sábado, março 25, 2017



“Teu pais quis ir te buscar”, minha mãe me disse numa conversa.
Olhei surpresa pra ela: “Oi? Como?”
Logo ao chegar na casa da minha família postiça, tirei fotos do lugar e mandei pra eles, para verem que eu estava na civilização e que tudo estava bem. Porém minha casa ficava no final da rua, e atrás da casa tinha um lago e atrás do lago tinham árvores que aparentavam ser uma floresta. E a esperta aqui mandou fotos que mostravam apenas UMA CASA – a minha – e mato, nadinha a mais. E meus pais se apavoraram com isso! Minha mãe me contou que eles chamaram então a antiga Au Pair da família para conversar com eles; ela conseguiu acalmá-los, depois eu mandei fotos de outro ângulo da rua, com mais casas, e eles se acalmaram. Mas ela me disse com essas palavras “Teu pai tava quase indo te buscar!”

Eventualmente meu pai não aparecia no Skype para conversar comigo. Vou contar para vocês que eu conversava com eles quase todos os dias por Skype. Se não ia dar para conversar naquele dia eu mandava um e-mail à tarde avisando – na época ainda não tinha whatsapp. E quando eu viajava era só por e-mail e facebook, quando a internet de algum lugar deixava. E quando alguém da família não aparecia no Skype para falar comigo eu achava meio estranho, mas deixava quieto; vai ver estava ocupado naquela hora, ou algo assim. Depois descobri que era por causa da saudade e que não era pra eu ficar triste de saudade também.

Antes de ir, instalei Skype no computador da vó e ensinei-a a mexer nele, e também no facebook para que ela pudesse me acompanhar. Vejam que orgulho!! Já deixei configurado para que o Skype abrisse quando o computador fosse iniciado. Depois fiquei sabendo que quando eu ligava para a vó e ela demorava para atender era porque o vô ouvia o chamado e ia chama-la para atender (Vô não enxergava, então não conseguia mexer no computador), e que ele ia rápido e desesperado dizendo “A Mel tá chamando! A Mel tá chamando!” E então ela vinha me atender.

Uma das amigas que sempre viajava comigo pela Europa, que era Au Pair numa cidade vizinha a minha, achou que eu ia voltar antes do programado. Descobri isso quando nos encontramos aqui no Brasil, na formatura de outra amiga nossa. E ela disse que parecia que eu sofria demais com a distância e a saudade e por isso ela pensou que eu fosse desistir e voltar para casa. Realmente foi bem difícil no começo, mas eu não pensei em voltar não.

Minhas amigas da faculdade não se encontraram tanto como quando eu estava junto. 
Temos um grupo de amigas da faculdade que se encontra regularmente quando dá certo. Geralmente eu que tomo a iniciativa de chamá-las para os encontros e geralmente é na casa de alguém, não necessariamente na minha. Então no nosso primeiro encontro depois que eu volto do meu ano como Au Pair elas me dizem que não se encontraram tanto porque ninguém se empolgava em organizar, ou algo assim. Ao mesmo que fiquei feliz, por eu ter feito falta de certa forma, fiquei triste, por elas não se organizarem para se encontrar.

Não tinha mais molho de cebola no almoço de domingo.
Domingo é regra que o almoço é na casa da vó. E também é regra que teremos farofa com croutons feita pela tia e o molho de cebola feito pela vó. Sou louca por cebola, adoro de qualquer jeito e insisto no molho de cebola para a salada. Meu tio também gosta, a mãe também, a prima e a irmã; mas descobri que como eu não estava nos domingos para o almoço a vó não fazia o molho! Quando eu voltei o molho também voltou! haha

Achei curioso que me contassem esses fatos.

Bom resto de março e até abril!
Fiquem bem!


Fatos que eu soube depois que voltei

quinta-feira, março 23, 2017

Olá senhoras e senhores aqui estou eu mais uma vez pela última vez!! Ontem foi meu último dia como Aupair depois de dois anos!! Eu estou aqui as voltas do que escrever como meu último post! O que dizer? As coisas que vi? Aprendi? Dicas? Sobre o programa? Eu tenho muitos assuntos mas ao mesmo tempo eu não sei o que escrever!! 
Acho que só posso escrever um muito obrigada! A tudo e a todos! A Deus primeiramente por tudo! A minha família que não é perfeita mas é minha e que me apoia no matter what e são a razão de eu querer ser uma pessoa melhor! Aos meus amigos que agora eu posso são from all around the world obrigada pelo apoio e paciência comigo! A minha host family pela confiança em todos aspectos e pelo respeito com que me trataram nesses dois anos! Ao meu amor que por mais que não entenda nada de português tem me ajudado tanto nesse momento da minha vida! Queria ter te conhecido antes de todos esses hard times e por último mas não menos importante a vocês do blog! Que leram e leem meus posts e que de uma forma ou de outra confiam e acompanharam minha jornada aqui! Se eu consegui tocar nem que seja por um momento a vida de alguém tudo isso já valeu a pena! 
Até a próxima pessoal! Foram dois anos mágicos! 
Com carinho:
Flávia de Oliveira Simões 
Ex Aupair Extraordinaire 

The last one

terça-feira, março 21, 2017

Oi pessoal, como vocês estão? Espero que estejam bem!

