terça-feira, fevereiro 21, 2017

Oi pessoal, como vocês estão? Espero que estejam bem!

No post de hoje eu vou falar sobre religião e o programa de au pair. Na minha opinião, desde que haja respeito e tolerância, tanto faz se sua host family professa da mesma fé que a sua ou não.

É necessário que haja um posicionamento da sua parte em quesitos como: aceitaria trabalhar mesmo sendo impedida de ir a igreja, por exemplo? E esse impedimento pode vir em decorrência de N fatores, como não compatibilidade de horários, ou outra coisa qualquer.

Tudo isso deve ser tratado antes mesmo de um possível match, pois tem coisas que simplesmente nos deixam desconfortáveis, e quando o assunto é religião o desconforto pode ser ainda pior.

Minha host family ia a igreja apenas nos holidays como Páscoa e Natal, por exemplo, mas nunca falaram nada deu ir aos cultos na igreja que eu me tornei membro enquanto eu estava na terra do Tio Sam. Muito pelo contrário, eles me perguntavam sempre como tinha sido e se eu tinha me divertido, as always.

Sou evangélica e antes de viajar encontrei um grupo no facebook chamado “Au Pais Cristãs” e lá encontrei meninas super dispostas a ajudar com suas próprias experiências e dicas. Thank you girls! <3

Acredito que o intercâmbio pode te aproximar ou te afastar da sua religião, vai depender de você, da sua fé e das circunstâncias, é claro. O importante é manter a cabeça no lugar e não fazer nada que você vá se arrepender de ter feito ou de não ter feito. O intercâmbio não é a primeira e nem a última coisa que você vai realizar na sua vida, lembre-se disso.



Se tiverem alguma dúvida ou sugestão escrevam nos comentários.

Beijos e até o próximo dia 21!


Bárbara Albuquerque

Religião Au Pair X Religião Host Family

domingo, fevereiro 19, 2017

Oi gente! Tudo bem? 
Primeiramente gostaria de me desculpar pelo meu sumiço, mas a vida americana de trabalhadora, dona de casa e esposa fez que não sobrasse tempo para o blog. E depois de uma reflexão muito difícil, decidi que o Au Pair, depois de quase 10 anos, será uma página virada no meu livro da vida. E esse é meu penúltimo post no blog. 
Mas chega de detalhes e vamos ao assunto de hoje: 
O que aprendi sendo Au Pair duas vezes?



A palavra é diferença...


Quando embarquei em 2008, passei por um rematch e acabei em uma família onde era só uma cria, país bacanas e liberais (no que eu podia fazer com a criança e meu curfew que era inexistente) eles são mente aberta e adoravam escutar minhas histórias sobre minha família e o Brasil. Foram os melhores 15 meses da minha vida! Apesar de não ter carro disponível, foram muitas aventuras, amava meu host kid como se fosse meu little brother (não vou ser hipócrita e dizer que amava como filho, porque eu adorava a hora que os hosts chegavam em casa e eu podia "devolver" aquele mocinho que tinha o cabelinho escuro e cacheado igual ao meu). 

Retornei ao Brasil e não me adaptei, resolvi voltar e como tive uma experiência maravilhosa da primeira vez, caí em um momento Alice e achei que tudo seria da mesma forma em que foi da primeira vez. Fiz de tudo para que eu voltasse pra mesma cidade, pois poderia ir aos meus lugares favoritos de novo, reencontrar alguns dos meus velhos amigos, e aproveitar tudo o que eu tinha direito por mais uma vez. Infelizmente não pude voltar pra mesma família, pois estava na beira dos meus 26 anos, eles já tinham uma Au Pair que estava tão feliz por lá que estenderia por mais um ano.

Fui para uma outra família e a experiência foi boa, porém muito diferente. Comecei a entender que nesse programa, independentemente de suas regras, você lida com pessoas e cada um é diferente! Não importa a idade, desde do host baby até os hosts grandparents. Cada um tem o seu modo de pensar, de agir e de executar tarefas. Cada um tem o seu modo de interpretar as regras do programa. Cada um tem uma reação de hospedar um estranho em sua casa e confiar nesse estranho para tomar conta do seu bem mais precioso, que não tem reposicão. 

