terça-feira, julho 25, 2017



Esses dias eu estava em uma sessão nostalgia e resolvi rever fotos, e ao revê-las lembrei de algumas situações divertidas que vivi. Enquanto Au Pair eu cuidei de três meninos, o menor de 8 anos, o do meio de 10 e o maior de 13, numa cidadezinha-inha lá no sul da Alemanha. Vou te contar algumas:




Historinha 1: O menor tinha uma melhor amiga e, geralmente, íamos nós três ao parquinho. Na primeira vez que isso aconteceu a situação foi bem cômica. Fomos a pé, os dois e eu. Ao chegar no parquinho, eles começaram e correr e subir e pular e eu toda preocupada que eles fossem cair e se machucar e que era muito algo. Mas eu não conseguia dizer frases completas em alemão para expressar o que eu realmente queria dizer que era “Não suba tão depressa essa escada!”, ou “Não desça em pé no escorregador!”, então eu apenas os chamava pelos nomes e dizia “Não!”. Nem os nomes dos brinquedos do parquinho eu sabia, pra minha frustração. No minuto seguinte, estávamos nós três sentados dentro da casinha do escorregador e os dois pequenos me dizendo como falar as coisas. “Qual o nome daquilo?”, e eu apontava para a balança/escorregador/gira-gira. E eles me diziam.  Ainda me explicavam como era a frase correta se eu quisesse dizer pra eles não fazerem algo. Pode isso? rsrs


Historinha 2: Outra ida ao parquinho, dessa vez apenas o menor e eu. Era inverno e o parque estava todo coberto de neve. Nesse parquinho tinha um morrinho, de onde as crianças escorregavam com trenós. Em cima do morro, encontramos uma criança com a mãe e ela nos pediu que emprestássemos o trenó para o filho descer. Emprestamos, e então eu tive a brilhante ideia de descer rolando o morro. Disse pro pequeno ficar lá em cima e eu fui. No que cheguei lá em baixo eu estava tão tonta que nem consegui levantar, fiquei deitada na neve. Escutei a seguinte conversa entre o meu pequeno e a mãe do outro garoto:
Mãe: “será que ela tá bem?”
Pequeno: “Tá sim. Ela só gosta bastante da neve.”
Mãe: “Ela é tua mãe?”
Pequeno: “Não, é minha Au Pair. Olha lá, ela tá se levantando...”
Então os dois riram lá em cima, e eu ri lá em baixo. Subi e disse pro pequeno “Não faça isso, tu vai ficar muito ton..” – e antes de eu terminar a frase ele já tava rolando morro abaixo.

Historinha 3: Uma tarde de inverno e o pequeno queria ir na casa de um amigo. Terminamos a tarefa e fomos. Como era ali perto, pensei: “vou apenas colocar casaco, não vou por luvas nem gorro”. Fomos de bicicleta, e eu nunca me arrependi tanto de uma decisão. Minhas mãos congelaram e minhas orelhas ardiam de dor. Cheguei em casa e coloquei um gorro na cabeça para esquentar as orelhas. As mãos eu não mexia mais e pensei em enfiá-las debaixo da água quente. Esperta, né? Doeu ainda mais. Aprendi que isso não se faz. Se a mão congelou o certo é esquentá-la secamente não com água. Então as enrolei em um cachecol e fui para a cozinha pegar um café – de gorro na cabeça e mãos em cachecol. O menino maior estava lá fazendo tarefa e ao me ver começou a rir. “Por que tu tá de gorro dentro de casa?”, foi tudo o que ele perguntou. Eu disse que estava com frio nas orelhas. E ele continuou rindo.

Historinha 4: Agora era um lindo sábado de verão e eu combinei de ir passear com uma amiga em uma cidade perto da minha. Coloquei um vestido longo lindinho que eu tinha levado e passei na cozinha, onde minha família postiça estava, para dar tchau para eles. Ao passar pela porta todos me olharam e, depois de três segundos, o pequeno me pergunta “Tu vai sair assim?”. E eu respondi “Sim. Tá feio?”(e a família toda lá rsrs). E ele disse algo nesse sentido “Não, mas isso não é bem roupa de sair de dia” o que eu entendi como “vestidos longos não são muito normais por aqui, portanto tu és estranha” haha

Historia 5: Outro dia de verão. Íamos ao parquinho a pé o menor, a amiga da historinha 1, mais um amigo e eu. Os guris tinham um papo de guri que eu não lembro qual era, mas que eu e a amiga discordávamos. A amiga tentou fazer com que os guris nos entendessem,  mas não funcionou, então ela revirou os olhos para os dois, segurou minha mão e disse “Vou andar contigo e não dar bola pra eles, já que tu me entende”. Girl power! Yeah!! Haha Então seguimos eu e ela na frente e os dois guris atrás. Ao chegar no parquinho ninguém mais lembrava da “briga” e todos brincavam juntos.