Hoje eu vim contar pra vocês um segredinho que quase ninguém sabe... Sabe aquelas coisas que você acha que só acontece com você, mas que no fundo já pode ter acontecido com várias pessoas?

Pois bem. Nas minhas últimas férias como au pair, fiz a famosa trip pra Califórnia com uma amiga da Colômbia. Em 9 dias rodamos 1.500 milhas e passamos por três Estados diferentes: Califórnia, Arizona e Nevada.

Escolhemos deixar Las Vegas e o Grand Canyon por último. Chegamos em Vegas numa quarta a noite, aproveitamos a noite e partimos rumo ao Grand Canyon na quinta feira pela manhã. 

Queríamos cobrir 3 lugares próximos ao Grand Canyon. Além do próprio Grand Canyon, também o Horseshoe Bend e o Antelope Canyon. 

Fonte: Google Imagens - Grand Canyon

Fonte: Google Imagens - Horseshoe Bend

Fonte: Google Imagens - Antelope Canyons

Se não me engano, de Vegas pro Grand Canyon era quase 4 horas dirigindo. Já sabíamos que teríamos que eleger um ou outro para podermos visitar, por causa do tempo que havíamos separado para essa parte da viagem. 

Ao chegarmos no Parque Nacional do Grand Canyon, achamos que seria fácil chegarmos ao Canyon propriamente dito. Mas não, não foi tão fácil assim. Estávamos com o mapa em papel, que ganhamos na entrada do parque e com o GPS (visto que lá não tinha sinal de celular). 

Tentamos chegar perto dos Canyons, mas não sei porque cargas d'água não conseguimos. Aí para não perdermos o único dia que tínhamos, resolvemos ir até o Horseshoe bend. Eu estava no comando na direção e do GPS nessa hora e por algum motivo que eu desconheço até hoje, resolvi não checar o nome do lugar, pois acreditava que sabia de cabeça. E pra minha surpresa, o nome que eu achei que era existia e lá estávamos indo.

Dirigimos por horas a fio e fomos parar no meio do deserto, literalmente, Nossa gasolina estava quase acabando e quando chegamos onde o GPS nos levou, percebemos que estávamos indo pra nenhum lugar. Okay, pensamos: "Vamos voltar pro Grand Canyon e tirar uma fotinho que for e na manhã seguinte, seguimos de volta pra Vegas."

Quando finalmente chegamos no Parque Nacional de volta, o sol estava se pondo. Ficamos estonteadas com a beleza daquele lugar e também não era pra menos, vejam:

Fonte: Arquivo Pessoal

Depois de perdermos a fala e uns bons minutos admirando tanta beleza, resolvemos correr porque sabíamos que não tínhamos muito tempo até o sol se por. Parecia que naquele fatídico dia 21 de Julho de 2016, só tínhamos nós naquele lugar.

Quando finalmente chegamos nos Canyons já era tarde demais. O sol já tinha se posto e nós não conseguimos ver NADA. Querem ver a foto que eu tirei?

Fonte: Arquivo Pessoal

É sério gente, queria estar brincando, mas não, é sério. Nós não somos nenhum um pouco tapadas, mas acho que o cansaço ajudou a atrapalhar. Depois de apreciar os Canyons, fomos pra um hostel lá perto e seguimos de volta pra Vegas antes do sol nascer.

Aconselho vocês a fazerem essa parte da viagem com mais tempo, pelo menos 2 ou 3 dias e se não forem com alguém que se garanta, vão com guia turístico. Sai ônibus de Vegas todos os dias pro Grand Canyon e mesmo com o investimento que vocês vão fazer no passeio, alguém pelo menos que já conhece vai levar vocês até lá e trazer de volta. Vale a pena. 

Não fiquei mega frustrada porque eu estava com os olhos na balada que o Jason Derulo ia cantar e na Pool Party com o Calvin (Lindo) Harris de DJ que aconteceriam após nossa parada no Arizona.

Mas tá aí. Aprendam com os erros alheios pra cometerem não os mesmos, mas outros erros.

Se tiverem alguma dúvida ou sugestão escrevam nos comentários.

Beijos e até o próximo dia 21!

Bárbara Albuquerque

Isso cê num conta!

segunda-feira, março 20, 2017



Oi pessoal! Depois de uns meses sem postar eu finalmente estou de volta para compartilhar com vocês um pouco de como está sendo minha estadia nos Estados Unidos. O sumiço foi por um motivo bem comum no mundo auperiano: o famigerado rematch.

