sábado, dezembro 03, 2016

Eu não sei vocês, mas sempre fui muito curiosa com relação a essas coisas básicas do dia-a-dia de uma Au Pair e pouco li sobre limpeza e organização, por exemplo... Então decidi vir contar quais eram as minhas principais obrigações, como eu as realizava e as diferenças entre o Brasil e os EUA.
A minha hostfamily tinha dois grandes defeitos se tratando de faxina: nunca contratavam housecleaner e levavam a sério que tudo que era das crianças eram responsabilidade da Au Pair.
Para facilitar o entendimento de vocês, eu vou separar o post em três tópicos. Em um deles vou contar quais eram as minhas obrigações diárias, outro com as obrigações semanais e um outro com as obrigações quinzenais e mensais (as vezes sazonais).

📝 DAILY DUTIES:
Existiam algumas obrigações diárias, e por serem realizadas todos os dias se tornaram automáticas, espero lembrar de todas...
Logo cedo, eu trocava os meninos e já levava a roupinha deles para a lavanderia. Houveram momentos em que eu lavava roupa todos os dias, ás vezes acontecia de eu acumular e fazer dia sim e dia não, mas não passava de dois dias...
Outra coisa que eu fazia todos os dias era arrumar o playroom e os quartos, já que haviam brinquedos por todos os lados. Eu não me considerava "off" até que estivesse tudo em seu devido lugar, a cama arrumada, inclusive.
A louça era outra obrigação diária, meus hosts não suportavam a pia lotada. Então tudo que eu usava, ou eu lavava na pia (o que não podia ir para a máquina) ou eu colocava na máquina. E raramente a máquina de lavar louças ficava mais do que um dia sem ser ligada, então em 90% dos meus dias trabalhados eu tinha que enxugar e guardar as louças limpas...
Eu também lavava as mamadeiras e copinhos dos meninos todos os dias. Enquanto eles dormiam depois do almoço eu dava esse jeito na cozinha, louça e mamadeiras, todos os dias!
E por último, as privadas! Pois é, meus caros! Bom, levando em consideração que os meus hosts mal ficavam em casa e que, enquanto estavam, usavam a suíte do quarto deles, as outras privadas eram "minha responsabilidade". O que aconteceu foi que meu hostkid mais velho parou de usar fralda e começou a usar a privada, só que o xixi dele deixava a privada meio sujinha demais, e se passasse de um dia já secava e fedia, então eu limpava todos os dias...

📝 WEEKLY DUTIES:
Esses afazeres semanais vão parecer muitos, mas pensem, eu tinha 5 dias para fazê-los, então também já era automático, principalmente porque eu me impunha um calendário e fazia as coisas sempre no mesmo dia ou, pelo menos, tentava.
Na segunda-feira, por exemplo, eu lavava e trocava os lençóis, trocadores e toalhas dos meninos. Era um "dia de lavanderia", porque tinham roupas dos meninos do final de semana todo e eu já aproveitava e lavava mais coisas. Se eu passava o final de semana fora, ainda tinham as minhas, mas eu deixava pra fazer na terça-feira, por exemplo.
Uma coisa que eu geralmente fazia toda semana era tirar o lixo. Tínhamos latões de lixo no quintal e o lixeiro só vinha uma vez por semana, toda quarta-feira. Então, se era quarta e tinha lixo, mesmo que não estivesse transbordando, eu tirava e colocava no latão, já que o lixeiro só viria de novo em uma semana... E se o lixo tivesse transbordando, fosse o dia que fosse, eu também tirava.
Outro afazer semanal era lavar os humidificadores dos quartos dos meninos e o bottle warmer, que era um bagulhete que esquentava as mamadeiras em "banho maria". Como ambos utilizam de água para funcionar e estão diretamente ligados com a saúde dos meninos, era muito importante mantêm-los limpinhos...
Eu também limpava a cozinha uma vez por semana, na realidade, a área comum da casa (cozinha e sala de estar). Como já comentei acima quando falei dos banheiros, todo o resto da casa era, basicamente, utilizado por mim e pelos meninos, então, infelizmente fazia parte da minha obrigação manter tudo arrumadinho, né?
Eu também utilizava o horário da soneca para dar um jeito em tudo e geralmente fazia isso na sexta, sei lá, achava gostoso ficar off no final de semana com a sensação de que não ficou nada desarrumado ou para trás... Depois que lavava a louça, já aproveitava e passava um pano nas bancadas, limpava o fogão, dava uma geral na geladeira, varria e passava pano em toda a área e passava aspirador no tapete da sala...

📝 BIWEEKLY AND MONTHLY DUTIES:
Eu pegava toda semana do dia 15 de cada mês e tirava para fazer faxina, e tinha que ser a semana toda... Os meninos me ocupavam muito e eu não podia simplesmente deixa-los brincando e sair limpando a casa, já que eram pequenos...
Algumas vezes eu colocava um desenho no meu computador para eles assistirem, porque realmente NÃO TINHA OUTRO JEITO, mas acho que meus hosts nunca desconfiaram, já que era extremamente proibido deixa-los assistir alguma coisa...
O que eu fazia, então, era limpar um cômodo por dia. Na primeira casa, eram 3 quartos, meu e dos meninos, e dois banheiros, um meu e um deles. Se o quarto dos meninos fossem ambos no segundo andar, eu limparia tudo no mesmo dia, mas era um em cada andar, então nem tinha lógica querer limpar tudo no mesmo dia. Já na segunda casa, valia mais a pena passar o aspirador em todos os cômodos de uma vez só...
O que eu limpava no quarto deles: as persianas, sim, eu limpava as persianas, e as malditas eram sujas demais; tirava pó dos móveis, passava o aspirador, limpava e organizava os brinquedos dos quartos e lavava os cobertores, tapetes e bichos de pelúcia.
No banheiro: eu lavava as banheiras e os boxes, na cândida mesmo meus amigos; limpava as persianas, os espelhos e os brinquedos de banheira; lavava as pias, privadas, aspirava e passava pano no chão e lavava as toalhas e tapetes.
Também passava aspiradores no corredor comum da casa e na escada, já que era tudo carpete. Ah, e na lavanderia também, ficava cheia de pêlos e cabelos, e esse era outro cômodo que os meus hosts quase nunca usavam, já que mandavam tudo lavar na lavanderia...
Já a cozinha e a sala eu só fazia, mais uma vez, o que eu já fazia toda semana, nada além... E os tênis e crocs dos meninos eram coisas que eu sempre estava limpando também, e as cadeirinhas do carro e o carrinho.