E com esse aprendizado cresci muito como pessoa e aprendi a compreender mais, a compreender o método que cada um trata e educa seus filhos, administra sua casa e controla os horários do seu "empregado".

Pra quem está para entrar nessa aventura ou pensando em trocar de família para o segundo ano, mantenha a sua cabeça aberta, se prepare para todos os tipos de surpresas e desafios e sempre lembre-se que seres humanos não são iguais, portanto a sua experiência será única, 

Beijos e até o meu último post no mês que vem! 

O que eu aprendi sendo Au Pair duas vezes

sexta-feira, fevereiro 17, 2017

Oi Gente, para quem me acompanha todo dia 17 sabe que eu estou trabalhando como au pair na Finlândia e depois de quase cinco meses nessas terras nórdicas o que eu tenho para falar é que eu amo demais esse país. Já estou em depressão por saber que só tenho mais quatro meses. Eu estive no norte, sul, oeste e centro da Finlândia e posso dizer que cada canto aqui é especial!!!
Como eu estou respirando a cultura finlandesa eu gostaria de compartilhar com vocês através dos meus posts e talvez ajudá-las (los) a fugir do obvio de au pair e buscar países diferentes para viver essa experiência. Hoje vou falar sobre música finlandesa.
Primeiro preciso apresentar meu estilo musical, sempre me considerei muito eclética, só existiam dois ritmos musicais que nenhuma musica fazia meu coração bater mais forte – Forró e Rock (e seus derivados). E aí se encontra a ironia, eu, uma guria que não pode escutar um funk, hip-hop ou reggaeton que já corro para rebolar minha bunda vim parar na terra do Rock, mais precisamente heavy metal (eu coloco tudo no mesmo ritmo musical, desculpa quem entende, eu não entendo mesmo e não sei diferenciar). A Finlândia tem 53,2 bandas de heavy metal para cada 100 mil habitantes, se compararmos com o Brasil o percentual cai para 1,86 para cada 100 mil habitantes. Isso é tão incutido na cultura deles que tem algumas bandas de rock/heavy metal que fazem musicas só para crianças, obviamente meus pequenos amam (inclusive a bebê). E querem saber? Eu adoro também, nunca pensei que uma banda vestida de dinossauros cantando rock para crianças em finlandês iria me cativar. Quem quiser ouvir tem letras em espanhol também e são muito fofinhas, segue o video em espanhol da banda Heavisaurus (a minha favorita que as crianças escutam):



Mas, para a minha alegria, mesmo com tudo que falei acima, não é só de rock que os finlandeses vivem. O hip-hop/Rap, Pop e Techno/Trance também tocam o tempo todo nas rádios e tem muita vez nos festivais. Ah os festivais!!!! A Finlândia no verão tem festival todo o fim de semana, as vezes mais de um. A juventude viaja de cidade em cidade curtindo os festivais o verão inteiro, já que estão de férias e aqui eles ganham uma ajuda de custos só para estudar, então eles tem tempo e dinheiro para isso.
Como eu falei no inicio eu estou respirando a cultura finlandesa e por isso tento só escutar bandas/cantores daqui, ainda não entendo bulhufas do que eles estão cantando, mas já tenho os meus favoritos e vou listar aqui. Lembrando, o pessoal abaixo é meu gosto, não necessariamente os mais famosos por essas terras.

CHEEK
Gente, esse cara é meu crush finlandês, sou apaixonada por ele e pela voz dele. Se eu tivesse que escolher só um show para ir aqui seria o dele. Ele está com todos os shows lotados por enquanto, mas sei que ele vai tocar em algum festival no verão, segue um link da minha música favorita dele: 


JVG
Tive contato com a musica deles antes de chegar aqui, foi deles a minha primeira musica finlandesa e acredito que seja a banda/músico que eu mais escute aqui. Essa é uma dupla bem legal, a "atitude" nos clipes deles é caricata, mas eu gosto muito de escutar.


