando a gente tá no Brasil, pensando na vida que vai ter em solo americano, lógico que cogitamos a possibilidade de viver aqui pra sempre, viver as nossas vidas num cenário daqueles de filme que assistimos. Fora isso, ainda tem o fator independência -- já que todo o teu passado de pessoas e expectativas ficou pra trás no Brasil. 

Ou seja, atrativos pra ficar não faltam. Entretanto, ao meu ver, isso tem interferido bastante na dinâmica das au pairs e host families. Eu digo isso com conhecimento de casos, não é achismo ou generalização porque eu tambem sei de meninas que vieram com objetivos específicos e não vêem a hora de voltar pra casa. Mas é assustador o número de au pairs que pegou a primeira host family que viu pela frente para quando chegar aqui já pedir mudança de status para turista ou estudante, confiando que estar em solo americano iria resguardá-las de um "não". E a facilidade com a qual as pessoas aceitam ficar "ilegais" é ainda mais chocante. Não quero ofender quem optou por isso, muito menos quem não teve escolha. Mas o sentimento de que banalizaram a responsabilidade do que se veio fazer aqui é notável. Essa semana conheci duas meninas que chegaram aqui há QUATRO semanas, cadastradas em vários dating websites porque elas precisam casar ou comprar um Green Card até o fim do primeiro ano delas (ou até antes). MINHA GENTE. Eu me sinto até meio sem graça de continuar a conversa porque as coisas são tão obviamente erradas que eu não sei o que dizer.

Por outro lado, minha melhor amiga acabou de voltar para o Brasil. Tinha uma HF maravilhosa, amava as kids dela, recusou um pedido de casamento ano passado de alguém que ela amava, mas que mesmo com a pressão para ficar legalmente e sem preocupações, ela enxergou que não era a coisa certa a fazer, que eles não seriam felizes juntos. Agora, poucos meses para ir embora, ela achou alguem especial e que parecia gostar dela, mas ela sentia que ainda não era ele e não valia a pena ficar pelos motivos errados, se enganar e depois sofrer por algo que foi forçado e teve que acabar. E lá foi ela de volta para o Brasil. Com frio na barriga, mas sem medo. Até o Natal, mais outras duas grandes amigas estão voltando. Amigas de verdade, daquelas que você pode contar a qualquer hora, pessoas maravilhosas e que viveram o sonho de ser au pair com HF maravilhosas e kids que as amavam de verdade.

Daí que a equação fica difícil mesmo. As minhas amigas citadas aí em cima, elas sabiam das possibilidades de mudar de status e ficar mais uns meses, enrolar, achar alguem e tal, mas elas decidiram dar a cara a tapa e voltar com toda a sua bagagem cultural e emocional e tentar a vida onde elas são bem vindas e amadas, onde não precisa enlouquecer com visto, extrato bancário, prazo pra escola ou nada disso. E era isso que eu via nas meninas de antigamente. Elas de fato tinham abandonado uma vida no Brasil, desculpe, elas tinham pausado a vida delas no Brasil e sabiam que voltariam ao final do programa. O que eu queria dizer com isso é que eu acho que as pessoas que ficam são muito corajosas e precisam de muita determinação (não é só mudar o status, afinal!). Tive amiga que decidiu por esse caminho, viu meia dúzia ensinando como mudava o visto e achou que era só isso. Acabou se metendo numa encrenca horrível e voltou pro Brasil comprando passagem do próprio bolso dois meses depois.

Às que estão voltando, voluntária ou involuntariamente, boa sorte, foquem nos objetivos e só olhem pra trás para contemplar as boas memórias. Tenho vários exemplos de pessoas que voltaram obstinadas a conseguir metas X e Y, voltaram por esses motivos, e hoje não poderiam estar mais realizadas. A experiência de ser au pair não melhora apenas o teu inglês, ela te faz mais forte e confiante do que você mesmo pode imaginar. Ao voltar pra casa, leve consigo também esta parte da experiência, te garanto, vai fazer uma enorme diferença e te levar ainda mais longe no caminho que você escolher trilhar. E se nada der certo, tem um montão de grupos que te ajudam a voltar para os Estados Unidos numa boa. Ou quem sabe você vai tentar a Europa?
Mas dê uma chance ao Brasil, se dê uma chance de retomar os planos do passado, dê uma chance a si mesmo de ver o quanto você cresceu e o quão longe você pode chegar. 

Não se limite, é o que eu queria dizer. ;)



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26 julho 2013

Top 10 dos mitos mais ditos e repetidos no mundo au pairiano - parte II



Depois de uma pausa técnica mês passado, vamos retomar a parte final do nosso top 10. 
Fiquei feliz em receber feedback de outras au pairs e ex au pairs sobre as cinco frases anteriores, além de algumas sugestões para o texto de hoje. Acho que essa é a parte mais bacana de escrever para o blog de uma comunidade tão diversa quanto a au pairiana; todo mundo tem algo a dizer sobre basicamente tudo, seja uma história similar ou a total discordância em um tópico. Isso só me relembra que quando discutimos sobre experiências, não existe o certo ou o errado, existem pessoas diferentes que tomaram caminhos diferentes. Mas vamos ao que interessa!



6. "Vou abandonar o programa e virar nanny que é mais negócio!".