📝 EXTRAS:
Eu tinha outras obrigações, mas elas não eram muito frequentes, o que não significa que não sejam importantes... Os brinquedos e as roupas dos meninos ficavam sob meus cuidados, não só na limpeza. Como assim?
Se eu percebesse brinquedos que eles já não brincam mais, ou que quebraram, ou que estão muito velhos, era minha obrigação coloca-los de lado. Sempre tinha uma sacola no closet de um deles para essa função. E trimestralmente a minha hosta fazia doação para uma ONG.
Com as roupas o esquema era exatamente o mesmo. As roupas do mais velho que iam ficando justas ou pequenas iam para uma caixa para que pudesse ser do mais novo quando as mesmas o servissem. As roupas do mais novo iam para uma outra caixa que, era doada, agora fica para o bebê. Também era minha obrigação pegar as roupas da caixa do mais velho e colocar em uso do mais novo.
Tinha uma caixa para cada idade. Até 6 meses, 12 meses, 18 meses, 2 anos, 3 anos, 4 anos... E por aí vai... Sempre achei bem legal esse perfil reciclável da minha hostfamily.

PRODUTINHOS DE LIMPEZA:
▪️ Vacuum Cleaner
Esse era exatamente o aspirador que os meus hosts tinham, tem a parte da frente, para limpar o chão, e no cabo também tem a parte do caninho, para limpar cantinhos e áreas menores, por exemplo...

▪️ Spray para limpeza de vidros e espelhos
Eram bem úteis e fáceis de usar, espirra e passa um paninho seco logo em seguida, pronto, estava limpo.

▪️ Detergente para lavar louças
Eu achava muito fofo o detergente ser da Palmolive, mas essa é a única diferença do nosso, nada alé, até as cores e os cheiros são iguais.

▪️ Spray de desinfetante com cloro
Era esse que eu usava nas pias, banheiras e privadas. Eu espirrava em tudo, deixava agindo uns 10 minutinhos, esfregava com esponja e enxaguava...

▪️ Lenços humedecidos com adição de cloro
Quer invenção mais incrível que essa? Eu usava para tudo! Até os crocs e brinquedos dos meninos eram tratados com essas wipes, tudo!

▪️ Limpador geral tipo o nosso Veja
Eu usava para limpar o fogão e a geladeira, por exemplo. Ou eu espirrava no pano e limpava, ou direto na peça, e o que minha hosta comprava era o de limão também...

▪️ Mop ou swab, sei lá, o nosso famosos esfregão
Não, não rolava rodo e pano, era esse negócio aí... Na parte de baixo tinha um paninho descartável que era só trocar quando acabava, nessa "garrafinha" ficava o desinfetante, e no topo do cabo tinha um botão que você apertava quando queria acionar o desinfetante. Espero que tenham entendido essa explicação.

▪️ Limpador de gabinetes, armários outros móveis de madeira
O próprio nome explica, é só aplicar e passar toalha de papel ou paninho seco logo em seguida... Nada de água na madeira galera!

▪️ Limpador de bancadas de mármore e similares
O nome explica tudo também. Era com esse produtinho que eu limpava as bancadas da cozinha... Sem erro, espirra, passa um pano úmido e limpo, pronto!

▪️ O tal do Blinds/Shutters Duster, ou seja, o espanador para limpar as persianas
Vai, agora a ideia de limpar as persianas nem parece tão medonha, né? Era só passar esse espanador de pó entre uma persiana e outra e estava limpo! Depois era só colocar a parte focinha do espanador na maquina de lavar...

▪️ Carpet Cleaning Machine
Parece um aspirador e funciona quase do mesmo jeito, só que com água. No compartimento de cima fica a água limpa com o desinfetante e no de baixo vai a água suja. Porque sim, o bagulho já lava e seca tudo de uma vez.

Em resumo é isso pessoal, espero que vocês tenham matado algumas curiosidades com esse post. Eu realmente fazia MUITA coisa. Algumas porque eram a minha obrigação mesmo e outras porque se eu não fizesse ninguém mais faria e eu moraria num chiqueiro...
Mas uma coisa é fato, eu sempre invejei Au Pairs que tinham faxineira em casa e nunca aceitei que a minha hf não tivesse. Mesmo que faxina nos EUA pareça fácil, o sangue brasileiro automaticamente te fará mais detalhista e limpa do que eles, vai por mim...
No final, de verdade, acabava virando tão rotineiro que nem cansava tanto. Sei que lendo deve parecer quase escravidão, ainda mais somado ao trabalho de se cuidar de duas crianças pequenas, mas eu sabia dividir bem os afazeres que, por exemplo, escrever na lista de mercado as coisas que iam acabando virava au-to-má-ti-co e nem parecia trabalho ou obrigação, se é que me entendem...