Mais historinhas (algumas desesperadoras, outras bonitinhas) eu conto nesses posts:
Não adianta fugir
Oops, e agora?
Estranhices alemãs
Situações desconcertantes


Esses de hoje foram mais curiosos que amedrontantes, fiquei com um pouco de medo quando o menor decidiu rolar morro abaixo, mas nada apavorante.

E você tem alguma historinha divertida (ou não) pra me contar??
E quer que eu escreva sobre alguma coisa específica? Tem alguma dúvida? Deixe um comentário que farei meu melhor ;D
Fiquem bem e até mês que vem o/

Na hora eu ri. Venha rir também!

domingo, julho 23, 2017

Se você esta fazendo o Intercâmbio de au pair na Europa, ou pensando em fazer, mais especificamente na Alemanha ou Áustria,e que continuar na Europa, esse post é pra você!!!

Ola meninxs, mais um dia 23 e com ele um terror chamado férias de verão haha. Mas deixando esse terror de lado, hoje eu vim contar como finalmente, após quase 1 ano e 9 meses eu estou a um passo de deixar a vida de au pair pra trás. *clap,clap,clap*

Quase lá!

A grande maioria de nós, au pairs, sonhamos com a oportunidade de continuar na Europa após o programa, porque convenhamos, um ano é pouquíssimo, e passa voando! Se o assunto for estudar alemão, sabemos melhor ainda que é quase impossível aprender em apenas um ano!
Bom, caso você seja au pair na Alemanha ou Áustria, queira ser e esta pensando em como vai permanecer por aqui após o ano de au pair, eu lhes apresento: FSJ (Freiwillige Sozial Jahr )- O Ano Social na Alemanha.
Como funciona?
Bom o Ano Social - é um programa pela Alemanha, para nativos e estrangeiros para trabalhar nas áreas sociais no geral, como: hospitais, escolas, asilos, pessoas deficientes etc.
Quais são as áreas e atividades? Isso é muito variável, cada instituição divulga uma vaga de acordo com a necessidade deles, como por ex: Um hospital pode precisar de ajuda com idosos, ou uma escola precisa de apoio pedagógico, etc.


Fonte: Google Imagens

Existem milhares de possibilidades, não tem uma regra especifica, você terá que procurar onde for do seu interesse, como por ex: FSJ in Hamburg ou na sua área de interesse ex: FSJ Stelle im Kindergarten.
IMPORTANTE: é muito importante que você cheque antes, quanto oferecem de Taschegeld ("salário") e se eles oferecem moradia. LEMBRANDO: Isso não é um emprego formal, e não existe um salario minimo. A instituição pode te oferecer 100 Euros ou 500 Euros por mês, vai de você ver o que lhe convêm. Lembre-se que você não terá comida "free" o tempo inteiro (as vezes apenas no trabalho), e vai precisar arcar com varias coisas, então olhe minunciosamente e pergunte todos os detalhes da vaga.
Processo Seletivo: Bom, você vai fazer seu currículo em alemão (existem vários modelos na internet), uma carta de motivação dizendo o porquê de você querer fazer o FSJ e como você pode contribuir com a instituição. E ai os jogo começam: Você manda para a maior quantidade de vagas que conseguir e lhe interessar. Caso eles se interessem, irão te mandar um e-mail convidando para entrevista (normalmente presencial mas pode ser via Skype também, o que da oportunidade a quem esta no Brasil).
A Entrevista: No meu caso, eu fui no escritório região da Cruz Vermelha que é a instituição que estava oferecendo a vaga, e eles me encaminharam no mesmo dia para o local de trabalho, fiz outra entrevista com a chefe da escola, (nesse caso), e no mesmo dia, ela disse que gostou de mim e a vaga estava fechada. (Ainda faltava uma entrevista pelo telefone com o escritório central, mas a vaga era minha).

