sábado, janeiro 20, 2018

Desistir também é um ato de coragem


Como eu contei no post anterior, o meu intercâmbio não terminou da forma esperada. Decidi abandonar o programa no primeiro mês do meu segundo ano. Um caminho que, a princípio, me deixou com uma sensação de fracasso. Algumas pessoas vão pensar que não foi nada demais. “Quer ficar, fica, quer desistir, desiste, ué”. Mas quem já foi ou está no processo, sabe como é demorado e estressante conseguir chegar e permanecer lá. A gente cria expectativas, se esforça, investe tempo e dinheiro, e muitas vezes fecha algumas portas no Brasil pelo fato de ter decidido partir. Tudo isso acaba gerando um apego à nossa vida de au pair.

Somado a isso tem a dor de dizer adeus às amizades, às facilidades de viver num lugar desenvolvido, e às coisas que construímos. E, o pior, dizer adeus ao seu Eu de lá. Eu sempre tive a sensação de que a personalidade livre e forte que adquiri como au pair seria esquecida a partir do momento que eu deixasse de ser uma intercambista solta pelo mundo e voltasse a ser só uma pessoa normal.
Dito tudo isso, acho que dá pra ter uma ideia do que eu quero dizer com a frase do título. E não se engane: não estou me referindo coragem devido à violência, corrupção e todo o resto do pacote que a gente ganha ao voltar. Afinal não foi porque passei um ano nos Estados Unidos que vou ficar com medo do país em que eu vivi a vida inteira.

Eu falo em coragem para abrir mão de tudo que você lutou para ter, por não se identificar mais com aquilo, ou porque não é o melhor pra você no momento. Coragem para ouvir as pessoas falarem “não volta, a situação no Brasil está pior”, enquanto você trava uma luta interior se questionando se está fazendo a coisa certa. Você precisa ser forte e decidida para, seja qual for sua escolha, não viver olhando para trás.
Então, não, minha decisão não deve ser encarada por mim como um fracasso. Pelo contrário: talvez tivesse sido muito mais fácil continuar, mesmo com as dificuldades. Difícil mesmo é deixar o seu sonho ir embora, aceitar que é hora de buscar outro novo, e saber que não vai ser fácil, como esse não foi. Difícil, mas necessário e engrandecedor.

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