Meu blog pessoal (sobre Au Pair também): All About the Au Pair Program
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Instagram: @laristf9

Vamos falar de faxina hoje?

sexta-feira, dezembro 02, 2016

   
     Olá pessoal! Tudo bem com vocês? Eu sou a Júlia, fui au pair em 2009, e hoje sou psicóloga. Além do consultório, trabalho orientando pessoas que querem morar fora, principalmente au pairs, e estarei com vocês todo dia 02! 
   No meu último post contei que durante meu ano de intercâmbio passei por 3 rematches, e que separaria um post especial para falar da minha 3ª hostfamily, não só por ter ficado lá por mais tempo, mas, principalmente por ter aprendido muito!
   Acho que, em algum momento de descontração no facebook ou instagram, você já deve ter visto esta frase, né?


   Como psicóloga, eu vejo que ela não é uma regra, mas sem sombra de dúvidas, se encaixa perfeitamente na minha terceira hostfamily. 
   Para este post não ficar muito longo e cansativo, vou dividi-lo em duas partes, e nessa primeira, começarei apresentando minha a minha 3ª HF ! Duas meninas, de 9 e 3 anos "half korean" (metade coreana - não tenho nada contra nenhuma nacionalidade, é só um complemento), a host havia se separado recentemente, e estava brigando pela guarda das meninas na justiça, que até então, era compartilhada; ela trabalhava muito (muito mesmo), e o pai (que morava em outra casa) trabalhava em home office, e havia criado as meninas. Elas eram super apegadas a ele.
   Lembro perfeitamente que assim que a ex au pair foi embora, a Host começou a me passar algumas regras da casa, e uma delas era que o pai não poderia entrar na casa, nem para pegar as meninas, e caso ele entrasse, eu deveria chamar a polícia. Acho que dá para imaginar a minha cara com essa informação, e é claro o medo, né. Até então eu não o conhecia, mas imaginei um homem enorme, um monstro, devorador de criancinhas e au pairs, invasor das casas alheias! Exageros à parte, jamais pensei que o pai era um homem careca, magrinho, com poucos centímetros a mais que eu (detalhe: eu tenho 1,60 cm) e por quem as meninas tinham adoração.
   Meu horário de trabalho lá era bem tranquilo, pois metade da semana as meninas ficavam com o pai. O grande problema acontecia quando eu tinha que buscar a pequena na casa do pai. Eu era a vilã que roubava "a princesa dos braços do herói"; no início era assim que ela me via, e algumas vezes, praticamente arranquei ela a força, contra a minha vontade! Era ela chorando no banco de trás, e eu na frente, com pena! Depois de algumas semanas, tive a ideia de sempre fazer algo diferente nessas ocasiões, um playdate, praia, parquinho, e deu certo! Ela era (deve ser ainda) muito esperta e aprendi a conversar com ela, a ouvi-la e ensinar sobre o que ela estava sentindo, e algumas cenas em particular me marcaram bastante! Lembro de uma vez que fui pegá-la na escola, após um final de semana com o pai. Ela esperava ele, e não eu, e seu rostinho de decepção foi evidente! No carro, com os olhinhos cheios d´água, ela falou: Julia, I want daddy! I like you, but I like daddy better, you know?!" (Traduzindo: Julia, eu quero o papai! Eu gosto de você, mas eu gosto mais do papai, entende?!)  Fiquei sem saber o que falar, e só o que me veio naquela hora foi: “I know how you feel, because I want my daddy too, Sweetie”.(Traduzindo: eu sei como você se sente, porque eu também quero o meu pai, querida!)
   Ela era difícil, sim! Tinha só 3 anos, e já me desafiava, desafiava a mãe, batia, beliscava, xingava as pessoas no mercado, na rua e com palavras pesadas como:  “you fake, you devil, you perv” ( falso, demônio, perverso),  e coisas do tipo, bem inapropriado para uma criança de 3 anos! Usava fraldas, chupeta e mamadeira (mas ficou mocinha e largou tudo no decorrer do meu tempo lá) e no início, só tomava banho com muito choro, gritos e tapas (dela em mim, claro, e como toda criança, depois não queria sair haha). Porém, ela deixava claro em algumas de suas frases, a dor que estava  sentindo em seu pequeno coração, por não entender o que estava acontecendo com seus pais, por ficar dividida entre uma casa e outra, entre duas “babás” ( o pai tinha uma nanny), por ver a mãe com pouca frequência, entre outras coisas.
   
   Antes mesmo de ser psicóloga, eu já acreditava que as crianças eram “esponjinhas”, absorviam tudo dos adultos! E essa era a minha mais velha! Apesar da intensa rotina de trabalho da mãe, que a deixava meio ausente, a mais velha aprendeu o comportamento explosivo, “puxou” MUITO da mãe, e não era à toa que as duas viviam se estranhando.     Inteligentíssima, ela amava cozinhar e decidiu por conta própria aprender português em um site (não me lembro qual era), pois falava que um dia queria vir para o Brasil! Assim como a pequena, ela não gostava de tomar banho, escovar os dentes e os cabelos! E que cabelo lindo ela tinha! Teve uma época, no verão, que ela ficou 3 semanas sem tomar banho, e o "jejum" foi quebrado após o pai falar que a levaria para um “date”! E ela foi linda, de banho tomado, escovinha, unhas feitas e uma maquiagem bem leve! 
   Certa vez, fizemos uma torta de frango brasileira! Eu somente orientei e ela fez! A cozinha ficou virada, e ela não queria ajudar a limpar, e como se não bastasse, jogou um pacote todo de farinha de trigo no chão e falou: limpe, você é paga para limpar a minha bagunça! Lembro também de algumas vezes que, sem motivo algum, ela bateu na pequena, não deixava ela brincar na cama elástica, e ensinava a pequena a falar palavrões e aquelas palavras mais pesadas que comentei.