Olha, nem sempre. Mas nem sempre mesmo. Eu já vi casos bem sucedidos, mas não foram meninas que saíram do programa no terceiro mês ou tinham inglês meia boca ou, mais importante de tudo, não tinham malícia e jogo de cintura (ou boas savings!). E é exatamente o perfil oposto de meninas que mais repetem a tal frase. 
Outras que adoram dizer que vão virar nanny são as que já emendam na frase "porque estou cansada de crianças" (juro, já vi umas três vezes só esse mês nos grupos e fóruns da vida). Minha gente, se vocês estão cansadas desses kids americanos remelentos e dos pais bananas deles, vão pra casa e trabalhem no que faz vocês felizes, pronto. 
Claro, não morar com o seu chefe ajuda muito, mas no final do dia se você não tem jeito com as crianças e não gosta do que está fazendo, não tem jeito, nada vai melhorar só porque você mudou de título. Fora que não morar com chefe significa você se bancar sozinha e isso sai BEM caro (pergunte a uma nanny live out pertinho de você!). 


7. "Deus me livre morar com single dad, isso dá problema na certa.".

Conversei com meninas de outras nacionalidades e, pelo que notei, pra elas é mais comum aceitar trabalhar pra um host dad do que pra nós, brasileiras. Eu imagino que grande parte disso vem da percepção mais machista que temos no Brasil, afinal, a idéia de morar com um homem divorciado e os filhos dele já soa errada sem precisar adicionar mais nenhum elemento na história. 

Agora como contar pra mãe e pai? E pra vovó? Eu sei, é complicado. Eu mesma não teria aceitado, se tivesse me aparecido algum no processo pré-match. Tudo culpa do pré-julgamento, claro. Mas daí eu vim e vi várias amigas tendo experiências maravilhosas com seus "pais adotivos", aliás eu até ousaria dizer que as au pairs que eu considerei mais sortudas, eram justamente as que trabalham pra host dads sozinhos.
Não quero e nem vou convencer ninguém a fechar com um viúvo ou divorciado, mas acho que diante das experiências que conheci nos últimos dois anos, eu diria pra vocês pelo menos darem uma chance, caso a oportunidade bata à porta. Conversem com outras meninas na mesma situação e vejam se seus medos e receios fazem sentido; até hoje, não conheci nem uma que se arrependeu. Segundo as mesmas, elas ganharam um paizão pro ano todo.


8. "Celular e carro é obrigação da host family".

No, not really. Eu sei que quando a gente está no Brasil e vê os posts das meninas falando dos seus iPhones (ou qualquer outro smartphone) ou dos carrões que dirigem nos EUA, todas ficamos deslumbradas sonhando com qual modelo nossas futuras host families irão nos contemplar. Aí a gente chega aqui e ganha um celular pobrinho que mal manda text e o carro ainda é dividido, dá vontade de chorar -- I know, I've been there! Mas o negócio que a gente esquece é que essas coisas não fazem parte do pacote de obrigações da host family para com a sua querida au pair. Essas coisas são privilégios, como a sua querida LCC vai fazer questão de te lembrar. 
Isso vai depender da condição financeira da tua HF, do amor que ela dedica à linda au pair, o nível de confiança que ela tem em você e tantos outros fatores. Poderíamos discutir a noite toda sobre a indispensabilidade de um celular para se comunicar com os seus chefes e responsáveis pela sua segurança num país estranho ou mesmo sobre a comodidade de não ter que caminhar milhas e milhas até uma bus stop para esperar aquele ônibus que só passa de hora em hora. Eu sei, você amiga dona de casa sabe, sua LCC sabe e, se duvidar, até seus hosts sabem, mas depende mesmo da boa vontade e das condições deles de te oferecerem essas coisas.


9. "A agência e a LCC só ajudam a Host Family e deixam a au pair se lascar".

Muita gente prega isso como verdade absoluta, logo seguida da justificativa que os hosts são os que pagam a parcela mais alta do contrato. Entretanto, isso depende e MUITO. Cansei de ver casos de agência e area director trabalharem de verdade não apenas para conseguir um rematch pra menina, mas pra achar uma família boa de verdade. Não existe isso de "CC é do mal", "APC não tem suporte" ou qualquer outra dessas besteiras. 
O que tem que se levar em consideração é se a sua area director tem mesmo tempo pra fazer o trabalho dela (boa parte tem esse como um segundo emprego porque é part time e não tão bem remunerado), o motivo do rematch e qual a sua parcela de culpa nos motivos que causaram o rematch. Sim, porque na hora do rematch as au pairs são todas coitadinhas, ninguém teve culpa de nada, a host que era doida, o host sem paciência, as kids demoniadas e a pobre au pair quase uma Mary Poppins. 


10. "Não vejo a hora de embarcar pra viver meu sonho americano".

Ô gente. :(
Essa nem é bem mito, é mais frase repetida nos fóruns da vida. E o pior, elas acreditam mesmo nisso, que vão chegar e ser a irmã mais velhas, os kids vão se apaixonar no primeiro dia, os fins de semana vão ser pura alegria entre viver entrosada com a família americana e as baladinhas com as novas amigas, vão estudar em Harvard (ou qualquer outra instituição popular) e ai, gente. Segura Berenice, [ou] nós vamos bater!
Acho que sonhar é bacana, sabe? Dois anos atrás eu também tava cheia de planos para o que seria o meu American Dream, mas não deu uma semana e eu caí na real de que meu ano de au pair seria só metade disso (e olhe, olhe!). Também não quero acabar com os sonhos de ninguém, até porque vez ou outra, acontece. Quem disse que não? Mas mais pé no chão, por favor, assim a queda é menor quando a vida não sai como a gente queria.




