Pessoas que largaram tudo para se aventurar nesse mundão de Au Pair!

Inserir ou não o Au Pair no currículo?

O que as empresas precisam ultimamente é de gente inteligente e que aprende rápido. E esse tipo de habilidade nós, au pairs, temos de sobra!

Au Pair na Europa

Você tem mais que 26 anos? Não tem CNH? É casada ou tem filhos? Ou também não tem como comprovar sua experiência com crianças? Talvez fazer o programa de Au Pair na Europa seja uma boa alternativa pra você.

Agências para os Estados Unidos

Tudo sobre diversas agências que fazem o programa de Au Pair para os Estados Unidos.

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15 junho 2019

De volta à Holanda como summer aupair

Oi gente, tudo jóia? Bora abrir os trabalhos de hoje? 

Então, pra quem não sabe, eu fui aupair na República Tcheca mas fugi de casa um mês depois. Como eu tinha um visto de turista que durava só três meses e não queria ficar ilegal, procurei uma família que precisasse de summer aupair só por dois meses para completar o tempo do meu visto antes de eu voltar para o Brasil. Escolhi a Holanda porque já tinha sido aupair lá antes e era apaixonada pelo país, estava louca pra voltar e tinha muitos amigos por lá. 

A família que eu trabalhei era um casal com dois meninos gêmeos de 5 anos de idade. Era uma família muito esquisita pois os pais não gostavam dos meninos então os gêmeos ficaram meio revoltados por causa disso. Eles eram agressivos, violentos e muito difíceis de cuidar. Sabe aquela vibe "evil twins" total? Pois é, tipo isso. Ainda bem que só fiquei dois meses naquela casa!


O host-dad me contou que ele e a esposa nunca quiseram ter filhos, ela engravidou por acidente e eles ficaram arrasados. Quando descobriram que esperavam gêmeos eles ficaram mais revoltados ainda porque se já não queriam uma criança, imagina duas. Eu fiquei chocada dele ter dividido isso comigo! 

A cidade era ótima, bem pequena do jeito que eu gosto mas com estação de trem e tudo que eu precisava. Eu morava sozinha numa casinha de hóspedes no jardim da host-family com quarto, banheiro, internet e um pequeno corredor com cafeteira e um frigobar. A vizinhança estava cheia de aupairs que logo fiz amizade. A gente ia caminhar na floresta todo dia depois do trabalho, saíamos para jantar, passear, fazer compras e visitar as cidades vizinhas. E o meu holandês que ainda estava afiado facilitou muito a minha vida apesar de todo mundo falar inglês na Holanda. Eu que já amava aquele país passei a gostar mais ainda.


É muito interessante voltar a um lugar onde a gente tem tantas lembranças boas. Eu já sabia em qual loja ir, qual comida pedir no restaurante, qual supermercado tinha o xampu e o chocolate que eu gostava. Conheci meninas incríveis que compensaram a host-family doida que eu trabalhava já que eles deixaram bem claro desde o início que eu era só mais uma empregada, fazendo questão de me tratar como tal. 

Um belo dia eu tava off no final de semana quando a host-mom bateu na minha porta e disse: "sai daí e espera lá fora porque eu vou mostrar o quarto para uma candidata a aupair que estou entrevistando. E você está proibida de interagir com ela". Gente, que situação! A minha vontade era de falar pra menina não fazer o match, lógico. Mas eu nem falei nada pois estava anestesiada com a frieza da host de me botar pra fora do meu próprio quarto, como se eu fosse um rato que apareceu na sala de alguém e precisava ir imediatamente pra rua. 


E sim, eu sabia que ia ficar pouco tempo com essa família mas quando a host fez isso eu tinha acabado de chegar lá. Fiquei com muito medo dela me expulsar de casa antes de acabar os dois meses que nós combinamos pois seria difícil arranjar outra família que me aceitasse de última hora e por tão pouco tempo. Minhas amigas falavam que a host tinha voltado pros sites de aupair então eu passei estes dois meses com a sensação de que estava segurando uma bomba relógio prestes a explodir a qualquer minuto já que a família realmente poderia me mandar embora a qualquer momento.

Aos trancos e barrancos eu consegui ficar lá até o meu visto estar quase acabando e aí voltei pro Brasil com a sensação de missão cumprida. Não era o meu plano original de passar um ano em Praga mas eu estava com orgulho de mim por ter me virado e feito essa limonada com os limões que a vida me deu. 