Ellinoora e Erin – Duas ótimas cantoras solos com vozes sensacionais!



Tuure Kilpeläinen Ja Kaihon Karavaani – Eu amo essa banda só por causa desse clipe (mentira, adoro a música), MAS POR FAVOR ASSISTAM ESSE CLIPE!



Bom, é isso por hoje! espero que gostem bastante desse post! Até mês que vem.

Paula Franz

Música Finlandesa

quinta-feira, fevereiro 16, 2017


Maricota andava pensando muito ultimamente. Pensava para onde devia ir daqui a 6 meses. Pensava o que gostaria de fazer e também sobre o ela que deveria fazer.

Quanto mais ela pensava mais possibilidades ela encontrava. Ela podia tentar a sorte na Itália, tentar aprender italiano e se deliciar com todas maravilhas da gula que lá existem. Podia voltar para o Brasil, voltar para o conforto de casa e da família e dar aulas de Inglês. Podia continuar onde estava, fazer mais alguns cursos, estudar mais Freud e entender mais coisas tão esclarecedoras quanto perturbadoras. Podia procurar um novo bico de final de semana pra ajudar com as viagens que ela ainda queria fazer. Ela podia... Podia? O que ela deveria fazer?

Maricota não conseguia parar de pensar se tanta indecisão não era um problema da sua geração, esse excesso de opção, esse exagero de possibilidades e toda essa exposição. Se a globalização fez tudo ficar mais confuso do que costumava ser. Ela via no feed do instagram uns amigos na Austrália outros nos EUA. Lia nos blogs sobre os bilionários de 20 e tantos anos. Via nos reality shows vidas perfeitas e cheias de glamour. Tudo parecia tão acessível...

Tudo era possível para quem de fato quisesse.

Era mesmo? Diziam que sim e faziam parecer que só não era feliz quem não queria ser. Porque afinal, as possibilidades estão todas ao alcance. Criavam então na Maricota, e em outras tantas pessoas, uma culpa sem tamanho. Uma frustração por viver uma vida "normal", por acordar sem rímel e mal humorada, por não saber de tudo, por chorar de raiva, por gostar de ficar em casa, pela simples necessidade de ser humano e pela sua individualidade.
Faziam parecer que qualquer escolha nunca seria boa o suficiente, há sempre algo melhor para se querer logo ali. A nova aspiração coletiva era a inalcançável perfeição plástica.
Era uma geração que viajava muito. Buscavam conhecer novas culturas. Maricota achava que buscavam na verdade um lugar que os fizesse sentir completos, pessoas que os fizessem sentir aceitos e mais uma chance de ser quem quisessem, talvez dessa vez conseguissem ser a pessoa certa.

E quando isso não acontecia e a viagem era apenas um lugar bonito com pessoas legais ou um lugar estranho com pessoas rudes, a solução era encontrar o ângulo e o filtro certo para postar no instagram. Fazer parecer que tudo foi ótimo fazia a frustração um pouco menor. 
Reprimir todo e qualquer sentimento e sorrir para foto. Fingir para os outros e para si. Fingir tanto, idealizar tanto...
Nunca uma geração foi tão conectada e ao mesmo tempo, tão isolada. Maricota odiava tanto tudo isso... Ela não conseguia entender como isso se tornou padrão, como isso começou a parecer natural. Porque todos aceitavam essa existência tão plástica? E de repente ela sabia a resposta. Porque é difícil sentir e é fácil ser plástico.

É difícil lidar com sentimentos e confrontar os nossos demônios internos. 
Então a gente "voa". 
Voa para escapar, voa pela incapacidade de enfrentar tudo o que é difícil e doloroso. É mais fácil e menos traumático reprimir os conflitos internos. Alienar tudo que não é prazeroso para evitar qualquer sofrimento.

A geração da Maricota voava muito e voava sem direção. Sorria muito nas fotos. Bebia muito para conseguir se divertir. Gastava em coisas que não queria para impressionar pessoas de quem não gostava. Se convencia de que se todo mundo fazia era o certo a se fazer. Tomava remédios para poder dormir e calar a consciência que dizia o contrário. Chorava muito sozinha no escuro quando o vazio a devorava.