Pois é, se você é ou está considerando ser au pair e, assim como eu, achava que estava imune a isso, melhor começar a cogitar que isso eventualmente lhe ocorra. Afinal, eu nunca imaginei que passaria por isso logo no meu primeiro mês e, ainda por cima, por motivo de direção.  Acontece que desde o momento que você entra na sala de embarque, você vai vivenciar uma enxurrada de baques e surpresas. E, na minha opinião, é aí que está a magia desse programa!


 Foto: Cheguei na nova casa na semana do Natal. Pior época de entrar em rematch possível, mas eu consegui!!

Cheguei a pensar em fazer um post detalhado de como tudo aconteceu, ou até mesmo um texto de superação contando como eu estou BEM melhor nesta segunda família, mas acho que não cabe aqui. Então, para ficar um texto mais enxuto, vou apenas trazer algumas constatações e curiosidades sobre a troca de host family.  

- Conseguir família quando você já está no país é muito mais fácil. Eu levei 7 meses para ter meu match quando estava no Brasil, enquanto para achar minha família do rematch, só levei 9 dias.

- Minha boa relação com minha LCC me ajudou 100% no processo de transição. Ela realmente procurou famílias, me manteve calma e deu ótimas referências sobre mim. Tip: leve presentinho para sua LCC e trate ela bem desde o primeiro meeting. Nunca se sabe o que pode acontecer no futuro.

- Tem mais famílias que não precisam de Au Pair motorista do que nós imaginamos. Eu entrei em rematch porque, segundo minha ex-host mother, eu dirigia como uma iniciante. Meu maior medo era que isso sujasse meu perfil e nenhuma outra HF fosse confiar em mim para dirigir seus filhos. Mas para a minha surpresa, eu tive um grande número de entrevistas; na maioria dos casos, pais que só têm dois carros e usam ambos para trabalhar.
**Só um adendo: atualmente eu cuido de três crianças: 8, 6 e 1 ano de idade. Os mais velhos vão para escola de ônibus escolar e a mais nova fica em casa comigo. Eu divido o carro com os host parents quando quero sair para me divertir ou estudar. Não é tão ruim assim.

- Não pedir rematch por medo é a pior coisa que você pode fazer por si mesma no ano de au pair. Se você não está feliz, o melhor é pedir rematch logo. Quando mais meses sobrando você tiver, mais chances de aparecem famílias interessadas. Meus antigos host parents tiveram dificuldade em achar a nova au pair porque a maioria só tinha 5/6 meses sobrando. Como eu tinha 11, choveu família pra mim. Claro que às vezes acontece de você entrar em rematch na metade do seu ano, e não tem nada que você possa fazer. Também não precisa se desesperar, vai aparecer família também. Mas eu falo em relação às meninas que chegam e de cara se decepcionam com a família, e vai arrastando com a barriga com medo de entrar em rematch. Na minha opinião, você está sabotando a si mesma e ao seu ano, e reduzindo sua possibilidade de escolher melhor a sua próxima família.

Para terminar, fiquem com uma foto da minha nova terrinha que eu estou amando! Falo melhor sobre Philly em um outro post. Obrigada por lerem até o fim. :)


Esse lugar é só amor!


Primeiros meses nos EUA e, PAM, Rematch!

sexta-feira, março 17, 2017

O post de hoje é sobre as comidas e a alimentação finlandesa! Antes de começar, só queria deixar avisado que sempre que eu me referir aos finlandeses eu estou me referindo aos quais eu convivo, vejo nas ruas, nos restaurantes, mas com certeza não estou falando por todos!

Gente, assim que eu fui dando a notícia que eu iria morar por aqui, uma pergunta recorrente que as pessoas me faziam era “mas o que eles comem lá?”. E para ser sincera eu não sabia muito bem, sabia que ia comer bastante salmão e batata e para mim era o suficiente.

Chegando aqui, percebi que a alimentação deles é bem parecida com a nossa, comem bastante massa e batata, muito frango, peixe, embutidos e carne moída! Eventos mais especiais tem outros tipos de cortes de vaca, porco e algumas carnes de caça. O arroz aparece por aqui também, junto com vegetais (normalmente congelados) e salada (PEPINO, COMO GOSTAM DE PEPINO).

Vou separar em duas partes esse post, a primeira vou falar o que eles normalmente comem em cada refeição e depois vou falar sobre algumas comidas finlandesas.

Café da manhã – Normalmente eles começam o dia muito bem, ou eles fazem um smothiee (normalmente de berrys) ou um mingau de leite com aveia (é possível por frutas ou manteiga). Dificilmente eles comem pão nesse horário, mas minhas kids adoram quando eu dou para elas.