Fonte: Google imagens

O que acontece normalmente: Você é encaminhado para o escritório e de lá após uma entrevista eles te informam sobre as vagas (pode ser mais de uma), e caso te interesse, marcam entrevista no local de trabalho um outro dia.
Após a entrevista caso esteja TUDO ok com ambas as partes (lembre-se de perguntar sobre alojamento, salário, alimentação, horário de trabalho etc), se todos os estiverem de acordo, você pode assinar o contrato e garantir entre 6 À 18 meses de visto e permanência na Alemanha, podendo assim, ter certa independência e melhorar o idioma. E claro, dar adeus a essa vida de au pair, enquanto você se prepara para o próximo passo.
Bom, não vou entrar muito em detalhes, pois o foco do blog é AU PAIR, mas caso vocês tenham dúvidas sobre o FSJ e/ou processo do visto, comentem aqui embaixo, que eu respondo assim que possível.

Boa sorte pra nós!

Beijons até próximo dia 23!




Vida Pós Au Pair: Como ficar na Europa

sexta-feira, julho 21, 2017

Oi pessoal, como vocês estão? Espero que estejam bem!

Em alguns poucos países é celebrado no dia 20 de Julho o "Dia do Amigo". Já o dia 30 de Julho é considerado internacionalmente o "Dia da amizade". Pois bem. A essa hora você já deve estar se perguntando: what does that have to do with the price of tea in China, ou em português: o que isso tem a ver com o post de hoje? 

Fonte: Google Imagens

No post de hoje vou contar pra vocês um segredo: durante seu intercâmbio você vai fazer melhores amigos de um dia e vai descobrir que alguns dos que você chamava de melhores amigos, não passarão de estranhos quando você voltar do intercâmbio.

Isso se deve ao fato de que nem todo mundo irá aceitar que você não é mais a mesma pessoa de 12, 18 ou 24 meses atrás. E tudo bem. O programa de Au Pair é muito intenso e não dificilmente você perceberá que cresceu uns 10 anos em apenas um ou dois anos de intercâmbio, que conheceu tantos lugares e pessoas que na sua vida normal levaria anos luz para viver tanta coisa.

E sobre seus melhores amigos de um dia? Conserve-os e dê valor a eles. Crie laços ainda que sejam fáceis de ser desatados. Vão ser esses amigos que farão valer a pena aquela viagem sozinha que você fez de um final de semana.

Ah, e os amigos do intercâmbio? Se você der a sorte que eu dei, vai ter que entregar parte de você quando se despedir do seu ano de au pair. Eu mesma deixei partes do meu coração com uma colombiana e com uma mexicana. Elas acompanham de longe os meus passos e eu sou muito grata pela amizade delas. Se eu as verei novamente? Talvez sim, talvez não. Quem sabe?

Não tenha medo de dividir a sua história com alguém porque você sabe que aquilo tudo tecnicamente tem um prazo para acabar. Até porque no final, o que ficam são as memórias que contruímos.

Se tiverem alguma dúvida ou sugestão, escrevam nos comentários.

Beijos e até o próximo dia 21!

Bárbara Albuquerque

Best Friends Forever (or not)

quinta-feira, julho 20, 2017

Oi gente, como têm passado? Me: ótima. Motivo? Acabei de voltar das férias DA MINHA VIDA!

Eu sempre tive uma vontade enorme de conhecer a Califórnia por causa dos filmes e séries que eu assistia, então uma coisa sempre foi certeza no meu intercâmbio - eu usaria pelo menos uma semana das minhas férias para conhecer esse estado. A princípio a ideia era visitar com calma as cidades mais famosas junto com algumas amigas. Faríamos nosso roteiro, afinal é uma coisa que eu adoro fazer. Planejar viagem chegar a ser, pra mim, quase tão bom quando viajar em si.

Mas calma. E se nenhuma das minhas amigas conseguissem tirar férias no mesmo dia que eu? Ou se não conseguíssemos chegar a um acordo sobre o roteiro?

Essas dúvidas me apareceram antes mesmo de eu chegar aos Estados Unidos, pra vocês verem o nível de ansiedade da garota. Eis que um belo dia lá por 2016 eu vejo uma publicação no grupão falando sobre uma agência de turismo especializada em Au Pairs que faziam pacotes bem legais pra alguns lugares. Salvei o link. Ou será que o link me salvou? Rs. Sim, sou dessas que tentam prever o futuro.