É difícil fugir de si mesmo. 


Maricota sentia uma vontade imensa de ir contra o fluxo. Não aguentava mais voar. Queria pousar. Era da sua natureza sentir.

Ela andou descalça na grama, nadou no mar, riu de si mesma e dos seus erros, amou incondicionalmente, teve seu coração machucado, sentiu o cheiro da chuva, comeu sem culpa, chorou sem motivo e com motivo, cantou suas músicas favoritas, abraçou apertado e disse eu te amo, brincou com crianças e se sentiu uma delas. Se sentiu viva e inteira. Inteira com os vários pedaços do seu coração. Alguns bons, outros nem tanto. Alguns doíam, outros transbordavam alegria. Mas todos eram seus. 

Todos eram parte de quem ela era. E ela era uma pessoa única, perfeitamente não plástica. 


Maricota e a perfeição plástica

quarta-feira, fevereiro 15, 2017

Oi gente, feliz dia 15 pra vocês! :-)

Sem querer me justificar e já me justificando: eu nunca tive carro e só tirei carteira aos 20 anos de idade. A minha experiência no volante se resumia a ir de vez em quando para um curso que eu fazia aos sábados e de vez em nunca buscar algum parente em algum lugar perto de casa mesmo. E eu estava feliz assim, até porque morava perto de tudo e nunca realmente dependi de carro para sobreviver. 

Naturalmente quando eu resolvi ser aupair eu coloquei no application que não tinha experiência com carros e que não gostaria de dirigir para a host-family. Achava que era muita responsabilidade euzinha aqui que não dirigia no meu próprio país pegar um carro que não era meu para dirigir no país dos outros com os filhos dos outros.


Como eu estava indo pra Holanda de aupair eu nem me preocupei com isso pois na Holanda a maioria das aupairs tem bicicleta ou então faz tudo a pé mesmo. As cidades holandesas eram relativamente pequenas (se comparadas às nossas) então dava para fazer tudo caminhando. 

Eu não fui por agência. Fiz perfil em site, tirei o visto por conta própria, banquei as passagens de avião do meu bolso e fui. A host-family disse que eu não precisava dirigir pois a escola das crianças era pertinho de casa e quando eu quisesse passear tinha um ponto de ônibus na rua de cima que levava até a estação de trem mais próxima. O centro da cidade também era perto e haveria uma bicicleta na casa para eu usar se quisesse. Este foi um dos motivos que eu aceitei trabalhar com essa família.

Chegando lá, surpresaaaa: a host "esqueceu" de me contar que uma das crianças tinha necessidades especiais e ficava permanentemente  em uma cadeira de rodas (nas fotos que eles me mandaram antes de ir pra lá o menino estava sempre sentado no sofá, no chão, enfim, eu não sabia do estado de saúde dele). Imaginem o meu susto quando cheguei lá né? Me senti enganada real.

Agora tentem imaginar como eu fiquei quando a gracinha da minha host disse que eu teria que levar o menino na escola (em outra cidade) de van. Sim, porque a cadeira de rodas dele não cabia no carro normal então eles tinham uma VAN.


Eu mal sabia dirigir um carro, imagina um mini-ônibus. Pânico no caldeirão. Consegui escapar desse perrengue alegando que além disso não ter sido combinado eu não tinha carteira para dirigir veículos grandes e se eu fosse pega em alguma blitz poderia até ser deportada. Os hosts concordaram e acabaram levando o menino eles mesmos já que a host-mom não trabalhava e o que aquela diaba mais tinha era tempo livre. Saravá.

Aí vem o segundo problema: o curso de holandês que eu ia fazer era em outro estado, a mais ou menos uma hora de carro de onde eu morava, os hosts já tinham me matriculado e eu teria que dirigir o carro do host-dad pra ir pra lá duas vezes por semana a noite. Para você que dirige desde que nasceu isso é molezinha mas imagina eu: sem experiência tendo que pegar estrada de noite! Pior: era um Audi A4 enorme, novinho em folha e o host me disse "aconteça o que acontecer, não estrague as rodas do meu carro porque cada uma custou quatro mil euros". Ou seja, além de pânico eu também senti uma leve pressão.