   É, ela realmente era inteligente, e acredito que o meu rematch tenha sido, em partes, "armação" dela, não para me prejudicar, mas para que ela conseguisse ir morar com o pai!    Aconteceu o seguinte: uma bela noite, a host resolveu sair com as amigas. A princípio, eu ficaria com as duas meninas, mas a mãe das amigas da mais velha a convidou para um sleep over de despedida, pois elas iam de mudar. A hosta deixou ela lá de tarde e eu ficaria só com a pequena! Fomos no parquinho da praia, depois jantamos no nosso restaurante favorito (friendlys, que saudade daquele lugar). Liguei para a mais velha, avisei que colocaria a menor para dormir cedo, e caso ela quisesse vir embora, teria que ser agora! Fui praticamente linchada, e tranquilizada pela mãe das meninas, falando que tudo estava bem! Segui com meu plano original de banho, historinhas e cama; até que as 22:30, meu celular toca. Era a mais velha, querendo vir embora. Conversei, falei que a pequena estava dormindo e que não teria como ir. E ela falou que não se importava, que eu era paga pra isso, e que me virasse, que colocasse a menor no carro dormindo, pois ela queria ir embora! Conversei com a mãe das meninas para saber se tinha acontecido alguma coisa, e ela disse que também não estava entendendo nada.
   Peguei a pequena dormindo, coloquei no carro, mas o gps não ligava de jeito nenhum. Eu nunca tinha ido na casa dessas amiguinhas, que ficava em uma cidade vizinha, 30 minutos dali. Quem me conhece sabe como sou perdida, e a chance de eu me perder com um mapa e orientações do google eram certas! Liguei para ela, expliquei a situação e complementei dizendo “aproveite, suas amigas vão se mudar! Depois você vai sentir saudades!!"  Para a minha surpresa ela “topou” de imediato e falou que eu estava certa!    Ufa, né! Será?!
   Poucos dias depois, a host mandou uma mensagem pedindo para que eu ficasse em casa, pois ela queria conversar! Ela NUNCA tinha me mandado nada parecido em 7 meses lá, achei esquisitíssimo, mas jamais imaginei o que estava por vir! Aí veio a bomba: REMATCH! Aquela vez que eu não fui buscar a mais velha na casa das amiguinhas, ela ligou para o pai, chorando, dizendo que eu não podia ir pegá-la, e ela queria ir embora, e a  mãe também não podia, pois estava “na balada”! Lembrando: eles estavam brigando pela guarda das crianças, e é claro que o pai usou essa situação a seu favor! Se foi de propósito eu não sei, mas eu sei que foi genial! 
   Algumas vezes, quando estava arrumando a mala, a mais velha foi me ajudar, conversar, e notei que em momento algum ela fez aquilo para me prejudicar. Entrei em rematch e tive dias difíceis com a host, pela situação delicada do processo de guarda, mas não tenho dúvidas que ela (se é que foi proposital) não teve intenção de me ferir. A host acabou colocando na pauta de rematch da cultural care que eu não estava apta para cuidar de crianças, tive que sair da casa, pois a situação ficou insustentável, ela me proibiu de interagir (leia-se ver) com a pequena, que vivia me chamando e dizendo que sentia minha falta. Fui para a casa de uma LCC e fui acusada várias coisas que não fiz, mas que no fim, já tinha virado piada (pois as acusações da Host eram muito infundadas).

   Hoje eu não sei como estão as meninas. Recentemente vi fotos em uma rede social e meu coração se encheu de alegria ao vê-las com o pai! Se ele ganhou a guarda eu não sei, mas por ficar 7 meses com elas eu sabia onde a felicidade delas morava, e era ao lado do “daddy” delas! Não tenho absolutamente nada contra a minha ex host, era uma pessoa difícil, e talvez, por trás de adultos difíceis também há emoções, situações ou pensamentos que eles não saibam como resolver.
  

   Depois de 3 semanas eu voltei para o Brasil! Comi o melhor arroz com feijão sem ser de lata do mundo e tive minha primeira crise em uma loja de departamentos com os preços abusivos das coisas daqui, abracei pai, mãe, tios, tias, primos e minha avó! Ah, minha avó (as duas, na verdade), que saudades que eu senti delas!  Passei boa parte do mês na cidade delas, ouvindo as piadas e “causos” de uma, sua risada e sua voz rouquinha, e conversando sobre assuntos diversos com a outra. Meu ano acabaria no dia 04 de janeiro de 2010, e pelas normas do programa, eu teria direito a 1 mês de férias (que já estavam programadas - mas não pagas). 
   No início de janeiro de 2010 minha avó materna deu entrada no hospital, e depois de muita luta, ela foi morar com Papai do céu! Foram horas, dias preciosos que passei com ela, e pelos quais só tenho a agradecer! Não sabemos o dia de amanhã e hoje sou sim imensamente grata pelos meus 9 meses de AU PAIR, por todo aprendizado, crescimento e amadurecimento, mas principalmente pelos “3 meses emprestados” para viver ao lado da minha família, especialmente da minha vó! #Saudades



    Até o próximo dia 02 (que pasmem, será 2017), beijos!! 


Júlia Balieiro Benedini - Psicóloga

(CRP: 08/14965)



PS- este post acabou tomando um rumo diferente do que imaginei, me deixei levar pela emoção do momento e gostei; espero que gostem também! Próximo dia 02 seguem as DICAS de como lidar com CRIANÇAS DIFÍCEIS, e como ensiná-las a lidar com as emoções que ainda não conhecem, técnica que usei com a minha pequena e que deu super certo!

PS ² : espero que tenha ficado claro que a surpresa que tive no pós au pair foi o TEMPO DE QUALIDADE que pude passar com a minha avó; tempo este que eu não teria, se tivesse completado o ano de au pair! <3 

Minha 3ª HOSTFAMILY e a SURPRESA no PÓS AU PAIR

quinta-feira, dezembro 01, 2016



A Dinamarca é recheada de tradições natalinas, e elas tem inicio com o J-Dag, que é o dia em que a Tuborg inicia a distribuição das cervejas de natal nos bares, a tradição teve inicio em 1990, quando a Carlsberg (principal cervejaria do país) criou a data para celebrar o inicio das vendas da cerveja especial de natal.