Almoço – Eles comem bastante sopa por aqui, massa e batata! SEMPRE acompanhado de carne, já percebi que eles são bem carnívoros por aqui, ainda não conheci um finlandês vegetariano e eles normalmente nem tocam nesse assunto. É quase impossível tu achar num supermercado um sanduíche sem carne, e os restaurantes oferecem pouca opção. Minha hostfamily não é muito seguidora desse costume, mas é algo bem comum na Finlândia eles tomam leite puro e comem pão junto com o almoço! Em todos os restaurantes que eu fui (excetos os de comida mexicana e chinesa) tem pão e leite para você comer a vontade junto com a refeição.

Janta – Igual ao almoço.

Ceia – Normalmente mingau novamente, esse podendo ser de arroz.

Os Finlandeses se intitulam super healthy, a maioria faz algum esporte e os corpos são esculturais. Mas não, eles não são saudáveis, eles só fingem! Eles ainda estão na época que comer coisas diets/lights significa que tu está se alimentando bem (preguiça dessas pessoas), comem quase tudo industrializadoe acham que estão abalando comendo panquequinhas de espinafre provenientes diretas de uma fabrica. Mas eu nem tento argumenta, “é sim, você é super saudável”!!! Eles são magros porque eles comem pouco, pulam direto refeições e eu me sinto uma ogra em buffets quando comparo o meu prato com o dos outros, mas na questão qualidade de comida eu sofro por eles.

Comidas Finlandesas ( Vou contar aqui só o que já provei):

Leipäjuusto: Tradução livre – Queijo de pão. Eu amo queijo, e esse queijo esta nos meus top 3 certamente. Por mais que a tradução seja Queijo de pão ou algo do gênero, normalmente eles comem só o queijo, frio ou quente, ou colocando alguma geléia. Ele lembra um pouco o queijo coalho.
Riisipuuro: Tradução livre – Mingau de arroz. Como eles gostam desse mingau, fico impressionada. Eu particularmente detesto e quase morro quando tenho que comer! Seria o nosso arroz de leite (ou arroz doce) mas sem o doce, com sal e eles colocam manteiga depois de pronto para ela derreter e ficar tipo uma calda, podem colocar açúcar (depois de pronto e já contendo sal) e canela. Quando eu como eu taco canela até não poder mais.
Hanna-tädin kaku – Tradução livre – Biscoito da Tia Hanna – É um biscoito sensacional, que a bisavó das crianças faz muito e por isso tem estoques na minha casa.
Piparkakku – Tradução livre – Pão de especiarias. Mas eles me traduzem para inglês sempre como Ginger Bread – Pão de gengibre. O que não faz o menor sentido, por que não é um pão é biscoito e não vai gengibre, pelo menos não nos que eu comi, e acredite, como isso o tempo inteiro, é muito bom! Eu entendi que eles são cookies de natal, só se faz nessa época. Eles tem tradição de decorá-los e esse na foto foi um que eu decorei (sim, podem apreciar minhas qualidades de decoradora)
Glögi: Tradução livre – Vinho quente. E é isso!! Seria o nosso quentão muito melhorado, vai mais especiarias e eu sou muito fã! Mas também só tem na época de natal.
Salmiakki: Sem tradução. Só sei que é uma das coisas mais terríveis que já coloquei na minha boca. Eles chamam de doce, esta na seção no supermercado das balas e chocolates, mas para mim é uma ofensa ao doce chamar o salmiakki de tal! Sobre os finlandeses? Eles amam!
Karjalanpiirakka – Torta de Carélia (Carélia seria uma região) – É vendido junto com os donuts, os croissants, as pizzas,...e adivinhem? Eu odeio! Advinhem novamente? Os finlandeses amam! Nada mais é do que um salgado recheado de arroz!
Bom é isso, espero que tenham gostado do post e espero que um dia possam provar!!


Até mês que vem!

Paula Franz

Food, Finland, F@*%,... Tudo que é bom começa com F

quinta-feira, março 16, 2017




Ontem eu assisti um filme lindo no netflix que conta a história de uma família indiana que se muda para o interior da França. O filme se chama The Hundred-Foot Journey (em português ficou como A 100 passos de um sonho) e vale cada minuto em frente a TV.
No começo a trama gira em torno dos contrastes culturais e dos conflitos entre a família e sua vizinha da frente. A dona do restaurante clássico francês com uma estrela michelin que não aceita que um restaurante indiano possa existir ali. 
Posteriormente o filme foca na carreira meteórica do jovem chef da família indiana, Hassan.Hassan tem um talento nato pra cozinha e é apaixonado pelas especiarias da culinária indiana. Mas ele também quer aprender a clássica culinária francesa, ele quer desenvolver as técnicas necessárias pra ser um chef profissional. Ele quer ser aceito pela sociedade francesa e ser reconhecido como um igual. Não quer ser rotulado como um bom chef indiano de um restaurante indiano, ele quer ser um chef exepcional. E ele consegue.

