Pessoas que largaram tudo para se aventurar nesse mundão de Au Pair!

Inserir ou não o Au Pair no currículo?

O que as empresas precisam ultimamente é de gente inteligente e que aprende rápido. E esse tipo de habilidade nós, au pairs, temos de sobra!

Au Pair na Europa

Você tem mais que 26 anos? Não tem CNH? É casada ou tem filhos? Ou também não tem como comprovar sua experiência com crianças? Talvez fazer o programa de Au Pair na Europa seja uma boa alternativa pra você.

Agências para os Estados Unidos

Tudo sobre diversas agências que fazem o programa de Au Pair para os Estados Unidos.

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17 junho 2016

é hora de dizer adeus

Olá companheiros de aventura que tem me acompanhado pelos últimos 4 anos (!)... Infelizmente essa hora chegou: esse é meu último post aqui. 

Eu já vinha dando mancadas constantes nos últimos meses. A vida anda uma loucura, o trabalho não me deixa respirar, e quando consigo respirar ou tô dormindo ou do bebendo (sorry, I'm not sorry). 
O au pair me fez uma pessoa melhor, sem sombra de dúvidas... E quem quiser acompanhar a minha história, é só puxar todo o meu histórico de posts AQUI e ver tudo que me aconteceu nessa vida.  
Como essa é a minha despedida do blog, gostaria de usar isso como tema para esse post... DESPEDIDAS.



Despedidas podem ser aquelas festas maneiríssimas que a gente faz quando ta pra ir pra algum lugar. Mas podem ser muito mais que isso também. 
A minha primeira grande despedida foi da vida que eu sempre levei. Passei os dois últimos dias antes de embarcar pra Holanda em completo pânico, morrendo de medo do que estava por vir. E se desse tudo errado? Não deu. 
E aí veio a segunda grande despedida: Como dizer adeus aquela vida maravilhosa que eu havia construído e que me cabia tão bem? Chorei por horas no aeroporto e fiquei por meses na bad, completamente desolada. 
Mas uma hora é preciso move on... e pela terceira vez eu me despedi. Mas dessa vez foi de uma vida que estava me fazendo infeliz e miserável. Chega de sofrimento e bora partir de novo. 
Mas aí nem tudo são flores, veio o rematch e o adeus à todas as idéias que eu tinha pra vida de au pair pela segunda vez. Lá me vou novamente. 
Adeus a vida urbana, cheia de gente, saídas, bebidas, transporte público... Olá vida na roça. Poderia ser pior, mas não foi. 
Então esse goodbye foi bittersweet. Esperado e aguardado por meses, só sentimentos bons. Mas a vida era boa, não tinha do que reclamar. 
Novos planos, novos recomeços. Adeus vida de jovenzinha irresponsável. Olá adulthood. Por mais que a gente ache que sendo au pair morando fora já somos donas dos nossos narizes, nada se compara a realmente virar gente e se virar sozinha. 
E aí chegamos aqui. Me despedir do blog que me acompanhou durante todas essas etapas da vida.  

Foi muito bom poder dividir toda a minha trajetória com vocês, ajudar e ser ajudada. Muito obrigada por tudo! :*
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17 abril 2016

Ê saudade que bate no meu coração - Versão 2

Pra quem não entendeu esse "versão 2" aí no título, corre ler o texto da Luana

Quem já leu meus textos sabe que eu sou uma das sortudas que sempre teve uma relação ~~paz e amor~~ com a família. Amava minhas crianças, os hosts sempre foram queridos, nunca me deram dor de cabeça, nunca tivemos grandes tretas e enfim... good vibes total. 
Mas e depois que a au pair vai embora? Como fica? 

Acredito que posso resumir a minha situação em: Recebi agora em março um e-mail de resposta do Feliz Natal que mandei em dez/2014!!!!!! 

Pois é. 
Esse foi da família holandesa. A família americana eu mandei um e-mail em novembro contando que mudei pro Rio, onde trabalho, como ia minha vida e a resposta deles veio em.... Janeiro. 
Respondi agora em março e veremos quando receberei novamente. 




A família holandesa já está na terceira au pair depois de mim. Ficaram chocados (ouvi dizer) quando souberam que eu tinha contato com a minha segunda sucessora. Todas as minhas tentativas de manter um contato mais próximo foram ignoradas. 

A família americana ainda é bem recente, converso bastante com a au pair e as vezes troco uns snapchats com a minha kid. Porém não sinto que vamos ter uma relação próxima como vejo muitas meninas terem.

Essa coisa de relação com família é bem complicada. Tenho uma amiga que teve um ano super difícil, a host era instável e tinha uns surtos de gritar com ela e se fosse eu teria sumido o mais rápido possível. Mas ainda se falam e inclusive fazem questão de colocar as kids pra falar com ela. Tenho amigas que tinham relação amorzinho com a família, e que voltaram se falando quase toda semana, mas lá pela segunda au pair depois delas a relação começou a esfriar... os e-mails demoravam de ser respondidos, datas importantes eram deixadas pra trás... enfim, a relação esfriou. E tenho amigas que nunca nem quiseram ter relação com a família e nem foi procurada pela família ao final do ano de au pair. Acabou, tchau e bença.
Mas também tive amiga que continuou amiga dos hosts por anos, foi visitar, conversa com as crianças até hoje e enfim, são como parentes que moram longe. E no outro extremo oposto teve menina que ouviu "Olha, não existe a necessidade de você ficar mandando e-mail pra gente não tá? Passar bem, beijos." 

Acredito que como qualquer relacionamento mantido a distância, tem que rolar um comprometimento das duas partes, é muito fácil deixar as coisas esfriarem, a rotina tomar conta e o contato se perder. Semana que vem eu mando e-mail. No aniversário eu ligo. No natal mando uma carta. E acabar passando em branco. 

No meu caso eu acho que o contato não se perdeu por completo. Creio que seria bem recebida numa possível visita e tratada como alguém que já morou naquelas casas. O que dói é a distância das crianças. Você passa ali um ano da sua vida se dedicando única e exclusivamente em garantir que elas estão bem cuidadas e do nada você não tem mais contato NENHUM com nenhuma delas. E aí? 
Essa foi a parte que demorei mais a me conformar. Eles vão crescer. Se esquecer de mim. Se tornar pessoas totalmente diferentes daquelas que eu cuidei por um pequeno tempo da vida deles. E a vida que segue. 
Adoraria ter estado mais presente no desenvolvimento deles? Saber se as sementinhas plantadas cresceram? Se eles tão se tornando o tipo de pessoa que sempre imaginei que seriam? Claro que queria! E como queria! 
Mas infelizmente esse não é o caso e a gente tem que se conformar. Não acontece o mesmo com a nossa própria família no mesmo país? Pq não viria a acontecer com uma família temporária do outro lado do mundo? 

E vocês? Tem relações legais com a família mesmo no pós au-pair? Tomou uns fora legal também? Como ficou o contato depois de alguns anos? 

Até a próxima! 

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16 janeiro 2016

O que o Au Pair me ensinou.

Acredito que tenha sido em março de 2012 que decidi me aventurar nessas idéias. Já conhecia o programa desde 2010, mas a primeira vista achei que não era pra mim. Afinal, cuidar de criança? Eu hein! 
Mas aí a faculdade acabou, o emprego não veio, o dinheiro era curto. O que tenho a perder, não é mesmo? 
Acredito que todo mundo que se jogou meio de cabeça na idéia, sem muito preparo ou noção do que realmente significa ser au pair acabou tendo uma experiência como a minha. Meu perfil era horrível, tinha o mínimo de horas necessário, meu inglês era mequetrefe e coloquei várias restrições nada razoáveis. Obviamente que isso não deu muito certo e quem me acompanha aqui no blog desde que quando me juntei a equipe (agosto/2012! uau!) sabe de todas as reviravoltas e loucuras. 
Mas aconteceu! E em Março de 2013 eu embarquei pra minha primeira experiência como au pair! E que experiência! O ano de 2013 foi marcante. E ao regressar em 2014, depois de seis meses embarquei novamente! E agora aqui estou eu. Uma outra pessoa, que a antiga eu jamais pensou que viria a existir! 
Mas vamos ao que o título do texto remete... O que aprendi com o au pair? 


- Paciência. Nem sempre as coisas acontecem como você quer e do jeito que você quer. É preciso aguardar. E aguardar. E torcer pra que tudo der certo. E confiar. Não ter o controle, pra alguém como eu, é algo extremamente complicado. Mas eu aprendi. 