Esse dia é marcado por muita festa e bebedeira, caminhões de cerveja circulam pela cidade e distribuem pelos bares, gratuitamente, cerveja para todo mundo, além de chapéus e gravatas com o tema da festa.



Logo após vem os "Julefrokosts" na tradução seria um almoço de natal mas que acaba acontecendo mais no final da tarde, é muito comum entre grupos de amigos e principalmente nas empresas, como forma de confraternização entre os funcionários. 

Tradicionalmente se como muito peixe e um arroz doce com geleia, também bebem muito "snaps" tipo uma aguardente, e deve-se brindar e beber sempre que alguém iniciar o brinde.


Outra tradição é o Julekalender, uma das minhas favoritas, e ele pode ser de duas formas, uma que segue o padrão da tv, uma série de 24 episódios, passado diariamente até o natal, e todo ano é uma história diferente, que conta um pouco da cultura nórdica, e a outra são 24 presentinhos, abertos sempre depois do jantar, 

O mais comum são chocolates, uma caixa com 24 compartimentos, que devem ser aberto dia a dia até a noite de natal.


O natal antes do Cristianismo, era uma festa pagã por aqui, por isso, duendes e elfos são presença constantes nas decorações.

Aparentemente eles também curtem umas pegadinhas. pois, hoje de manhã, ao colocar leite para crianças, qual não foi minha surpresa ao ver que o leite estava verde. 

Fiquei com aquela cara de quem não ta entendendo nada e então minha host explicou que era uma pegadinha do Elfo, que tinha mudado a cor do leite, eu achei sensacional haha aparentemente a fabrica que produz o leite curte mesmo essa história das pegadinhas dos elfos,

Bom, e esse é só o começo, estamos ainda no dia primeiro de Dezembro e o clima de Natal já está por todo lado. Volto no próximo dia 01, contando mais um pouco sobre as tradições de natal e final de ano aqui na Dinamarca.

Vi ses ! 

snapchat: Lanobuteco
Instagram: LayNaEuropa


Natal na Dinamarca

quarta-feira, novembro 30, 2016

Olaar! Mais um dia 30! 
Dia de pagamento pra mim (aee), dia que completo 2 meses de Austria (éssidois).

Hoje eu vim falar de coisa boa, apesar das péssimas e tristes recentes noticias (Forçachapeco), eu gostaria de dar a você que ainda não é au pair um fio de esperança, e pra você que ja é au pair, e nem tudo tem ido muito bem, uma injeçao de ânimo.




Eu passei um ano como au pair na Alemanha, e tudo foi mal desde o inicio. Eu tinha planejado tudo com a minha melhor amiga, do inicio ao fim. Quando fomos fazer a entrevista no mesmo dia, apenas com 20 minutos de diferença, eu passei, e ela não.
Eu embarquei para a Alemanha alguns meses depois, um pouco triste e sem muita expectativas sobre meu ano, acho que a pior sensação que se pode ter nessas circunstâncias.
Por sorte, encontrei uma familia muito calorosa, uma host mom Portuguesa e um host dad alemão, mas muito simpatico. Os 3 meninos muito fofos, e tudo ia aparentemente bem.
Acontece que, os 6 primeiros meses eu me senti perdida, e sem foco nenhum. Eu trabalhava 12h por dia ou mais de 60h por semana porque muitas vezes meu host viaja a trabalho, e eu ajudava no fds. Eu estava exausta, apesar do bom relacionamento com a minha host, e de ter total jeito com os meninos. Eu estava totalmente cansada e traumatizada daquela vida de Au pair.



Eu tive um séria conversa com a minha host, e as coisas mudaram por um tempo. Mas pouco tempo depois la estava eu novamente, fazendo horas extras. 
A rotina, as horas de trabalho tudo aquilo havia me desgastado demais, eu estava com exaustão, depressão, eu queria largar tudo e ir embora e NUNCA mais tentar ser au pair na vida.
O verão chegou, com ele a VITAMINA D, pode parece bobagem, mas faz toda diferença no nosso corpo tropical. 
Mas eu também tinha uma viagem longa marcada com a minha host family para Portugal (que foi ótima), porém extremamente cansativa. Eu não tinha schedule definido e trabalhei muito. Mas durante essas 5 semanas longas, eu tive tempo pra pensar e resolve ME DAR UMA SEGUNDA CHANCE!



Eu iria ser au pair de novo, e resolvi procurar uma família na Austria.
Achei uma familia cujo a mãe é britânica, o pai Austriaco, e 3 meninos grandes (7,9 e 12 anos), eu seria no caso, a oitava au pair deles. Ou seja, sem novidade. Mas eu tava com medo, medo de não dar conta, Medo de nada ser diferente, medo de ter que passar por tudo aquilo de novo, medo de ter que lidar com um pré adolescente, medo da comunicação, medo de tentar.



Mesmo assim, eu tentei. E posso dizer, que estar aqui na Austria foi a melhor coisa que me aconteceu desde que coloquei os pés na Europa.
A minha família esta longe de ser perfeita, claro... Porém, eles estão perto da perfeição. Do inicio ao fim me fizeram sentir em casa, me tratam bem e com naturalidade, me acompanham e tem muita paciência comigo. Os meninos cujo eu achei que seriam o maior dos problemas, me respeitam, e entendem todas as regras que tem que seguir. Em 98% do tempo eu nem tenho que mandar-los fazer algo, eles fazem por si mesmos.
Eu trabalho muito menos que pensei, e tenho consigo fazer as atividades que eu mesma achei que não seria capaz (como ajudar na homework). Tem sido dias bons, numa boa familia, numa boa cidade em um ótimo país. 
Hoje meu alemão esta gradativamente melhor, e meu inglês muito muito melhor a cada dia.
Ah e lembra da minha amiga que ficou pra trás? Bom, ela ta na Alemanha a dois meses e enfim muito bem obrigada!
A Austria foi pra mim a calmaria depois da tempestade que vivi na Alemanha. Mas eu ainda to em busca do arco-íris da minha vida :)

 (foto by: Boy :))

Enfim, para você que ta cansada dos tropeços da vida, cansada  de levar na cabeça, cansada talvez da sua host family, ou em duvida se deve ou não continuar em frente.
Meu conselho é: CONTINUE A NADAR! Depois da tempestade sempre vem a calmaria.