Mas no momento em que todos seriam felizes para sempre o filme veio e me supreendeu. Hassan conseguiu o que ele queria. Ele é um chef estrelado cozinhando em um dos melhores restaurantes de Paris mas ele não é feliz para sempre.

Ele atingiu o ápice dos seus dons culinários, estampando a capa das revistas e criando pratos incríveis. Mas quando o restaurante fecha ele continua lá, sozinho com sua garrafa de vinho. O filme capta e expressa de uma maneira tão clara como é a vida de alguém que, embora seja aparentemente funcional está sofrendo de depressão. Na noite de reveillon ele passa por uma multidão vendo os fogos, todos estão felizes, cercados pelas pessoas que amam e ele está ali, novamente sozinho. Mesmo tendo alcançado muito mais do que ele sequer imaginou que poderia alcançar, ele nunca foi tão infeliz.

Felizmente o filme tem outras reviravoltas e Hassan encontra seu caminho. Ele volta para a cidade no interior da frança onde sua família e a mocinha por quem ele se apaixonou moram. Encontra uma maneira de balancear sua vida pessoal com sua ambição e paixão pela cozinha e decide encarar um novo desafio. O fato é que o filme e especialmente o Chef Hassan me fizeram pensar, bastante.

Me fizeram pensar que sonhar pode ser melhor do que de fato realizar os nossos sonhos. Quando a gente sonha a gente idealiza tudo e sequer cogita que ter algumas coisas vai, inevitavelmente, nos forçar a perder outras. Porque tínhamos o plano perfeito! Não é? E quão difícil é aceitar que talvez não fosse bem assim... Claro, todo processo é construtivo. Mas pode ser igualmente decepcionante se as expectativas são grandes demais.

Quanto maior o sonho mais difícil é aceitar que talvez esse ainda não fosse o patamar final, talvez fosse apenas mais um degrau. Obviamente nos ajudou a construir mais um pedacinho da escada. Mas como não se frustrar ao olhar pra baixo e ver todos os degraus que já te custaram tanto esforço? E como não se assustar ao olhar pra frente se deparar com o vazio? Com a necessidade de continuar construindo degraus... Então a gente sofre, as vezes até cogita desistir dessa escada. Desce algums degraus, senta e chora até o coração parar de doer e se recuperar do baque.
Mas eventualmente encontramos uma força que não sabiamos ter. Uma força que faz a gente levantar, respirar fundo e continuar. Então vai lá, sonha mais um pouco, constroi mais um degrau e assim vai aos poucos aprendendo a admirar e aproveitar o que cada degrau tem de melhor!

Freud classificou isso como a essência da vida. Essa constante e infindável busca de respostas para os nossos conflitos, internos e externos.
E ao solucionar um vem a necessidade de lidar com o próximo, e depois com o próximo e o próximo. É isso é o que nos impulsiona a viver. O que desperta nossas ambições e desejos. O que cria em nós a vontade de crescer e superar nossas limitações. Talvez por isso realizar nossos sonhos tão cedo ou ter tudo seja tão desconcertante.
Se acabarmos a escada cedo demais, chegaremos ao topo cedo demais e passaremos tempo demais ali. Entediados sem um novo desafio, sem estímulo algum.E isso não é viver... é na verdade o que Freud definiu como death drive. A tranquilidade resultante da ausência de conflitos. 

Precisamos do movimento, precisamos do conflito, da solução, da dor e da alegria! Nossa alma e nossa mente precisam dos altos e baixos que a escada nos trás. Precisam vivenciar todos os sentimentos que vem da escalada.

Sobre sonhos, realizações e a escada.

quarta-feira, março 15, 2017

Bom dia pra quem é de bom dia e boa noite pra quem é de boa noite! 

Hoje eu vou contar para vocês como eu fui parar na República Tcheca e o desastre que foi ser aupair num país sem nenhuma regulamentação para o programa, com um idioma impossível de aprender e trabalhando para uma host-mom que era mais louca que o Batman.

Vamos começar do começo: eu tinha sido aupair pela primeira vez na Holanda aonde fiquei um ano entre 2006 e 2007. Depois disso fui direto para a França. Um ano depois acabou o contrato na empresa francesa e também o meu namoro então eu voltei pro Brasil. Era a primeira vez que eu voltava pra casa em dois anos e foi super difícil me readaptar. A minha experiência na Europa tinha sido incrível e eu sentia muita saudade. Resolvi então ser aupair de novo, dessa vez em algum lugar mais exótico. Fiz perfil em um site de aupair e no final fiquei dividida entre três famílias: uma na China, uma na África do Sul e uma na República Tcheca.