- Inglês. Eu sempre tive um inglês razoavelmente bom ao mesmo tempo que sempre foi bem mequetrefe. Nunca estudei a sério, então era muito na base do achismo e de imitação do que de conhecimento mesmo. Hoje em dia consigo ver claramente o quão melhor meu inglês se tornou e como a experiência em um país nativo de inglês foi importante pra que chegar ao nível em que estou no momento. 

- Amadurecimento. Amigos, eu sou filha única de mãe solteira criada com a avó. Um combo daqueles. Pra minha sorte eu nunca me deixei me levar muito por essas coisas, mas mesmo assim precisei abandonar vários comodismos meus e aprender coisas que nunca precisei antes. Você não sabe o que é se virar sozinha até estar sozinha num país completamente diferente do seu onde você não domina a língua. E aí você aprende, na marra. E cresce, na marra. E amadurece, na marra. 

- Profissionalismo. Não existe prova de profissionalismo maior do que morar com os chefes e manter a relação numa boa. Se você conseguiu navegar por essa área tranquilamente durante o seu ano merece os parabéns com louvores. É uma das partes mais complexas, afinal, nem todas as host families sabem ser profissionais e é necessário muito jogo de cintura pra morar com a pessoa e trabalhar com a pessoa e curtir com a pessoa e ficar de boa com a pessoa. 

- Visão de mundo. O au pair me deu a oportunidade de conhecer lugares com os quais eu só sonhava. Pude conhecer e experimentar outras culturas, mudar minha opinião pré-formada sobre algumas coisas. Me encantar por pessoas e lugares de novo e de novo. Acredito que esse seja um dos maiores aprendizados que levo comigo. Todo lugar pode ser incrível se você se dedicar a explorá-lo. 

- Valor da amizade. Tanto os amigos de longe, que só alguns sobreviverão... Quanto os de perto, que são imprescindíveis. Quando você vai morar fora, alguns fenômenos acabam acontecendo... Pessoas que nunca falavam contigo de repente super interessadas na sua vida. Gente que era fechamento total que de repente te esquece. E no final, quem resta são aqueles que você sabe que pode levar pra vida toda, no matter what. Além disso a gente faz muitas amizades pelo caminho, pessoas sem as quais não teríamos sobrevivido por um ano. Pessoas que fazem com que seus dias sejam mais leves e divertidos e que entendem tudinho daquilo pelo qual você está passando.  

- A recomeçar. Quem vai embora uma vez, nunca volta. O voltar não é um retorno, é um recomeço. Do mesmo jeito que ir também foi. E recomeçar é preciso. Mudar é preciso. Ir atrás do que a gente quer é preciso. Nem sempre é fácil. Mas acredito que depois que a gente tem a coragem de fazer uma vez, as outras se tornam mais simples. A semana foi horrorosa? Tudo bem. A próxima vai ser melhor. A gente descobre um novo lugar, uma nova praça, um novo restaurante, assiste a um filme, conversa com as pessoas queridas e fica tudo bem. Tudo novo de novo. Seja aqui, seja lá, seja em qualquer lugar do mundo. 

Não é fácil resumir tudo o que aprendemos durante a vida de au pair, são tantos acontecimentos em um período tão curto de tempo que é difícil registrar e processar todos. 
Mas o que importa é que vale a pena. Pelas caras quebradas e pelos sorrisos largos. Vale a pena. A gente sofre, é claro que a gente sofre. A gente sofre pra caralho. Ficar longe de família, amigos, lugares conhecidos, da vida que a gente levava é difícil. E tanta coisa acontece enquanto a gente fica longe. O mundo não para por que você tirou um ano de férias da sua vida. Mas no final, vale a pena. Mas se preparem pra voltar sendo outra pessoa. Nem tenham esperanças de que a vida será a mesma depois desse ano (ou mais) por que se tem algo que ela não vai ser é igual. Você vai mudar, e não vai ter volta. E isso é ótimo! 
Então fica aqui essa mensagem de esperança e ânimo pra vocês que nesse começo de 2016 estão embarcando nessa jornada! Aproveitem cada minuto! 


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17 dezembro 2015

Mas você perdeu dois anos da sua vida sendo babá?!

Quando decidimos fazer esse programa geralmente nos jogamos de cabeça em tudo que é relacionado ao universo au pair. A hashtag #aupairlife é cheia de relatos, e no geral nos rodeamos de pessoas que entendem todas aquelas piadas internas, que tem o mesmo estilo de vida que o nosso e não nos julgam ao colecionar cada cupom de 1% de desconto por saber a diferença que faz no final. 
Mas aí a gente volta. E se voltamos MESMO acabamos nos deparando com pessoas que não conhecem o programa. Pra quem essa idéia de largar tudo pra ser babá lá fora ganhando uma miséria não faz muito sentido. Que não falam inglês. Que nunca saíram do estado em que moram. Ou se saíram, foram passar umas férias ali de uma semaninha. E por mais que a opinião alheia não importe, é difícil se adaptar num meio onde as experiências das outras pessoas não se identificam com as nossas. "Mas valeu a pena mesmo?", elas perguntam. 
E aí a gente passa a analisar, não só do ponto de vista au pair, mas de quem é de fora. Será  que esses dois anos foram tudo isso mesmo que pareceram ser pra mim? 


A conclusão a que cheguei é de que se hoje eu moro sozinha no Rio de Janeiro, vim com a cara e a coragem e aos poucos estou construindo minhas redes profissionais e de relacionamentos, se coloquei a mochila nas costas sem saber onde ia dar, e vou me virando como posso, se consegui fazer amigos em todas as esquinas pelas quais passo, se faço das tripas coração pro dinheiro durar até o fim do mês, se consigo transitar entre vários meios diferentes sem problemas, se consigo correr atrás de tudo aquilo que sempre quis é sim por que joguei tudo pro alto por dois anos pra ser babá. 
Pode ser que realmente eu tenha perdido um certo timing profissional, a essa altura eu já deveria estar em outro momento da minha carreira. Porém o que ganhei no nível pessoal não existem palavras que descrevam. Quando dizemos que vamos cuidar de criança parece tão simples, tão pouco, tão banal. Mas quem viveu sabe a montanha russa que esse programa causa nas nossas vidas. A gente sobrevive a nevasca, a  homesick, a vontade de jogar criança pela janela, a engolição constante de sapos em prol da boa convivência familiar, a gente aprende a viajar sozinha, a economizar, a fazer amigos em pessoas completamente diferentes de nós. Nossa relação com nós mesmos muda completamente depois de ser au pair. É mais que um curso de inglês. É mais que uma viagem de férias. É um pulo de cabeça e sem para-quedas em direção ao auto descobrimento. Algumas pessoas tiram de letra, outras tentam lutar contra isso o máximo que podem... Mas quem abraça o frio na barriga constante acaba não só caindo de pé, mas sendo uma outra pessoa ao final. 
Não posso resumir a minha experiência como au pair aos cursos que fiz ou aos países que visitei. Claro que é incrível falar disso, e impossível não se sentir realizada com esses fatores. Mas no final das contas a pessoa que eu me tornei acaba sendo muito maior que qualquer outro aprendizado. 
Acho engraçado o quão normal é ouvir que sou "muito corajosa". Corajosa de ir prum país que eu não falava a língua. Corajosa de viajar sozinha. Corajosa de largar emprego, dinheiro, família mais de uma vez. De me mudar sozinha pro Rio. De começar do zero. De novo. E mais uma vez. E novamente. Eu não sou corajosa. Muito pelo contrário... Estou constantemente me cagando de medo de tudo. Só quem teve familiar ficando doente no meio do ano de au pair sabe o desespero que é toda e qualquer notificação no celular. Só quem já esteve completamente sozinha sem nenhuma alma que poderia ser chamada de amiga nos arredores sabe o quão desolador isso é. Só quem já passou natal, ano novo, aniversário, ..., longe da família e dos amigos sabe o quão triste isso pode ser. 
Mas a gente segue em frente. Amanhã é outro dia. E no final, o que a gente cresce e amadurece em um ou dois anos não tem emprego ou carreira no Brasil que paguem. 
E se você se sente desmotivada, sem rumo, achando que ta perdendo tempo sofrendo aí nas gringa... Pense que no final você vai sair disso uma pessoa muito mais forte, muito mais corajosa e independente. E nada no mundo vai conseguir te parar! 
Um bom final de ano a todos vocês! Espero vocês em 2016! 
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17 novembro 2015

E quando a vida de au pair acaba?



