sábado, outubro 18, 2014

Cuidando de adolescentes

Antes eu reclamava que cuidar de criança muito nova é um saco! hahaha mal sabia eu que "cuidar" de adolescentes não é tão simples quanto parecia.

Minha nova família é bem simples te entender: pai viúvo, um casal de gêmeos, não falta dinheiro em casa e!! (mais conflitante) as "kids" têm 17 anos. "Mas como assim, 17 anos?" 

Eles podem dirigir, ir pra escola sem mim, fazer a própria janta, fazer compras de mercado etc, etc. Isso é o que deveRIA ser, mas não é bem assim que a banda toca.

(Se quiser saber mais sobre essa história, acesse aqui)

Quando se cuida de crianças como fui convidada a cuidar assim que cheguei, (2,5 e 4,5 anos) deve se ter em mente que todas as necessidades básicas terão foco e energia concentradas em você. Americano é folgado com isso também: se tô pagando pra alguém educar os meus filhos, por quê eu vou interferir?! E é por isso que as crianças acabam sendo mimadas e, pior, as vezes deixadas como segunda prioridade, porque a primeira acabando sendo trabalhar para pagar as contas, principalmente do cartão de crédito cheio de contas de brinquedos comprados na Toys R Us ou Kids R Us.

Quando se cuida de adolescente, a perspectiva de "cuidado" muda completamente. Agora o foco muda de necessidades básicas (usar o banheiro, alimentação, banho, etc) para as necessidades sociais. Não sei se as/os senhoras/es lembram, mas na adolescência tudo é tão intenso quanto se o mundo fosse acabar amanhã. A gente não se atentava muito no modo de falar com as pessoas, no que falar, em que momento falar, mas acima de tudo, se quer falar, ouvir conselhos alheios? pra quê? Éramos auto-suficientes, podendo mandar e desmandar em nossas vidas e... #sqn haha

Há uma extensa barreira entre o que eles querem fazer e aquilo que podem fazer, mas essa barreira está mais fina do que nunca, pois o corpo já é, praticamente de um adulto, mas o pensar, ainda não tem o que nós conquistamos, mais ou menos, 10 anos depois: maturidade. 

Enquanto ela não chega, nós, pobres Au Pairs, teremos o papel peculiar de buscar entender que:
1: eles são adolescentes
2: eles são resultado de um infância repleta de regalias
3: o comportamento deles é tão hormonal quanto o nosso.

Isso to say the least. Os pais não terão tanta paciência quanto nós deveremos ter, pois, afinal, eles são aos pais, e podem gritar, xingar e até bater se preciso for. Nós estaremos, certamente, na faixa de gaza, mas num território neutro. 

Cabe a nós, acredito eu, fazer o papel de companheirismo. Buscar trabalhar juntos, buscar se não a amizade, pelo menos a boa convivência. Eles irão nos testar de todas as maneiras possíveis, afinal, guerra é com eles mesmo! Deveremos buscar sermos mais sensatos e serenos do que nunca.

Posso alertar que muitos dias iremos olhar para as atitudes deles e nos vermos naquelas atitudes, fazendo as mesmas coisas, falando as mesmas abobrinhas e vendo erros que nós cometemos e não gostaríamos que ninguém mais cometesse. Devemos, porém, permitir que eles cometam os erros deles. Serão deles, não nossos. E o bom disso? Nós aprendemos.

Cuidar de adolescentes é um desafio diário, é também um reconhecimento do quanto o tempo nos faz bem.


Tempo, tempo, tempo, tempo / És um dos deuses mais lindos (Caetano Veloso)

#Sucesso, Galera!
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3 comentários:

  1. Tenso viu, porque sem o Pai presente você praticamente será a mãe que eles nunca tiveram e o pior, por serem mimados, acham que você terá que fazer tudo o que eles querem. Boa sorte na sua jornada, afinal, como você mesma disse: Nós crescemos!
    Abraços. :***

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    Respostas
    1. Oi, Leila

      Então, na minha primeira família meio que assumi o papel de mãe, sabe? Mas não funcionou bem. Aqui me ponho no papel de amiga-irmã, mas isso não significa dizer parceiros de crime. hahaha!

      Eles não são mimados no sentido de eu quero-e terei, são mimados no sentido do eu quero-e posso pagar por isso. São porém uma família normal, como outra qualquer.

      Grata pela torcida!
      Abraço!

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