Para quem tem curiosidade sobre o programa summer de aupair, ele geralmente tem a duração de 2 a 4 meses e acontece no mundo todo.
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23 abril 2019

Meus hosts se divorciaram, e agora? - Parte 2

Oie! Como estão vocês, tudo bom?

Mês passado no meu post de estréia eu já comecei com um assunto polêmico que foi o divórcio dos meus hosts durante o meu programa de aupair. Se você não leu ou não lembra, vale a pena dar uma conferida no post do último dia 23.

Hoje eu vou contar da minha vida "pós-divórcio de host" porque eu também acabei sendo um pouco afetada por ele. Primeiro, a host mom enlouqueceu. O problema é que ela descontou sabe em quem? Na pobre aupair que vos fala! 

Pra começar, a host inventou de ficar em casa nas sextas-feiras para passar mais tempo com as crianças. Eu não estava off neste dia mas também não fazia nada porque ela não deixava. Ela queria fazer tudo sozinha então eu simplesmente sentava no sofá e ficava só olhando.


Depois ela disse que eu deveria trabalhar mais horas já que o meu schedule estava muito "light", só que eu não tinha o que fazer! Então ela começou a me dar umas tarefas malucas só pra preencher as horas de trabalho como por exemplo passar aspirador de pó na casa toda, depois voltar e fazer tudo outra vez. Ou então depois que eu já tava off ela ia no meu quarto e me mandava fazer mais alguma coisa. Oi??!

Aí veio a piração de vez. A host botava uma música das Pussycat Dolls pra tocar que falava coisas do tipo: "I don't need a man to make me happy" (não preciso de um homem para me fazer feliz) e "l don't need a ring around my finger" (não preciso de uma aliança no meu dedo) e ela ficava gritando a letra e dançando pela casa como se não houvesse amanhã. Nessas horas não me restava muito o que fazer senão cair na gargalhada.


As crianças (que na época eram pequenas) não entenderam direito o que aconteceu então elas nem falavam sobre isso. A host só me pediu para não contar do divórcio para a ex-aupair dela que era meio fofoqueira. E ainda tive que escutar do meu dutch crush: "eu te avisei..."

Definitivamente o comercial de margarina tinha acabado. O host revelou que estava falido e cheio de dívidas então o padrão de vida da família despencou. Tanto é que logo depois que terminou o meu ano de aupair com eles a minha host mom teve que vender a casa e se mudar para um lugar bem menor. Além disso eu antes tinha um carro só pra mim (era a única aupair na Holanda que tinha carro, graças a God!) mas a aupair que me substituiu já não tinha mais carro e fazia tudo de bike mesmo.

Do host father eu nunca mais ouvi falar e a host mom eu encontrei um ano depois quando voltei pra Holanda à passeio e tomamos um vinho na cidade dela. Ela tinha emagrecido, nunca mais se casou de novo e continuou viajando pro exterior duas vezes por ano a trabalho.
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23 março 2019

Meus hosts se divorciaram, e agora? - Parte 1

Oi gente! Este é o meu primeiro post oficial aqui no blog depois das devidas apresentações no último dia 15 então vamos que vamos...

Já vou começar com um assunto polêmico porque não quero ficar repetindo certos temas que sempre aparecem por aqui então hoje, por exemplo, eu vou falar com vocês sobre host-parents que se divorciam durante o nosso ano de aupair. Alguém aqui já passou por isso? Bom, eu já...


Quando eu fui aupair na Holanda a minha segunda família parecia ter saído diretamente de um comercial de margarina: todos eram bonitos, ricos, felizes, educados, arrumados e a casa tinha um astral ótimo. Era tão legal morar lá que mesmo quando eu estava off eu gostava de passar tempo com eles. Como por exemplo aos domingos de manhã que eles tinham um ritual de comer torta de morango no jardim, meu Deus como eu gostava disso!

Uma vez eu estava falando com a minha mãe pelo skype e ela perguntou se os hosts eram legais comigo. Nessa hora entra o host e me dá um picolé de laranja. Minha mãe, que tinha visto tudo pela webcam, disse que eu nem precisava mais responder a pergunta dela. Estes hosts sempre me trataram muito bem e as crianças eram fantásticas. Além disso eu nunca tinha visto ninguém brigar naquela casa, nunca vi ninguém de mau humor, meu schedule era mara e realmente eu fui muito feliz por lá. Essa família foi um fator fundamental para que o meu ano de aupair fosse tão incrível.