Vida de au pair não é fácil. Raríssimos são os casos onde a pessoa decide e dali dois meses já está lá vivendo ryka e poderosa com a host family maravilhosa gastando rios de dinheiros internacionais e viajando o mundo. A maioria tem que ralar muito até conseguir. São meses de preparo psicológico, estudando a língua, ganhando experiência, juntando a documentação, esperando ficar online, esperando família, esperando match, rezando por visto... Enfim... A montanha russa de emoções não é fácil! 
E mesmo assim, com toda essa dedicação e preparo, é muito difícil encontrar alguém que realmente estivesse pronto pro fim. O fim da experiência de au pair é algo que a gente quase não discute... O que acontece depois? Existe ex au pair? Como sair desse mundo que te sugou de corpo alma e coração e que antes que você pudesse perceber estava tomando conta de todos os aspectos da sua vida? O que acontece depois do fim? 
Tem au pair que casa e nunca mais volta. Tem au pair que muda o visto e vira nanny. Tem au pair que vai embora fugida e nunca mais olha pra trás e não quer nem ouvir falar nisso de novo. Tem au pair que vai embora contrariada e passa eternidades se lamentando e sentindo saudades. E tem au pair que segue com a vida. 
Ahn? Au pair que segue com a vida? Que bicho é esse? Onde vivem? Do que se alimentam? 
Depois do meu primeiro ano como au pair foi muito difícil voltar pra casa. Eu não queria. Não via motivo e razão pra isso. Não tinha plano nenhum pra depois. Então fui ser au pair de novo. O que pra mim funcionou maravilhosamente bem. Foi o tempo que eu precisava pra me desapegar de todas aquelas idéias e memórias e planejar o que eu realmente queria pra minha vida. 
Não são poucas as au pairs que eu conheço que ficaram presas naquela vida perfeita. Tem muitas que eu nem sei se um dia irão superar. Vivem em função de reviver os bons momentos que tiveram enquanto moravam fora. Mas uma hora é preciso seguir em frente. Traçar novas metas e objetivos, fazer novos planos. Já dizia minha vó que quem vive de passado é museu! 
Não vou dizer que estou 100% resolvida na vida living the dream sem nenhum problema na cabeça. Mas hoje eu consegui uma clareza muito maior em relação ao que eu quero pro meu futuro que eu não tinha quando voltei pra casa em 2014. Finalmente tomei algumas atitudes pra mudar minha vida e me mover em direção ao que eu queria verdadeiramente e aqui estou, me tornando uma adulta de verdade. 
Não estou criticando ninguém, eu sei na pele como é sentir tanta falta de uma vida que se viveu que parece que nada será capaz de se igualar aquilo nunca. O que eu to dizendo é que, se a gente se permitir, se abrir e olhar verdadeiramente pro futuro também conseguiremos ver um milhão de outras oportunidades que não são necessariamente ligadas a viver vida de host family pra sempre. Todas nós podemos ter nossas próprias vidas independente de onde estivermos. 
Pra mim foi necessário atravessar meio mundo pra perceber isso? Foi. Pra você pode ser que seja necessário muito mais. O importante é saber que existe sim vida pós au pair e que aquele não foi o único e melhor momento maravilhoso da sua vida! 
Até o mês que vem, com muita paz e amor e retrospectiva 2015 pra vocês! haha 

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17 outubro 2015

How to become an au pair 1.01: Me meti numa furada, e agora quem poderá me ajudar?!

Alô todo mundo! Como vão vocês nesse mês de outubro?
Depois de três séculos de demora estou aqui pra finalizar a minha série de dicas pra quem tá entrando nessa agora.
Pra quem se perdeu, aqui vão os primeiros posts:
 
 
E agora iremos falar sobre quando mesmo depois de todos os cuidados (ou não) acabamos nos metendo em uma grande furada! Como escapar?
 
 
 
- Antes do embarque
Acredito que uma das "medidas de segurança" mais importantes a serem tomadas antes do embarque é garantir que você tenha todos os detalhes do que combinou com a sua família registrado. Seja em forma de email, salvando o application deles no seu computador, imprimindo aquilo que você julgar mais relevante... É sempre bom se prevenir e ter "provas" e "evidências" do que foi combinado e acertado e que portanto deve ser seguido quando você chegar.
 
- Na casa da host Family
Você sente que as coisas não estão fluindo de uma maneira legal... Seu schedule não ta sendo respeitado... Se você tenta conversar com eles é a mesma coisa que falar com uma porta e não dá em nada... Enfim, as possibilidades são inúmeras.
A única coisa que eu peço é: Ajam como jovens profissionais que são. Não passem a quebrar as regras só de birra, não faltem com respeito na hora de falar com os hosts, tentem sempre apontar soluções e se possível registrar também via e-mail ou mensagem de texto esses problemas. Além disso sempre se comunique com a sua LCC. Ela é a pessoa que foi designada para te ajudar e que precisa estar ciente de quaisquer problemas que estejam acontecendo dentro da sua casa! Mande e-mails, mensagens de texto, deixe mensagens de voz... Copie a Program Director nos e-mails se for necessário.
Por que eu falo tanto em ter as coisas registradas? Na hora de um possível rematch todo o seu comportamento e sua história serão avaliados. Então não adianta num dia falar que está tudo lindo e maravilhoso e depois querer convencer o país inteiro de que você estava sendo maltratada sendo que na semana anterior tem uma conversa tua com a tua LCC dizendo o oposto.
E lembre-se: saiba do que reclamar! Algumas coisas acertadas entre você e a família são PRIVILÉGIOS e assim sendo podem ser revogados e não é obrigação deles te fornecer aquilo. Celular, carro, todos os finais de semana off... Entre outros!
Por mais "inconveniente" que seja ter que pagar pelo próprio celular, realmente vale a pena correr o risco de ir embora por conta disso?
Sei bem como existem LCC's que trabalham muito mal e não se importam em nada com as au pairs. Porém ela é a única pessoa que pode te ajudar na hora do rematch e arranjar briga e confusão com ela a toa não vale a pena. Ela precisa ser cobrada no trabalho dela? Sim, sem dúvidas! Porém existem inúmeras maneiras de fazer isso, e bater boca não é uma das melhores.
Além disso, é muito importante construir uma rede de amizades perto de você. Tanto amigas que podem confirmar a sua história caso seja necessário, quanto amigas que poderiam te dar abrigo caso as coisas fiquem feias de mais e você precise sair urgentemente da casa da sua host Family.
 
- Durante o rematch:
Rematch não é fácil e só quem passou sabe o desespero que dá. Se você realmente vai pedir, tenha absoluta certeza do que está fazendo pois os resultados podem ser ótimos ou horrorosos e não temos como prever isso de antemão.
Obviamente que sair divulgando sua história por ai não machuca ninguém, mas ao fazer isso, tenha certeza de que está de acordo com o que ficou na sua ficha. Se você conta uma história super triste de como era abusada, e na hora da família pegar teu perfil lá ta dizendo que você está de rematch por que bateu o carro, pega mal pra você e não pra família!
Apareceu uma família que não tem nada a ver contigo e que seria preferível voltar pro Brasil a ir morar com eles? Seja educada e diga que acredita que vocês não sejam um bom match. Não precisa se estender muito no assunto ou fechar só por desespero. A sua LCC vai entender. O que não vale é ser mal educada ou dar desculpas esfarrapadas que tanto a família quanto a sua coordenadora vão sacar logo de cara que é migué. Ou ficar esperando a família perfeita que vem montada em um unicórnio encantando te resgatar da host Family bruxa. NÃO EXISTE FAMÍLIA PERFEITA. Quanto antes você se conformar com isso, melhor pra você!
Fazer concessões é parte do processo de au pair e principalmente do processo de rematch! E as vezes na vida a gente tem que fazer o melhor possível dentro da situação terrível em que estamos.
Lembre-se: Você não é obrigada a trabalhar durante o período de rematch, mas também deixará de receber caso não o faça. E caso você precise sair da casa da sua host Family, você tem que ficar com a sua LCC ou alguma outra LCC da área. Casa de amiga serve pra refúgio de uma noite caso as coisas fiquem bem feias com a sua família, mas o certo é ficar com a LCC ou em outro abrigo fornecido pela agência!
 
Claro que todos nós esperamos nunca ter que passar por nada assim. Porém caso seja necessário: CONHEÇA SEUS DIREITOS. Muitas meninas pecam por não saber o que é direito e dever delas, da família e da agência. E por mais que a lei seja a mesma pra todos, as vezes alguns detalhes mudam de agência pra agência e é importantíssimo estar ciente de como funciona o processo com a sua.
Tenham sempre consciência de que por mais que seja muito bom e divertido, esse é um programa de trabalho acima de tudo. E por mais que controlar as emoções seja muito difícil as vezes, manter uma postura profissional no seu ambiente de trabalho é imprescindível.
 