Meses se passaram e eu estou nos Estados Unidos prestes a escolher a data das minhas férias, quando eu lembro da agência e resolvo dar uma olhada. Foi aí que conheci o pacote Western Sun [mais detalhes aqui], que, além da Califórnia, incluía também uma road trip por Arizona e Nevada (Vegas, baby!). Então além dos destinos já previstos por mim como São Francisco, Los Angeles, Hollywood e Santa Mônica, em Califa, eu ainda conheceria o Grand Canyon, Death Valley (lugar mais quente do mundo), rota 66, Las Vegas e outros lugares que eu conto melhor depois. Você deve estar pensando: nossa, que legal, mas então quanto que ficou essa belezinha de passeio?



Bom, eu não achei o pacote tão caro ($889 por 8 dias), mas o problema é que a passagem de avião é por conta própria, então dependendo de onde você mora, quando somar as duas coisas pode ficar uma leve facada. Como eu comecei a me organizar com bastante antecedência, deu pra conseguir uns preços até razoáveis de voo, mas tive que ficar bem atenta, checando todo dia. Consegui a passagem de ida, saindo da Filadélfia, por $140, e de volta por $170.

A parte boa é que, tirando isso, eu gastei pouquíssimo, pois o dinheiro que pagamos a APA inclui quase tudo: hospedagem em hostels e campings, transporte terrestre (a viagem toda é numa van), quase todas as refeições, a maioria das atrações e tickets e um guia/motorista.

Eu sei que quando falamos em guia turístico automaticamente pensamos numa pessoa tagarelando para um público de 50 anos sobre a história do local. Mas não, todos os guias de lá são novinhos e não vão narrar nada a não ser que você pergunte. O papel deles é nos dar dicas de lugares badalados, nos ajudar a montar nossas barracas nos acampamentos, ser o DJ da van e comprar/organizar nossa comida enquanto passeamos, para não perdermos tempo. Além, claro, de nos dirigir pra cima e pra baixo.



Mas acho que a melhor parte de ter um motorista numa viagem como essa é não ter que se preocupar com estacionamento. Isso otimiza nosso tempo de uma maneira que vocês não têm noção. Fora que o rapaz já foi tanto para aquele lugar, que sabe exatamente os melhores pontos pra tirar foto, evitar engarrafamento, ter uma vista incrível etc.   

Um detalhe que eu esqueci de mencionar é que apesar da agência se chamar Au Pair Adventures, você não precisa ser au pair para participar. Precisa, entretanto, ter entre 18 e 29 anos, o que foi um dos maiores motivos pra me fazer querer ir. Imagina viajar de férias com uma família cheia de criança na mesma van que você? “tá amarrado”. Logo, se você quiser ir com o namorado(a), é bem ok, e, caso não tenha companhia pra ir, vá sozinha mesmo! garanto que fará ótimas amizades. Na semana do meu tour só foram au pairs, dos mais variados países, e foi ótimo conhecer a história e o jeito de cada uma delas.



Agora que vocês sabem os detalhes técnicos e minha opinião sobre as vantagens de fazer uma road trip com agência especializada, eu vou contar minha visão sobre os lugares, falar sobre meus momentos favoritos e compartilhar com vocês as dores e as delícias da minha primeira experiência acampando de verdade. Ops, parece que vai ficar gigante. Vamos deixar para o próximo post? A gente se vê no dia 20 de julho. Enquanto isso vocês podem dar uma sacada das fotos da viagem que eu continuo postando no meu Instagram @juubabu. C u guys!


Western sun: férias com a Au Pair Adventures

quarta-feira, julho 19, 2017





Play it while you read :)
Photograph - Ed Sheeran


Maricota se olhou no espelho e se viu exatamente como há dois anos atrás. Seu rosto tinha essa expressão quase tranquila que convencia todos a sua volta de que ela tinha tudo sob controle e que ela estava certa de sua decisão. Mas em alguns momentos Maricota tinha certeza que um olhar mais atento veria claramente como ela de fato se sentia.