Um belo dia a host mom foi pro exterior por duas semanas a trabalho como sempre fazia duas vezes ao ano, até aí normal né. Só que durante essas duas semanas o host simplesmente desapareceu, me deixou sozinha com as crianças 24/7 e dizia apenas que estava entre amigos nos poucos SMS que me enviou. Na época eu tava saindo com um holandês e o dutch crush até comentou que meu host com certeza tinha uma amante mas eu falava: "imaginaaaa, vc tá louco, que horror."  Ao mesmo tempo eu estava achando bom porque o host prometeu pagar hora extra e pelas minhas contas pelo tanto que eu trabalhei naquele mês eu ia ficar ryca.


No dia que a host mom chegou de viagem eu estava tão cansada que dormi 12hs seguidas. Acordei na hora do almoço e a casa estava um silêncio só. Desci até a cozinha pra fazer um sanduíche e de repente escuto minha host aos gritos, coisa inédita em my life até então. Subi correndo de volta pro quarto aonde esperei o silêncio voltar e só então desci de novo. Foi aí que a host falou que o marido dela tinha uma amante e saiu de casa pra morar com ela. Ele tinha acabado de ir embora, por isso os gritos e depois o silêncio. E as crianças estavam na casa da vizinha para não ver o pai indo embora cheio de malas. Gente, juro na hora que eu fiquei sem reação!

Como agir? Querendo ou não eu era só a empregada então não me senti à vontade pra abraçar a host, muito menos dar conselho ou conversar -  também porque ela estava muito brava, cuspindo fogo mesmo. Depois me senti culpada porque no fundo eu já sabia que o host andava aprontando mas fiquei quieta no meu canto e fingi que estava MEGA surpresa quando a host mom me falou da tal amante.


E o pior: trabalhei igual uma escrava naquelas duas semanas e fiquei sem as minhas horas extras pois no fim do mês quando fui receber o salário e pedi pra host mom não esquecer dos babysittings extras que eu tinha feito durante a viagem dela, ela disse bem ríspida: "meu ex-marido não me informou sobre isso então eu não vou te pagar nada". Fiquei muito brava. É óbvio que o fofo do host não ia dizer pra ela que enquanto ele passou duas semanas inteiras na casa da amante eu fiquei sozinha sendo mãe, pai, empregada e babá dos filhos deles. Relevei porque não queria botar o dedo em nenhuma ferida, a host já estava sofrendo demais coitada.

No próximo mês eu vou contar pra vocês como foi a minha vida pós-divórcio mas já posso adiantar que a margarina do comercial azedou, se é que vocês me entendem...

E vocês já passaram por algo parecido? Como reagiram ou o que fariam no meu lugar?

Aguardem cenas dos próximos capítulos... 
 
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14 março 2019

Coisas que só uma au pair entende...

Oi meninas, depois de tanto post meu falando de coisa séria este daqui vai ser mais leve para descontrair mesmo. Tem coisas que só quem foi au pair vai entender. Aqui vai a minha listinha:

  • quando não tinha ninguém em casa eu fazia um almoço bem caprichado só para mim com tudo de melhor que tivesse na cozinha.


  • às vezes eu passava o aspirador de pó nas pecinhas de lego espalhadas pelo chão ao invés de  sair catando uma por uma.

  • eu saía de casa na sexta logo depois do trabalho e só voltava no domingo a noite para não passar o final de semana socializando com a host-family e fazendo babysitting de graça.

  • tomava banho de espuma na banheira do host quando não tinha mais ninguém em casa.

  • às vezes eu me oferecia para fazer um super prato brasileiro no jantar simplesmente porque eu não aguentava mais comer aquelas coisas esquisitas e sem tempero preparadas pelos hosts.

  •  eu promovia altos playdates para as minhas crianças irem brincar na casa dos amiguinhos assim eu teria uma tarde inteira de paz.

  • quando os hosts deixavam as crianças escolherem algum doce da gaveta de guloseimas eu também comia alguma coisinha afinal de contas não basta ser au pair, tem que participar!