É isso gente! Boa sorte a todos e até o mês que vem!
 
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17 setembro 2015

O que aprendi nos US of A

Olá amigos, como estão vocês nesse 17 de setembro?

Eu vou bem, obrigada. Meu ano de au pair americano acabou de se encerrar e estamos naquele momento de adaptação, onde até a sua casa não parece SUA mais, quem dirá o resto da sua vida, não é mesmo?!

Quem me conhece pessoalmente sabe que meu segundo ano de au pair não foi o melhor momento da minha vida e até agora não acredito que realmente consegui termina-lo, já que passei 80% do meu tempo pensando em pedir pra sair!

Porém gosto de ser otimista e pensar que tudo na vida serve pra aprendermos e nenhuma lição ou experiência é inútil, então vamos aos ensinamentos que Tio Sam me deu!!!

- Por favor e obrigado: americano usa pra TUDO, num nível que me irritava e me fazia passar por mal educada as vezes já que não seguia o mesmo ritmo. Agora que voltei e nunca escuto nada e um simples "tenha um bom dia" deixa as pessoas me olhando estranho eu sou obrigada a admitir que a educação (mesmo que falsa muitas vezes), faz uma falta danada!

- O valor do transporte público: morei numa área em que o transporte publico era INEXISTENTE e não se fazia NADA sem carro. Nunca mais reclamo dos ônibus de SP depois de viver assim.

- Consciência racial: no Brasil por sermos extremamente miscigenados quase não discutimos raça e racismo, apesar de sofrermos com isso em diversos níveis. Por ter trabalhado pra uma família negra eu pude notar o quão mais conscientes e preocupados com essa questão eles são. Um dos fatores para mudar as crianças de escola, por exemplo, foi querer que eles tivessem mais contato com outras raças e culturas, já que vivíamos em uma área extremamente branca classe media cristã onde as pessoas não saiam muito daquela bolha. Tive a oportunidade de conversar muito com o meu host sobre os principais acontecimentos enquanto estava lá e isso me deu um novo olhar e consciência sobre o assunto. (Eu poderia escrever um post inteirinho só a respeito de raça, política e fatores similares de tanto que pude aprender com eles, mas esse não é o objetivo de hoje!)

- Dirigir: apesar de saber dirigir e dirigir sempre que necessário, nunca houve essa obrigação de pegar o carro no matter what antes de chegar lá. E o hábito de dirigir, e não só dirigir, mas lidar com as mais diversas situações atrás do volante foi algo que eu desenvolvi muito durante meu ano.

- Comer orgânico: antes de ir morar com a minha host family, a questão orgânica nunca teve muita importância na minha vida... Era aquilo do "se possível ok, se não ok também". Depois de entrar em contato com essa cultura de comer orgânico, local e conhecendo a procedência dos alimentos que consumo passou a ter uma influência muito maior em mim e faço questão de comprar as marcas "amigas" por diversos motivos.

- Inglês: por mais que eu já tivesse um inglês bem razoável quase fluente antes de embarcar, só vivendo e respirando a língua que a gente começa a pegar algumas nuances e detalhes que antes passavam despercebidos. Se pro meu inglês bom que sempre foi elogiado por todo mundo viver num país nativo fez muita diferença, não consigo nem imaginar o tamanho do impacto pra quem ainda tá aprendendo!

- Valorizar o Brasil: por mais que a gente não esteja no nosso melhor momento aqui, depois de conhecer algumas realidades americanas eu vejo que não estamos tão atrás como gostamos de repetir. Temos um sistema de saúde público que apesar de todos os pesares é publico e tem capacidade de oferecer tratamentos de ponta a custo zero. Temos universidades publicas entre as melhores do mundo que não custam um centavo a mais pra quem atende. Temos leis trabalhistas que garantem o pagamento de salário mínimo, férias, decimo terceiro, licença maternidade, seguro desemprego entre outros benefícios. E amigos, essas são algumas das coisas que nossos amigos yankees não tem acesso. Temos muito o que melhorar? Sem duvida alguma! Mas as coisas não são tão ruins como gostamos de pensar.

- Lazer e entretenimento: eu moro em SP e aqui nós temos acesso a infinitas formas de lazer e entretenimento. Não posso falar o mesmo de Maryland, onde até a praia minúscula que ficava há alguns minutos de onde eu morava era private e precisava pagar ou ter passe pra frequentar. Sempre reclamei muito de SP (e ainda reclamo) mas tive que dar o braço a torcer muitas vezes quando o quesito era diversidade e diversão.

Eu teria muuuuuito mais a comentar sobre meu ano americano e tudo que aprendi com ele, mas é difícil escolher quais foram os pontos mais marcantes e o por quê disso. Mas acho que essa lista até que resume bem se considerarmos meu cérebro bagunçado pós-retorno!

Até o mês que vem com um post de mais conteúdo, espero!
Beijos!


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05 agosto 2015

How to become an au pair 1.01: Convivendo com a host family.

Bom dia garotada, como vão vocês? Eu sei que os posts não seguiram da maneira planejada originalmente, mas aqui estou com a quarta parte do "How to become an au pair 1.01"! 
Pra quem ta perdido na vida aqui vão as PARTE 1, PARTE 2 e PARTE 3

O tema de hoje é: Convivendo com a host family - Como balancear trabalho e private time!

Uma das reclamações mais comuns que se ouve no mundo au pair é: "eu trabalho muuuuuuuuuuuuito mais que as horas permitidas por lei e minha família não me paga um centavo a mais!" 
E por mais que em alguns casos isso é verdade, existe MUITA confusão em relação ao que a família considera horário de trabalho e horário em família. 



1. Saiba quais são as expectativas da família e sempre deixe claro quais são as suas as well. 

O primeiro passo pra se entender nesse quesito é antes mesmo de fechar com a família ter uma idéia do que eles esperam da au pair. Eu sempre deixei claro pra todas as famílias com as quais conversei que eu sou uma "private person" e que gosto de ficar sozinha, que iria passar o dia no meu quarto as vezes, que é o meu  jeito e que mesmo com a minha família do Brasil eu sou assim. Por sorte a minha host family é exatamente assim, eles preferem ficar na deles e minha host tem finais de semana que só sai do quarto pra comer ou buscar mais vinho! Então com a gente não tem nenhuma confusão nesse sentido. 
Porém cada au pair é diferente e eu conheci meninas que adoravam passar tempo com a família, saiam pra fazer compras com a host, faziam todas as refeições juntos, iam pra todas as atividades e inclusive deixavam de fazer coisas com as amigas pra fazer algo com a família. 
Não importa qual seja a sua preferência, você vai conseguir achar uma família que tem as mesmas expectativas. 



Mas ATENÇÃO: tem MUITA menina que adora por no application que é super família, que não vê a hora de fazer parte da família, que está super ansiosa pra hang out com eles, mas na primeira chance que tem DESAPARECE e depois reclama que a host ta esquisita, que ta reclamando, que colocou curfew, que não deixa pegar o carro... migas, se vocês diziam que queriam ser parte da família e passam a ignorar a família é quase certeza absoluta que a família vai ficar magoada e decepcionada sim! E com razão! 

2. COMUNIQUE-SE! Bote a boca no trombone! Speak up for yourself!

Você sente que está sendo abusada, que ta trabalhando mais do que deveria, que suas horas não estão sendo respeitadas, ou que suas folgas não estão acontecendo com a frequência que deveriam... Ficar reclamando pras amigas não resolve nada. Senta e conversa com a família! 
Não sabe como falar com eles? Pede por um schedule por escrito, fala que prefere ter algo em mãos pra visualizar como vai ser a sua semana e o que você vai ter que fazer... Ou preencha você mesma algum modelo de schedule/agenda que eles já tenham. Além de isso facilitar pra você entender quais são os horários em que estará on ou off duty, isso também cria "provas" pra quando você for conversar com eles ou com a sua coordenadora. Alguns conflitos acontecem simplesmente por que a au pair pensa que ainda está "on", quando a família considerava que ela estava "off". Então ela continuou trabalhando, e a família achou que ela estava apenas sendo gentil. Pedir por um schedule por escrito, de preferência físico, onde você pode fazer anotações por cima caso as coisas não aconteçam como estava planejado ajuda MUITO. 
Ah, mas mesmo assim eles continuam abusando, pedem "favorzinhos", esquecem o que tinham combinado, e no geral não respeitam o schedule que eles criaram. Pode parecer difícil, mas a melhor abordagem nesse caso é chamar eles pra uma conversa. Não precisa ser algo formal, se vocês tem o hábito de fazer alguma refeição juntos, diga que depois que acabarem gostaria de tirar umas dúvidas ao respeito do schedule e horas... Algumas famílias realmente não tem idéia do quão exaustivo o nosso trabalho pode ser e basta apenas uma conversa pra resolver o problema. 