Não é que ela estivesse pensando em mudar de idéia, não. Ela sabia que era hora de ir para casa, ela queria ir para casa. Mas ainda sim seu coração doía pensando no pedacinho dele que ficaria aqui. Maricota se sentia exausta de tentar acalmar sua mente e tentar se convencer de que tudo ficaria bem. Deprimida de pensar em adeus após adeus que ela daria em breve.


Não foi fácil decidir vir. Dizer até logo doeu muito. Porque Maricota sabia o quão incertas são as coisas, sabia que tudo poderia mudar, sabia que quando voltasse ela poderia não encontrar o que e quem deixou quando veio. Mas ela também sabia que era provável que quase tudo permanecesse igual. Havia também a certeza de que mais cedo ou mais tarde ela voltaria para casa. Maricota não era só feita de asas, ela também tinha raízes. Poucas alegrias se comparavam a alegria de um almoço de domingo com a sua família.



Mas decidir voltar fosse talvez mais dificil. Porque para voltar é necessário dizer adeus e não até logo. Dizer adeus a vida que ela havia construído alí a partir das suas escolhas. Ela tinha todo a responsabilidade e todo o mérito por cada detalhe dessa vida. Escolha após escolha ela foi moldando seu novo universo.


Conheceu pessoas de culturas tão extremas a sua. E ao encontrar similaridades no meio de todo esse constraste, se sentiu encantada e decidiu chamá-los de amigos. Se viu trabalhando em lugares que nunca havia se imaginado até então. Aprendeu que não existe trabalho indigno ou trabalho que te faça melhor do que ninguém, também descobriu que dinheiro suado não é só uma expressão. Estudou assuntos complicadíssimos que não havia se atrevido a estudar nem em português, decidiu que era inteligente e capaz. Foi morar com uma família que não era sua, em um país que não era seu. Mas decidiu abrir seu coração e sua mente para as possibilidades e para aquelas pessoas. Decidiu amá-las mesmo sabendo que não seria para sempre. E quando foi chegando a hora de voltar Maricota foi percebendo que dizer adeus é diferente de dizer até logo.


Porque ela tinha certeza de que a partir do momento que ela dissesse adeus, essa vida nunca mais existiria.


E por mais que Maricota tivesse consciência desde o começo que essa vida era uma vida provisória, com data de validade, isso não a impedia de sentir como se estivesse abandonando as pessoas que ela aprendeu a amar alí e até mesmo, uma parte de sí mesma que havia crescido ali.


As ruas pelas quais ela andava todos os dias, o bares que ela frequentava, as pessoas as quais ela encontrava, as mudanças de estação que ela adorava ver, o pedacinho de gente que a havia cativado de uma maneira que ela não imaginava ser possível... todos os aspectos dessa vida seriam daquele momento em diante, memórias.



Tantas memórias de amor, cheias de risos. Memórias de um choro contido, que doeram e ainda doiam. Memórias das aventuras vividas e dos dias que nunca terminaram. Memórias de um cheiro e da sensação de um último abraço. Memórias que construíram mais um capítulo da sua história.



Entre uma lágrima e um riso, Maricota abriu sua caixinha de joias e colocou alí com todo cuidado todas essas memórias tão preciosas. Ela respirou fundo e então mais uma vez ela foi.


Maricota disse adeus.

terça-feira, julho 18, 2017


Olá, gente! Como vão?

Hoje gostaria de falar sobre um assunto que às vezes assusta as pessoas, e que muitas vezes impedem muita gente de fazer um intercâmbio: o idioma.

Quando eu fechei o programa de Au Pair, todos sempre diziam que parecia ser super legal e eu, na minha empolgação com tudo, sempre falava “Por que você não faz também?!”. Quase todas as pessoas me disseram “mas eu não falo inglês...”. Eu sou professora de inglês há 5 anos e a maioria dos meus alunos me diziam a mesma frase: “não viajo/faço intercâmbio porque não sei inglês.”

GENTE, PARA. Sério. Sei que o idioma é uma questão super importante para ir para fora, mas não deixem de ir por causa disso. Gostaria de compartilhar algumas dicas de como eu aprendi, e também as dicas que eu sempre dei para os meus alunos. Vamos lá!

Desde que eu era pequena eu gostava de inglês, meus irmãos iam em uma escola do bairro, mas eu não podia ir porque era muito nova. No entanto, meus pais compravam umas fitas VHS que vinham com umas revistas chamadas Magic English.