Perguntei se eu podia ir pro curso de trem mas os hosts se recusaram a pagar a passagem e como eu precisava pegar um ônibus e depois dois trens, aquilo ia me custar metade do meu salário de aupair todo mês mesmo com o cartão de desconto. Eu não podia bancar aquilo sozinha então desisti dessa idéia. Um dia o host até me levou na minha escola para eu aprender o caminho. Enquanto ele dirigia eu tentei desesperadamente achar qualquer referência na estrada para me lembrar depois mas fiquei muito nervosa. 

Logo em uma das primeiras vezes que eu fui sozinha pro curso, assim que cheguei na escola e fui estacionar eu encostei no meio fio e o pneu simplesmente furou. WTF?????!! Pelo menos eu estava na escola e a professora ligou pro meu host do celular dela explicando em holandês o que houve. O host foi me buscar em outro carro e no dia seguinte mandou alguém trocar o pneu e devolver o Audi na casa dele. Não levei bronca mas também ninguém me perguntou como eu estava, o que aconteceu, se eu precisava de alguma coisa. E gente, eu fiquei mortinha de vergonha e bem chateada!


Uma semana depois, já voltando pra casa depois da aula, o GPS mandou entrar numa rua diferente, entrei e guess what? Tinham construído uma ponte na tal rua, esbarrei no muro bem na entradinha dessa ponte e o pneu furou de novo! Dessa vez eu estava no meio do nada, já era quase meia-noite, estava tudo escuro, não passava uma alma viva naquele lugar e eu fiquei realmente desesperada.

Para piorar a bateria do meu celular estava acabando então eu mandei SMS pro meu namorado na época e ele respondeu apenas: "cuidado para não ser estuprada".Oi?! Aí mandei SMS pro host-dad, expliquei mais ou menos onde eu deveria estar e depois de uma longa espera ele apareceu soltando fumaça pela cabeça, muito bravo MESMO, me mandou entrar no carro e ficar quieta e não falou mais comigo.

Primeiro: eu avisei que não sabia dirigir. Segundo: pedi para ir de trem e eles não deixaram. Terceiro: do que são feitas as rodas do Audi, alguém sabe? Nunca vi um negócio tão fácil de estragar em toda a minha vida! 


Fui dormir arrasada. No dia seguinte quando acordei e dei bom dia pro host, ele respondeu bravo: "bom dia nada, por sua causa eu não fui trabalhar hoje porque estou sem carro", virou as costas e me deixou no vácuo. Pelo menos eles aceitaram pagar a minha passagem de trem para a escola e eu nunca mais dirigi o carro deles.

Essa família foi muito cruel comigo. Eles me exploravam, me humilhavam, eu cuidava de três crianças difíceis, estava infeliz, os hosts viviam dizendo que não gostavam de mim e uma vez quando me recusei a esfregar a privada do banheiro da host ela me puxou pelo braço escada acima e me obrigou a limpar o banheiro todinho dela. Por essas e outras depois de três meses eu mudei de família. Sabe o que os hosts fizeram? Descobriram o telefone da minha família nova e ligaram várias vezes para eles dizendo que eu era uma péssima motorista e deveria ficar bem longe do carro deles. 


Meus hosts novos ficaram chocados e de novo eu me senti envergonhada e humilhada. Nessa casa nova eu tinha um carrinho só pra mim e os hosts me deram muito incentivo pra dirigir, sempre me elogiavam no volante e me deixaram bastante confortável. Acabei criando um pouco mais de confiança e tirando a vez que atropelei uma pomba e as duas vezes que bati em um poste o resto foi ótimo (risos).

Mas eu vou confessar uma coisa para vocês: eu fiquei tão traumatizada que nunca mais consegui dirigir de novo. Até hoje eu não dirijo, minha carteira de motorista venceu há anos e nunca nem renovei. Eu simplesmente não consigo, entro em pânico e volta na memória os hosts da primeira família gritando comigo, me humilhando e tentando convencer as pessoas de que eu não sabia dirigir e por isso eu era uma pessoa horrível.