A minha primeira família achava que por que eu não trabalhava todas as horas durante a semana, não teria problema pedir favorzinhos nos finais de semana... Ficar com as kids por uma horinha enquanto eles iriam no mercado, ou duas enquanto levavam outra kid em algum esporte... E no final isso estava me sobrecarregando, ultrapassando as minhas horas e me deixando estressada. Como tínhamos o hábito de sentar aos domingos pra discutir o schedule da semana eu simplesmente disse que precisava dos meus dias off por que precisava descansar minha cabeça... Que ter os dias em que não tinha hora pra acordar, ou poderia sair sem horário pra voltar, ou simplesmente fazer nada se quisesse eram importantes pra mim e eles entenderam. Disseram que eu estava com razão e que passariam a pedir só quando fosse de extrema necessidade mesmo. E foi assim que aconteceu dali pra frente. 
Não há a necessidade de abordar a família com acusações logo de cara, eles podem estar abusando premeditamente ou podem simplesmente estarem verdadeiramente clueless a respeito da situação. Chame para uma conversa honesta, diga o quão importante é ter o seu horário respeitado, que você "não se importa" de ajudá-los mas que precisa ter garantia de que terá tempo pra descansar e estar com disposição e energia no horário de trabalho. Ressalte o quanto você gosta deles e que realmente quer fazer o seu melhor, mas que pra isso você precisa dos seus momentos que são só seus. Tenha maturidade pra lidar com a situação, não façam drama desnecessário ou fiquem de cara amarrada dizendo que ta tudo certo. Ser passivo-agressivo não ajuda em nada nesse tipo de situação, só cria tensão desnecessária. 



As vezes é mais fácil falar por email, ou por mensagem de texto... Mas tente ao menor ter parte da conversa cara a cara, o olho no olho é importante e a tom de voz não chega via email. Saiba quais são seus direitos e deveres e reforce isso com eles, as vezes eles podem ter esquecido de alguns detalhes. Não tenha medo de conversar, caso sua família tenha uma daquelas rotinas extremamente caóticas, tente oferecer solucões... as vezes um dos avós poderia ficar com as kids por algumas horas, ou eles poderiam se inscrever pra algum programa after school uma vez na semana, ou você tem alguma amiga au pair que aceitaria fazer babysitting por um preço camarada, enfim... Mostre seu interesse não apenas em reclamar, mas em também resolver a situação!         

3. CONHEÇA SEUS DIREITOS! Saiba a quem pedir ajuda e como pedir ajuda! 

Poxa, já conversei 3 vezes, as atitudes não mudam, continuo trabalhando mais do que deveria e como falei que precisava de tempo pra descansar agora on top of everything ainda me deram curfew pra "garantir que eu estava descansando o tempo necessário". 



Pois é, pode acontecer. Tem família que é sacana mesmo, não nego. Por isso sempre reforço a importância de manter uma boa atitude e lidar com as situações de maneira adulta e madura. Adianta extrapolar o curfew do carro por que "se eles podem chegar atrasados, eu também posso"? Adianta agir de má vontade com as crianças, descontando nelas a frustração com os pais? Adianta passar o dia todo postando frases de efeito no facebook sobre como algumas pessoas não tem respeito pelas outras? Não!!!!!! 
Keep your act clean e junte as suas "evidências". Se comunique com a LCC quando começar o problema, de preferência via email. Peça o schedule por escrito, ou imprima você mesma e coloque em algum lugar visível, e faça as anotações necessárias caso não seja respeitado. Chame pra conversa cara a cara, mas caso não resolva, também tenha parte da comunicação via email ou mensagens de texto. Toda e qualquer evidência que você possa juntar que mostre que a família estava ciente do problema e deliberadamente ignorou, só te ajuda. Não adianta passar 9 meses aguentando desaforo e dizendo pra LCC que está tudo maravilhoso, pra um dia chegar dizendo que a família é monstruosa e que eles nunca mais deveriam ter au pair... Você passou 9 meses dizendo que tudo era ótimo, como vai querer que ela acredite numa mudança tão brusca de uma hora pra outra? Não adianta sofrer em silência, não falar nada pra família e esperar que a LCC e a agência resolvam um problema que é SEU. Eles são responsáveis por você? Sim! Mas antes de mais nada você é responsável por você mesma e tem que ao menos tentar! Não adianta querer criar um bolo de reclamações sobre os mais diversos assuntos só pra dar "volume". Saiba quais são seus direitos e deveres e exija que esses sejam cumpridos. Poxa é um saco mesmo ter curfew, mas não existe nenhuma regra que diga que isso é ilegal. A família não te dá carro? É... não é divertido ficar sem carro. Mas eles não tem obrigação nenhuma. Saiba o que você pode exigir e coloque esses pontos em evidências. As outras coisas podem até ser agravantes, mas se você não souber sobre o que você está reclamando vai apenas ficar parecendo uma menina mimada inventando um milhão de problemas pra não ter que lidar com uma situação desagradável. 

No próximo post eu vou entrar em maiores detalhes a respeito da relação e comunicação com a LCC e outras coordenadoras/diretoras. O que quero deixar em evidência aqui é: deixe bem claro qual é o problema, tenha "evidências" em mãos para caso se faça necessário e não se transforme numa situação de "disse que disse", e não tenha medo de pedir para ter seus direitos respeitados! 

90% dos problemas que acontecem entre au pair e host family poderiam ser resolvidos com conversas. Ou simplesmente com uma dose de coragem. Tem au pair que se sente mal em dizer "não" pros convites da famíia quando eles nem questão fazem, e aí se sente explorada e de saco cheio da família. TODO MUNDO PRECISA DE PRIVATE TIME. Alguns em maior ou menor quantidade, mas poder se desligar do trabalho é essencial pra conseguir executar um bom trabalho! 
Mas tenham também consciência que quando se mora com uma família, será necessário dividir um pouco de tempo com eles. Não custa nada fazer alguma refeição junto, ou uma vez ou outra aceitar o convite de ir visitar os avós, ou jogar videogame com a kid 20 minutos sem os hosts pedirem. São ações que mostram pra eles que você se importa, e que não vão arrancar pedaço quando realizadas de vez em quando. Se coloque no lugar da sua família! Se fosse na sua casa, você não gostaria que alguém se oferecesse pra lavar a louça de vez em quando, mesmo sabendo que essa é uma tarefa sua e de mais ninguém? 
É muito comum ver au pair reclamando dizendo que a família não ta nem aí pra ela, que a agência só toma o lado da família, que todo mundo só sacaneia ela, que o universo conspira contra o sucesso dela... Quando na verdade ela não faz e nunca fez nenhum esforço pra resolver a situação. Empatia é um exercício diário e a gente vive na geração do "eu, eu, eu" e inclusive vemos isso todos os dias nas nossas kids. Se você não se esforçar pra sair da sua bolha do "eu, eu, eu" vai ser muito difícil resolver qualquer tipo de conflito com a sua família! E novamente eu digo, sim! Existem famílias que só querem sacanear e não tem respeito algum! Mas primeiro que perder a razão e sacanear eles de volta não resolve em nada, e segundo que esse pode não ser o seu caso! COMUNIQUE-SE com a sua família! 




Por hoje é só pessoal, e no próximo mês o último post dessa série será sobre "CAI NUMA CILADA BINO, E AGORA?" e toda a relação com LCCs e diretoras e agência e enfim! 
Devido a minha "desregulada", muito provavelmente eu já estarei no Brasil quando ele for ao ar, então me desejem boa sorte!!! 

Espero ter ajudado e até o mês que vem! :) 
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31 julho 2015

Au Pair na Europa X Au Pair nos Estados Unidos

Esse é um tema que ronda (e assombra) milhares de grupos de au pair pelo facebook. E por mais que não exista um consenso a respeito do tema e cada experiência seja única e individual, sempre vão aparecer pessoas perguntando sobre isso... Então chegou minha vez de dar meus pitacos por aqui! 



Eu acho que antes de mais nada, a gente tem que começar pelo "Europa versus Estados Unidos".
Migos, Europa é um continente. Composto por VÁRIOS países diferentes. Cada um com uma lei diferente. Algumas das quais que nem permitem o trabalho como au pair. 