  • para não ter que gastar o meu (pouco) tempo livre fazendo atividades domésticas enquanto as crianças estavam na escola eu deixava as crianças brincando no jardim e ia passar roupa. time management, meu povo!




Que fique bem claro que eu sempre fui uma boa au pair e era bastante esforçada mas digamos que paciência tem limite (principalmente no final do programa de au pair quando você já está contando os segundos para voltar pra casa hehe)

E vocês, já fizeram algo parecido? Quem nunca, né? ;)
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13 março 2019

Bati o carro do host - TWICE.

Oi gente, feliz dia 15 pra vocês! :)

Sem querer me justificar e já me justificando: eu nunca tive carro e só tirei carteira aos 20 anos de idade. A minha experiência no volante se resumia a ir de vez em quando para um curso que eu fazia aos sábados e de vez em nunca buscar algum parente em algum lugar perto de casa mesmo. E eu estava feliz assim, até porque morava perto de tudo e nunca realmente dependi de carro para sobreviver. 

Naturalmente quando eu resolvi ser aupair eu coloquei no application que não tinha experiência com carros e que não gostaria de dirigir para a host-family. Achava que era muita responsabilidade euzinha aqui que não dirigia no meu próprio país pegar um carro que não era meu para dirigir no país dos outros com os filhos dos outros.


Como eu estava indo pra Holanda de aupair eu nem me preocupei com isso pois na Holanda a maioria das aupairs tem bicicleta ou então faz tudo a pé mesmo. As cidades holandesas eram relativamente pequenas (se comparadas às nossas) então dava para fazer tudo caminhando. 

Eu não fui por agência. Fiz perfil em site, tirei o visto por conta própria, banquei as passagens de avião do meu bolso e fui. A host-family disse que eu não precisava dirigir pois a escola das crianças era pertinho de casa e quando eu quisesse passear tinha um ponto de ônibus na rua de cima que levava até a estação de trem mais próxima. O centro da cidade também era perto e haveria uma bicicleta na casa para eu usar se quisesse. Este foi um dos motivos que eu aceitei trabalhar com essa família.

Chegando lá, surpresaaaa: a host "esqueceu" de me contar que uma das crianças tinha necessidades especiais e ficava permanentemente  em uma cadeira de rodas (nas fotos que eles me mandaram antes de ir pra lá o menino estava sempre sentado no sofá, no chão, enfim, eu não sabia do estado de saúde dele). Imaginem o meu susto quando cheguei lá né? Me senti enganada real.

Agora tentem imaginar como eu fiquei quando a gracinha da minha host disse que eu teria que levar o menino na escola (em outra cidade) de van. Sim, porque a cadeira de rodas dele não cabia no carro normal então eles tinham uma VAN.


Eu mal sabia dirigir um carro, imagina um mini-ônibus. Pânico no caldeirão. Consegui escapar desse perrengue alegando que além disso não ter sido combinado eu não tinha carteira para dirigir veículos grandes e se eu fosse pega em alguma blitz poderia até ser deportada. Os hosts concordaram e acabaram levando o menino eles mesmos já que a host-mom não trabalhava e o que aquela diaba mais tinha era tempo livre. Saravá.

Aí vem o segundo problema: o curso de holandês que eu ia fazer era em outro estado, a mais ou menos uma hora de carro de onde eu morava, os hosts já tinham me matriculado e eu teria que dirigir o carro do host-dad pra ir pra lá duas vezes por semana a noite. Para você que dirige desde que nasceu isso é molezinha mas imagina eu: sem experiência tendo que pegar estrada de noite! Pior: era um Audi A4 enorme, novinho em folha e o host me disse "aconteça o que acontecer, não estrague as rodas do meu carro porque cada uma custou quatro mil euros". Ou seja, além de pânico eu também senti uma leve pressão.

Perguntei se eu podia ir pro curso de trem mas os hosts se recusaram a pagar a passagem e como eu precisava pegar um ônibus e depois dois trens, aquilo ia me custar metade do meu salário de aupair todo mês mesmo com o cartão de desconto. Eu não podia bancar aquilo sozinha então desisti dessa idéia. Um dia o host até me levou na minha escola para eu aprender o caminho. Enquanto ele dirigia eu tentei desesperadamente achar qualquer referência na estrada para me lembrar depois mas fiquei muito nervosa. 