Desisti da família na China porque basicamente a família queria que eu fosse pra lá ilegal. Além disso eles moravam num apartamento minúsculo, eu não teria o meu próprio quarto e dormiria no sofá da sala. Desisti da família na África com medo da violência, das doenças e de tudo que a gente escuta de ruim por lá. Uma coisa é ir de turista fazer safári e voltar pra casa uma semana depois sã e salva, outra coisa é ir de aupair sem conhecer ninguém no país. E se algo desse errado, para onde eu iria correr? Como eu já tinha ido à República Tcheca duas vezes a passeio e tinha sido amor à primeira vista, fiz o match com uma família de Praga: um casal com duas meninas de 5 e 10 anos.

A host-mom mandou um contrato por fax, onde dizia que me pagaria o curso de tcheco para estrangeiros, a passagem de avião (ida e volta), duas semanas de férias no verão e um salário em coroas tchecas equivalente a US$600 por mês se eu fizesse as refeições com a família ou US$700 por mês se eu comesse fora da casa dela. Ela estava empolgada, nunca teve aupair antes, e como na Rep.Tcheca não existe lei nem visto de aupair o combinado era ela me dar um visto de trabalho da empresa que ela era dona. Em troca eu daria aulas particulares de inglês e espanhol para alguns funcionários da empresa (mas eu também seria paga por isso.) Ela disse que se informou e eu podia ir como turista, lá ela entrava com a papelada junto comigo e a gente mudava o meu visto. O ano era 2008.

Sabe aquela história de que quando a esmola é demais o santo desconfia? Pois é, então senta que lá vem história...


Meu vôo para Praga atrasou e a host ficou me esperando no aeroporto até tarde. Ela ficou muito brava comigo, como se a culpa do atraso fosse minha. Chegando no prédio dela as crianças já estavam dormindo. A host falou que queria me apresentar pro marido dela e na sequência ele levaria as minhas malas pro meu apartamento. 

Eu não sabia disso mas teria um apartamento só pra mim no mesmo prédio da família, porém em andares diferentes. O meu apartamento era lindo, grande, tinha um terraço incrível com vista pro castelo de Praga e uma banheira enorme onde tomei muitos banhos de espuma. O prédio era um prédio comunista, herança do passado político tcheco. Era quadradão, não tinha elevador e cada apartamento tinha um tamanho diferente. Achei bem interessante isso.

Como eu já conhecia Praga eu sabia usar o metrô de lá, sabia onde passear, o que comer, o que fazer no meu tempo livre. O curso de tcheco era difícil e eu me esforcei bastante, mas é punk aprender um idioma onde cada palavra tem umas 20 letras, só tem consoante sem nenhuma vogal e as consoantes ainda tinham acento! Além disso eu me sentia muito sozinha porque além de ser a ÚNICA aupair que tinha em Praga naquela época, os tchecos são fechados para fazer amizade com estrangeiros. Tinha vezes que eu sentava sozinha no meu apartamento e chorava porque era final de semana, eu estava off e não tinha ninguém pra sair ou conversar comigo. Meu apartamento não tinha internet e a televisão não funcionava. Eu passava meu tempo off passeando sozinha na cidade, vendo seriados e filmes no meu laptop, estudando tcheco e tomando sol no terraço.


As tais aulas particulares que eu ia dar na empresa da host nunca aconteceram, ela me enrolou com a questão do visto então um dia eu fui pessoalmente na embaixada brasileira em Praga aonde fui informada que nem existia o tipo de visto que a host tinha prometido aplicar pra mim, ou seja, depois dos 3 meses do visto de turista eu estaria ilegal no país e isso eu jamais aceitaria. Para piorar, a host me fez trabalhar bem mais do que o combinado e ela tinha uma mania irritante de entrar no meu apartamento com uma chave extra quando eu não estava em casa, pegar as minhas coisas e levar pra casa dela. 

Por exemplo: um dia fui cozinhar e não achei o óleo. Depois a host contou que ela tava sem óleo em casa, aí entrou no meu apartamento, pegou o meu e "esqueceu" de devolver. Oi??! Ela também ia lá em casa quase toda noite de surpresa e eu sempre levava o maior susto porque morava sozinha, às vezes estava no banho e de repente escutava a porta abrindo. Quando falei para ela que eu não gostava disso, que ela deveria avisar antes de ir ou pelo menos tocar a campainha, ela se ofendeu e não falou comigo por uma semana. A sensação que eu tinha era que ela não confiava em mim e ficava me vigiando o tempo todo. As crianças eram legais, nunca tive nenhum problema com elas.

Um belo dia a host me disse que ia fazer a festa de aniversário da filha mais nova dela no meu apartamento porque as crianças iam fazer muita sujeira e bagunça e era melhor sujar a minha casa ao invés da dela. Me senti um lixo, tipo assim eu não valia nada, ela ia encher de criança na minha casa e depois eu ia ter que limpar e arrumar tudo. Fiquei bem chateada mas como ela era a dona do apartamento, eu não podia fazer nada.