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É isso, ficamos por aqui com o nosso top 10. A idéia não foi criticar quem diz ou repete essas frases, mas chamar atenção para algumas verdades que existem por trás delas e que cada estória é única, mesmo que alguns elementos se repitam. 

Às que ainda virão e vivem consumindo todas as informações espalhadas nos blogs e fóruns, uma dica especial: esqueçam a panela de pressão, as latas de leite condensado, sacos de farofa e as paçoquitas, mas tragam a malícia de vocês e muito jogo de cintura, é disso que vocês vão precisar para se dar bem nesse ano fora de casa. No resto a gente dá um jeito.

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26 maio 2013

Top 10 dos mitos mais ditos e repetidos no mundo au pairiano - parte I



Olá, minha gente! Mais um dia 26 e cá estou eu de volta pra dividir algo com vocês. É sempre tão difícil caçar coisas que possam causar interesse, afinal são tantos posts já publicados aqui e mesmo em blogs pessoais, o que faltaria ser dito? 
Conversando com amigas também já na reta final dos seus anos de au pairs, uma ideia interessante surgiu: por que não falar dos mitos e meias-verdades difundidos em todas as redes sociais?  Sim, porque verdade seja dita, informação a gente acha aos montes nessa internet, opinião então nem se fala, mas muita coisa é dita e repassada como verdade absoluta e bem... não é bem assim. Pesquisando brevemente com outras au pairs e em fóruns sobre o assunto, elegi as 10 frases e conselhos mais repetidos no mundo au pairiano e vou dividir com vocês a minha experiência com relação ao assunto.

1. "Host parent em casa é cilada, Bino!". 
Depende. Eu tive host mom em casa por dois anos e isso nunca afetou em nada o meu trabalho, a minha relação com ela ou com os kids. Tenho amigas que passam pela mesma situação e tiram de letra essa parte da convivência. Claro que tem host difícil, assim como tem au pair que não se esforça ou se deixa bloquear pela presença dos hosts, mas conviver é uma via de mão dupla e já que nós somos a parte que não tem poder de escolha, o jeito é tentar fazer aquela interação o mais suave possível. 
"Ai, mas a host mal fala comigo/bota defeito no que eu estou fazendo/finge que eu não existo.". Olha, uma coisa que facilitou muito a minha vida de au pair foi não ter barreiras, não ter escrúpulos de conversar com a minha host sobre tudo que incomodava e me fazia feliz. E por nunca ter colocado essa barreira, ela simplesmente se acostumou a ter um relacionamento aberto e amigável comigo. E para constar, minha host não era o que pode se chamar de "querida", ela botava medo em todo mundo, inclusive nas minhas amigas quando iam lá. 

2. "Babies dão menos trabalho que teenagers.".
Nem sempre. Vai depender MUITO da tua experiência prévia e do quão confortável você realmente se sente com crianças pequenas. Eu trabalhei em creche por um bom tempo antes de vir ser au pair, mas quando tive que controlar birra de toddler ou choro de baby, eu percebi que não era pra mim. 
Na contramão, tenho amigas que tem uma paciência de Jó e cuidam de bebês com a paciência de uma mãe de três kids, sem nunca ter tido um. Na minha humilde opinião, a palavra-chave pra cuidar de bebê é paciência. Isso e ter experiência real, porque olhar o filho da vizinha enquanto ela vai na mercearia ou sentar com o seu sobrinho na festinha de aniversário não é nada comparado a ficar com um kid pequeno por 8-9 horas por dia.

3. "Teenagers dão menos trabalho que babies.".
Aí que nem sempre mesmo. Eu tive a sorte de cuidar de dois meninos ótimos, que tiveram uma mãe de pulso firme, que quando ameaçava jogar todos os video games no lixo porque eles estavam jogados no chão, ela realmente jogava, sem choro, nem vela. Isso não quer dizer que eles não eram mimados, porque sim, eles eram, afinal a host tinha suas viagens de negócios e o que a mãe mordia, o pai assoprava. Demorou um tempo até que eu resolvesse tomar as rédeas da situação, criar regras e punições -- o que foi muitíssimo apreciado pelo pai, que não queria ser o ruim da história. Eu também nunca quis ser, mas para minha surpresa após o meu ato de coragem, não é que os kids passaram a demonstrar ainda mais afeto por mim? 
Entretanto, sei de muitos casos, até mesmo coleguinhas dos meus meninos, que não tinham tantos limites na educação e que a au pair além de dirigir, cozinhar, ajudar com homework e trabalhar por umas poucas horas, tinham que aguentar MUITO abuso e grosseria. Para as meninas que ainda estão procurando família, a dica é na entrevista tentar questionar ao máximo qual o tipo de disciplina os pais usam em casa, pedir exemplos de como eles agem e de como eles esperam que a au pair reaja numa situação X. Não tem como prever em que tipo de família você vai cair, mas tem como tomar esse tipo de medida e pelas beiradas descobrir qual educação e princípios são obedecidos em casa.

