domingo, junho 25, 2017

O primeiro mês




Quando eu estou triste, eu gosto de cozinhar. E gosto de cozinhar doces! Adoro juntar os ingredientes que sozinhos não têm graça, mas juntos forma algo cheiroso, delicioso... Ligo música, espalho tudo no balcão na cozinha e esqueço o resto do mundo. Minhas únicas preocupações serão: qual a diferença da colher de chá para de sopa? Qual xícara eu uso? Será que o ovo vai quebrar direito sem ir casca na clara? E assim eu me acalmo!

De academia eu nunca fui fã, por vários motivos. O mais importante deles é que eu não gosto. Então alguém que gosta de cozinhar doces e não vai pra academia tem que se controlar, né? rs Meu controle não é muito rigoroso, pois eu prefiro comer a ter um corpo menor. Já quis perder minha barriga, hoje só quero ser feliz.

Cheguei na casa da minha família postiça numa quarta-feira, de manhã. Me buscaram no aeroporto, a mãe e duas crianças, e eu pensava mais do que falava, por razões óbvias: a primeira, eu não saberia traduzir todos os meus pensamentos em alemão; a segunda, eu não tinha certeza se eles já queriam me ouvir.  Viajamos de carro por duas horas até nossa cidade, com direito a parada para crianças irem ao banheiro. Talvez eu tenha falado três frases gramaticalmente incorretas.

Carro na garagem, malas descarregadas, porta de entrada aberta e me mostraram meu quarto. Eu observava sem saber direito o que fazer, o que dizer, mas gostei que a janela do quarto era grande, eu tinha um aquecedor, um sofá, uma televisão, e uma cama com adesivos de jogadores de futebol colados nas laterais. “A cama era minha, mas eu ganhei uma nova então vou te emprestar essa”, foi algo assim que uma das crianças me disse. “Tu não se importa com os adesivos, né?”, essa pergunta me roubou o primeiro sorriso.

Esse dia foi de conhecimento e eu senti que minha ideia maluca seria divertida.

Então, para conhecer as crianças, eu inventava atividades com elas e tentava passar bastante tempo com elas. No dia seguinte, fomos passear de bicicleta; eu caí e quebrei o dedão da mão direita. Em outro dia, elas quiseram me trancaram no galpão de brinquedos (porque era um teste que eles faziam com todos/as os/as Au Pairs, me disseram). Eu não entendia metade do que eles falavam e não conseguia responder a boa parte das conversas. As crianças mais velhas não me ouviam. Assim se foram duas semanas em que minha melhor parte do dia era ir pro quarto dormir, à noite. Nesses momentos eu pensava “O que é que eu fui inventar? O que eu tô fazendo aqui?”. E eu já não me aguentava de saudade de casa.

Descontei tudo em chocolate. Milka e Lindt e batatinhas e balinhas e essas coisas gostosas que têm em mercado. Um mês e alguns dias que eu já estava por lá, fiz um passeio com uma amiga e depois, revendo as fotos fiquei apavorada comigo! E o motivo foi esta foto:



Eu me achei muito gorda! Decidi que eu não poderia continuar assim. Como eu tinha as manhãs livres, resolvi andar de bicicleta quando possível e maneirar nas comidas extravagantes. Fui eu que escolhi estar ali. Eu que quis viajar e morar lá e ficar lá. E como todo novo começo requer adaptação, eu precisava de tempo. Tempo para as crianças me conhecerem, tempo para que eu as conhecesse e, assim, nós pudéssemos nos dar bem.
 
E, com o tempo, foi isso o que aconteceu. Fomos nos entendendo e eu consegui controlar melhor a saudade.

Em certa tarde, enquanto fazíamos o dever de casa, eu até ouvi o seguinte do menino menor:

Eu: Se tu não terminares logo essa tarefa, não vai sobrar tempo para chamar nenhum amigo teu para brincar.
Ele: Não tem problema. Hoje eu quero brincar só contigo.

Bonitinho, né?
E o seu primeiro mês, como foi? Como está sendo?
Até a próxima o/

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