No meu aniversário ela prometeu me levar pra jantar com a família toda num lugar bem legal mas como ela estava brava comigo por eu ter questionado as minhas horas de trabalho, toda a família me ignorou no meu aniversário fingindo não saber que dia era. De noite ela mandou um SMS dizendo que ia me levar pra jantar ali na esquina, só nós duas, pois precisávamos conversar sério.

Mal sentamos na mesa e ela disse: "temos um problema porque eu não gosto de você mas as minhas filhas gostam." Nossa, eu fiquei arrasada. Ela estava tentando me demitir no meu próprio aniversário ou era impressão minha? Comecei a chorar dizendo que estava me sentindo muito sozinha e que aquele tinha sido o pior aniversário da minha vida. Ela disse que eu poderia ficar lá até acabar meu visto de turista mas depois teria que ir embora. No dia seguinte, acho que por culpa mesmo, ela me deu de presente um voucher para ir na pedicure de um salão bem chique de Praga e dois sais de banho da Lush para usar na minha banheira. Ela não teve coragem de me entregar os presentes, pediu para uma das crianças me dar.

A gota d'água foi quando ela disse que nas minhas férias eu ia pra Croácia com as crianças e os avós para trabalhar pois os avós iam ficar jogando golfe o dia todo e alguém precisava cuidar das meninas. Falei pra ela que não, o combinado era eu ter duas semanas de férias onde eu podia fazer o que eu quisesse e que se eu fosse na Croácia trabalhar então não seria férias. Eu queria receber por isso e depois queria as duas semanas que ela me prometeu para visitar umas amigas na Moldávia e na Hungria. A host levantou, saiu e bateu a porta. Neste dia, neste exato momento, ela selou sem saber o meu destino e o dela. 

Sabe o que eu fiz? Reativei meu perfil no site de aupair, procurei família na Holanda e fui ser summer aupair de uma família holandesa por dois meses no comecinho do verão. Ia dar certinho com o meu visto de turista que durava três meses. Eu já estava em Praga há um mês e ficaria dois meses na Holanda, depois voltaria para o Brasil sem estar ilegal e com as passagens que a host já havia comprado. Era o plano perfeito.

No dia D eu liguei para um conhecido em Praga que era motorista de táxi e ele buscou as minhas malas no meu apartamento, me levou sem cobrar nada pra estação de ônibus da cidade e eu peguei um ônibus pra Holanda, em uma viagem de 24hs de duração que eu fiz muito feliz e aliviada. Tranquei meu apartamento e deixei chave dentro da caixinha de correio dos hosts. Aí mandei um SMS pra host-mom avisando que por ela não ter cumprido  o nosso contrato, por ter me tratado tão mal, por fazer coisas que eu não concordava e pela falta de privacidade na minha própria casa eu estava pedindo demissão. Também avisei onde tinha deixado a chave. A resposta dela foi bem irônica: "pode ir embora, a sua vida sempre foi um circo e vai continuar sendo." Não respondi nada, apenas deixei o chip do meu celular tcheco cair no lixo "acidentalmente", igual quando aquela velhinha do Titanic "acidentalmente" deixou o colar dela cair no mar (risos)


Moral da história: escolham sempre um lugar que vocês tenham amigos para te acolher nas emergências, contatos para te salvar dos perrengues, um idioma que você domine nem que seja só um pouco, assinem um contrato e reivindiquem os seus direitos e não aceitem migalhas. Nosso trabalho não é ser humilhada e definitivamente não saímos de tão longe para sermos maltratadas e ficarmos tristes.

E o summer aupair na Holanda, vocês querem saber como foi? Aguardem cenas dos próximos capítulos... 

Au Pair na República Tcheca

segunda-feira, março 13, 2017

Olá, meninos e meninas,

Continuando o post do ultimo dia 12... caso vocês tenham perdido, deem uma olhadinha la =)

Quando comecei a pesquisar minhas opções, cheguei à conclusão que basicamente o único programa que me dava a oportunidade de morar na Europa, sem destruir minha poupança era o Au Pair.
Só que, então, surgiu outro problema.... a idade.
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Com 27 anos, não é qualquer pais que te aceita.


Por exemplo:
Os EUA, a Bélgica, a França, a Alemanha, entre outros, aceitam meninas até os 26 anos;
Enquanto que a Holanda, Luxemburgo, Dinamarca, Suécia, entre outros, aceitam meninas até os 31. (também conhecido como “Países para Titias que não têm idade para ser Au Pair nos outros”)
(para maiores informações visite www.aupairworld.com)


 Dentre as opções, eu decidi ir pra Holanda única, e simplesmente pela localização na Europa. Eu sempre achei a Holanda bem localizada, e ia ser interessante entender fisicamente os “países baixos”.