4. "Vou trancar a faculdade e terminar minha faculdade nos EUA pra ter diploma internacional.".
Que atire a primeira pedra quem, durante seus sonhos com a vida de au pair, não delirou que ia terminar estudando em Harvard/Yale/ UCLA/(insira aqui a instituição americana dos seus sonhos). Normalíssimo, ainda mais quando a gente ainda tá com a faculdade pela metade e doida pra embarcar, aí vê um post de alguém que está fazendo College durante/depois do au pair, aí junta a fome com a vontade de comer. Não é impossível, tem muita gente que tenta, arruma sponsor, muda status do visto, faz o escambau e fica mesmo. 
O negócio é colocar o pé no chão e se informar de tudo que precisa, e isso inclui uma conta bem gordinha para ao menos provar que você tem como ser estudante internacional sem trabalhar, uma vez que o visto em questão não permite isso. Depois é arrumar um jeito de fazer todos os créditos obrigatórios para a manutenção do visto e conciliar com um "jeitinho" de pagar as contas, caso você não seja ryca. Sim, e o principal, mas que na maioria das vezes só vem depois dessa burocracia toda, achar o tal curso que você quer muito provavelmente em um Community College -- porque só depois a gente aprende que pra atender às Universidades que nós um dia sonhamos, a gente tem que vender um rim e um pedaço do fígado no mercado negro pra poder pagar tuition. 

5. "Não quero essa HF porque vi no google que eles moram no interior."
Depois de dois anos googlando, estudando mapa pra fazer road trip, viajando e conhecendo um pouco mais de cada estado e suas cidadezinhas, é engraçado perceber que um dia eu também fui ingênua ao ponto de dizer uma frase como essa acima. Não vou nem usar o argumento de que com um país desse tamanho, poucas são as meninas que acabam indo morar em Manhattan, em downtown DC, Chicago, Seattle, ou qualquer outra dessas cidades grandes conhecidas. 
Entretanto, morar nos subúrbios também não significa morar no interior do interior como é no Brasil. A começar pelo fato de que as cidades deles são do tamanho dos nossos bairros, então já começa pela proporção das coisas. Depois que como qualquer amontoado de 30 casinhas eles já chamam de cidade, você vai ter pequenos shopping centers, quatro supermercados, uma dúzia de restaurantes e umas três baladinhas pertinho de casa e se quiser ir procurar aquela loja que não tem na sua cidade, você pode ir numa vizinha há menos de 20 km de distância. O que, de novo, para parâmetros brasileiros soa bem longe, mas aqui (pelo menos na região onde eu moro), 20 km não é nada, ainda mais de carro e pegando highways. 


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Daremos uma pausinha no nosso top 10 porque vocês já viram que eu falo mais do que o Homem da Cobra, mas mês que vem a gente conversa sobre as outras cinco frases mais repetidas por aí. Eu fiz uma seleçãozinha do que andei ouvindo e lendo por aí, mas se vocês quiserem deixar sugestões nos comentários, são mais que bem vindas. Por fim, só queria dizer que tudo que foi dito acima é baseado na minha experiência e claro pode ter gente que viveu o oposto de tudo o que eu comentei, mas é isso, ninguém é dono da verdade, esse é só o ponto de vista de alguém que tem motivos empíricos para refutar algumas dessas afirmações, mas a moeda sempre tem dois lados.

Um beijo e até mês que vem!
Belle


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26 abril 2013

Dar ouvidos à opiniões de terceiros ou os meus interesses vêm primeiro?




Quando eu fui convidada a voltar para "O blog das 30 au pairs", o principal motivo que me fez dizer sim foi dividir momentos da minha experiência esperando que as minhas reflexões pudessem ser de alguma ajuda (mas não a voz da razão), principalmente para as meninas que estão no começo. O processo todo é chato, demorado e cheio de esperas e expectativas, mas é tambem o momento crucial para (ao menos) a tentativa de um bom começo baseado numa escolha racional e lógica do que vai te trazer satisfação. Acredito que muitas namoraram com a idéia por um bom tempo até bater o martelo (foi assim comigo!), mas depois que a gente decide e fecha com agência, parece que o tempo está se esgotando e precisamos embarcar o quanto antes ou o mundo acaba. Infelizmente, a paciência que não tivemos para esperar pela família que daria aquele "clique" com a gente, é a paciência que vamos ter que criar para lidar com a família escolhida às pressas e que nem sempre é o melhor pra gente.

Há alguns anos atrás, a decisão de se tornar au pair era muito mais um tiro no escuro do que é hoje. Antes você contava com os poucos (e muito bons!) blogs de au pairs, a maioria de meninas que já estavam lá (ou cá, nos EUA), até porque nao existia isso de pedir ajuda com app, com video ou com opiniões sobre a host family que estava em contato. Os blogs eram muito mais diários pessoais cheios de empolgação por finalmente conseguir fazer aquela road trip ou ir ver um tão sonhado show. Pra quem queria ser au pair naquela época, ou se googlava o máximo possível, ou vinha no escuro com pouquíssimas informações e descobria o resto aqui, penando e aprendendo. 
Claro que tinha o grupo no Orkut, mas as meninas que batiam ponto por lá tiveram que trilhar seu próprio caminho sem ninguém segurando na mãozinha e era meio que sabido que ninguém ia facilitar pra novata, afinal pra quem está querendo mudar pra um país estranho viver na casa dos outros, a hora de começar a saber se virar e ver se isso é pra você é nos primeiros passos. 