Logo em uma das primeiras vezes que eu fui sozinha pro curso, assim que cheguei na escola e fui estacionar eu encostei no meio fio e o pneu simplesmente furou. WTF?????!! Pelo menos eu estava na escola e a professora ligou pro meu host do celular dela explicando em holandês o que houve. O host foi me buscar em outro carro e no dia seguinte mandou alguém trocar o pneu e devolver o Audi na casa dele. Não levei bronca mas também ninguém me perguntou como eu estava, o que aconteceu, se eu precisava de alguma coisa. E gente, eu fiquei mortinha de vergonha e bem chateada!


Uma semana depois, já voltando pra casa depois da aula, o GPS mandou entrar numa rua diferente, entrei e guess what? Tinham construído uma ponte na tal rua, esbarrei no muro bem na entradinha dessa ponte e o pneu furou de novo! Dessa vez eu estava no meio do nada, já era quase meia-noite, estava tudo escuro, não passava uma alma viva naquele lugar e eu fiquei realmente desesperada.

Para piorar a bateria do meu celular estava acabando então eu mandei SMS pro meu namorado na época e ele respondeu apenas: "cuidado para não ser estuprada".Oi?! Aí mandei SMS pro host-dad, expliquei mais ou menos onde eu deveria estar e depois de uma longa espera ele apareceu soltando fumaça pela cabeça, muito bravo MESMO, me mandou entrar no carro e ficar quieta e não falou mais comigo.

Primeiro: eu avisei que não sabia dirigir. Segundo: pedi para ir de trem e eles não deixaram. Terceiro: do que são feitas as rodas do Audi, alguém sabe? Nunca vi um negócio tão fácil de estragar em toda a minha vida! 


Fui dormir arrasada. No dia seguinte quando acordei e dei bom dia pro host, ele respondeu bravo: "bom dia nada, por sua causa eu não fui trabalhar hoje porque estou sem carro", virou as costas e me deixou no vácuo. Pelo menos eles aceitaram pagar a minha passagem de trem para a escola e eu nunca mais dirigi o carro deles.

Essa família foi muito cruel comigo. Eles me exploravam, me humilhavam, eu cuidava de três crianças difíceis, estava infeliz, os hosts viviam dizendo que não gostavam de mim e uma vez quando me recusei a esfregar a privada do banheiro da host ela me puxou pelo braço escada acima e me obrigou a limpar o banheiro todinho dela. Por essas e outras depois de três meses eu mudei de família. Sabe o que os hosts fizeram? Descobriram o telefone da minha família nova e ligaram várias vezes para eles dizendo que eu era uma péssima motorista e deveria ficar bem longe do carro deles. 


Meus hosts novos ficaram chocados e de novo eu me senti envergonhada e humilhada. Nessa casa nova eu tinha um carrinho só pra mim e os hosts me deram muito incentivo pra dirigir, sempre me elogiavam no volante e me deixaram bastante confortável. Acabei criando um pouco mais de confiança e tirando a vez que atropelei uma pomba e as duas vezes que bati em um poste o resto foi ótimo (risos).

Mas eu vou confessar uma coisa para vocês: eu fiquei tão traumatizada que nunca mais consegui dirigir de novo. Até hoje eu não dirijo, minha carteira de motorista venceu há anos e nunca nem renovei. Eu simplesmente não consigo, entro em pânico e volta na memória os hosts da primeira família gritando comigo, me humilhando e tentando convencer as pessoas de que eu não sabia dirigir e por isso eu era uma pessoa horrível.


A lição que eu tirei de tudo isso foi que a gente precisa saber respeitar os nossos limites e principalmente respeitar as limitações do outro. O que é fácil para mim pode ser difícil para você e te ridicularizar de graça por causa disso só vai atrapalhar ao invés de ajudar. 

Depois do meu ano na Holanda eu até mandei um e-mail para o presidente da Audi no Brasil relatando como eu consegui a façanha de furar dois pneus de um Audi A4 em uma semana, pois eu tinha cer-te-za que o problema era o pneu e não eu. Para a minha total surpresa, o homem respondeu rindo que não tinha nada de errado com os pneus dele e que a culpa não era minha - eu provavelmente só tive azar mesmo. Foi a primeira e única vez que eu consegui rir dessa história toda.
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