Isso sendo dito vamos pro próximo passo: Quais são os seus objetivos? Cada programa oferece oportunidades diferentes, então dependendo do que você procura ganhar com ele pode ser bem mais fácil de acontecer em um lugar do que em outro.
Respostas mais populares: Quero ganhar fluência no inglês/Quero viajar muito/Quero estudar algo na minha área/Quero dar um tempo da vida e ganhar maturidade longe de casa. 

Gente, se o que vocês querem é APRENDER INGLÊS não tem o que pensar duas vezes de que o melhor destino pra vocês é os Estados Unidos. 
Ah, mas e a Inglaterra? Brasileira não pode ser au pair. Estudante não pode trabalhar. E se você tem passaporte europeu, você pode fazer um milhão de outras coisas lá que vão te dar experiências tão gratificantes quanto. E nem vou entrar na opção de quem é au pair lá ilegal com visto de turista porque né...  
Ah, e a Irlanda? Como estudante você consegue empregos que pagam melhor, e por não ser regulamentado o programa au pair lá, é muito comum ouvir histórias de meninas sendo exploradas/mal tratadas porque em teoria não tem ninguém a quem elas possam recorrer. 
"Ah, mas e os países  que falam inglês como segunda língua?" Acho que só o fato de você ter que ter esclarecido que é segunda língua já diz bastante sobre essa opção né. 
Querendo ou não é muito mais barato e SEGURO ir pros Estados Unidos pra aprender inglês como au pair. Você vai ter uma agência que te dá um respaldo, você tem um visto que te permite trabalhar legalmente, você tem um emprego "garantido" e pessoas que são responsáveis pela sua segurança durante a sua estadia no país. 
Poxa, mas já não tenho mais idade pra ser au pair nos Estados Unidos... Que que eu faço então? AI JÁ É OUTRAAAAA HISTÓRIA. Se você já tem mais de 26 existem vários países que recebem au pairs até 30 e que tem o inglês como segunda língua, sendo Holanda e Suécia os mais "conhecidos". Além disso, a Irlanda é sempre uma opção.

"Mas eu tenho uma amiga que foi pra França aprender inglês e a família dela só falava em inglês com ela e ela super recomenda." Ok, usar a França como exemplo aqui é forçar um pouco a amizade... Mas eu mesma sou do time que "fui pra XYZlandia pra aprender inglês" e por mais que a prática diária da língua ajude MUITO, não é a mesma coisa que estar em um país onde a língua nativa é o inglês. Por mais que todo mundo seja fluente, por ser segunda língua eles tem sotaque, eles cometem erros, eles misturam regras gramaticais... Enfim! Quem já tem um certo nível no inglês consegue perceber e ignorar, porém quem está aprendendo acaba pegando as mesmas manias e vícios e adotando. Eu demorei MUITO pra perder alguns sons de pronúncia que peguei na Holanda. A experiência é muito válida e pra quem já tem um conhecimento legal da língua é ok. Mas se você quer aprender do básico o melhor mesmo é ir pros Estados Unidos! Fora a mistureba que vira na hora que você começa a aprender a língua local... 

"Mas não dá pra viver só falando inglês? Alemão/holandês/francês/whatevês é muito difícil e não quero aprender. Precisa mesmo?" Gente do céu, por tudo que é mais sagrado entendam que a partir do momento em que você decide se mudar pra um país o MÍNIMO que você deve fazer é tentar aprender o básico da língua falada! Primeiro por uma questão de respeito... As pessoas NÃO SÃO obrigadas a usarem uma segunda língua pra se comunicar com você. Segundo por uma questão de sobrevivência... Na Holanda todo mundo falava inglês, menos o trem! Ou a TV, ou os jornais, ou os produtos no mercado, ou os holandeses entre si! A vida passa a ser muito mais fácil a partir do momento em que você consegue entender o que acontece ao seu redor. Além de que, cuidando de crianças é importantíssimo se fazer entender claramente, nem que seja apenas comandos básicos. Uma das "técnicas" preferidas dos demoniozinhos é dar uma de que não entende o que você tá dizendo, então se você começar a falar na língua deles, não vai ter mais dessa não! E além de tudo isso, alguns países EXIGEM conhecimento mínimo da língua pra conceder o visto, ou obrigam que você estude a língua durante a sua estadia lá. Então se você NÃO QUER aprender uma terceira língua, é melhor ir pros Estados Unidos focar no inglês mesmo e fim. 

"Mas meu inglês já é fluente, o que eu quero mesmo é viajar o mundo!" Novamente cada país da Europa tem suas leis e requisitos, porém pra quem quer dar um tempo da vida e viajar ir pra esse lado é a melhor opção! Na Europa tudo é mais perto e mais barato, rede ferroviária funciona que é uma maravilha, você cruza países em questão de horas e existem empresas incrivelmente low cost pra qualquer meio de transporte. Além disso na maioria dos países europeus se trabalha bem menos como au pair do que nos Estados Unidos, por consequência te dando mais tempo livre pra viagenzinhas por aí. Na Bélgica, por exemplo, a lei diz que as au pairs não podem trabalhar mais que 20h por semana, menos da metade dos Estados Unidos. Então se o objetivo é viajar e explorar novos lugares Europa é o destino pra você! 

"Ah, mas au pair na Europa ganha muito pouco... Não conseguiria viver com 200/300 euros por mês de jeito nenhum... Nos Estados Unidos se ganha quase 800 por mês!" Gente... Entendam o seguinte: o salário da au pair não é um número aleatório inventado por alguém muito louco, ele varia por que os custos de vida em cada país variam. Então se na Holanda se ganha 340 e na Alemanha 260 é por que é ligeiramente mais caro morar na Holanda do que na Alemanha. E a mesma regra vale pros Estados Unidos, se ganha mais por que se gasta muito mais! Além do que, lembrem-se que nos Estados Unidos se trabalha 45 horas por semana, mais do que muito emprego padrão do Brasil. Enquanto na Europa a média é de 30 horas por semana... O que faz com que o valor recebido por esse trabalho acabe sendo menor também! Além disso, tem centenas de milhares de meninas sendo au pairs em todos esses países... Vocês realmente acham que todas elas recebem ajuda dos pais/fazem extra? A grande maioria vive e sobrevive com o salário de au pair exclusivamente... E se elas conseguem, vocês também conseguem!!!!! Dinheiro deveria ser a última coisa a passar pela cabeça de vocês na hora de decidir pra onde ir.

"Ai mas afinal, o que que é melhor? Estados Unidos ou Europa?" 
O que eu tentei fazer aqui foi apenas um brainstorming do que seriam os principais prós e contras de cada um. Novamente: cada país da Europa segue uma lei diferente, além de terem culturas extremamente diferentes! Se você tem interesse em ir pra lá, além de pesquisar os requisitos e benefícios do programa, tente pesquisar sobre a cultura... Como as pessoas vivem, como são as cidades, o clima, comece a estudar a língua, veja se rola uma afinidade entre você e tudo isso mesmo... 
Eu participo de grupos no facebook tanto da Europa quanto dos Estados Unidos, e no geral o que da pra se observar é que as famílias européias tratam au pair muito melhor que famílias americanas. Mas isso quer dizer que toda família americana é bruxa e toda família européia é fada madrinha? NÃO! NUNCA! Até mesmo por que tem muita menina que é praticamente adotada pela família americana, coisa que é bem mais difícil de acontecer com famílias européias... O que eu quero dizer é que: existem histórias ótimas e péssimas dos dois lados. Não é por que é muito mais comum ver histórias absurdas nos Estados Unidos que você necessariamente vai viver uma. Eu tive uma afinidade muito maior com a Holanda e os holandeses do que com os Estados Unidos e os americanos, quando perguntam da minha experiência particular eu não hesito nem por um segundo ao dizer que prefiro a Holanda em praticamente todos os fatores. Mas isso não quer dizer que pra você  vai ser o mesmo. 
O importante é você saber o que você está procurando e quais são os seus objetivos. E depois de pesquisar muito sobre todos os países que te interessam, veja qual deles se alinha melhor com aquilo que você quer. As experiências alheias são ótimas pra preparar a gente pro pior, mas não devem ser tomadas como verdades absolutas! Analise suas opções e pesquise e leia muito antes de tomar a sua decisão. Toda experiência é válida!

Se você tem dúvidas a respeito do que pode ou não pode em cada país, ESSE LINK DO AU PAIR WORLD é bem completo com todas as informações necessárias e de maneira bem fácil de entender. 
Outra ótima fonte de informações é procurar por grupos no facebook. Existem trilhões de opções e alguns específicos de países e até regiões. Neles você encontra pessoas que passaram pelas experiências e podem estar dispostas a tirar as suas dúvidas. 