Depois que você decide o País, você acaba conhecendo muuuuitas meninas... o interessante é que muitas delas são Au Pair de primeira viagem, algumas com 18 aninhos, e escolhendo justo lá.

Hoje em dia eu vejo os “Países para Titias”, como uma válvula de escape para meninas mais velhas que já não podem ir para outros países (inclusive que pagam melhor).

** Claro eu entendo que tem gente que sonha com os determinados Países, quem sou eu para julgar algum sonho.

Por isso, vale mostrar os dois lados da moeda:

I)   Pode ser que você faça esse programa uma vez na vida, e depois simplesmente, se ache, case, tenha filhos, arrume o emprego dos seus sonhos, e nunca mais a palavra “Au Pair” passe pela sua cabeça... isso é bem possível.
Para ser honesta, de todas as amigas que eu fiz no meu primeiro ano de Au Pair, eu sou a única louca indo de novo.
Pode ser que seu sonho dourado seja morar na Suécia, ou desbravar cada canto da Dinamarca. Então realmente, vá atrás do seu sonho. Não foque exclusivamente no futuro.

II) Agora, se fosse eu, hoje, com 23 aninhos, e tivesse, LITERALMENTE, o mundo a minha disposição, com certeza não iria para um País que aceita o programa de Au Pair apenas uma vez na vida (Como é o caso da Holanda, entre outros).
Com certeza, guardaria a minha opção dos “Países para titias”, para quando fosse mais velha. Afinal das contas ninguém sabe o que a vida nos reserva, e quais voltas ainda vamos dar.
Juro que quando voltei dos EUA, eu prometi que nunca mais seria Au Pair, nunca mais dormiria na casa dos meus chefes, nunca mais cuidaria de filhos dos outros, que definitivamente não seria mãe.... etc.
Contudo, cá estou eu, 07 anos depois, na Holanda... morando na casa dos meus chefes, cuidando das filhas deles e pensando seriamente em ter filhos futuramente...

Acho que o que se pode tirar deste post composto:  é que a decisão de “qual pais morar” é extremamente delicada, tem que ser tomada sem pressa, e analisada com cuidado, porque diferente da família que você escolhe, o rematch de País é beeeeeeem mais complicado ;), e ter opções para o futuro é fundamental.




Espero ter ajudado as indecisas!!
A gente se vê mês que vem!!!

Tot ziens
Muuuitos beijos,
Li Arbex



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Um pouquinho de historia... Parte 02

sábado, março 11, 2017

Oi galera, tudo certo por ai? Por aqui as coisas vão indo... Hoje eu vou tentar ajudar quem está começando a pensar em ser au pair. 



Se você acha que eu vou dar respostas mágicas para todas as suas dúvidas, se engana, eu vou te mostrar onde encontrar as respostas. Eu já fiz alguns posts aqui sobre isso então para não ficar repetindo eu vou linka-los no final desse post.

A primeira coisa que você precisa fazer se está pensando em ser au pair, mas não sabe muito sobre isso é pesquisar! Não adianta, tem que ler, visitar agência, ler mais um pouco, usar o Google, porque as informações não vão cair do céu. Nós aqui do blog adoramos receber mensagens e tentar ajuda-los, mas somos todos voluntários, tiramos do nosso curto tempo livre para responde-los então tentem nos escrever com dúvidas cruciais, primeiro informem-se, depois quando surgirem duvidas concretas, nos procurem ("Oi quero ser au pair, me ajuda?" não é dúvida, muito menos concreta). Lembrando que não somos uma agência, não temos parceria com nenhuma, somos apenas um blog.

Eu sempre digo que uma das primeiras coisas a se fazer (depois de saber com certeza o que é au pair e que você realmente quer isso) é escolher um país. Isso não é atoa, cada país tem suas regras e pré-requisitos, escolha o qual se encaixa melhor com a sua realidade.

Agência as vezes é um serviço obrigatório, eu recomendo para quem está fazendo o processo pela primeira vez, mesmo que o país em questão não exija, porque ele pode ser trick e complicado, logo ter um profissional te orientado ajuda muito, mas cuidado na escolha da agência, como diz minha mãe, nem tudo que reluz é ouro.

Depois de escolhido o país, a agência, começado o processo é hora começar a planejar a nova vida, o que levar, o que deixar - eu super recomendo deixar uma procuração em nome de alguém de confiança - e sonhar com algo que está prestes a se realizar.

Dicas para quem esta pensando em ser au pair
Procurando agencia
Etapas de um longo processo
Quero ser au pair
5 dicas para futuras au pairs


Boa sorte galera, não desistam dos seus sonhos por mais dificeis e distantes que eles pareçam estar. Beijos e até mês que vem!

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