Mas os tempos são outros, não quero bancar a nostálgica e dizer que antes era melhor ou que agora está mais fácil. A vida de au pair continua a mesma, viver com host family é um desafio para todas, aguentar os filhos mimados dos outros por nove horas ao dia ainda deixa a gente louca e, para muitas, viagens, shows e mesmo jantares no fim de semana com as amigas recém conquistadas ainda é um pontos altos dessa aventura toda. Mas hoje temos muito mais ferramentas: os blogs se multiplicaram e até menina que só planeja vir daqui dois anos divide suas ansiedades com as demais, os foruns do facebook também e até mesmo este blog compila histórias de quem veio, está aqui, ja veio e voltou pro Brasil e quem ainda está por vir. Com tanta informação à disposição, ficamos sabendo de mil coisas e facilmente fazemos amizades à distãncia por dividirmos o mesmo desejo, muitas de nós começam a "viver para isso" e ler e reler histórias de au pairs o dia inteiro, no entanto algumas vezes tanta "informação" pode se tornar um tanto nociva à quem ainda está no começo e um tanto perdida.

Muitas vezes esquecemos de que o que é bom pra mim, pode não ser pra minha vizinha e o que me irrita loucamente, pode ser completamente aceitável pra au pair da outra rua. Cansei (e sei que vocês também!) de ver menina comparando características da própria host family com as das amigas e no fim as julgando boas, más, egoístas, mesquinhas, generosas, entre alguns outros nomes impronunciáveis neste recinto. Acho ok voce pensar o que for da sua host family, mas comparar é sempre um risco muito grande porque você não é a sua amiga, a HF dela não é a sua e você não tem a mesma relação que eles têm. O que eu estou relatando parece bobo e infantil, até óbvio, mas já vi muita menina pedindo rematch por isso. Já tive amigas que não comparavam, mas eram simplesmente cegas à tudo de bom que a HF fazia - porque ser generoso era obrigação -, mas reclamavam de cada falha que eles cometiam com elas - embora elas nem de longe fossem au pairs exemplares.

Outra coisa que, na minha opinião, vem sido percebida de maneira errada são os benefícios dados a au pair. Carro, celular, banheiro privado, cartão de crédito, gas (para uso pessoal), fim de semana off, essas coisas são sim privilégios e a HF não é obrigada a proporcionar nada disso. Claro que é bom ter esses luxos, mas sao coisas "extra" e tem muita gente esquecendo disso. Não ter alguns dos itens citados acima não significa ter um ano miserável aqui. 
Sim, muita gente prefere ter um banheiro só seu, mas dependendo da situação você pode acabar se dando bem e dividindo banheiro, mas ganhando uma família que te respeita e quer bem. Isso não vem no papel ou no contrato que eles assim, o modo que eles te tratam - como empregada ou como filha mais velha - você só vai saber convivendo, não tem química ou Skype que revele. 
Às vezes você vem tendo que dividir o carro e vai ouvir muitos conselhos pra não fechar com a família porque eles estão te negando algo "imprescindível", daí você chega e eles acabam mesmo vendo o seu lado, priorizando seus interesses e até entendendo a sua situação e comprando um carrinho barato pra você. Ou eles não fazem nada disso e você aprende a se virar, arruma amigas e divide o gas, vai de bicicleta e se orgulha de fazer tudo isso sem precisar chorar miséria na sua página no Facebook.

São tantas formas diferentes que estas situações podem se desenrolar e você só vai saber quando chegar aqui. Claro, pesquise, google, ache meninas da cidade para onde você vai, cheque coisas óbvias e necessidades básicas que você terá (algumas vezes, carro é uma delas), mas não se deixe levar apenas pelas opiniões alheias. Conselho é bom, mas tenha certeza de que você está fazendo questão de coisas que são importantes para você. Generalizações de como "americano é isso e aquilo" e "HF sempre te trata assim" também devem ser ignoradas, afinal de contas somos todos seres humanos singulares e até aquela HF que todo mundo te disse pra tomar cuidado, pode ser o match perfeito pra você. 
Foi assim comigo, inclusive. A antiga au pair saiu fugida no meio da noite, eu fui de rematch pra família e nem escolhi, fui direto. Sempre recebia ligações de pessoas ligadas à antiga au pair e quando eles sabiam que ela se foi, me mandavam fugir tambem porque minha HF era louca, a host era uma b****h e no fim eu tive os melhores dois anos com que pude sonhar. Quer dizer, tudo depende. Se eu tivesse dado ouvidos o que me disseram deles, eu até poderia ter tido um ano bom, mas eu não saberia o que é ser respeitada, ouvida e amar e ser amada pelos dois americaninhos mais lindos dessa América. É aquela história, a grama é sempre mais verde no quintal do vizinho, mas depois dessa constatação só te restam duas opções: ou você se amargura com o fato ou você aproveita que tem um quintal e aproveita cada centímetro dele. Mesma coisa com seu ano de au pair.
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26 março 2013

One minute it's love and suddenly it's like a battlefield


Hi folks,

Meu nome é Belle e eu sou a nova responsável pelos posts do dia 26 de cada mês. Eu estava começando a escrever uma apresentação, mas... ôpa, eu já fiz isso antes. Há pouco mais de dois anos atrás eu fazia parte desse blog, com um dia diferente, assim como em um tempo completamente distinto, e agora que completei dois anos de USA, acabei sendo convidada a retornar por pura coincidência.