Magic English é um conjunto de revistas e DVDs da Disney. Em cada edição é abordado um tema diferente (família, casa, comida, cores, números, etc.). No DVD tem váááários pedaços de desenhos da Disney onde são utilizados os termos do tema (além de ser interativo com quem está assistindo, você repete, canta, fala, etc). E na revista possui várias explicações simples sobre o idioma, utilizando também os personagens da Disney, além de jogos de tabuleiro, tudo em inglês, mas bem fácil de entender! Me ajudou MUITO!
Tem alguns vídeos no youtube (https://www.youtube.com/watch?v=Akz2fTrqT6s) vale conferir, além de ser uma opção barata (em torno de 15 reais cada edição)!



Música é outro meio que ajuda muito quem quer aprender inglês. O que eu fazia muito quando estava aprendendo era pegar uma música que eu gostava, e ficava vendo a letra e a tradução, cantava junto e tentava decorar. Ajuda MUITO para pegar vocabulários novos e algumas expressões, também!
Mas vale lembrar que é bom começar com músicas mais calmas. Tem gente que quer começar já com aquele rap enrolado e desistem e alegam que nunca conseguirão entender, deixa o Eminem pra depois



Séries e Filmes ajudam muito muito muito para pegar a entonação, maneira de falar, expressões do cotidiano, vocabulário e tudo mais. Assim como a música, é bom começar com séries e filmes mais simples, que não usem muitos termos técnicos. Por exemplo, uma série que me ajudou muito foi One Tree Hill, pois se trata de assuntos do dia-a-dia. Conforme for se sentindo mais confortável aí pode ir mudando os ares e assistir outros seriados rsrs.



Escola para as pessoas que precisam de motivação para estudar e aprender algo é uma boa pedida. Hoje em dia há várias escolas e métodos diferentes que podem ajudar todo mundo. Por exemplo, a escola que eu trabalhava até mês passado oferecia aulas de inglês individuais, só o aluno e o professor na sala e com foco na conversação. Então, para quem tem pressa para aprender e principalmente em falar, é uma boa opção. Sei que não são todos os lugares que oferecem esse tipo de alternativa, então outra ferramenta é a internet com aulas online! 


Hoje temos sorte de haver uma variedade enooooorme de ferramentas que podem nos ajudar a aprender um idioma, seja ele qual for. Então o que eu sempre falo é: Não deixem de viajar, fazer um intercambio, ou perder oportunidades por medo de não conseguir falar um idioma.

Espero ter ajudado!
Beijos

E o inglês, #comofaz?

segunda-feira, julho 17, 2017

Oi gente, esse mês de julho eu completo um ano escrevendo no blog e, muito menos divertido, esse é meu último mês de Finlândia e eu estou só no choro. Vejo muitas au pairs contando os dias pra se 'livrar' do programa e eu quero só rebobinar. Entretanto, estou em contagem regressiva para deixar a Finlândia, mas não para deixar de ser au pair, no próximo post contarei aonde será meu próximo ano.

Então, dia 20 de julho eu completo um ano morando aqui, e por isso resolvi fazer um post falando de dez curiosidades sobre esse país que já tem um espaço gigante no meu coração:

  1. A educação é considerada a melhor do mundo. Já fiz um post aqui falando sobre um dia que eu passei na escola a qual a minha hostmom da aula. É simples gente, não teria como ser diferente essa posição no ranking, a Finlândia se destaca pela igualdade entre as escolas, alta qualificação dos professores e por sempre estar repensando o currículo escolar.
  2. Congelar morangos no verão. Não conheci até agora uma família que não congele quilos e mais quilos de morango no verão para durar (teoricamente) o ano inteiro. Aqui em casa foi até janeiro, depois disso passaram a compra os já congelados mesmo. O morango finlandês é delicioso, super doce e grande.
    Metade dos morangos congelados aqui em casa
  3. O estereótipo de um finlandês é bem parecido com o finlandês. Ao mesmo tempo que ele é coração frio, ele é muito carente (quando se trata de dates, namorados,...). Conheci poucas exceções nesse tempo (pra minha sorte minha hostfamily é mais coração quentinho). Eles são pessoas que dão valor ao dinheiro, não saem gastando com qualquer bobagem só por que tem, eles planejam cada centavo.
  4. Eles tomam leite como a gente toma água. Leite Puro. Eles tomam leite com o almoço, janta, café da manhã,.... Tem finlandês que toma um litro de leite por dia. Nas escolas, no horário do almoço as crianças são proibidas de tomar água, ou toma leite ou não toma nada.
  5. O País da Sauna. Tem gente que faz sauna todos os dias aqui, tem gente que só uma vez por semana, mas é uma certeza que todos fazem. Basicamente qualquer casa finlandesa que se preze tem uma sauna, se tu mora em condomínio provavelmente terá uma sauna no prédio. Há milhares de saunas públicas na Finlândia, inclusive em praias. 
    A quantidade de saunas públicas aqui na Finlândia
  6. Existem, basicamente, dois tipos de finlandeses. Existem, como eles mesmo se intitulam, os 'true finns' que são os finlandeses que são alfabetizados em finlandês e não entendem o porquê a língua sueca é considerada uma das línguas oficiais, pois afinal, estamos na Finlândia e não na Suécia. E existem, como eles mesmo se intitulam, os 'Swedish-speak-finns'. São os FINLANDESES (aí de você se chamar eles de suecos) que são alfabetizados em sueco primeiro e não entendem porque a Finlândia continua falando finlandês, já que é uma língua tão difícil. E é muito engraçado ver os dois lados se avacalhando e brigando veladamente. Eu moro numa cidade de true finns, mas perto da maior cidade de Swedish-speak-finns. Então eu conheço os dois lados nessa 'guerra' e posso dizer que é o tipo de problema que eu poderia esperar de um país como a Finlândia. Obviamente não é só na língua que há diferença entre eles, a cultura em geral é um pouco diferente.
  7. Burocracia. Meus amores, juro que nunca mais reclamarei sobre a burocracia e demora para as coisas se resolverem no Brasil depois de morar aqui. Gente, é tudo custoso aqui. Filas e mais filas em supermercado. Fui fazer um boletim de ocorrência e jurando que iria ter ele na mesma hora, descobri que eles mandam pelo correio e que demora uma semana. Para ligar para a migração a linha telefônica só está disponível duas vezes na semana, duas horas cada dia. Enfim, é uma tortura isso.
  8. Finlandês ganha auxílio do governo para tudo. Você nasceu, ganha uma caixa com produtos para o bebê e para a mamãe ou o valor em dinheiro. Depois disso o governo paga mensalmente um valor para cada filho finlandês (segundo o governo é para cobrir os gastos com comida e roupas, segundo os finlandeses reclamões, não da nem para comida) lembrando que o governo paga educação e saúde já. Quando você vai para faculdade (que é de graça) recebe um auxílio para estudar. Isso inclui mestrado e doutorado. Sim, é pra qualquer finlandês que não esteja trabalhando (mas não precisa comprovar renda ou algo parecido, todos têm direito). Finlandês pode ter licença maternidade até 3 anos, isso inclui o pai. Seguro desemprego é válido até tu arranjar outro. Se o teu salário não está cobrindo todas as tuas despesas, tu ainda pode pedir um reforço ao governo. E tem outras rendas que eu não vou ficar citando aqui, por que teria que fazer um post só de rendas.
  9. O imposto finlandês. Eles inclui todo e qualquer dinheiro recebido para cálculo de imposto. Uma criança estava vendendo limonada na porta de casa e o governo foi lá taxar a criança (provavelmente os ganhos da criança deu abaixo do valor considerado para isenção), mas era necessário que a criança declarasse. Um menino de 12 anos estava juntando garrafa pet para poder ir pra Disney, alguém (mal amado pra caramba) denunciou o menino, mas o imposto verificou que o menino já havia declarado os recebidos e era isento também. Os altos salários aqui, chegam a ser taxados em 50%.


    Para quem denunciou o menino de 12 anos e se deu mal
       
  10. Finlândia é um país gelado mas é muito amor, se tiver a possibilidade de vir, venha.

Até mês que vem pessoal.


Paula

10 Fatos sobre a Finlândia

quinta-feira, julho 13, 2017


Olá meninas e meninos,

Meu ano de Au Pair acaba no mês que vem, e esse é meu ultimo post pra vocês.

Nem acredito como esse ano passou rápido e quando eu olho pra trás me surpreendo do tanto de coisa que mudou na minha vidinha.