Beijos até próximo dia 30.


Depois da tempestade vem a calmaria

terça-feira, novembro 29, 2016

Hoje tinha tudo para ser mais um post sobre a vida de intercambista. Mais algumas linhas sobre os perrengues que passamos morando fora do país. Eu entraria aqui, escreveria sobre a pesquisa que fiz essa semana, redigiria as opiniões que recebi e deixaria meu contato para o caso de vocês terem dúvidas. Porém, o cenário foi outro. Hoje eu acordei com uma notícia que partiu meu coração. Passei o dia amuada pelos cantos, refletindo. Somos um sopro nessa breve imensidão que é a vida. Fiquei o dia assim: refletindo. E nenhuma das minhas palavras parecia eficiente descrever tudo que eu queria. Nada parecia bom. Hoje eu entrei aqui sem fazer ideia de por onde começar. Tanto espaço em uma tela em branco para uma vida tão curta. E somos nós que vamos redigindo cada letra e colocando cada palavra no lugar, escrevendo os capítulos na nossa história. Uns mais longos, outros mais complicados. Mas somos nós, simples humanos, que seguimos escrevendo. Até o dia que vem o inesperado, a roda gira-como disse o poeta- e entendemos a fragilidade da nossa vida que se parte. Se parte no outro, pois quando partimos já não somos. Se parte nos sonhos perdidos e nas expectativas que todos tinham por nós, pois para quem segue "O Caminho, o sonho só foi adiado até a próxima estação. Mas para quem fica...


Então, como eu iria entrar aqui e te dizer como redigir as suas linhas? Como eu iria simplesmente entrar aqui e te dizer o que eu acredito ser o melhor para a *sua* vida? Hoje não deu. Hoje não consegui alinhar meus pensamentos e dar conselhos sobre intercâmbio. Eu choro todas as vezes que vejo notícias sobre os sonhos adiados. Choro pelos amigos e famílias abaladas. Choro, pois ainda não somos capazes de compreender totalmente esse evento de partida. Choro porque somos tão pequenos e nos desentendemos por tão pouco ao invés de darmos mais valor ao próximo, mais amor. Quanta perda de tempo contando as diferenças! Quanta perda de vida! Estamos aqui de passagem... E foi assim eu resolvi insistir e contar da tal pesquisa que mencionei ali em cima...

A pesquisa que eu havia feito, em dois grupos do FB, era sobre as eleições nos EUA. Eu perguntei o que os meninos, que já estavam morando lá fora, tinham achado do resultado.  Se achavam que muita coisa iria mudar ou se achavam que tudo continuaria igual. Perguntei também se eles já tinham presenciado algum caso de agressão "justificada" pelas "ideologias defendidas" pelo futuro governo. Sim, pois existem pessoas que acham que podem "justificar" agressões baseadas nas atitudes de um outro agressor errôneo. Assim, eu recebi alguns relatos e separei, com autorização, para vocês: 




É claro que não podemos tirar conclusões com "uma pesquisa" tão informal e breve, mas é bom que todos saibam que o clima mudou sim! Embora nada mais sério deva ocorrer, o clima é outro. Não quero desanimar nenhum de vocês e muito menos causar preocupações desnecessárias, mas talvez seja muito bom andar com os olhos abertos, o coração fortalecido (pois ouvir certas coisas não deve ser lá muito fácil) e a mente esperta (pois para debatermos temos que ter leituras fundamentadas sobre os assuntos). Já imaginou você sentando com amigos americanos para jantar e não saber dados importantes das últimas eleições ou bons argumentos que possam defender o seu ponto de vista sobre qualquer assunto? [E se você passou por aqui e está morando lá fora, vale qualquer lugar do mundo, como está a situação das minorias aí (imigrantes, comunidade LGBT etc)? Escreva aqui nos comentários. Ainda temos leitoras querendo saber, claro!]


Bom,  o que eu tenho a dizer juntando esses dois assuntos é muito simples! A vida é muito breve para vivermos à sombra desses sentimentos tão pequenos que dividem e categorizam em bons e ruins os seres humanos pelo seu gênero, orientação sexual, nacionalidade. Veja bem: a nossa breve vida não vale isso! Não vale nenhuma rivalidade, nenhum ódio. Um belo exemplo foi o que os times do Brasil e do mundo fizeram hoje pelo Chapecoense depois da tragédia: jogadores serão emprestados ao time, para o campeonato do ano que vem, e o Chapecol não poderá ser rebaixado por três anos; ajuda financeira será oferecida aos familiares e homenagens em campo estão sendo prestadas ao redor do mundo. Uma onda de amor e carinho se espalhou rapidamente pelo coração dos brasileiros. E é assim que tem que ser! Somos mais que a cores, hinos e torcidas. Somos humanos.

Assim, intercambista: Leia, tenha bons argumentos, levante a voz se presenciar uma agressão, chame ajuda... e se cair: se levante rapidamente, se recomponha depois do tropeço e desilusão e SIGA! Hoje estamos e amanhã não sabemos. Assim, façamos do hoje o melhor que pudermos para sermos lembrados como Amor e Luz. 