Boa sorte!

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03 julho 2015

Se tornando gringa, ou quase...!

Acho que todo mundo tem uma certa idéia dos estereótipos mais comuns do país pro qual tem interesse de ir e antes mesmo de ter match já tem uma bucket list com todas as coisas que quer experimentar assim que chegar. Além dessas coisas, sempre temos também aquelas que dizemos que JAMAIS iremos incorporar, não importa quanto tempo a gente more lá! 
E aí que estamos enganadíssimos... FUEN! 


O engraçado é que ou as pessoas acham que mesmo mudando de país vão continuar as mesmas, ou que tudo vai ser extremamente diferente e nunca mais vão fazer nada igual... E geralmente ambas estão erradas! 
Hoje em dia a gente encontra arroz, feijão e leite condensado em qualquer lugar... E difícil vai ser não incorporar uns fast foods preferidos no cardápio depois de algum tempo. 
Mas como quem está escrevendo aqui sou eu, vamo lá falar das coisas que jamais imaginaria incorporando a minha vida e que quando me pego fazendo me sinto A GRINGA. LOL 

1. LOL 
Sempre achei extremamente tosco no Brasil quando via as pessoas escrevendo risadas usando LOL. Sempre tentei me ater ao universal "hahaha" e consegui por um bom tempo. Até que um dia antes que eu percebesse já estava usando LOL por aí como qualquer americano e me senti extremamente tosca HAHAHA 

2. Drive Thru 
Não lembro de ter usado drive thru no Brasil uma única vez sequer... Ou se usei foi em ocasião rara. Até mesmo por que no Brasil não temos tantos, e a maioria é em lanchonete. Aqui existe até drive thru de banco. E eu já me peguei desviando do meu caminho só pra ir até o banco que tinha o drive thru e não precisar descer do carro pra nada. 

3. Carro 
Essa é uma das coisas mais americanas que eu sempre jurei que jamais me acostumaria. Eu sou ideologicamente anti carros e acho que o mundo seria melhor se o investimento em transporte coletivo de qualidade fosse maior. Lutei contra o carro o máximo que pude, mas principalmente por morar numa roça sem fim fui obrigada a fazer as pazes com ele. E não só fazer as pazes, mas já me peguei dirigindo dentro de um estacionamento pra mudar de lojas. Sim, saindo da porta de uma, indo até a porta da outra. Sem nem notar até estacionar pela segunda vez. Isso sem contar a quantidade de coisas que deixo dentro do meu carro por questão de praticidade. Guardanapos, papel higiênico, garrafa d'água, snacks, chiclete, elástico de cabelo, chapstick... Já já começo a deixar uma troca de roupa e aí posso passar a morar dentro dele oficialmente. 

4. Comida 
Outra coisa que jurei que NÃO IRIA ME RENDER e que antes que percebesse... Lá tava eu. Primeiro por causa do item 2. Migos na hora que bate a larica, que junta ca pobreza, não há nada que um "dollar menu" não resolva! E segundo que morando na roça em que moro, não tem muito o que fazer a não ser sair pra comer. Ai vamo lá pro Applebees... Vamo lá pro Friday's... Vamo lá pro Ruby Tuesday... Vamo lá! Opção de restaurante gostosinho é o que não falta, e como a maioria é "americano" as opções acabam sempre rodando por hamburgers e lanches do tipo. Ou no meu caso: FRANGO. (quem me conhece, sabe!) 

5. Café da manhã doce 
Isso teoricamente entra na categoria comida. Mas como foi algo que marcou MUITO, achei que merecia categoria separada. (e o post é meu e faço ele como quiser!) 
No PRIMEIRO DIA, treinamento da CC ainda, quando vi o café da manhã cheio de coisa doce fiquei meio QQQQQQ cêis tão de sacanagem comigo né? E por muito tempo era a "estranha" que comia pão com queijo frio de manhã. Mas aí aos poucos a gente vai se rendendo as panquecas, aos waffles, aos syrup da vida... E quando vê... Claro que ainda sinto uma falta danada do meu pãozinho francês com presunto e queijo... Mas que substituiria tranquilo por waffles pra vida, não duvido não! 

6. Não almoçar
Esse hábito eu já tinha pego na Holanda, onde eles também não almoçam e comem um sanduichinho apenas. Quando voltei pro Brasil foi um sofrimento, pois sendo o almoço a refeição principal eu ficava me sentindo a mais gorda do mundo, parecia que tava comendo demais, absurdos, em excesso. Até que com algum custo acostumei de novo. Pra ir embora e novamente não ter almoço. Acho que o fato de não almoçar se dá mais ao fato das crianças estarem o dia todo na escola do que ao fato deles não almoçarem em si... Pelo o que notei americano tem uma refeição no meio do dia, não é a principal, mas existe. (diferente da Holanda!) Mas foi tão fácil voltar a acostumar a ficar sem almoçar, que muitas vezes esqueço. 

7. Porções gigantescas
Queria apenas dizer que nas primeiras vezes que sai pra comer eu simplesmente NÃO CONSEGUIA terminar as refeições por que as porções são extremamente exageradas e gigantescas. Sem brincadeira amigos, a pipoca média no cinema aqui equivale a uma extra grande brasileira e os refrigerantes que vem junto são quase do tamanho da nossa cabeça. 
Depois de algum tempo aqui, além de terminar toda a comida que peço, as vezes ainda sobra espaço pra sobremesa. 

8. Compras! Compras! Compras! 
Migos quem me conhece sabe o quão NÃO consumista eu sou. A fama de mão de vaca vai longe e cruza fronteiras (não é a toa que me dei tão bem com os holandeses lol), porém se tem um problema que eu adquiri nessa vida americana... O nome dele é Walmart! 
Eu nunca tive problemas pra economizar e sou extremamente desapegada de bens materiais, tanto que até hoje fico me debatendo se valeria a pena comprar um computador e/ou celular aqui ou não. Mas o Walmart causa uma coisa em mim... tem um poder sobrenatural que quando me dou conta... pffff... Já foi metade do meu dinheiro lá. 
Além disso temos todas as lojas maravilhosas de coisas inúteis a menos de 5 doláres (five below, estou olhando pra você!). Outlets, coupons, cartões de desconto, sales diferentes pra todo e qualquer tipo de feriado. Como resistir ao famoso "pague um, leve dois"?! Já aconteceu de eu ir fazer compras única e exclusivamente por que recebi um coupon de desconto no meu email e era bom demais pra deixar passar! E essa é a hora que meus amigos gritam, horrorizados: Que tipo de alien é você e o que você fez com a Isabella original?! 

Pois é amiguinhos, mudar pra uma nova cultura nem sempre trás as mudanças que a gente esperava. Não que seja necessariamente ruim ou bom, é só diferente! 
Essas são as coisas que estão a cada dia me "americanizando". E vocês? Quais são os hábitos que vocês já mudaram? Adquiriu novos? Perdeu antigos? Era o que você imaginava que seria? Conte-me os seus ~~causos~~ e vamos rir juntos! 



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17 junho 2015

How to become an au pair 1.01: Quais os principais erros a evitar na hora de fazer o match?

Olá amiguinhos do Brasil e do restante do mundo! Como vão vocês? Aqui estamos nós em mais um dia 17! Pra quem perdeu o que aconteceu nos últimos dois meses e gostaria de se inteirar do assunto: 


Hoje vamos falar sobre: Quais os principais erros a se evitar na hora do tão aguardado match?! 


Mais uma vez preciso enfatizar que: Não estou aqui pra ser guru de ninguém e não tenho as respostas pros mistérios da vida. Minha única intenção é tentar ajudar um pouco quem ainda não sabe muito bem por onde começar ou como funciona esse mundo louco de au pair. Claro que no final cada um sabe o que é melhor pra si e não cabe a mim nem a nenhum de vocês julgar! As vezes precisamos passar por alguns caminhos, nem que seja pra provar algo apenas pra nós mesmos, e não há nada nem ninguém que vai ter o poder de fazer a gente mudar de idéia. 
Então VAMO LÁ MINHA GENTE!

Qual a primeira coisa que devemos fazer pra evitar um "mismatch"?