Reli os meus primeiros três posts aqui e fiquei me perguntando o que mudou nesses 24 meses. Não mudei muito meu jeito de avaliar as coisas, nem meu senso de moral, tive a cabeça aberta para entender muito do mundo diferente que vim vivenciar, mas se teve algo gritante que mudou drasticamente na menina tímida que deixou Fortaleza e tudo mais que lhe era conhecido para viver na casa dos outros quase que "de favor", sem entender muito da dinâmica dos anfitriões ou algo além do básico na comunicação, foi que hoje eu consigo me impor pelo que quero.

Parece simples, parece óbvio e natural, mas para mim nunca foi. E acredito que mesmo para as meninas que eram mais espontâneas e extrovertidas, a barreira de viver numa terra estrangeira as acuou no cantinho do quarto delas por meses.
Porém, durante essa jornada em que caminhamos praticamente sozinhas, se mostra tambem natural que aprendamos a nos defender e dizer o que queremos ou não. E posso dizer com certeza que isso foi um divisor de águas na minha vida no exterior, nas minhas escolhas, na minha performance como au pair e no entendimento de quem eu realmente sou.

Quebrando a vibe meio densa do último parágrafo, acho que vai ser interessante e divertido compartilhar com vocês as lições que aprendi nesses dois anos de programa vivendo com uma host family bacana e com defeitos, como qualquer outra, que mesmo me tendo como a oitava au pair, me fez sentir em casa e acolhida como eu nunca pensei que poderia ser. Claro que eles tiveram seus momentos absurdamente irritantes, como a maioria das host families, e foi aí que eu amadureci e aprendi a "pick my battles". Porque só reclamar, chorar e pensar em rematch não resolve nada, e uma hora a gente entende que o jeito é ser gente grande e escolher o que realmente vale a pena brigar por ou então vamos todas ficar loucas.

Mas favor não confundir o conselho anterior com "brigue por tudo, marque território" porque definitivamente não é isso. Como num jogo de batalha naval, é mais importante escolher bem onde mirar e ser eficiente nos alvos do que atirar em tudo que aparecer pela frente, caso contrário o navio afundado é o seu. Cada um sabe que estratégia é a melhor a seguir, assim como o que funcionou para a minha experiência pode não servir para a de vocês, mas o bacana é dividir, discutir, chegar a um consenso ou nem chegar a lugar nenhum, mas se sentir um pouco menos sozinho nessa excitante etapa das nossas vidas.
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13 junho 2011

O tal do -ser parte da família-...

E depois de um longo silêncio, cá estou eu de novo. Numa nova cidade, numa nova família e num novo astral pra seguir feliz os meses que me restam no programa. A última vez que postei aqui, se ainda me lembro bem, foi quando fechei com a minha família em Fairfax e apesar de toda a empolgação por eles parecerem perfeitos pra mim, eu já admiti que podia dar errado de tão bom que parecia. Foi dito e feito.

Claro que no começo tudo foi flores, a começar pela temida recepção no aeroporto na qual todos me abraçaram, inclusive as crianças. Depois foram aquelas semanas onde todo mundo tenta se adaptar ao novo membro de convivência, e isto serve inclusive para a au pair tem que aprender a abrir os armários e geladeira, que pode sentar na sala e ver TV no seu tempo livre e até pode sair no tal carro que a família disse que te emprestaria. Acho que esse começo é complicado pra todo mundo, por mais espontânea que seja a família e a/o garota/o.
Minha família vivia de dizer que me queriam como parte da família e eu [que nunca acreditei nisso] achava até bonitinho, mas sempre desconfiando um pouco. Até que tudo foi ficando complicado, cobranças demais, trabalho e stress demais e eu sentindo que aquilo tava errado e não tava sendo certo para o que eu esperava do meu ano.
Foi mais ou menos por aí que eu cansei, tivemos uma conversa e eu falei que queria o rematch. Enfim, mas essa é a minha história [que não foi tão simples assim] e depois eu coloco no meu blog pessoal.

O ponto onde eu quero chegar é na diferença entre a relação "família" que eu tinha na primeira família e do que eu tenho agora com a segunda. Aqui eu me sinto menos "família" do que lá ou, pelo menos, eles afirmam bem menos isso. Minhas crianças são grandes, então não cuido de ninguém, eu dirijo, ofereço snack e uma noite ou outra fico com eles até a hora de desligar o videogame e mandar pra cama. Aqui eles já tiveram mil au pairs, então acho que perderam a prática de paparicar ou ficar preocupadinhos, entretanto, é aqui onde eu me sinto muito mais respeitada e feliz.

Por que? Porque algumas famílias não entendem que esse parte da família não quer dizer acordar a au pair no meio da noite pra olhar criança quando os pair precisam se ausentar por 2 horas e não é urgência, mesmo quando esta está trabalhando as 45h semanais e ainda precisa acordar as 5 da manhã do dia seguinte; também não quer dizer pedir pra menina continuar cuidando das crianças antes e durante o jantar, mesmo se o horário dela terminou às 4 da tarde; menos ainda é mandá-la limpar a casa inteira porque eles não podem pagar uma empregada e não tem tempo pra fazer isso.
Há que se ter um bom senso.

Da mesma forma, muitas meninas têm me perguntado como fazer com que a família fria e distante as trate de forma mais próxima e como "família". A primeira coisa que eu pergunto é "O que você faz no seu tempo livre?". Normalmente, a resposta é "Ah, eu vou pro meu quarto ver TV/email ou saio pra casa de amiga/shopping/bar.". O que eu posso dizer é que isso também não ajuda. O fato de você ficar com os filhos deles durante as 9 horas por dia não é nada além do trabalho que eles te pagam pra fazer. Infelizmente. E eu entendo demais se depois de todas essas horas você não aguente mais olhar pra cara dos pirralhos, mas é meio complicado querer ter alguma relação com a família se quando você pode escolher, eles nunca são a sua opção.
Há que se ter bom senso.