Aos familiares, amigos e torcedores do Chapecoense, 

O Blog das 30 Au Pairs (ainda) não encontrou palavras para descrever o buraco que ficou em nossos corações com o ocorrido de hoje. Nós desejamos, com todas as nossas forças, que cada um de vocês encontre a paz, a luz e a harmonia que buscam neste momento. As 75 vítimas ainda vivem em seus corações e jamais serão esquecidas. Força, Chape!

Com muito amor,

Tarciana e O Blog das 30 Au Pairs.


Precisando tirar as suas dúvidas: Amiga do tio Sam Au Pair no FB ou aupairtarci@gmail.com

Corações em Silêncio

domingo, novembro 27, 2016


Oi Oi Oi! 

Esse é o meu primeiro post O Blog das 30 Au Pairs e estou MUITO feliz que conseguir escolher todos os dias 27 para escrever... por que? Hoje às 23:55 vou embarcar para Nova York e começar o meu "sonho" em ser Au Pair.



Meu nome é Thais Campbell, tenho 22 anos (na real é 21, mas dia 29/11 faço 22), vou me formar esse mês em Relações Internacionais e a partir do dia 02/11 vou morar em Oakland na Califórnia para cuidar de um bebêzinho LINDO (Sebastian!) de 4 meses. 

Eu já conheço o programa de Au Pair há muitos anos e um dia de março desse ano, resolvi sair de casa e fiz a entrevista em uma agência. Passei e depois disso só veio emoções (último ano da faculdade + TCC + escolher famílias = ansiedade a "Frô" da pele né?!). 

O importante é que deu certo e já já vou estar em terras americanas (a felicidade continua mesmo que o machista, xenófobo, homofóbico e racista ganhou naquele país né? #foraTrump). 

Já vou adiantar que namoro há 4 anos e tenho uma gata chamada Frida, já to me vendo chorando no aeroporto (socorro!). Espero que mesmo com a distância tudo dê certo, né migas? (me falem de histórias felizes de amor!!!).

Eu converso com a minha host family desde abril desse ano, criamos uma ligação forte e sinto que vai ser um ano maravilhoso (Ok ok ok, eu sei que tem altos e baixos.. tá?), pensamento positivo SEMPRE! 

Tenho um blog desde 2012, lá eu falo um pouco do meu dia a dia, minha vida "saudável" (estou tentando voltar ao foco), meus objetivos e agora... sobre a minha vida de AU PAIR!!!! hahahah 

Aqui está as minhas redes sociais:





Prazer, Thais Campbell!

Até todos os dias 27 relatando como é uma vida de au pair em Oakland - Califórnia, baby! :)

Prazer, Au Pair Thais Campbell!

sexta-feira, novembro 25, 2016


 
“Tu foi Au Pair, né?”, ouvi essa pergunta esses dias de uma pessoa que estava pensando em participar deste tipo de intercâmbio. Respondi que sim. Os olhinhos dela brilharam e pude ver que ela queria saber de tudo, mas não sabia o que me perguntar.

“E, foi bom?”, foi a segunda pergunta dela. Respondi que sim, que tive sorte com a família e que me esforcei para que desse certo. Que aprendi muita coisa sobre mim e sobre os outros, que vivenciei momentos bons assim como ruins.

Depois dessa resposta ela pensou por dois segundos e quis saber da Alemanha. E então surgiu a questão do idioma! “Foi difícil aprender alemão?”, a terceira pergunta que ela me fez. Eu ainda aprendo alemão!, eu respondi. Ela riu de mim! Mas é verdade! Eu ainda português. E a palavra de hoje foi “beneplácito” (s.m., expressa consentimento).

Ao embarcar para a Alemanha eu tinha estudado dois anos de alemão, em curso regular, e achava que sabia alguma coisa. Lembro que certo dia, no primeiro mês já na casa de minha família postiça, estávamos tomando café da tarde, a mãe, as três crianças e eu. Eles conversavam sobre o dia que tinha passado, o que fariam no dia seguinte, e eu não estava entendendo nada!!! Desesperei e caí no choro! Todos pararam de falar e me olharam; a mãe postiça levantou, veio até mim, me perguntou o que houve e me abraçou (alemães também amam, gente). Ao retornar ao lugar dela, ela disse calmamente aos filhos “Vamos falar mais devagar para que a Melina entenda, sim?”

Fiz um curso intensivo numa cidade próxima e depois disso melhorei bastante para entendê-los. Esse curso era no período da manhã, enquanto os meninos estavam na escola. Eu saía com eles, mas voltava depois. A mãe esperava eu chegar à tarde e, então, ela ia para o serviço.

Conforme o tempo foi passando e eu fui ficando mais à vontade com o idioma e com a família, eu descobri a biblioteca que eles tinham na sala. E certa manhã eu escolhi um livro, em alemão, para ler. Peguei  Harry Potter, pois pensei  que seria mais fácil por eu já conhecer a historia. Fato é que por eu já conhecer a história se tornou CHATO, pois meu cérebro não precisava pensar em nada, a história que eu já conhecia estava toda lá, mas em outro idioma. Resolvi trocar de livro. Depois de começar uns 3, encontrei um que me agradou e quando a mãe postiça chegou meio-dia, eu vibrei com ela “Peguei esse livro da sala e já li 40 páginas!!”. Ela me disse que aquele era o quarto livro de uma série!! E me indicou o primeiro, já avisando que ela não tinha a coleção completa. Resultado: Eu li a série toda \o/


Além disso, recebíamos o jornal em casa e eu o lia de manhã quando me sobrava tempo. Sempre que eu tinha alguma dúvida quanto a palavras, gramática ou qualquer coisa, que o dicionário não conseguia me resolver, eu perguntava para alguém da família.