A lição que eu tirei de tudo isso foi que a gente precisa saber respeitar os nossos limites e principalmente respeitar as limitações do outro. O que é fácil para mim pode ser difícil para você e te ridicularizar de graça por causa disso só vai atrapalhar ao invés de ajudar. 

Depois do meu ano na Holanda eu até mandei um e-mail para o presidente da Audi no Brasil relatando como eu consegui a façanha de furar dois pneus de um Audi A4 em uma semana, pois eu tinha cer-te-za que o problema era o pneu e não eu. Para a minha total surpresa, o homem respondeu rindo que não tinha nada de errado com os pneus dele e que a culpa não era minha - eu provavelmente só tive azar mesmo. Foi a primeira e única vez que eu consegui rir dessa história toda.

Bati o carro do host - TWICE.

domingo, fevereiro 12, 2017

Olá, meninos e meninas,

Dia 12 está ai de novo!!!!  Uhuulll

Gente, o post de hoje vai ser especial!!! Já que eu resolvi abordar 02 assuntos, ele será dividido em 02 publicações

- Parte da minha experiência nos EUA e sobre os Países que aceitam Au Pairs acima de 26 anos.



Primeiramente, vale escrever que a minha primeira experiência foi maravilhosa!!
Maaaaaas, como tudo na vida teve seus altos e baixos..... peguei a crise dos EUA; divorcio dos Hosts; Rematch de uma família que eu amava; Match com uma família meio doida;

Contudo, toda essa experiência, de um modo geral, foi extremamente válida.

Aprendi muito, sobre muitas coisas, mas principalmente autoconhecimento. Aprendi a reconhecer meu limite, a ter paciência, a entender que um dia tinha 24 horas, e que as vezes era só na 25º hora que as coisas podiam começar a melhorar.

Enfim, o fato é que apesar de ter amado muito meu ano, eu voltei decidida a nunca mais ser Au Pair.
Afinal de contas eu ia me formar na faculdade, ter uma carreira, casar...

 

Acontece que nem tudo aconteceu como eu esperava.
Terminei a faculdade, arrumei um bom emprego, namorei para casar... mas no fundinho do meu coração eu sabia que queria algo mais, algo que eu não conseguiria vivendo a vida conforme as regras.

Ninguém espera que você largue tudo para se tornar Au Pair, né? Ainda mais com 27 anos.  Idade de Settle down... especialmente para mulheres (se é que me entendem)

O fato é que a vida é uma caixinha de surpresa, a gente nunca sabe o dia de amanha.

Quando o meu “amanha” chegou, eu percebi que eu queria/precisava daquele gap year, queria morar na Europa, queria mudar tudo. E graças a deus não tinha nada me prendendo aqui. (leia-se vantagem de não Settle down)
 

Quando comecei a pesquisar minhas opções, cheguei à conclusão que basicamente o único programa que me dava a oportunidade de morar na Europa, sem destruir minha poupança era o Au Pair.
Só que, então, então outro problema.... a idade.

Musiquinha de suspense
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To be continued...


Tot ziens
Muuuitos beijos,

Li Arbex

Um pouquinho de historia... Parte 01

sábado, fevereiro 11, 2017

Olá pessoal, tudo bem por ai? Por aqui tudo muito frio, yep, back to Áustria depois de dois meses de férias no Brasil e como eu já "cheguei chegando", vou logo dando 5 motivoas para você largar tudo e virar au pair!


Recentemente eu recebi mensagens perguntando se valia a pena ser au pair, se realmente era uma boa ideia largar tudo e se aventurar nesse intercambio e porque ele era tão bom. É claro sempre existem os dois lados da moeda, eu tive uma ótima experiencia na Holanda, por isso super recomendo, por outro lado existem meninas que não podem nem ouvir falar em au pair. Considerando tudo de bom que o ano de au pair pode oferecer, aqui vão alguns motivos para você largar de frescura e embarcar nessa.