Enfim, apesar de longo, provavelmente esse post não foi muito elucidativo, mas acho que de alguma forma ajuda um pouco a pensar nos dois lados da moeda. O que faz com que a relação au pair-família falhe, na minha opinião, é a falta de bom senso. Acho que as famílias confundem muito essa coisa de "membro da família" com "alguém pra me fazer favorzinhos o tempo inteiro" e as meninas acham que por dividirem o mesmo teto e chamarem de "host family" isso automaticamente as aproxima daquelas pessoas. Tem que existir um esforço, às vezes até uma leve forçada de intimidade porque os americanos não são muito bons na arte de se sentirem próximos de você. Aqui eu faço aloka, conto gratuitamente de alguma coisa engraçada ou esquisita que me aconteceu, tiro dúvida de termo em inglês, conto do que aconteceu com algum dos meninos e ofereço ajuda quando acho que eles precisam. Bom, ao menos educados eles serão e te ouvirão, então pouco a pouco isso pode ir causando a idéia e que é natural pra eles fazerem isso também. Aqui acontece... espero que na casa de vocês também. ;)


Belle

ps: Às meninas que seguem meu blog, sim, abandonei mesmo desde que cheguei aqui, mas agora que tenho uma vida muito linda e com absurdo tempo livre, vou voltar a atualizar e contar todo o meu drama até o rematch e como a vida vai seguindo agora. Aguentem só mais um pouquinho! ;*
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13 fevereiro 2011

A escolha das famílias - dá pra saber quando é a -certa- ?

Agora entendo as meninas do blog quando dizem ter um mês inteiro pra pensar no post do seu dia, mas na hora simplesmente falta um bom assunto pra discutir ou comentar. No meu caso, acho que isso é ainda mais complicado, porque eu imagino que a maioria das meninas que acompanham esse blog querem ler algo sobre a vida de au pair já nos Estados Unidos ou onde quer que seja o país onde a menina esteja.
Eu ainda estou no Brasil, não posso falar da alimentação, do trânsito, da educação das crianças, das famílias ou dos costumes americanos. Por enquanto, o que posso falar é sobre a vida antes de tudo isso... então vamos lá!

Alguns consideram minha experiência de busca por família bastante inusitada: foram 5 semanas on line e 9 famílias com o meu application entrando em contato. Dizem que não é tão comum essa avalanche de famílias, ainda mais no primeiro mês on line. Até hoje não entendo o que tinha de tão bom no meu "perfil": meu vídeo foi feito às pressas numa madrugada pra não perder o reembolso da STB [isto quer dizer também que gravei a noite e a imagem ficou um lixo, mal dava pra ver meu rosto!], a agente ainda reclamou que eu tinha muitas fotos e pouquíssimas falas, só tive duas experiências com crianças [uma em escola, outra com filho de amiga], mas tinha muitas horas, é verdade. Mas nada demais, acho que até tinha restrição a crianças muito pequenas - o que não evitou que mais da metade das famílias que entraram em contato tivessem newborns ou kids menores de um ano.

Enfim, não saberia dizer o que fez meu perfil atraente pras famílias, mas o fato é que muitas apareceram e nem tudo são flores. Como disse anteriormente, muitas delas não faziam o meu perfil. Daí muita gente me achou maluca ou fresca por estar "escolhendo" a família com quem EU passaria meus próximos doze meses.

Ok, pode até ser reprovável que a menina faça a escolha pelo lugar onde a família mora, mas acho que cada uma é quem sabe onde aperta o calo.

Falando por mim, sei que eu não teria condições de cuidar de kids tão pequenas. Antes cuidar de quatro de uma vez, do que de dois sendo um deles muito pequeno.


Não foram poucas as pressões pra que eu fechasse logo com alguma das famílias porque me ofereciam carro, por ter fim de semana off ou porque demonstravam ser o mais próximo de uma família que eu poderia ter. Sim, dispensei até os mais meigos e carinhosos hosts porque sabia que de nada adiantaria ter todo esse cuidado e carinho se eu não conseguiria lidar com a responsabilidade de um newborn. Nem seria justo com essa família.

Depois disso, talvez algumas de vocês devem estar desejando que eu passe mais meses on line sem família nenhuma entrando em contato, haha. Mas o problema é que cada um sabe de si. Compartilho minha experiência de [futura] au pair aqui e no meu blog pessoal e gosto muito de ter o maior número de comentários e os conselhos sobre a minhas decisões, mas chega um momento que é só você e as suas limitações e desafios.
Acho que a maioria das meninas fazem o mesmo e é natural que consideremos tudo que nos é dito, mas no fim não adianta seguir o conselho de outros que não sejam o seu coração logo após ter suas asinhas cortadas pela razão.

E foi assim minha escolha pela família que eu quis que fosse a minha e, por sorte, que também me quis pra ela. Eram apenas dois boys, de uma idade que eu consigo lidar bem [2 e 3 anos], numa região bacana [e de quebra, numa cidade próxima a todas as amigas que eu já conquistei nos últimos meses. sim, porque você busca família, mas também encontra amigas... e das boas!] e o schedule é fixo e com fins de semana off. Tem desvantagens, claro, como tudo na vida, mas elas não superam as vantagens e, principalmente, a segurança que eu sinto agora com essa escolha.