Por isso decidi, neste ultimo post, fazer uma compilação das coisas que aprendi, em 16 tópicos.

1 – SAUDADE
Saudade é uma das poucas coisas que o tempo não cura, mas que você aprende a lidar.
Na minha primeira vez como Au Pair, tinha 19 anos, achei que não ia aguentar de saudade, e que não seria capaz de resistir um ano sem meus parentes e amigos. Mas resisti, aos trancos e barrancos.
Agora, com 28 anos, a  saudade existe, ela está la, ela martela, mas pra mim, ela é suportável.

Minha dica: recebam o máximo de família e amigos aqui, isso mantém a saudade controlada.

2- LÍNGUA
Hoje eu vejo o Dutch com outros olhos.
Quando cheguei pareciam que um estava brigando com o outro. Agora eu vejo tanta beleza nela. Com seus sons que saem da garganta e vogais impronunciáveis – kkkkk
Serio gente, é uma língua tão mais tão rica, que vale super a pena aprender.

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Minha dica: Cheguem, e comecem a estudar no 2º dia. A qualidade da escola é importantíssima. Gastem dinheiro com isso, vale a pena.

3- PESSOAS
Empatia é um problema sério aqui. Mas não é por mal. Eles simplesmente acham que é normal. Eles são diretos e sinceros, e falam as coisas na sua cara.
Minha dica: faça o mesmo

4- TRANSPORTE
Nada no mundo funciona melhor que o transporte publico da Holanda.

Minha dica: faça o download do app 9292 – ele te levará a qualquer lugar. Antes de sair de casa cheque o horário do trem, ônibus, tram, ferry... etc.

5- ROUPAS
Faz frio aqui, mas também faz calor. Esteja preparado.

Minha dica: suas melhores amigas serão: lã, botas, chinelo e shorts. Nessa ordem.
Não saia de casa sem checar o tempo.

6- COMIDA
Voce vai engordar, fato. E você vai se chocar com as mini porções de carne oferecidas.


Minha dica: passe numa churrascaria antes de entrar no avião.

7- DINHEIRO
O salário de Au Pair não da pra nada.

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Minha dica: traga dinheiro do Brasil. O quanto conseguir.

8- CASA
Exija fotos do seu quarto e da casa antes de vir.
Eles PODEM - ênfase no podem - ser sujos e bagunçados; a casa VAI ser velha e teu quarto pode ter mofo. 
True story

9- FURTOS
Furtos acontecem. São raros, mas acontecem. Fui furtada mesmo sendo brasileira. O cara devia ser muito bom.

Minha dica: pense SEMPRE que você está na 25 de março no final de semana que antecede o natal.
O replacement da ID de Au Pair é 260e, keep that in mind

10 – AMSTERDAM NÃO É TAO LEGAL ASSIM
Amsterdam tem 348924729 coisas para fazer, especialemnte se voce curte museus. Mas não se engane, ela é bagunçada, cheia e cara.


Você vai visita-la, obviamente, mais até do que voce gostaria. 

Minha dica: king's day é demaaaais
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11 – AMIGAS
Suas amigas são suas companheiras. Nunca menospreze o poder da ocitocina.


12 – O POVO
Os holandeses são as pessoas mais bonitas do mundo, na minha opinião. Dá gosto de sair de casa.

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13- MEDICINAS E FARMACIAS
Farmácias aqui são uma decepção, se você for hipocondríaco igual a mim.
Médicos não vão te receitar remédios, e eles acreditam piamente no poder do self-healing. Mesmo se você estiver morrendo.

Minha dica: traga do Brasil todos os remédios que você conseguir tomar. E se precisar de um medico FAÇA DRAMA

 14- NÃO DEIXE DE VISITAR


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Kasteel de Haar
Weesp
Giethoorn
Paleis het loo
Rotterdam
Den Haag
Kinderdijk
Muiderslot
Breda
Naarden
Maastricht
Entre outras...

15 – COMPRAS
Sim, a Primark é muito barata, mas as roupas NÃO duram.

E finalmente,

16- AU PAIR NA HOLANDA
Ser au pair na Holanda, foi a melhor experiência que já vivi na minha vida. Se pudesse começaria tudo de novo.


Foi um prazer fazer parte da vida de vocês esses tempos,
Muito obrigada por tudo!!!


Muitos Beijos,

Li Arbex

Doeg / Doei / Dag