1. Crescer e amadurecer: ser responsavel por crianças, casa, algumas vezes pets, carro (no caso dos USA) e você mesmo, acredite, te fará aprender inúmeras coisas, crescer muito, amadurecer bastante e ter ainda mais responsabilidade, fará uma menina se transformar em mulher.

2. Autoconhecimento: é impossivel não mudar depois de fazer intercâmbio, por um simples motivo: uma nova pessoa nascerá. Você passará por perregues, por momentos incríveis, saudades, desafios, sonhos se tornando realidade... Muitas vezes isso tudo sozinha, você se conhecerá melhor, descobrirá seus limites, fraquezas, medos, que é mais forte, corajosa e capaz do que imaginava. Isso tudo + os outros itens te tornarão uma nova pessoa.

3. Open your mind: se jogar de cabeça em uma nova vida do outro lado do mundo significa conhecer gente, culturas, comidas, idiomas, de todos os lugares. Você fará amigos da Grecia, China, Alemanhã, Peru, França, Índia e por aí vai. Automaticamente aprenderá que existe um outro tipo de fazer risoto, uma nova maneira de tomar café, que chá é uma coisa totalmente diferente da que você conhece, que comida apimentada é boa, e o desconhecido muitas vezes também é e se não for, pelo menos você experimentou. Você dará espaço para novos certos e errados, para um novo jeito de pensar, isso te fará ver o mundo de um jeito novo e diferente de tudo, te fará abrir a mente!

4. Conhecer culturas diferentes: fazer amigos de diferentes países é sinonimo de conhecer um pouquinho de várias culturas. No final do intercambio você estará falando "saúde" em techo, obrigada em turco, bom dia em grego, amando aquele prato típico da Indonesia e aquela bebida italiana, desejando voltar as soon as possible em Munique quando estiver rolando a Oktoberfest e tentando entender a qual lugar do mundo você pertence agora.

5. Realizar sonhos: esse é sem dúvidas o item mais importante, engrandecedor e gratificante da lista. Todos nós temos sonhos e claro, o sonho de reliza-los. O intercâmbio é o primeiro a se tornar realidade, mas vários outros virão em seguida e quando você pisar naquela cidade que você sempre viu em filmes a sensação será tão amazing que você vai agradecer por ter ido, por ter tido coragem, força de vontade e acreditado em você.

É isso ae galera, eu espero ter ajudado quem estava na dúvida, dado mais força ainda para quem está querendo ir ou pensando em desistir. Boa sorte a todos, qualquer coisa eu estou por aqui, beijoooos!


camihfeer@gmail.com


5 motivos para ser au pair

quinta-feira, fevereiro 09, 2017






Hey! 

Depois de 1 ano e 9 meses, estou voltando ao Brasil, e precisava fazer essa reflexão junto com vocês.

Quando você começou a pesquisar sobre o programa au pair, o que te impulsionou? Quais foram os motivos que te fizeram escolher esse tipo de intercâmbio? O que você imaginou que iria acontecer com você durante esse tempo todo fora de casa?

Nessa última semana em Londres, eu comecei a refletir bastante sobre a minha vida, e no geral, eu nunca me senti tão feliz aqui,mas ao mesmo tempo motivada a fazer tudo de novo em lugar diferente.

Eu saí do Brasil, com tanta vontade de realizar os meus sonhos. E era só isso. Eu só queria conhecer lugares novos, e ser feliz. Não que eu não fosse feliz no Brasil, mas eu precisava mudar. 

E 2017 já chegou cheio de mudanças, jogando os meus planejamentos pro ano novo tudo pro alto, e me vi na correria de ter que organizar a minha vida tudo de novo. E foi aí que vi, que eu estava começando a ficar acostumada com a minha vida aqui, com essa host family, e já não estava 100% feliz, por muitos motivos. Mas a vida acontece, e parece que ela se reorganiza sozinha.

O que eu gostaria de dizer é: sempre se pergunte o por que  você está fazendo isso, se ainda vale a pena. E dizer que tudo bem se você realizar o maior sonho da sua vida, e você sentir que não é um big deal sabe?