Poderia citar um milhão de coisas... mas antes de mais nada: SER O MAIS HONESTA POSSÍVEL NO APPLICATION. Gente, essa é uma carta batida, porém sempre necessária. Eu sei que todo mundo "enfeita" o application e que ninguém vai procurar emprego colocando todos os defeitos no currículo. Mas na hora de preencher o application com uma agência, ou o cadastro do APW, ou na hora de escrever a carta de apresentação é IMPRESCINDÍVEL que se seja super honesta. Mentir ou exagerar suas qualidades não te ajuda em nada nesse momento. 
Não fale que você dirige super bem quando você apenas tirou a carta por que era requisito pro programa. Não fale que você cozinha super bem quando você se vira só no arroz e feijão básico de todo dia. Não fale que você tem anos de experiência quando você só cuidou de crianças algumas vezes. Mais cedo ou mais tarde a família vai descobrir. E ao invés de serem pacientes e te ajudarem com alguma dificuldade previamente conversada, eles vão é ficar MUITO bravos e decepcionados. Eles estão contratando alguém baseados nas skills que eles acreditam que aquela pessoa tem. E mal entendidos vão acontecer, isso é fato. Porém quando somos honestos a respeito de quem somos nós e quais as nossas expectativas a respeito do programa fica muito mais fácil lidar com as dificuldades quando elas aparecerem. Não adianta falar que você é super independente e madura, se na primeira vez que a host family não te chamar pra jantar no domingo você vai ficar de bico magoada de coração partido se sentindo rejeitada. Não adianta falar que é super família e que não vê a hora de fazer parte de uma família americana se no primeiro evento familiar pro qual te convidarem você se sentir explorada e não vai conversar com ninguém. Ser honesta a respeito de quem você é, quais são as suas habilidades reais e o que você está esperando conquistar com o programa é a sua MELHOR aposta na hora de encontrar uma família que combina com você. Cada au pair tem uma personalidade diferente. E cada família também tem a sua personalidade diferente. E não é porque uma coisa funciona pra aquela conhecida da prima da sua avó que vai ser o mesmo com você. Então anotem, abracem, se apeguem, adotem essa idéia pra vida: SEJA O MAIS HONESTA POSSÍVEL. 

Ok! Preenchi meu application bonitinho, criei meu perfil no APW, to com a carta de apresentação pronta pra enviar via e-mail pra quem quiser... Chegou a hora de começar a entrevistar as famílias! 


Uma coisa importante de lembrar nesse momento é que: Não é só você quem está sendo entrevistada pela família. Você também está entrevistando a família e tem todo o direito de dizer não ou impor algumas condições. 
Pra ajudar com isso, o que eu sempre sugiro é: 

- Primeiro crie a sua família perfeita. Liste todas as coisas maravilhosas que você gostaria que a sua família fosse. Apenas uma kid que vai pra escola, fds off, morando no centro de NYC, com celular, academia, membership do cinema e cartão do transporte pago pela família. Família cristã, que comemora todos os feriados religiosos, vegetariana, inclui a au pair em todos os eventos familiares, inclusive viagens internacionais. Ou seja lá qual outro sonho de família você tenha! Se empolgue, essa é a hora. 

- Depois crie a sua família "aceitável". Faça todas as alterações das quais você abriria mão. Ok, aceito até 3 kids desde que não sejam bebes. Morarei em qualquer lugar do país desde que em cidade grande. Aceito dividir carro com os hosts desde que sempre possa usar pra ir pra aula. Essa é a hora de listar todas as coisas com as quais seriam ok viver. Não vá além do seu limite, seja honesta com você mesma e liste todas as situações que você acha que conseguiria viver com, sem se sentir incomodada ou irritada. 

- Por último crie sua lista proibida. Liste todas as coisas que você JAMAIS aceitaria sob NENHUMA condição. Você é vegetariana e não quer de maneira alguma morar com quem come carne? Coloque isso aqui. Não quer cuidar de criança acima de 5 anos nem que paguem extra? Só aceita ir morar com a família se tiver carro só pra você? Essa é a hora de pensar no pior cenário imaginável e listas as coisas que você não suporta e que realmente não quer de maneira alguma pro seu ano. 

Mantenha essas três listas juntas. Toda vez que aparecer uma família, compare com as listas que você fez e veja de qual ela irá se aproximar mais. 
As chances de você conseguir uma que se pareça com a sua família perfeita é bem pequena, e quanto mais coisas você colocar na lista negra pode ficar mais difícil de encontrar uma família que se encaixe no seu perfil... Mas de qualquer modo é importante que você seja honesta e não se deixe levar pelas emoções do momento. 
Não abra mão de coisas sem as quais você não conseguiria viver. Mas também não se prenda muito a sua família "ideal". Como na hora do match tem sempre um milhão de coisas passando pela nossa cabeça, é importante ter alguma referência visual e prática... Algo que ajude a gente a organizar as idéias e ver se a família que naquele skype parece ser a maior fofura do mundo é realmente aquilo que parece. 
"Ah mas não ta aparecendo nenhuma família, não aguento mais esperar, só tem família ruim, vou aceitar qualquer uma e embarcar logo." 
Claro que não custa nada revisar as suas listas de tempos em tempos... Mas aceitar qualquer família pra embarcar é a maior furada de todas. Você não só vai trabalhar pra eles, você vai MORAR com eles. Lembre-se disso! Essa vai ser a sua vida 24/7 por pelo menos um ano! 
Entendido? 
Moving on! 


Tá conversando com a família, tudo parece lindo e maravilhoso, eles estão exatamente dentro do seu círculo aceitável... Como que eu sei se é isso mesmo ou não? 

- Converse! Converse com eles o máximo que puder, tire todas as suas dúvidas, converse com ex au pair, ex nanny, mande e-mails, peça skypes, não tenha medo de questionar e tirar dúvidas. Tente sempre enviar por escrito as coisas conversadas via telefone/skype. É sempre bom ter uma "garantia" de que aquilo foi realmente conversado e isso garante que você não entendeu nada errado ou imaginou/perdeu algo devido a dificuldade com a língua. 

- Seja honesta com eles a respeito de qualquer ponto que esteja te incomodando. Eles moram em um local do qual você nunca ouviu falar? Pergunte como é a vida lá, se tem escolas por perto, se existe fácil acesso a outras cidades... Tenha certeza que você está 100% confortável com qualquer situação antes de aceitar o match. Eles tem uma dieta específica? Pergunte se é ok você comer coisas diferentes na casa, ou se por questões religiosas aquele alimento não é permitido dentro do teto deles at all e pondere como será a sua alimentação sem aquilo. Nem sempre algo que te deixa insegura de início vai se tornar um problema real. Preste atenção aos detalhes e tente esclarecer o máximo de pontos que puder. 

- Está indo pra algum país da Europa sem agência? Ou vai com agência, mas ser primeira au pair? Se certifique que a família entende o que significa ter uma au pair e conhece a legislação. Peça pelo contrato de trabalho e converse com outras pessoas que já foram praquele país se está tudo de acordo com a lei e com a realidade das outras au pairs. Confirme informações com fontes não relacionadas a família, de preferência diretamente com as embaixadas e consulados. Em muitos países da Europa as famílias não são obrigadas por lei a pagar por algum benefício (ex: curso de língua, cartão de transporte) mas tem por hábito pagar, converse com eles a respeito disso e veja se aceitariam incluir. Ou existem coisas que são obrigados a pagar (ex: seguro saúde) mas dizem que descontam da au pair. Informação não mata ninguém e quanto mais você souber a respeito dos seus direitos e deveres, melhor pra você. 

Como disse lá no começo, se alguém tivesse a receita pro sucesso pronta não teria tanta gente sofrendo nesse mundo né colega? E as vezes acontece de você dar azar e cair com família sacana que mente e explora au pair e não importa quantas precauções você tivesse tomado, teria sido a mesma coisa. E se esse for o caso, PELO MENOS a sua consciência vai estar limpa de saber que desde o início não enganou ninguém e sempre fez todo o possível pra que as coisas acontecessem bem. 
Se você for honesta em relação a quem você é, a sua experiência com crianças e quais as suas expectativas com o programa, além de usar as entrevistas com a família pra realmente conhece-los e não somente apressar um match desesperado, você será capaz de se sentir confortável e confiante na sua decisão. Se você não consegue sentir isso, pare, se distancie um pouco e tente avaliar o que é que está te deixando inquieta. Se é alguma red flag apitando no fundo da sua cabeça, ou se é só nervosismo e ansiedade mesmo. 
Mas eu costumo dizer que instinto é um negócio poderoso, e que se a gente prestar atenção nele direitinho consegue escapar de várias furadas!

Nesse mês ficamos por aqui! Em julho escreverei sobre a convivência com a host family e como balancear o "private time" com o "family time".  

Beijos no coração e até lá! 
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