Tive um pedido de match anteriormente e tudo que eu senti foi insegurança. A família era um amor, mas eu sentia medo desde o momento da proposta. Dessa vez, me sinto confortável e feliz com a escolha e o aceite. Claro que de vez em quando dá um receio bobo de ter esperado "tanto" e ainda não ter sido essa a minha família. O ponto é que isso eu só vou descobrir lá, mas passarei minhas últimas semanas no Brasil empolgadíssima esperando o melhor da minha host family. Na situação anterior foi bem diferente.


E com isso quero dizer que ainda não sei se essa é minha família "certa", daqui a alguns meses posso vir aqui dizer que me enganei em tudo que foi dito hoje e assumir que escolhi errado, mas acho que o que deve prevalecer é essa sensação pós match de que as coisas vão dar certo e que o sentimento de "é essa" durante as ligações queria dizer algo mesmo.


No fim, foi a minha escolha pensada e pesada e não de amigas bem intencionadas, de uma agente que te apressava ou de simplesmente não aguentar mais a espera pro embarque. No fim foi apenas você escolhendo os caminhos da sua vida, exatamente como acontecerá durante os próximos doze meses longe de casa e de tudo que lhe é familiar.

Agora vamos ver onde tudo isso vai dar.

Até o próximo dia 13! ;*
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13 janeiro 2011

Decidi ser au pair... e agora?


Oi meninas e meninos, a partir de hoje, eu ficarei responsável por trazer comentários ou sugestões úteis nos próximos dias 13. Antes de partir para o post, uma breve apresentação: me chamo Isabelle [mas vocês podem chamar de 'belle'], tenho 21 anos e sou formada em Ciências Sociais.
Namorava com o programa au pair há muuito tempo, mas nunca tive coragem pra trancar a faculdade e ir, mas no penúltimo semestre do curso, minha mãe me mandou tentar porque eu precisava dar um break e lá fui eu, com o incentivo que antes me faltava.



Concordo com o post anterior, ser au pais não é sonho de ninguém [ou quase ninguém, afinal, o mundo está cheio de gente doida excêntrica], mas é realmente o meio mais viável financeiramente pra meninas que acabaram de sair do colegial ou estão no meio da faculdade.
Tenho um irmão de seis anos e sempre ajudei um pouco com ele, mas não me senti confiante em me inscrever no programa apenas com essa experiência. Fiz uma busca de agências, simpatizei mais com uma e seguindo a sugestão da moça de lá, encontrei uma creche-escola bilíngue na minha cidade para me voluntariar. Se eu sobrevivesse à experiência de cuidar de crianças que eu não tinha nenhum tipo de ligação, aí eu entraria no programa.

Alguns meses depois, apaixonada por quase todos os menininhos de lá e lidando bem com as principais situações de banho, sono, comida, birra, achei que poderia tentar o programa. Pra respaldar meu julgamento, acabei sendo até contratada temporária da escola [devo ter feito algo certo mesmo!].

Ops, terminei fazendo uma loonga apresentação sobre o caminhar do meu processo, mas acho que também toquei em um assunto que considero bem importante: a experiência com as crianças. Acompanho muitos blogs e comunidades no orkut sobre o assunto au pair, vejo muitas meninas interessadas e considero válido que elas queiram viajar, aprender uma outra língua, viver por contra própria sem ajuda de pai ou mãe, mas muitas delas esquecem que além do bônus das viagens, roupas e todo o american way of live existe o principal motivo que te levou até os US: as kids. Elas não serão um detalhe, mas um terço do seu dia e sua principal responsabilidade lá por isso é realmente importante ter jeito ou, ao menos, saber que vão ter que lidar da melhor forma com elas.

É comum ver meninas desistindo e voltando pra casa ao perceber que "não era bem isso", mas isso decorre muito do sonho dourado que se faz ao ingressar no programa. Claro que a gente pode se iludir, está cheio de blogs por aí mostrando viagens feitas, baladas frequentadas e milhões de coisas compradas a preço de banana, afinal, quem vai ficar escrevendo direto sobre todos os dramas que se passa em casa com kids e host family? E quem vai ficar lendo?
Mas isso vai do bom senso de cada um. Se nem nas nossas próprias casas, as coisas não são maravilhosas 24h por dia, por que seria com a sua HF?

E não tem isso de melhor agência. Sempre tem alguém perguntando "qual a melhor agência para ser au pair?" e acho que é consenso de que não há uma resposta exata pra isso. Vai da sua pesquisa e do quanto você se sente à vontade e confiante com aquele grupo. Não adianta te dizer que agência X é boa, quando na sua cidade pode ser que o suporte nem seja essas coisas todas e agência Y te faça sentir muito mais confortável. Internet tá aí pra ajudar, mas você também tem que sair de casa e procurar.

Procurem, procurem, procurem e leiam tudo que encontrar. Claro que deve haver um bom julgamento das informações obtidas, mas está cheio de meninas disponibilizando email/MSN pra dar dicas e conversar. Façam amizades pois isso certamente vai ser o que te salvará quando você começar a cogitar desistir de tudo isso. E ousem ir mais longe, por mais complicado que seja, acho que no fim vai valer a pena.

Até o mês que vem! ;*


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