As vezes eu ficava, "nossa eu sou muito ingrata, sempre quis estar em Londres, e agora que estou aqui, queria estar em outro lugar". O que é uma bobeira! Eu realizei um sonho incrível, e agora é óbvio que eu vou continuar sonhando, e querendo outras coisas pra minha vida. Não da pra ficar parado no mesmo lugar, e se contentando com o que você tem. Quer dizer, se você se sente bem assim, ótimo. Mas se não, vai correr atrás das suas coisas pra mudar isso.

E eu preciso ser egoísta nesse ponto, pois na verdade só eu sei o que é melhor pra minha vida, quais são os meus sonhos, e qual caminho eu quero seguir.

Dream big!

Hey, não esquece de se inscrever no meu canal do youtube e acompanhar tudo que eu faço aqui em Londres! Sério, estou me divertindo muito gravando os vídeos!

Instagram: Ingrid Costa Blog
Snapchat: Ingridscosta1

Vejo vocês no próximo dia 9!
Beijos,
Ingrid Costa


Reflexão no final do intercâmbio.

quarta-feira, fevereiro 08, 2017



Oi?

Vamos tocar num assunto polêmico: sinceridade na hora do skype!

Sabe quando eu iria imaginar que no meu SEGUNDO dia na casa da host family teria confraternização pós casamento da ex au pair? EM CASA

O host não parava de me dar cerveja, se aquilo ali era um teste eu te digo: falhei.



Agora imagina vc na minha situação.. Vc nem conhece a família, não tem um único amigo ainda, as atenções da festa todas voltadas à ex au pair, qual era a chance de eu sobreviver àquilo sem álcool? Próximo de zero..

Foram umas 7 horas de festa..
5 delas quase que totalmente baseadas em chips com salsa..



Num dia que pulamos o almoço pq ficamos decorando a casa (eu, uma amiga e a mãe da ex au pair).. Minha cara de desconcerto já tinha começado ali..

Quando a galera começou a chegar

GOD

Familias, amigos da menina, e eu.. Perdida..
Minha agonia só diminuiu quando meu host me deu a primeira cerveja, com certeza ele sabia a zona que tava acontecendo na minha cabeça, aquilo foi uma benção hahah

Não tardou pra começar o interrogatório.. De onde eu era, o que eu achava do Brasil, o que eu ja tinha conhecido da cidade, ha quanto tempo eu estava lá.. E meu inglês? Eu achei que fosse desmaiar por umas 3 vezes!

Na primeira hora, sob influência de álcool algum, parecia que eu tinha me cagado, praticamente não me mexia, imagine conversar! E meu desempenho era basicamente


Depois da terceira long neck, a cada pergunta que me faziam eu ja tava como?

Por onde eu começo?

Lá pra terceira hora de festa eu já tinha melhores amigos de infância.. Descobri que sóbrio ali mesmo era só host kid e o dog, a noite tardou pra acabar pra todo mundo..

Ninguém ia embora: NUNCA
Aquele role de festa de americano ter duração de 3 horas não aconteceu ali e só faltou galera armar acampamento..

No final de tudo, lá pelas 11 da noite os amigos da ex au pair quiseram sair, me chamaram e eu fui..
Peguei carona com galera que nem conhecia, td mundo cozido de beber o dia inteiro, fomos parar no meio de uma parada gay cheia de gente pelada.. Nu com a mão no bolso total..

A gente bebendo na rua, como se fosse tudo liberado, fomos até uma praia e as meninas começaram a tirar a roupa pra entrar na água e eu fiquei tipo OI?


E assim foi que duvidaram que eu era brasileira pela primeira vez!

Triste mas real! hahah

Naquele dia cheguei em casa 5 da manhã e já tinha amanhecido (era verão e em Seattle é assim)..
Fiquei no maior medo de encontrar alguém no caminho entre a porta de entrada e meu quarto, foi tenso!

Mas aquele era só o começo, todos percebemos!

Então, sobre dizer pra host family no skype (antes do match) que eu gostava de beber:


2º dia de intercâmbio: Fiquei bêbada na casa da host family na confraternização da ex au pair.