Outro exercício que fiz algumas vezes: o pai postiço me contava histórias em inglês e eu tinha que recontar pra ele em alemão. Mas a situação era a seguinte: Ele me falava frases bem construídas com conectores, e eu traduzia resumindo e simplificando. No início achei que eu era muito ruim. Mas uma vez ele me disse que tava ótimo, pois a idéia era eu transmitir a mensagem pra ele e isso eu estava conseguindo.

Em algum momento eu mudei o idioma do meu facebook para alemão. No momento, ele está em espanhol.

Ao terminar de contar isso, essa pessoa que iniciou a conversa toda me disse que queria aprender francês mas tinha medo de errar muito. Contei pra ela que uma vez eu estava conversando com um cara e disse pra ele que eu estava sentada em cima de uma agência bancária, quando eu queria dizer que estava simplesmente sentada num banco. Ela caiu na gargalhada! Eu apontei pra ela rindo e disse que é exatamente isso que vai acontecer se ela errar. Ela vai rir, a outra pessoa vai rir também, mas também vai aprender e nunca mais esquecer.

A dificuldade depende do muro que tu constrói.

Bom dezembro pessoas o//

E, se possível, sugiram temas. O que vocês gostariam de ler por aqui?

O quão difícil é aprender alemão (ou outro idioma)?

segunda-feira, novembro 21, 2016

Oi pessoal, como vocês estão? Espero que estejam bem!

Faz quase dois meses que eu voltei da terra do Tio Sam e considero que tenho me saído muito bem, yay!

Fonte: Google Imagens

Como eu prometi no meu último post, vou contar como está sendo voltar a vida real no Brasil.

Desde o meio desse ano eu já comecei a me preparar pra voltar ao mercado de trabalho quando voltasse ao Brasil. Me formei em Relações Públicas antes de ir pros States e um dos motivos que eu fiz o intercâmbio foi por motivos profissionais (como várias de vocês).

Comecei a trabalhar provisoriamente há uns dias numa loja de fast food, só enquanto espero algumas respostas de trabalho na minha área. Fiquei parada por um mês e não foi fácil. Apesar de sempre ter reclamado que $200 era pouco e blá blá blá, eu pelo menos tinha dinheiro toda semana e quando cheguei aqui me vi pedindo dinheiro pro meu pai pra ir na esquina e isso não me pertence mais. Não gosto de depender financeiramente de ninguém, nunca gostei.

Vejo essa minha nova experiência de trabalho como mais um aprendizado e devo isso ao Au Pair, que abriu meus olhos pra várias outras oportunidades, porque por mais que nós acreditemos as vezes que é um baita de um programa, o baita de um programa vem com trabalho duro e as vezes algumas horas extras que você não conta pro seus amigos. Em contrapartida vem com algumas várias oportunidades de vivência que você nunca imaginaria passar assim tão nova. O Au Pair foi até agora a experiência mais incrível da minha vida.

Falando um pouquinho de vida pessoal, foi ótimo rever família e amigos (não consegui ver todos meus amigos ainda, mas já já eu chego lá), mas eles tem a vida corrida deles e você passa rapidamente de a grande novidade pra o que você era antes do programa, uma amiga, e tudo bem, juro, no heart feelings here.

Eu estou feliz por estar de volta e apesar de ter surtado no exato dia que eu voltei, tudo está indo muito bem so far.

Eu estava ouvindo uma playlist no Spotify outro dia e me deparei com uma música do Shawn Mendes que tem muito a ver com essa fase que eu estou passando agora e gostaria de compartilhar com vocês o link da música no Vagalume. Prestem atenção na letra, é linda demais!

Se tiverem alguma dúvida ou sugestão escrevam nos comentários.

Beijos e até o próximo dia 21!

Bárbara Albuquerque

EXISTE VIDA PÓS AU PAIR

sexta-feira, novembro 18, 2016



Na, gut? (e aí, beleza?) 


Chegar aqui em Viena não foi a mais rápida das viagens. Voei por mais de 30h passando por Guarulhos e Frankfurt e às 17h do dia 30/out, eu tava no aeroporto de Wien esperando pela mãe da família austríaca (Maria). Logo quando cheguei na casa, as duas crianças me receberam com um abraço enorme e tinham feito macarronada e muffins para eu comer. Lecker! (delícia). 

Aqui mora também a ex-pair dos meninos (Dayanna), colombiana e meu anjinho da guarda. Sério, ela me ajuda com tudo desde o que tá relacionado às Kinder (crianças) até coisas sobre a cidade como onde comprar barato, onde tem coisa de graça, etc. Na primeira semana, não trabalhei oficialmente porque a Maria e a Dayanna se revezaram cada dia pra poder me mostrar "was, wie, wo" (o que, como, onde) e assim eu fui anotando tudo no caderninho que a Maria me deu. Nesse caderno também tem uma tabela com os horários que temos que acordar, comer, ir à escola e todas as atividades extras deles (ballet, science lab, fußball, e assim vai). 

O bom é que eles jantam cedo e 20h já estão todos na cama dormindo, como eu não durmo tão cedo, acabo tendo tempo de me dedicar a mim também como assistir um seriado, conversar com alguém ou até mesmo dar uma volta na rua. A Maria vai fazer um esqueminha aqui que depois eu vou contar detalhes mas, por enquanto, eu ainda não fiz nenhum procedimento de visto e por isso não contei nada pra vocês ainda mas no próximo post eu mostro melhor a minha rotina com os meninos, o que gosto e não gosto deles e, se possível, já explico como foi o processo pra obter a permissão de residência, einverstanden (combinado)? 

Amanhã é meu aniversário e estou um pouco triste por ainda não ter amigos aqui. Também estou sem notebook e assim fica mais difícil escrever pra vocês, me comunicar com as pessoas e fazer coisas que eu queria mas logo vou tentar comprar um. 

Dankeschön (muito obrigada) und bussis aus Österreich (e beijos da Áustria). 

Carol Policarpo

Cheguei, e aí?